Desabafo

2 Ossos do oficio


Notas iniciais
"A única coisa que você pode escolher é pelo que você irá arriscar e as vezes precisamos passar dos limites. Sempre achamos que haverá mais tempo. E aí ele acaba. A dor não passa, você só se acostuma com ela."

Antes mesmo de me mudar as coisas começaram a se mostrar um pouco mais complicadas do que eu achava que seriam. Faço parte da massa da população pertencente a classe média baixa portanto, ir embora não seria fácil assim. Primeiro vamos achar alguém para dividir um apê. Olha, eu sou uma pessoa de difícil convivência então imaginem como deve estar sendo a experiência de dividir o apartamento com alguém que é seu oposto. Pra começar, é um menino. Me joga um balde de água fria na cara. Onde eu estava com a cabeça quando pensei que morar com menino seria "de boas"? Também não sei. Bom, achado o colega de quarto agora falta o lugar. Em frente a universidade. Ótimo! Só atravessar a rua e pronto. Aluguel barato, apê legal, fechou. Móveis — viiish! Lembra, leitor, que eu disse que sou pertencente a uma classe não muito favorecida hoje em dia. Mais de R$2000 gastos em móveis foi demais. E olha que comprei tudo do mais barato. Enfim, tudo resolvido. Hora de partir.
O fato de saber que eu não iria embora para sempre não amenizou a dor da despedida. Tentem entender que apesar dos meus estresses em casa, eu amo minha família. Sempre fui muito caseira, sempre fiz tudo com meus irmãos e com minha sobrinha, passava os finais de semana na minha vó tomando chimarrão, sem falar dos meus cachorros. Tenho dez! Só de pensar que não teria mais essas coisas me batia uma tristeza. Nunca pensei em desistir do curso nem nada. Mas as vezes eu queria que tudo fosse diferente. Queria estar na minha casa, na minha cama com minha família e meus cachorros. Ossos do ofício!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.