Depêndencia

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Esta fanfic é dedicada à Gê, ao aniversário dela especificamente, espero que você aprecie meu momôr, ficou ruinzinha mas a fiz de coração. ♥

Dependência

Era inaceitável que isso acontecesse, decididamente inaceitável.

Ele não deveria tê-lo conhecido, não mesmo. Era insano, arriscado, ele não podia, não deveria, arcar com as consequências! Num gesto de frustração, Nezumi colocou a cabeça entre as mãos, seu rosto, de traços suaves, agora estava contorcido numa careta de desgosto. Ele sabia, é claro. Sabia desde o início, desde aquela noite, há quatro anos, e mesmo assim, não se afastou. Não conseguiu.

Soltando algumas risadinhas incrédulas, cujo som era irônico, Nezumi voltou a observar a velha porta do banheiro, da onde se podia ouvir claramente o som do velho chuveiro ligado. Depois de alguns minutos, se achando completamente ridículo, o rapaz de cabelos escuros desencostou-se da parede suja, voltando ao quarto, batendo a porta e se jogando desajeitadamente sobre a cama.

Mesmo depois de fazer tudo o que pode para não pensar em Shion — se revirou na cama acomodando-se de vários modos, colocou o travesseiro sobre o rosto, pensou em mil e uma idiotices, como em quais legumes foram colocados na sopa do jantar, se levantou, caminhou pelo quarto, pegou aleatoriamente um livro e tentou ler -, sem ter mais o que inventar, ele se obrigou a se acalmar superficialmente e voltou à cama, deitando-se e colocando o braço direito sobre os olhos para que a luz não viesse a estes.

Shion havia lhe tomado a sanidade, pensou consigo, ou melhor, ele havia lhe tomado tudo: seu coração, que ele julgava impenetrável por trás das muralhas que tinha construído ao seu redor, já não batia para manter seu corpo vivo, batia por ele, para ele; seus pensamentos, antes lúcidos e racionais, agora eram todos voltados para ele, sempre para ele; nem mesmo seus desejos, tão rigorosamente controlados desde pequeno, já não tinham mais foco que não fosse ele. Sua própria alma, sua essência, o garoto domara e possuía, fazendo delas o que bem quisesse. E tudo isso, ironicamente, sem com que Shion levantasse um dedo. Aliás, pensou com um sorrisinho sarcástico, era bem provável que o jovem de cabelos brancos nem soubesse que o tinha tão completamente.

“Eu estou dependente de Shion, profundamente dependente.” O rapaz disse em voz alta, pensando no quanto necessitava ver a imagem de Shion todos os dias, seus ouvidos ansiosos por ouvir sua voz, seus dedos por tocar sua pele macia, observar seu sorriso inocente, vê-lo corar. Ele sorriu, os cantos de sua boca se levantando levemente, ao lembrar-se do rosto de Shion corado, um acontecimento inédito.

Suspirou. A cada semana, a cada dia, a cada minuto perto dele, essa dependência se fortalecia e se aprofundava, tomando seu ser, pouco a pouco, domando-o de dentro para fora. E Nezumi tinha consciência disso, oh, claro que tinha. “Eu tentei resistir” disse a si mesmo. “Tentei fugir, manter-me afastado, afastá-lo de mim, mas ele não deixou.” Até para si seu tom parecia sem forças.

– Você não precisa e nem deve se afastar de mim. – a voz de Shion falou próxima.

Repentinamente atento ao fato de que não escutara a entrada de Shion, Nezumi tirou o braço do rosto e se sentou na cama, encarando o rosto levemente molhado de Shion. Os olhos vermelhos do menor o encaravam com toda a determinação do mundo.

Crispando os lábios, Nezumi respondeu rispidamente: — Não sabe o que está dizendo.

– Tenho total noção do que estou dizendo. – Shion rebateu.

– É mesmo? – Nezumi perguntou irônico — E em primeiro lugar, por acaso eu lhe disse que estava a falar de ti? – O tom de voz de Nezumi era sarcástico.

Shion piscou uma, duas vezes, um pouco de incerteza vazou em sua voz, mas seus olhos continuavam teimosos: — E de quem mais poderia ser?

Nezumi não respondeu. O rapaz de olhos cinzentos simplesmente se levantou pegando seu casaco, e, colocando o cachecol, foi em direção a porta.

– Aonde vai? – Sentiu seu pulso sendo puxado, e a voz de Shion chegando aos seus ouvidos, com timbres de preocupação.

– Dar uma volta. – Falou-lhe impassível.

– Está tarde. Deixe para amanhã.

– Solte-me Shion. – A pressão em seu pulso aumentou. Nezumi virou-se, irritado: – Agora!

– Não. – Disse-lhe o menor, suavemente.

Nezumi puxou seu pulso com violência, mas acabou por Shion ser levado junto, e, num impulso, o maior tomou-lhe os lábios voluptuosamente, como há muito tempo queria fazer. Os olhos carmins arregalaram-se por alguns segundos, mas logo se fecharam, o garoto agarrando com as duas mãos a blusa do maior, tentando retribuir o beijo, desajeitadamente. Nezumi segurou os cabelos brancos do menor, sentindo sua suavidade e maciez, enquanto sua outra mão apertava o pescoço, o dedão acariciando a parte lateral deste. Suas línguas brigavam por espaço, e Nezumi apertou Shion contra seu corpo, desejando que este momento nunca acabasse.

O albino gemeu baixinho com o ato, e seu companheiro sentiu o corpo do garoto ficar rígido por tê-lo feito, a face já quente. Nezumi sabia que ele estava mais vermelho do que o tomate maduro que cortara para colocar na sopa e muito, muito envergonhado. O garoto de olhos vermelhos sentiu o riso de Nezumi em seus lábios, os ombros e peito tremendo violentamente.

– O que é? – Shion perguntou ainda mais corado, mas encarando-o nos olhos.

Nezumi ainda gargalhou por alguns minutos antes de se controlar e responder: — Não consigo ficar irritado com você por muito tempo. – Ele comentou mais pra si mesmo do que para Shion. – Você não existe.

E assim dando um leve meio sorriso, Nezumi deu um beijinho nos lábios de Shion e pegou uma toalha no armário, indo tomar banho enquanto Shion o seguia com seus olhos confusos, mas com um sorriso nos lábios.

Notas finais
Bom, é isso, espero que tenham gostado. O final não ficou exatamente como eu planejava, mas é isso aí. Au revoir~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!