Notas iniciais
Depois de meses, que a história girava pela minha cabeça resolvi finalmente posta-lá ♥
Ainda nem estouu acreditando o/

Obrigada por ter se interessado, pela minha fanfic ♥
Tenha uma boa leitura.

Beijos de Luz da Tia Misakiii o/

Eu estava desesperada, estava com lágrimas nos olhos, apertava fortemente meu braço, em uma tentativa vã de não deixar meu sangue se esvair. Um corte profundo causava dor intensa, eu arfava ajoelhada ao lado de uma pedra, podia ver meu inimigo em posição de ataque se aproximando. O desespero tomava conta de meu ser. Ele viria até mim e eu iria morrer... Não... Eu não podia morrer, pelo menos não agora. Eu tinha que lutar de um jeito ou de outro.... Ergui minha espada e urrei, corri até ele. A intensa tempestade fazia com que eu não conseguisse enxergassem muito bem, fazendo assim errar meu alvo. Meu inimigo tomou proveito disso e avançou rapidamente contra mim, só tive tempo de cruzar os braços para me defender os socos que ele lançava.

Ele era mais forte, seus socos faziam meus braços estremecerem de dor, eu precisava pensar em algo. Precisava inverter aquela situação. Enquanto ele continuava a me socar procurei contra-atacar com um chute em seu estômago, que o lançou para longe de onde eu me encontrava. Caminhei com pressa até ele, não podia dar oportunidade para ele se recuperar. Então assim lancei vários pontapés em sua cabeça, antes de morrer eu iria o fazer sentir dor, muita dor.Ele iria me pagar com a própria vida depois de tudo que havia feito. Chutei todas as partes de seu corpo, com toda força que eu tinha, quando notei que ele já não se mexia ergui minha espada acima de seu pescoço. Iria matá-lo da pior forma possível. Lancei minha espada para baixo, meu coração desacelerava de alivio, finalmente aquilo estava acabando, mas meu rival segurou a lamina de minha espada com as duas mãos, impedindo que ela o ferisse. Desesperei-me, coloquei toda força possível, porém aquilo foi em vão. Meu inimigo me deu um chute no rosto me levando ao chão.

Minha espada foi para um lado e eu para o outro. Droga eu estava desarmada... Arrastei-me rapidamente até ela, só que o homem foi mais ágil e a chutou para longe. Um frio tomou meu estômago, o que seria agora? Ele se aproximou sem pressa até mim, pude ver uma parte de seu rosto, graças a um raio, sua face era toda desfigurada e tinha um dos olhos feridos por uma faca, ele me dava medo... Tentei me levantar, só que o homem chutou meu rosto novamente. Lançando-me assim para o chão mais uma vez. Ele se projetou para perto de mim lançando socos e mais socos em minha face, agarrou-me pelos cabelos e saiu me arrastando pelo terreno pedregoso, ferindo assim todas as partes do meu corpo que estavam nuas. Eu só conseguia gritar, sentia lágrimas inundando meu rosto. Aquilo só estava acontecendo por minha culpa, por causa da minha escolha... por causa do meu erro... por causa do Derantime. Ele parou de me arrastar e não demorou a desferir chutes em meu corpo. Eu não conseguia agir, ou ao menos me proteger. Os chutes foram se cessando aos poucos e por um estante eu não apanhava mais. Porque ele havia parado de me bater?

Ouvi os passos do homem cada vez mais distantes, será que ele havia desistido? Um fio de esperança passou pela minha cabeça. Sorrir comigo mesma. Será que eu estava segura? Não... não estava, eu ouvia novamente os seus passos. Droga. Tentei me levantar novamente, só que em consequência da minha ação recebi outro chute, fazendo que eu ficasse deitada de bruços. A dor que percorria meu corpo era imensa, só conseguia chorar e chorar. Queria agir, mas meu corpo não estava mais aguentado. Eu iria morrer...

O homem estava parado em minha frente, com minha espada. Era por isso que ele havia se distanciado. Eu iria morrer pela minha própria arma. E ele estava com, ela erguida em minha frente. Se eu tivesse outra chance... se eu pudesse voltar no tempo e me impedisse de fazer aquela escolha, daria tudo para ter minha vida normal, como era há cinco meses atrás... Mas não, eu não tinha o domínio do tempo, teria que sofrer as consequências... eu tinha que pagar pelo meu pecado... meu grande pecado...

Cinco meses atrás...

Três dias antes da abertura do Derantime...

Estávamos no outono, minha época do ano favorita. A brisa leve fazia todas as folhas passearem pela calçada, folhas de todas as cores e jeitos davam um charme espetacular às calçadas da França. As árvores com poucas folhagens traziam um cenário expendido. Se eu estivesse com uma câmera aquele seria o momento ideal para tirar uma foto.

— Você não acha isso lindo Luke? — perguntei para meu amigo, que me acompanhava até a escola. Ele olhava fixamente para frente e logo virou o rosto para me encarar.

— O que você disse? — interrogou confuso. Às vezes eu me impressionava com a lerdeza dele.

— Sempre me pergunto sempre como você consegue ser tão lerdo... — falei enquanto eu desviava de um gato que estava deitado na calçada — jura que você não prestou atenção nem se quer uma palavra no que eu disse até agora?

— Sim, eu prestei atenção, só que eu me distraí por alguns instantes... e só uma coisa: eu não sou lerdo.

— Até parece que não, Luke. — eu disse em meio de risadas. — Então já que você prestou atenção em tudo...

— Ei, eu não disse tudo! — ele se justificou, rindo.

— Disse, sim! — retruquei.

— Não — ele rebateu.

— Sim — insisti

— Não!

— Sim, Luke! Não seja teimoso! Sim, sim e sim!

— Não, Linsay, não. — ele falou balançando o dedo indicador de um lado para o outro.

— Teimoso! Já que você diz que não prestou atenção em tudo, você deve pelo menos saber o que eu disse há cinco minutos, não é? — perguntei.

— Sim, eu sei. — ele me olhou com uma cara de: eu sou sabichão daqui.

— Ah é? — interroguei

— É! É sim.

— Hummm... Então o que foi que eu disse há cinco minutos atrás?

— O que foi que você disse há cinco minutos? — ele engoliu seco.

— Sim. — afirmei.

— É... Você falou... bem... talvez sobre folhas?

Gargalhei alto.

— Luke, não foi isso que eu disse. — falei em meio das minhas risadas.

— Não foi? — ele levou a mão à cabeça e coçou ela.

— Não, lerdo! Eu não havia dito nada até agora... lerdo, você é lerdo! — afirmei, encarando-o. Pude notar que seu óculos estava com as lentes manchadas.

Ergui minha mão e peguei o óculos de seu rosto para limpa-lo com a ponta do meu casaco.

— Porque você não limpa isso? É capaz de você bater em um poste por causa dessas lentes sujas.

— Eu consigo enxergar perfeitamente bem com elas desse jeito. — ele afirmou.

— Claro que consegue! Afinal você nem precisa usar óculos, Luke.

— É claro que eu preciso— ele afirmou— virou oftalmologista agora?

— Você precisava— eu o corrigi — e na época em que você precisou era só de descanso, quase não tinha grau.

— Isso é uma mentira! — exclamou, Luke sorrindo — Você tem sérios problemas mentais, Lindsay, por isso sabe que não o que diz.

— Ah, é? Então agora eu sou a louca? Agora só me explique isso: — peguei o óculos dele e coloquei em meu rosto. — eu consigo enxergar perfeitamente bem com o seu óculos.

— Isso é porque você é cega, Lindsay. C-e-g-a— ele disse fazendo que as últimas palavras soassem o mais devagar possível, como se eu fosse uma retardada.

— Até parece, Luke— falei enquanto eu tirava o óculos dele do meu rosto. Limpei-o mais uma vez antes de entregá-lo a Luke.

Sempre me perguntei o porquê dele gostar tanto de usar aquele óculos. Fazia dois anos que Luke usava aquilo sem precisar e tudo isso era meio irônico, pois quando ele começou a usá-lo, Luke afirmava que não via à hora de parar de usar aquilo. Parece que as coisas mudaram, o óculos se tornou algo indispensável na vida dele. Acho que ele deve se sentir mais seguro, nunca entendi o motivo e também jamais perguntei a ele sobre isso. Que vergonha! Que imensa vergonha minha. Sorri comigo mesma. Como, eu que me dizia ser a melhor amiga dele, não sabia disso?

— O que foi? — perguntou, Luke pondo uma de suas mãos em meu ombro esquerdo. Despertando-me de meus pensamentos.

— O que foi, o quê? — franzi o cenho.

— Eu que pergunto o que foi. Do nada eu olho pra você e te vejo sorrindo sozinha que nem uma louca.

— Ei! Louco é você, eu estava apenas pensando comigo mesma. Seu lerdo— falei o empurrando de leve para o lado, mas como estávamos andando isso fez com que Luke perdesse o equilíbrio e batesse de frente com uma senhora.

— M-me d-desculpe — falou Luke parando de andar. Ele se justificava para mulher desastrosamente e eu me segurava para não rir.

A senhora não disse se quer uma palavra, apenas o olhou com desdém e voltou a andar.

— Que mal educada! — Luke exclamou vendo a mulher descendo a rua, seguindo seu rumo. Assim ele ficou por alguns segundos, até que ele desviou seu olhar para mim. — Foi tudo sua culpa, Lindsay!

— Minha?! Foi você que não estava olhando para onde andava. — comecei a rir.

— Ah, claro fui eu. Simplesmente deu a louca em mim e resolvi fingir que alguém estava me empurrando, para me chocar com a senhora e apalpá-la.

— Humm... Luke— fiz uma cara de pervertida — não sabia que você curtia mulheres mais velhas.

— Hahaha... muito engraçado! — ele deu um sorriso forçado que me fez rir.

—Vamos, Luke. Vamos voltar a andar, senão vamos perder o ônibus— falei puxando-o pela manga de sua camisa.

Ele assentiu e voltamos a andar. Passamos o trajeto inteiro em silêncio, pois eu queria ficar observando a beleza da minha cidade com a chegada do outono e Luke sabia o quanto aquele momento era importante para mim, já que eu não saía muito de casa e não tinha muita oportunidade de ficar admirando Paris. Estava tudo tão lindo, eu podia sentir que meus olhos brilhavam.

Passamos por alguns quarteirões até chegarmos à parada de ônibus. Eu havia passado apenas alguns minutos olhando para o cenário esplêndido da cidade, mas com certeza valeu apena.

Quando havíamos chegado procurei me sentar no banco de espera e logo Luke sentou ao meu lado.

— Que horas são? — perguntei em meio de um bocejo— Falta muito tempo até que o ônibus chegue?

— Acho que são... — Luke puxou a manga de sua blusa revelando seu relógio de pulso. — São seis e vinte e quadro, então falta apenas seis minutos até que o ônibus apareça.

— Não acredito... — falei me encostando minha cabeça no banco — acho que vou dormir até que ele apareça.

— Nem é tanto tempo, Lindsay. Olhe! Já passou um minuto.

— É muito tempo sim... Ei Luke será que hoje a gente pega o ônibus de dois andares? — eu disse me desencostando do banco em um tom animado.

— Não sei. Talvez sim, talvez não. Você sabe que não existem muitos por aqui. — ele estalava os dedos enquanto falava.

Os ônibus de dois andares eram os meus favoritos, apesar de que eu só andei somente duas vezes em um deles. Eles eram mais confortáveis, bonitos, legais e infinitas coisas melhores que os comuns. O único problema era que não existiam muitos por aqui. O que tornava bem raro uma pessoa andar até mais de duas vezes em um deles. O prefeito da cidade havia fechado um acordo nos últimos três meses afirmando que a cidade mudaria o padrão dos ônibus. Mudando assim para outros mais modernos, os de dois andares, mas seria algo gradual não repentino. Então até que a cidade seja completamente padronizada com o novo modelo, seria raro pegar algum deles. Você deve está se perguntando, o porquê para eu estar tão animada. Realmente se você nunca andou em um deles para vê com é incrível.

Encostei-me novamente a minha cabeça no banco. Eu estava cansada, pois passei praticamente a noite toda acordada resolvendo alguns exercícios de matemática, que eram bem complicados. Pelo menos eu havia respondido quase tudo.

Fechei meus olhos, eu aproveitaria os poucos minutos que me restava para tirar um cochilo. Luke continuava a falar comigo como se eu estivesse prestando atenção, coitado, ele não havia percebido que eu havia fechado os olhos, mas depois de um tempinho as palavras dele cessaram.

Quando você está cansado, não importa o quão horrível e desconfortável seja o local, mas sempre se tronará o lugar mais confortável para se tirar um cochilo, até mesmo um banco de uma parada de ônibus.

Eu poderia passar o resto do dia aqui, dormindo, relaxando, mas meus minutos de descanso duraram pouco. Senti Luke me cutucando e me remexendo de um lado para o outro.

— Lindsay, Lindsay — ele me chacoalhava, mas meu corpo se recusava a abrir os olhos. — Lindsay acorde! Vamos perder o ônibus. Meu Deus... Ande acorde.

Senti uma dor terrível em meu braço, o que me fez abrir os olhos bruscamente. — Ai! — exclamei — Você me beliscou?

— Finalmente! — ele falou levantando os braços para cima e saindo do banco. — Lindsay, vamos perder o ônibus, se levante!

Bocejei e esfreguei meus olhos. Para falar a verdade eu não estava com vontade nenhuma de me levantar ou muito mesmos chegar adiantada na escola hoje. Talvez se eu pedisse com jeito, Luke poderia desistir de chegar cedo. Ergui minha cabeça para encará-lo, estava prestes a falar sobre minha ideia, só que eu vi algo que tirou todas as palavras da minha boca.Não consegui acreditar no que eu estava vendo, era o ônibus de dois andares. Sentia meus olhos brilhando, foi como se todo aquele cansaço e o sono tivessem ido embora. Levantei-me em uma fração de segundo e puxei Luke pelo pulso apressadamente.

— Não fique parado ai! Vamos entrar— eu falava em um tom animado.

— Não era você que estava fazendo questão de perder o ônibus, parece que o jogo virou, não é mesmo?

— Hahaha... Muito engraçado Luke, muito engraçado. — Eu disse entrado no veículo e logo ele em seguida.

Pude notar que o motorista estava bem estressado com a minha demora, antes de avançar mais para dentro do veiculo mostrei meu passe livre e o motorista assentiu. Eu já poderia ir me sentar. Fui em direção às escadas que davam acesso ao andar de cima, que ficavam no final do ônibus.

— Lindsay, espere! — Luke me chamava de longe, perto ainda do motorista, provavelmente ele havia perdido o passe livre dentro da mochila. Esperei alguns segundos até Luke encontrar-lo. Assim ele mostrou o passe para o motorista e pôde prosseguir.

— Não vamos ficar no andar de baixo? — perguntou ele me alcançando.

— Posso te perguntar uma coisa? Qual é a graça de você pegar um ônibus de dois andares, sem ir no andar de cima? — interroguei-o

— Bem, é que... — ele coçou a cabeça— você sabe que eu tenho um pouco medo de altura...

— Não acredito que esse é o motivo de você não ir para o andar de cima... — pus minhas mãos na cintura— eu fico na janela, se você quiser.

— Tudo bem... Só se...

De repente o ônibus voltou a andar fazendo assim que Luke fosse mais para frente e me empresando contra a parte de trás do ônibus. Estávamos tão perto que eu comecei a ficar completamente vermelha e ele também. Só que eu fiquei tão desesperada com aquilo que acabei o empurrando para frente e com o movimento do ônibus ele se esborrachou no chão.

— Ai meu Deus, Luke! — fui até ele me apoiando nos bancos para não cair — Você esta bem?

— Ai... — ele se impulsionou para frente tentando se levantar.

— Me desculpe! — pus uma de minhas mão no meu rosto.— Não consigo passar um minuto sem fazer besteira.

— Sem problema, Lindsay — ao falar isso eu ergui minha mão para ajudá-lo a se levantar e logo ele estava de pé.

— Me desculpe Luke, se você quiser a gente até ficar no andar de baixo mesmo... — procurei uma forma de me redimir.

— Não, não tem problema, Lindsay. Eu sei que você quer ir lá para cima — ele sorriu, sempre agradeci à Deus por ter um amigo como Luke.

Ao concluir a frase ele se dirigiu até as escadas e foi para o andar de cima e eu o segui. Chegando à parte superior notei que Luke estava meio trêmulo, por conta de seu medo de altura, ele agarrava firmemente nas barras de apoio do ônibus. Procurei no ônibus vago um lugar para me sentar, eram tantos lugares, mas eu sempre prefiro me sentar nas cadeiras que ficam no meio do ônibus. Não sei o porquê dessa minha mania. Fui em direção ao meio do veículo e me aconcheguei em uma cadeira ao lado da janela, percebi que Luke ainda estava lá parado, segurando nas barras de apoio dos passageiros.

— Ei! Luke — falei chamando sua atenção e logo ele virou o rosto para me encarar— Você vai em pé ou vou vai se sentar?

— Vou me sentar— ele falou soltando a barra e se apoiando nos bancos para não cair. Logo ele chegou ao meu lado e se sentou.

— Que hora é, Luke? — perguntei o encarando.

— Para quê essa obsessão pelas horas? Ainda é cedo, provavelmente vamos chegar trinta minutos antes do normal.

Não respondi nada, apenas o fitei por algum tempo e ele franziu o cenho.

— O que foi, Lindsay? Tem alguma coisa na minha cara?

— Nada... Apenas só estou te observando já que eu não tenho nada a dizer. —falei, enquanto botava minhas mãos nos bolsos do meu casaco.

Luke não respondeu nada, apenas ficou em silêncio. Eu desviei meu olhar para a janela, comecei a observar o trajeto em que o ônibus passava para matar o tempo, mas logo Luke quebrou novamente o silêncio que ali estava.

— Você é sortuda! — afirmou.

— O quê? — virei meu rosto para encará-lo. — Como assim?

— Seus olhos...

— Os meus olhos? — questionei sem entender nada.

— Sim!

— O que há neles, que me torna uma pessoa sortuda? — perguntei.

— Fala sério, seus olhos são lindos! Você já notou a cor deles? Eles são azuis! — ele exclamava

— Não vejo grande coisa neles. São olhos como qual quer outros.

— Você fala isso, Lindsay porque não tem olhos escuros. Seus olhos são lindos, você em si é bonita. Você tem cabelos logos e escuros, um rosto bonito, olhos claros, apesar de que você é branca demais— ele riu — você deveria tomar sol daqui uns dias vai estar mais branca do que um papel, ás vezes me pergunto como você continua encalhada por tantos anos!— eu achei o elogio dele fofo, mas foi até ouvir a parte final que eu mudei de idéia. Me chamar de encalhada! Ele iria ver só...ergui minha mão é dei um tapa em seu ombro com força.

— Ai! — ele exclamou. — O quê foi? Não sabe ouvir a realidade, Lindsay? — ele deu uma risada.

— Quem é você para falar alguma coisa? — pus minha mão na cintura. — Não sabia que você tinha virado o Sr. Pegador da escola.

Luke não respondeu nada, apensas caiu na risada que logo me contagiou.

— Desde quando peguei a fama do Derek? — perguntou Luke.

— Desde que você resolveu criticar meu estado civil! — ele apenas sorriu com a minha resposta.

Esperei por uma resposta de Luke, mas o mesmo não disse nada apenas riu e voltou a encarar o nada. Odiava quando ele fazia isso, quando ele parava de falar na melhor parte da conversa. Eu poderia cutucá-lo e chamar sua atenção para voltarmos a conversar, porém achei melhor o silêncio que estava. Comecei a fitar ele novamente. Sempre me perguntei como Luke não havia arranjado uma namorada... quer dizer, ele é bonito. Ele é alto, loiro, não é tão musculoso, mas não era tão magro. Bem, ele é o tipo ideal que toda garota quer: inteligente, divertido, engraçado... Surpreendo-me por não ter uma fila de garotas implorando simplesmente por um beijo e ainda me surpreendo mais por ele não andar com os caras mais desejados da escola. Como a vida é irônica! Sorri comigo mesma e voltei meu rosto para a janela.

Assim fiquei até chegarmos ao nosso destino. O ônibus nos deixava em frente à escola na qual nos estudarmos.

Descemos do veículo e fomos até a entrada da escola. O porteiro estava cabisbaixo, provavelmente estava tirando um cochilo.

— Pierre. — chamei-o e vagarosamente ele foi abrindo os olhos.

— Oh, me perdoe! — ele falou em meio de um bocejo. — Só estava aproveitando um pouco, já que ninguém chega tão cedo na escola ao não serem vocês.

— Não há nenhum problema. — sorri — Pierre, você poderia abrir o portão para entrarmos?

— Ah, sim... Havia me esquecido. — ele falou e logo apertou um botão de um controle. Assim o portão foi aberto.

— Obrigado, Pierre. Au revoir! — despediu-se Luke, adentrando na escola antes que Pierre fechasse o portão novamente.

Caminhamos lentamente até nossa sala. Os corredores estavam impecáveis, porém quando soasse o recreio durante o dia os corredores seriam praticamente virados de cabeça para baixo pelos alunos.

Luke parou enfrente a nossa sala e abriu a porta para entramos, olhei em volta do lugar e como sempre estava vazia. Nem mesmo o professor havia chegado. É isso que dá chegar vinte minutos antes do horário que os portões são abertos.

Procurei me sentar no meu local de costume, a primeira cadeira da fileira de frente com a mesa do professor. Sempre gostei de sentar nas primeiras cadeiras, conseguia prestar atenção na aula, mas eu era uma das poucas que gostavam de sentar ali.

Aconcheguei-me na minha carteira e peguei meu livro na mochila. Eu tinha que concluir essa atividade, recuso-me a entregar o livro a professora com algum item faltando.

— Luke, qual foi a página da atividade?

— Bem, acho que... — ele se sentou no chão e abriu sua mochila, pegando assim seu livro de matemática. — É a página trezentos e cinqüenta e cinco. Para quê você quer saber?

— É porque eu não terminei tudo... E não quero entregar a professora com algo em branco.

—Quantas questões você deixou em branco? — ele respondeu se levantando e indo se sentar em seu lugar de costume, ao meu lado.

— Um item. — respondi

— O quê? Não acha que você quebrou a sua cabeça demais com isso? Lindsay, não acha melhor deixar isso de lado? A professora não vai te condenar por não ter respondido apenas um item! Ela passou 20 questões e você respondeu todas. Além do mais você é a aluna número um da sala, suas notas são as melhores. Não tem que se preocupar com isso. — Assim que ele concluiu a frase ele se voltou para seu livro e abriu na página do exercício e me mostrou. — Está vendo? Eu deixei quase tudo em branco! Posso gostar de estudar, mas não preciso ter toda essa obsessão em deixar tudo perfeito.

Dito isso eu abaixei minha cabeça. Talvez ele estivesse certo... ou não. Talvez você deve está pensando: ‘’Com certeza, ela é uma verdadeira nerd’’.

Ah,nerd... É uma palavra tão feia. Digamos que eu não me considero isso. Apenas gosto de estudar um pouco mais que os outros, não havia nada de mal nisso. Minhas notas são as melhores de toda turma, mas eu não estou só nesse barco! Luke está em segundo colocado depois de mim. Se você achou que a nossa vida era uma montanha russa de emoções e diversões, estava enganado. Nossa vida se resume em estudar, estudar e estudar.

Ouvi um rangido na porta, que me despertou dos meus pensamentos. Desviei meu olhar para a entrada da sala e notei que era alguém chegando, era ninguém menos que Mary Read. Seu longo cabelo lilás com uma franja, que ocultava toda sua testa, contrastava com a cor branca das paredes da sala. Eu não falava muito com ela, quer dizer ela não falava com praticamente com ninguém, além de Morgan, sua melhor amiga. Ela se dirigiu até o fundo da sala e se sentou no lugar seu de costume. Ao contrário dos lugares da frente os do fundo eram os mais disputáveis, quase toda turma queria se sentar por lá. Ai sim, quem queria garantir seu lugar no fundo tinha que chegar cedo. Assim que Mary havia se sentado no seu lugar, Morgan entrava na sala. Ao invés de Mary, Morgan era muito simpática. Como eu sabia? Simplesmente por ter feito um trabalho com ela ano passado e desde então todo lugar em que ela me vê sempre me cumprimenta. Sei que não parece grande coisa, mas não é todo mundo que faz isso hoje em dia.

Ela passou perto ao local onde eu estava e me deu um sorriso e eu retribuí. Assim a mesma foi em direção ao fundo e se sentou ao lado de sua melhor amiga. Assim com Mary, Morgan tinha os cabelos coloridos, só que o dela era vermelho ao invés de lilás e ela tinha também um corte Chanel.

Sempre quis ter um cabelo colorido, mas pela desaprovação da minha mãe quanto a isso, eu nunca mudaria o tom do meu cabelo. Ficaria com esse tom de preto sem graça talvez até sair de casa. Outra coisa que eu sempre sonhei foi colocar um piercing, assim como os de Mary e Morgan. Mary tinha piercings nas bochechas e Morgan tinha um no nariz.

Achava aquelas garotas incríveis. Elas pareciam levar a vida muito à toa. Não pareciam viver uma vida monótona quanto a minha. Não era inveja, mas sempre quis ter uma vida como a delas. Sem se preocupar com nada, não ligar para o que os outros dizem e ao menos ligar para ser ou não a mais inteligente da turma.

Mas a realidade não era assim. Eu queria que algo mudasse a minha vida, algo que a vira-se de ponta à cabeça, que me transformasse em uma nova pessoa... Será que isso era pedir de mais? Eu só quero que as coisas mudem! Estou cansada de ser assim.

***

Eu gostaria de nunca ter desejado isso... Talvez eu não estivesse nessa situação em que eu estou agora. Esse era meu último suspiro, eu iria morrer agora, com o gosto amargo de culpa em minha boca.

Notas finais
A Tia Misaki, deseja muito que você tenha gostado
Até o próximo capítulo, meu pureshasu ♥

Ps: Pureshasu, significa= precioso(a) ( Sim, mal conheço você, mas considero meu precioso(a), pelo simples motivo de ter lido a minha fanfic ♥ Isso significa muito para mim.

Bejos, Bejos da Tia Misaki
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.