Depression

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Diamonds, essa história é como a história da Sexualidade, eu não descrevi ambiente e nem personagens por não ser o intuito principal da história.

Eu comento sobre suicídio na historia, se isso por acaso te der pensamentos ruins, pare de ler isso e vá fazer algo diferente que te deixe melhor. Se cuidem, por favor.

Boa leitura.

Don’t wanna talk anymore

I’m obsessed with silence

I go home and I lock my door

I can hear the sirens

Alice resmungou uma vez ouvindo Solitaire de Marina and The Diamonds alto em seus ouvidos enquanto estava acordando. Ela piscou e resmungou de novo pegando seu celular para olhar o horário. 08:21. Quase quatro horas de sono, era um recorde.

A primeira aula de anatomia já havia começado na faculdade, porém como ontem ela havia passado muito bem, tinha vomitado e seu estomago estava horrível, então ficou em casa. Seu estomago parecia melhor, não doía e nem a vazia se contorcer, talvez não estivesse completamente melhor, contudo estava tranquila.

— Conseguiu dormir com suas músicas? – perguntou uma menina deitada ao lado de Alice, que ainda tinha os fones tocando musica alta em seus ouvidos e mesmo assim conseguia ouvir a outra garota – Ou eu fiz muito barulho de novo?

Alice resmungou novamente esfregando o rosto, ligando o WiFi para ver se havia alguma notificação que ela possa ter perdido.

— Quatro horas de sono. – murmurou ela – Poderiam ter sido mais se eu conseguisse dormir mais cedo.

— Desculpa, mas você sabe que eu gosto de falar. – a menina sorriu colocando o cabelo atrás da orelha.

Alice revirou os olhos e suspirou magoada percebendo que não havia recebido nenhuma mensagem.

— Eu sei que você não cala a boca em determinados dias. – Alice se sentou na ponta da cama e se espreguiçou.

— Não fale como se você não gostasse de me ouvir.

— E não gosto mesmo. – sussurrou Alice colocando as mãos sobre os olhos – Eu odeio te ouvir falar.

— Não seja rude, depois você não sabe por que ninguém gosta de você, com essa atitude pessoas não querem se aproximar.

— Pessoas não gostam de mim porque tenho me afastar delas por sua causa.

— E tem as pessoas que se afastam de você por minha causa e ai que você odeia elas mesmo. – a garota sorriu irônica – Você diz que odeia me ouvir falar, porém odeia quando te abandonam por minha causa, acho que você gosta muito mesmo de mim.

Alice riu sem humor, ainda sentada com as pernas para fora da cama, com a luz apagada e sem tirar os fones. Agora ouvia Doubt do Twenty One Pilots.

— Eu não acho certo ser deixada por sua causa. Frank disse que…

— Frank é outro que logo vai te deixar por minha causa também…

— Ele disse que quem não aceita sua presença na minha vida não deveria contar como alguém importante e ele tem razão.

A outra garota encarou Alice e sentou-se na cama, apoiando suas costas na cabeceira.

— Você tem certeza de que quer já sair da cama? Ainda é cedo, não tem nada pra fazer, você pode continuar aqui. – ela disse olhando Alice que ainda estava na mesma posição, parecia incerta em aceitar o que ela dizia – Vamos, daqui a pouco você se levanta, continua ouvindo suas músicas mais um pouco e ai você vai fazer alguma coisa.

Alice assentiu e achou que a outra garota tinha razão, era apenas oito e ela estava sozinha em casa, poderia demorar mais um pouco para se levantar e fazer algo. Ela se deitou e se cobriu com seu cobertor fofinho e começou a mexer no seu celular ouvindo Crazy=Genius do Panic! At The Disco.

{ … }

11:42. Alice estava com fome e ainda não tinha se levantado da sua cama, tinha apenas ido ao banheiro uma vez. Sua playlist já havia repetido e ela não havia feito nada. Dessa vez ela se levantou e saiu do quarto sem ouvir a outra garota chamar-lhe e falar que ficar na cama seria melhor. A garota seguiu Alice e ficou sentada no balcão enquanto Alice tirava coisas da geladeira e colocava ao lado da pia.

— Você vai comer por quê? – perguntou a garota observadora balançando as pernas.

— Porque tenho fome. – Alice estava exausta, sua voz até estava rouca de tanto tempo que passou acordada segurando o choro.

Ela colocou abriu um pote e puxou um pedaço de queixo cheddar de dentro.

— Tem certeza que você quer comer mesmo? – a garota se esticava tentando ver por cima do ombro de Alice – Queijo cheddar? Não tem nada mais calórico, não? – perguntou ela irônica – Porque você não come um bolo de chocolate inteiro? Não seria mais leve?

— Não exagera, é só um pedaço de queijo. – rosnou Alice posicionando o queijo sobre do pão de forma.

— Eu estou exagerando pra abrir sua cabeça. – falou a outra garota cruzando os braços – Você já tem muitas dobras…

— Não tem nada de errado com elas. – cortou Alice ainda segurando o queijo sobre o pão.

— Você acha isso, mas os garotos não, como algum garoto vai querer namorar você se você tem essas estrias e essa gordura a mais?

— Eu não preciso de garotos, garotas não se importam. – apesar de querer parecer firme, Alice titubeava sobre as alegações da outra garota, ela estava considerando em deixar o queijo no pote de novo, que estava até amolecendo entre seus quentes dedos.

— Você é quem pensa. – afirmou a garota dando um sorriso cínico – Ninguém vai querer alguém que use uma calça cinquenta igual você.

Os olhos de Alice arderam pelas lágrimas que desejavam cair. Ela fungou e guardou o queijo de volta no pote e o colocou na geladeira.

— Talvez seja melhor só tomar uma água. – aconselhou a garota descendo da bancada.

— Mas eu estou com fome. – Alice resmungou ainda fungando.

— Você não vai morrer de fome, tem gordura o suficiente para consumir. – a garota tocou os braços de Alice comandando os braços de ela a pegarem as coisas da geladeira e colocar de volta na geladeira e guardar o pão, depois a puxou pelos ombros e a levou diante do filtro e esperou que ela pegasse um copo e colocasse água, sorrindo por Alice tê-la ouvido ela lhe fez carinho – Você vai me agradecer depois quando estiver linda e as pessoas vão realmente te querer. Já que algumas pessoas não me aceitam talvez aceitem quando você for bonita.

— O Frank diz que eu sou bonita já. – afirmou Alice tremendo um pouco para tomar sua água porque seu corpo estava todo se tencionando para não chorar.

— E quem é o Frank e porque ele diria a verdade? – a outra garota cruzou os braços sorrindo maldosa enquanto via o corpo de Alice tremer com a vontade de chorar.

— Ele é meu melhor amigo faz três anos e ele me ama. – uma lágrima escorreu pela bochecha de Alice que logo a limpou engolindo a água com dificuldade.

— Nem você se ama, porque ele amaria? – Alice começou a soluçar baixinho deixando as lágrimas virem e descerem pelas suas bochechas queimando seus olhos – Não chore, eu não queria te magoar, eu só quero te mostrar a realidade.

Alice se sentou à mesa da cozinha, jogando a cabeça contra as mãos enquanto apoiava os cotovelos na mesa chorando em silencio, seu corpo tremia e seus lábios abriam em gritos mudos. A outra garota ficou em pé olhando para Alice, de braços cruzados, esperando que ela parasse de chorar.

— Você sabe onde estão os remédios e sabe quantos tem que tomar. – murmurou a garota.

Alice assentiu concordando com a ideia de tomar remédios que Frank escondia muito mal no quarto dele. A tristeza que ela sentia não lhe fazia bem, continuar vivendo muito menos, aqueles remédios que Frank guardava para ela (mais escondia porque já houveram incidentes com esses remédios no passado) a deixariam sonolenta e como ela sabia que Frank ainda demoraria pra voltar para o apartamento deles, seria o plano perfeito.

Ao notar que estava realmente cogitando aquilo, que seu cérebro aceitava aquilo muito bem, que sua vontade era se levantar e pegar as caixas pregadas atrás do criado-mudo de Frank (ele achou que ali ela não acharia só que ele não sabe a quantidade de vezes que ela já enfiou empurrou aquele criado-mudo e pegou os remédios, olhou-os por sei lá quantos minutos e os colocou de volta no lugar.) e tomar quatro remédios de pílula branca e três de pílula azul, Alice chorou mais alto soluçando como se gritasse por ajuda, suas mãos trêmulas pegaram seu telefone e logo seu celular estava chamando, ligando para Frank. Alice não tirava os olhos da garota a sua frente que lhe dava ideia ruins, que a fazia querer tomar remédios a mais e não tomar a quantidade necessária no horário certo.

O celular chamava e chamava e chamava e chamava. Caixa postal.

Alice soluçou alto desligando o celular ainda tremendo, amedrontada de si mesma. Ela precisava conversar com alguém que gostasse, mas Frank devia estar ocupado com a faculdade e não poderia lhe dar atenção.

— Falei que ele te abandonaria também. – afirmou a garota dando de ombros – Você não quis me ouvir.

— O Frank está ocupado! – exclamou Alice, irritada, para a outra garota em meio ao choro.

A garota revirou os olhos e movimentou a mão desdenhando.

— Ocupado com amigos legais e pessoas normais, não acha, Alice?

— Ele deve estar fazendo algo importante na faculdade. – murmurou Alice para si mesma.

— Acredite no que quiser, no fundo você sabe que eu estou certa.

Alice correu para seu quarto e bateu a porta. A garota com ela logo estava batendo na porta.

— Não faça isso, Alice, você sabe que eu só quero ajudar.

— Vai se fuder. – Alice rosnou indo atrás dos seus fones de ouvido.

— Olha aí sendo rude de novo.

Alice deitou na cama colocando os fones, fechando os olhos deixou a música tocar e as lágrimas caírem pelos seus olhos enquanto ouvia Tyler Joseph cantar Screen bem alto em seus ouvidos para silenciar tudo a sua volta. As lágrimas desciam mais devagar agora, o choro não era mais tão desesperado por ajuda, era um choro aliviado, seu coração estava se acalmando, estava tão acelerado antes, o medo que teve de si mesma provocou aquilo, e agora, com ajuda de Tyler e sua música, seu medo estava diminuindo.

— “We're broken, we're broken, we're broken, we're broken people” – cantou ela soltando um leve soluço limpando as lágrimas que estava escorrendo para trás de seu pescoço.

{ … }

15:16. Alice estava mais calma. Finalmente o susto tinha passado e nem pensar nos remédios tinha pensado, as musicas tinham finalmente sido mais altas que a garota que tinha ficado do outro lado da porta e surpreendentemente não tinha tentado entrar nem pedia para tal até aquele momento.

— Seu surto já passou, Alice? Vai me deixar entrar? – perguntou a garota.

A porta nunca foi trancada, a outra garota apenas estava do lado de fora por não ter se disposto a tentar abrir a porta. Alice estava sentada a sua escrivaninha com uma folha diante de si, uma caneta preta na sua mão esquerda – ela é canhota – e um cenho franzido. No topo da folha estava escrito, com a letra de Frank, “O que me deixou feliz hoje:”, Alice encarava aquelas palavras tentando pensar em algo que a fez feliz naquele dia sozinha até o momento.

— Você só chorou e pensou em suicídio, o que há de feliz? – perguntou a garota atrás da porta.

No I don't care if I sing off key

I found myself in my melodies

I sing for love, I sing for me

Sia cantou nos ouvidos de Alice, que tentava ignorar aquilo atrás da porta que resmungava ao longe por estar sendo silenciada aos poucos pela música, coisa que não tinha acontecido noite passada até às quatro da manhã quando finalmente a música foi mais alta que as palavras amargas da garota do outro lado.

“Acordei e não estava mais passando mal”, escreveu Alice depois de fazer outro tópico naquela folha que estava cheia até a metade de coisas que Alice se obrigava a escrever quando estava muito triste, como Frank havia pedido.

“Uma borboleta bonita pousou na mesa do restaurante que dividia com Frank na hora do almoço”, era um dos tópicos na lista que Alice leu em silêncio.

— Borboletas são tão patéticas, algumas vivem apenas um dia, nem conseguem procriar. Uma única tarefa na vida e não concluem. – cuspiu a garotas do outro lado da porta.

Alice tremeu segurando as lágrimas que queriam lhe machucar de novo e leu o próximo tópico. “Ouvi um pássaro cantando de manhã durante a aula”.

— Lembra que você tinha um passarinho de estimação quando era pequena e seu pai disse que ele morreu e certeza que seu pai o matou porque não aguentava ouvi-lo cantar? – perguntou ela à Alice.

— Papai amava o nosso pássaro, ele chorou mais do que eu – afirmou ela a si mesma – adorava ouvi-lo cantar, pedia que ele cantasse quando abria a porta da varanda.

“Comi um delicioso sorvete de creme com pedaços de bolacha”, leu Alice.

— Isso. – riu a garota atrás da porta – Continua engordando. Depois vive solteira e só com o Frank para dizer que é seu amigo e não sabe por quê.

“Uma menina bonita me deu o telefone dela”. Lágrimas brotavam nos olhos de Alice, lágrimas de ódio, aquelas que fazem sua garganta fechar e ardem mais que as de tristeza.

— Você nunca ligou ou mandou mensagem para ela porque tinha medo que ela soubesse de mim e sumisse como todos os outros. – a garota riu novamente – Patética. Como uma borboleta.

— CALA A BOCA! – gritou Alice arranhando sua garganta pela força que usou para tirar aquele grito de dentro de si, olhando para a porta que ficou embaçada com todas as lágrimas de ódio que estavam escorrendo deles molhando suas bochechas, fechando seu nariz a fazendo respirar pela boca.

“Frank e eu assistimos Hairspray e interpretamos o filme todo”, Alice leu.

Silêncio.

“Eu chorei de rir hoje com Frank porque ele estava cutucando o nariz na loja de tintas e deixou o vendedor envergonhado”, Alice riu se lembrando daquele dia.

Mais silêncio.

“Quis escrever um poema e não tive bloqueio criativo”.

Silêncio. Silêncio. Silêncio.

Uma lágrima aliviada desceu pelo rosto de Alice, limpando todas as outras lágrimas horríveis que derramara até aquele momento do dia.

{ … }

18:23.

— Alice! – chamou Frank da porta do apartamento, depois de limpar seus sapatos no tapete, entrou – Alice! – chamou ele novamente.

Alice abriu a porta do quarto e saiu correndo do seu quarto se jogando nos braços dele. Frank deixou sua mochila cair para poder segurar Alice, abraçando a cintura dela, deixando que ela deitasse a cabeça dela nos seus ombros apertando-o com força e sentindo-se ser apertada com a mesma força.

— Desculpa não ter atendido antes, estava ocupado com a porcaria de uma prova. – ele bufou acariciando as costas dela – Eu ia ligar, mas tive que correr pra fazer um projeto. Desculpa mesmo.

— Não tem problema agora, você já está aqui. – afirmou Alice sendo colocada no chão.

Frank acariciou o cabelo dela notando nos olhos dela que ela havia chorado muito naquele dia e que pelo inchaço de seus olhos ela havia chorado a noite toda até dormir.

— Como está seu estomago? – perguntou ele fingindo não ter notado isso ainda – Melhorou? Ou você vomitou mais?

— Eu acordei melhor.

Frank pegou a mão dela e a puxou para a sala, sentando no sofá, puxando a garota para sentar-se contra ele, apoiando-a contra a lateral do seu tronco, deixando a cabeça dela em seu ombro enquanto acariciava seus cabelos.

— Você comeu? – perguntou ele escondendo a preocupação em sua voz o melhor que pode. O maior medo que Frank tinha quando sumia o dia todo era que Alice deixasse de comer. Se ele soubesse que Alice sabia onde ele escondia os remédios tarja preta dela, teria mais preocupações ainda, sempre mudaria os remédios de lugar por medo que ela os encontrasse e os tomasse em doses letais.

— Eu tive medo de passar mal de novo. – mentiu Alice.

— Então você não comeu?

— Não. – murmurou Alice baixinho.

— Eu notei por esse hálito horrível seu. – afirmou Frank querendo brincar e não falar que estava magoado por ela não comer como ele sempre pede que ela faça e deixá-la triste também.

Alice sorriu.

— Vamos fazer assim – ele olhou no seu relógio – eu vou fazer uma comida para nós, um misto quente talvez, já que tem um queijo cheddar delicioso na geladeira e aí vamos tomar os remédios, ok?

Alice assentiu e Frank se levantou a puxando com ele, levando-a para a cozinha. Alice se sentou à mesa enquanto Frank abria a geladeira pegando o mesmo pote com queijo que ela havia se negado a comer antes.

— Como você está? – perguntou ele pegando o pão de forma no armário – Você… – ele respirou fundo tentando se controlar para não chorar também, pensar que a pessoa mais importante da vida dele tinha uma doença tão terrível quanto a que Alice tinha o deixava triste, mas chorar na frente dela a deixaria triste e ele não queria isso aquele dia pelo jeito que percebeu que ela havia chorado tanto – Você parece que chorou hoje.

Alice suspirou.

— Às vezes ela fala muito. – contou Alice exausta.

— Música não ajudou? – perguntou Frank passando manteiga na parte do pão que ficaria para fora e seria frita na frigideira.

— Um pouco, na verdade bastante, mas você sabe que é difícil não ouvir aquilo que tá dentro da sua cabeça.

— Eu queria saber muito como calar sua depressão. – confessou Frank pegando a frigideira.

— Se nem você não consegue me calar, Alice, como ele acha que vai fazer isso? Você nunca vai me calar tempo o suficiente, eu sempre vou estar aqui. – afirmou a garota que acompanhou Alice o dia todo, que a impediu de dormir, que a xingou, que a fez chorar, que a deixou nervosa, que a fez acreditar que Frank não se preocupa com ela, que nunca alguém gostaria dela.

Depressão.

— Você ajuda a deixar ela mais quieta. – afirmou Alice sentindo o resmungo da garota ser apenas um sussurro baixo em sua orelha – Você faz mais do que o suficiente sempre.

Frank sorriu e se aproximou de Alice beijando a testa dela.

— Eu me preocupo tanto com você, Alice. – Frank disse acariciando o rosto dela.

— Mentira. – o sussurro era mais baixo.

— Eu queria tanto sumir com essa desgraça, queria você bem. Não gosto do medo de que você pode me abandonar em algum momento.

Abandonar?— o sussurro veio seguido de um riso – Só eu que consegue ouvir a palavra “suicida”?

— Você escreveu alguma coisa na nossa listinha de coisas que te fizeram feliz no dia? – perguntou Frank. Ele sempre se incluía nas coisas que era para Alice fazer. “Vamos tomar remédios”, “nossa listinha”, sempre se incluindo para Alice sempre saber que não estava sozinha naquilo.

— Sim, escrevi. – respondeu Alice observando o garoto se afastar para poder fazer os sanduiches.

— Maravilha. – Frank sorriu para ela por cima do ombro – Você não está sozinha, ok, Alice? – Frank a olhou – Você não está sozinha, eu vou estar aqui para te ajudar sempre, tá?

— Sim, eu sei. Mas parte do meu cérebro não sabe, é difícil calar seu cérebro usando seu cérebro.

Não é que eu não saiba, eu só sei a verdade. – o sussurro era bem distante, mas ainda era ouvido por Alice.

— Eu… eu estava pensando em mandar uma mensagem para aquela garota bonita que me deu o telefone dela na biblioteca aquele dia. – afirmou Alice.

Patética, ela não vai te querer se você tem a mim. – Alice ouviu apenas um murmuro, não conseguiu decifrar a palavra que foi abafada completamente pelo sorriso alegre de Frank.

— Isso! – disse Frank animado – Manda sim! – Frank riu jovialmente fazendo Alice rir junto – Isso me deixa tão feliz. Ela parecia uma garota muito legal. Manda mensagem, manda aquela teta esquerda.

— Porque é a minha melhor teta né? – perguntou Alice rindo da piada interna que eles tinham criado juntos.

— Claro.

Alice comeu sentindo a fraqueza por não ter comido nada desde as oito da noite do dia anterior bater finalmente. O sussurro tinha sumido e a garota que acompanhava os sussurros também, Alice suspirou aliviada e levemente exausta.

Depressão é uma doença séria, que deve ser levada a sério e que deve ser cuidada. Nunca chame de frescura, nunca diga que é apenas algo para chamar atenção, você apenas alimenta a garota atrás da porta e faz a voz dela ser tão alta que nem uma música no último volume em fones de ouvido é capaz de abafar.

Se você por acaso ouve essa garota. Procure ajuda de quem você gosta e que sente que gosta de você, se alguém te deixar ou disser coisas que alimentem essa garota não fique triste, elas não contam, elas não importam, elas não sabem como é ser criticada e ouvir mentiras de uma doença dentro de você nem como é conviver com isso e nem a força que tem que ser usada para não ouvir ou ignorar ou não acatar coisas ruins que ela diz.

Você tem a força necessária para combater isso e quem realmente importa vai te dar mais força ainda para te ajudar. Não se esconda, não tenha medo. Sei que ela não vai embora, sei que ela vai continuar aí por muito e muito tempo, talvez até sumirá por um tempo e voltará no futuro, mas você é forte o suficiente para passar por cima dela e continuar vivendo um dia de cada vez, com um momento feliz no dia de cada, por mais pequeno que seja e por mais que pareça insignificante. Acredite em si mesmo como o Frank acredita em Alice, como Frank sempre reforça para que Alice acredite em si mesma, como eu acredito em mim.

Our brains are sick, but that is okay. – Fake you out, Twenty One Pilots

Notas finais
Comentem e me digam o que acharam, Diamonds.

Beijinhos, amo vocês, eu acredito em vocês, tchau.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!