Derrepentemente
6 Capitulo 5 - Siga em frente!
Notas iniciais
Antes de abrirem a porta, um dos seus irmãos pergunta quem é, e eu repito novamente meu nome, mesmo assim não abrem a porta. Começo a escutar Nanda pedindo para os seus irmãos abrirem, porem aparentemente eles não estão querendo abrir. Então escuto uma pergunta direcionada a mim:
–O que você está procurando aqui? O que você está querendo?
Eu já irritado começo a o responder, não acredito que depois do caminho todo que eu percorri os irmãos dela ainda querem ficar dificultando a nossa situação. A voz parecia de seu irmão mais velho, então eu o respondo:
–Eu vim salvar a Nanda. Vocês já sabiam que eu estava vindo. Porque estão fazendo isso agora que eu cheguei?
Seu irmão parece desnorteado e com medo. Ele não sabe com quem ele ta mexendo. Eu não ia embora sem ela, mesmo se eu tivesse que toma-la deles. Ele então reponde firmemente:
–Nanda não vai a lugar algum! Vai embora cara! Desiste, você não vai nem ver ela. Ela não te quer. Vai embora!
Ele então é interrompido por Nanda que grita desesperadamente demonstrando medo e angustia:
–Gustavo! Eu te amo! Não vai amor, não vai...
E seu irmão grita com ela:
–Cala a boca Nanda! Não atrapalha. A gente só quer fazer o melhor para você. Fica quieta menina!
Depois de escutar a voz dela e o seu irmão falando desse jeito com ela, me irrito mais ainda e a adrenalina já é lançada a minhas veias. Que desgraçado, eu arrisquei a minha vida e a dos meus amigos só para vim salvar e dar esperança para Nanda e ele vem e diz que só está fazendo isso pelo bem dela. Não aguento mais então começo a gritar enfurecido:
–Abre logo essa porta! Eu não quero mais saber de conversinha, se não abrir eu vou arrombar essa porta cara! Não precisa disso, deixem de exagero. Abrem logo isso!
Seu irmão ainda não desiste e fala novamente comigo, porém dessa vez aparentemente mais assustado do que antes:
–Vai embora! Ninguém quem você aqui!
Então perco a noção das minhas atitudes. Paro de pensar e começo somente a agir. Dou um chute na porta e falo:
–Abre logo essa merda cara! Onde que estão seus pais agora? Eles devem estar mortos a essa hora, e se vocês não abrirem logo essa porta, vocês serão os próximos! Vamos cara, abre essa porta logo, você não é homem o bastante?
Isso o ofendeu. Eu já esperava que isso acontecesse, essa foi a minha intenção. Só não sei se o que o ofendeu foi eu ter falado que os pais deles estavam mortos ou quando eu perguntei se ele era homem. Mas tanto faz, o importante é que depois disso ele abriu a porta.
Ele abriu a porta rapidamente e enfurecido. Ele girou a maçaneta e já o vi mirando um murro em meu rosto. Devido aos vários anos que pratiquei boxe, desviei de seu soco e o atingi no queixo, levando-o a cair no chão desnorteado. O outro irmão de Nanda então se aproxima de mim para me atacar, porém nesse momento Paulo já estava mirando em sua cabeça. Ao ver isso ele ficou paralisado e não ousou fazer nada.
Nanda correu em minha direção. Abraçou-me e deu um sutil beijo em minha face. Ela me solta e fica olhado para mim, para Paulo e seus irmãos. Ninguém ousa falar nada, até que eu começo a falar:
–Abaixa a arma Paulo! Eles não farão nada. Eles fazem parte de nós agora.
Os dois irmãos olham para mim e Nanda diz:
–Não precisava dar um murro no Rafael, Gustavo. Não precisava disso!
E eu respondo inpasciente e ajudo a Rafael a levantar-se.
–Eu não queria ter feito isso. Eu só me defendi, ele que me deu um murro. Mas não importa, eu entendo a tensão em que nós estamos devido a nossa situação.
Então olho para Rafael e Igor. Peço desculpas e eles fazem um sinal com a cabeça. Ficamos nos olhando e depois que percebo que está tudo mais calmo, começo a falar:
–Vamos! Peguem suas coisas. Temos um abrigo e vocês iram com a gente. Lá é mais seguro e assim temos mais chance de sobreviver.
Rafael olha para mim e fala mais calmo comigo:
–Mas os nossos pais saíram e não voltaram ainda, temos que espera-los voltar.
Olho para eles com pena, porém já estou decidido e é o melhor para nós.
–Já está escurecendo. Vocês deixarão um bilhete aqui no prédio e vão vim comigo. Seus pais sabem onde é a minha casa. Eu sei como é triste isso, porém vocês não sabem como as coisas estão lá fora. Acreditem, sobreviver não está fácil.
Entristecidos e angustiados, eles concordam comigo e começam a pegar seus objetos pessoais para levar a minha casa. Digo a eles que não devem levar muita coisa, no máximo uma bolsa grande, e somente coisas muito importantes para eles, pois desceremos com essa bagagem nas costas e não precisamos mais de tantos objetos nesse mundo de agora, só precisamos do básico para sobreviver.
Nós já estamos prontos para ir novamente. Nanda faz dois bilhetes, um coloca em cima da mesa de seu apartamento, e o outro levava consigo para deixar na entrada do prédio. Tenho em minha memória que morava no andar de baixo um ex-policial. Perguntei para Nanda e estava certo. Então descemos até ao andar de baixo para vasculhar o apartamento desse senhor, em busca de alguma arma. Na situação que nós estamos, armas nunca seriam demais.
Descemos ao andar de baixo. Nanda aponta o apartamento em questão. Eu retiro a minha arma da cintura e vou bater na porta. Paulo está atrás de mim, atento com sua arma. Chamo e ninguém responde. Então eu giro a maçaneta e descubro que a porta está aberta. Abro-a devagar e começo a entrar no apartamento.
Ao olhar para sala vejo uma cena horrível e desesperadora. Olhamos o apartamento e não tem nem um zumbi, mesmo assim falo para que não deixem a Nanda se aproximar do apartamento, que é melhor que nenhum deles se aproxime.
Guardo a minha arma novamente na cintura e observo a cena aterrorizante que está em minha frente. O ex-policial, um senhor de idade, com uns sessenta e cinco anos e aparentemente sua mulher ao seu lado no sofá, mortos, cada um com um tiro na cabeça. O senhor estava com a arma ainda em sua mão. Provavelmente eles resolveram aceitar a morte, deixando esse mundo logo de uma vez por todas.
Peguei a arma da mão do senhor e a limpei com um pano que se encontrava perto do sofá. Era uma pistola calibre 22. Olhei a munição dela e estava faltando duas balas. Estávamos saindo do apartamento quando me lembrei de algo a mais. Esse senhor tinha uma caminhonete e não precisaria mais dela, então procurei a chave pelo apartamento. Encontrei-a em cima da bancada da cozinha do lado de uma lanterna, peguei os dois objetos e logo em seguida sai do apartamento.
Peguei a arma e dei para Rafael. Eu confiava nele apesar do que tinha ocorrido. Ele então me olhou assustadamente e a guardou em sua cintura. Viramos e descemos agora para o estacionamento. Passamos pelo quinto andar e a barra de ferro ainda estava impedindo a passagem dos zumbis. Mesmo assim Nanda abraçou meu braço enquanto descia, devido ao medo que ela estava sentindo.
Chegamos ao estacionamento. Achamos o carro do ex-policial. O tanque estava cheio. Eu e Nanda fomos para o hall e deixamos o bilhete para os pais dela. Danilo, Paulo e Victor voltaram para o carro pulando novamente a cerca. Eu, Nanda, Rafael e Igor fomos juntos na caminhonete. Rafael foi dirigindo e eu fiquei do seu lado.
Ao sair do estacionamento, Rafael acelerou o carro e tacou contra o portão do prédio, arrebentando-o. Afastou os carros da frente acelerando mais ainda. Conseguimos chegar ao outro lado da rua e então voltamos à avenida na contra mão para não haver problema com os congestionamentos de carros abandonados.
O dia ainda não tinha terminado, mas estávamos totalmente realizados e cansados, cumprimos a nossa missão. Finalmente estávamos a salvos e voltando para casa, com nosso objetivo completamente conquistado, porém o dia ainda não terminou.
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