Derepente Dá Certo
4 Capítulo 4: Chorando ?? O Pedido de desculpas !!
Notas iniciais
Um dia a gente estava brigando muito por causa de um filme que eu queria ver e o Pedro queria ver um programa chatíssimo, só de gols de futebol e então eu disse \" a televisão é MINHA, que meu pai que me deu\"
Então o Pedro foi ficando vermelho ele sempre ficava vermelho quando ele ficava zangado, e disse \"sabe de uma coisa? eu não agüento mais morar nesta casa, tudo é da Magrela, tudo que eu pego ela implica, tudo que eu quero fazer ela caçoa, não poso nem trazer os meus amigos, ela fica com essa cara de besta, de nariz em pé, olhando pra gente como se a gente fosse cocô, não dá mais, a casa é dela, a televisão é dela, o som é dela, não dá mais! Eu vou me embora pra qualquer lugar, qualquer lugar do mundo, mas aqui eu não fico mais!\"
E então ele subiu pro quarto, bateu a porta e se trancou lá dentro.
Minha mãe e o Alfredo estavam estatelados, sem saber o que fazer.
Aí o Alfredo disse pra minha mãe:
— Não zanga com ele, não. Ele ainda é criança. Ele é grandão assim mas só tem 15 anos...
Mas minha mãe cortou o que ele estava dizendo:
— Ele tem toda razão. A Beatriz está impossível! Só vive implicando com ele.
Não pense que é por que é minha filha eu não reparo...
Aí ela virou pra mim, louca da vida:
— Coisa mais feia, que falta de sentimentos! Você vai já la em cima pedir desculpas pro Pedro.
Eu ainda quis reagir, me explicar...
No fundo eu sabia que ela tinha razão. Desde que eles tinham vindo morar em casa que eu estava de marcação com o Pedro.
Mas eu estava morta de vergonha, de que jeito eu ia lá pedir desculpas? O Pedro ia passar o resto da vida me gozando...
Mas a minha mãe estava uma fera, eu nunca tinha visto ela daquele jeito:
— Se não for sozinha eu levo você pela orelha...
Aí eu fui, né? Quer dizer, antes de ir eu rodeei, rodeei, subi a escada, desci a escada, subi de novo, fui até o meu quarto, botei a orelha na parede pra ver se eu escutava alguma coisa, mais não escutei nada...
Então eu cheguei na porta do Pedro e bati. Ele nem respondeu.
Eu bati de novo:
— Pedro deixa eu entrar um pouquinho?
— Vai embora menina não amola- ele respondeu.
— Eu preciso falar com você, preciso mesmo...Por favor...
Então o Pedro abriu a porta e o nariz dele estava vermelho, acho que ele estava chorando e eu fiquei com muita pena dele, puxa vida, um meninão daquele tamanho chorando... E ele era durão, o Pedro.
Uma vez ele tinha feito um corte na perna que só de olhar eu passei mal. E ele nem tinha chorado...
Então eu entrei no quarto dele e começei a chorar, também, não sei o que me deu. E ele ficou muito espantado e eu falei
\"desculpa, puxa vida, que chato!\"
— Tá desculpada — ele falou -, mas vai embora, vê se não enche.
Aí eu fiquei com ódio de novo, que garoto malcriado, mas ele foi me empurando pra fora e fechou a porta na minha cara.
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