Notas iniciais
Gente, desculpa pela demora. Agora, vou voltar a postar os capítulos com mais frequência. Não prometo nada, mas agora a semana está menos cheia :)

Derek

Passei a noite feliz. Não sabia ao certo porquê; talvez fosse por causa de Hilly. Não parava de pensar nela. Aquele negócio da União tinha mexido comigo. Nunca me disseram nada sobre isso, e não fazia a menor ideia que Julius iria me ajudar. Talvez Julius fosse um cara legal de baixo daquela carrancuda expressão de mil anos. Ou talvez ele só estivesse me irritando. Ele adora fazer isso.

Levantei da cama e fui tomar café. Enquanto mexia o café, me toquei que os humanos são estranhos: adoram tomar cafeína. Bem amarga. Ugh.

Depois de refletir sobre bebidas e humanos, fui ao colégio. Chegando lá, já dei de cara com Hilly. Ela parecia mais feliz que o normal. Quando fui perguntar o que era, ela respondeu:

–Ah... Nada não.- ela corou.

–Ah- eu disse, erguendo uma sobrancelha- Então você não vai me dizer? Preciso chamar o Senhor Cócegas para fazer você falar?

Ela piscou e lançou um olhar desafiador sobre mim.

–Não, o Senhor Cócegas não!

Parecíamos dois bobos fazendo cócegas um no outro em frente ao colégio. As pessoas olhavam a cena, estranhando. Eu não ligava. Assim que recuperamos o fôlego, Hilly deu um passo atrás e voltou a corar.

–Bem... Seria estranho se eu dissesse que sonhei com você a noite inteira?

Hesitei. Nossa, isso era... estranho. Eu também sonhara com ela. Parecia que a União realmente existia entre nós. Dei um sorriso.

–Na verdade, não. Sempre sonho com você.

Nos olhamos por um bom tempo. Estava apreciando o momento quando um sujeito de moletom preto passou do meu lado. Ele praticamente esbarrou em mim. Mas quando olhei para ele com uma cara de "Ei, cara. Olha por onde anda", ele continuou andando. Parecia apressado.

–Que cara sem educação.- Disse Hilly, com o cenho franzido.

Concordei com ela. Depois de um segundo, quase paralisei: o cara tinha cheiro de lobo. Isso era inegável. Voltei a olhar para ele, que agora estava distante. Ele usava um moletom escuro e uma calça jeans também escura. Observei atentamente o cara até ele sumir de vista.

–Dear? Está... Tudo bem? — perguntou Hilly, um pouco preocupada.

Me forcei a olhar para ela. Pelo visto, eu parecia muito concentrado naquele estranho.

–Ah... Sim. Ei, já bateu o sinal. Vamos entrar?

Virei-me e entrei no colégio, ainda pensando sobre o lobo que passara. O que será que ele fazia no mundo mortal?

Ao chegar na sala, sentei-me em uma cadeira aos fundos, para evitar que as patricinhas sentassem ao meu lado. Meu plano infelizmente não funcionou. Uma garota que usava uma blusa rosa da panelinha sentou-me ao meu lado, bloqueando a passagem de Hilly.

–Oi, Derek. Ah, acho que você não vai sentar ao lado de Hilly hoje. Puuuxa, que pena. — A garota disse com extrema falsidade.

Encarei a garota. Ela não parava de piscar para mim. Antes que eu pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, senti novamente o cheiro do lobo. Imediatamente, virei-me para a porta. O sujeito entrou.

–Alunos, conheçam Zack. Ele estudará conosco a partir de agora.

Era muito estranho um cara, ainda mais um lobo entrar na escola no meio do ano. Eu não o conhecia de lugar algum. Certamente, não trabalhava para o Conselho. Em seu rosto, tinha uma cicatriz que vinha do pescoço até o queixo. Seus olhos eram castanhos, como o cabelo espetado. Usava piercings na orelha e no nariz.

As pessoas observaram, quietas, o novo aluno sentar-se numa carteira perto da parede. Ninguém disse nada. Provavelmente estavam com medo dele. Zack tinha um jeito de valentão. E eu queria descobrir tudo sobre ele.

As aulas passaram normalmente, mas eu não dava ouvidos aos professores. Observava Zack com extrema atenção. Ele parecia distraído, e nunca falava. Mas uma coisa que me incomodava era sua expressão: imutável, séria. Ele tinha cara de matador de aluguel. E isso de fato existe no mundo místico. Não é raro um vampiro contratar algum lobo para fazer um serviço sujo.

No intervalo, fomos ao refeitório. Decidi seguir o sujeito. Ele não me cheirava nada bem.

Zack andou em direção à sala do zelador vampiro. Me escondi atrás dos arbustos e o observei. Ele andou de um lado para o outro, olhando para a porta da sala. De repente, ele virou a cabeça e deu um sorriso malicioso que era definitivamente terrível.

–Acha que sou idiota? Estou sentindo seu cheiro atrás dos arbustos.

Meu sangue gelou. Um sinal de alerta ficou piscando na minha cabeça. Lentamente, levantei-me e o encarei.

O lobo estreitou os olhos. Andou em minha volta, numa ação agressiva.

–Humm. Então foi você que matou o vampiro?

Decidi não revelar nada ao estranho. Apenas me mantive imóvel e em alerta.

–E quem seria você?- Insistia Zack.

–Eu faço a mesma pergunta, estranho.

O lobo parou e simplesmente deu risada, como se caçoasse de mim.

–Está rindo do quê? Perdeu sua cauda em algum lugar?

Ele parou de rir e voltou a me encarar. Seus olhos adquiriram a cor dourada por um tempo.

–Você se acha muito esperto, filhote. Suponho que vá embora e me deixe trabalhar por aqui.

Rosnei. Não de impaciência nem de raiva. Só não gostava da atitude do sujeito.

–Trabalhar em quê? Por acaso você era amigo do zelador?

Ele me empurrou para a parede, mas segurei firmemente sua mão. O lobo ficou sério.

–Cai fora.

Mostrei minhas presas para ele. Oras, ele não queria cooperar comigo.

–Cai fora você. Deve estar longe de sua matilha, não é, filhotinho? Um cara como você não sabe se comportar no mundo mortal sozinho.

Irritado, Zack tentou me desferir um golpe com a mão. Desviei e o prendi em um mata-leão. Mas lobos são ágeis. Isso quer dizer que o segurei por um tempo, mas ele conseguiu usar as costas contra mim, batendo-as em meu torso. Assim, a briga foi ficando feia, e Zack estava com olhos dourados e garras em vez de unhas.

Fiquei muito preocupado. Não podia deixá-lo se transformar de forma alguma. Alguém poderia ver. Então, corri até os arbustos e pulei a cerca, saindo do colégio. Mas ele me alcançou e conseguiu arranhar meu braço. Revidei dando-lhe um soco no queixo.

A luta ficou tensa. Olhei para o relógio: faltava dez minutos para acabar o intervalo. Então, entrei em pânico; Zack tremia, ameaçando virar lobo a qualquer momento. Eu precisava fazer alguma coisa para impedi-lo. Mas como não tive nenhuma ideia, pensei em fazê-lo desmaiar. Não era a melhor opção, mas não havia pensado em mais nada.

Ficamos rosnando e atacando um ao outro por um tempo. Percebi que meus caninos formigavam, o que me deixou ainda mais em pânico. Tentei me controlar, mas era difícil com outro lobo me ameaçando.

De repente, senti cheiro de humano. Mas não só de humano. No exato instante, meu sangue gelou e eu paralisei. Era Hilly. Hilly estava vindo.

O outro lobo pareceu sentir o cheiro também, e ele se virou em direção dele. Enquanto ele se distraiu, me aproximei rapidamente e dei-lhe um soco na barriga. Foi o soco mais forte que consegui dar. Ele gemeu e caiu de joelhos no chão.

Quando me preparei para finalizá-lo, ouvi os passos de Hilly. Ela chegou perto da cerca, e conseguiu pular sobre ela. Quando chegou ao chão e olhou para mim, ficou em choque. Eu a olhei ainda em pânico. Mas nesse tempo, Zack conseguiu levantar-se e me empurrar para o chão.

Hilly berrou enquanto eu batia a cabeça na calçada. Zack, sem parecer se importar em estar com olhos dourados e garras- além de estar sangrando-, virou-se para Hilly e rosnou.

Esse foi o momento em que percebi que o mundo mortal é perigoso. Tudo o que eu não queria que acontecesse, aconteceu. Meu mundo virou de cabeça para baixo.

Quando consegui me levantar, olhei para Hilly. Ela estava pálida e encarava Zack com olhos esbugalhados. Então, Zack decidiu tornar minha vida em um inferno ainda maior: começou a se transformar em lobisomem.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Continua no próximo capítulo...