Senti um vento frio no rosto e então abri os olhos; eu estava vendo tudo embaraçado, mas depois de alguns longos segundos consegui distinguir o cenário em que me encontrava. Eu estava deitada dentro da cabana, coberta por um edredom. Minha cabeça doía bastante, meu estômago embolava de fome, mas mesmo assim me levantei no intuito de ver o que estava acontecendo lá fora. Peguei o meu Iphone e olhei no relógio, já eram 4:00h da manhã. Saí de dentro da cabana pendendo para os lados, como se fosse cair, mas o Miguel veio até mim rapidamente e me segurou.

Miguel: Você tá bem, amor?

Helena: É, eu acho que sim. – tentei sorrir, mas nem sei se consegui. – já é tarde. O que tá acontecendo?

Miguel: Apareceram mais dois vampiros e tivemos que acabar com eles. – disse com seriedade.

Helena: Como assim tivemos?

Miguel: Pois é, eu ajudei a matá-los. – sorriu – Não poderia deixar que acontecesse alguma coisa com você.

Helena: Ajudou? – suspirei – Miguel, você não sabe o quanto isso é perigoso? E o que estamos fazendo aqui ainda, não já devíamos ter ido embora? – as palavras saíram atropeladas umas pelas outras.

Wudson: Mas é exatamente esse o problema... – ele aproximou-se de nós e colocou a mão no meu ombro – o motorista do ônibus só virá nos buscar daqui a dois dias...

Helena: E vamos ter que tentar sobreviver até lá? – disse decepcionada.

Wudson: Os caçadores, amigos da Lorena, disseram que iram nos ajudar. Venha conhecê-los, Helena. – ele foi andando e eu e o Miguel fomos seguindo-o. Assim que me aproximei, um dos caras, o de jaqueta de couro, se auto-apresentou para mim.

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- E aí. – sorriu – Eu sou o Matheus, mas pode me chamar de Matt. É um prazer conhecê-la. – apertei sua mão como forma de cumprimento. O Miguel ficou só observando, já com ciúme do olhar do Matt pra mim.

Helena: Helena. O prazer é meu. – sorri envergonhada.

Matt: E esse aqui é o André, meu primo. – mostrando-me o cara de camisa xadrez.

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André: Olá Helena – sorridente, me deu a mão e eu a apertei, como com o Matt.

Helena: Oi. – retribui o sorriso e olhei para os lados. Só agora percebi que tinha menos gente do que antes... – Pera ai, onde é que tá todo mundo? Cadê a Gabi? – comecei a me preocupar.

Miguel: Fica calma amor. – me abraçou – a Gabi tava com dor de cabeça e foi deitar.

Helena: Sim, mas e o Caio? E o resto do pessoal?

Miguel: O Caio tá lá com a Gabi, a galera do Roger também foi pra a cabana, com Marina e companhia, e nós, estamos aqui. – beijou o meu rosto e me abraçou.

Helena: E aquele menino ali? – apontei para um garoto caído no chão, a alguns metros de nós.

Matt: Virou comida de vampiro, infelizmente.

Helena: E onde estão os vampiros? – olhei a minha volta.

André: Relaxa, já acabamos com ele. – piscou – e o seu namoradinho aqui até nos ajudou – deu uns tapas no ombro do Miguel.

Helena: É, tô sabendo. – sorri. A Lorena veio se aproximando de nós, andando lentamente, junto com o homem-lobo de mãos dadas. Ãn?

Lore: E então Leninha, tudo esclarecido? – sorriu.

Helena: Nem tudo. – olhei para as mãos dela e do seu ‘amigo’. Ela percebeu e deu risada.

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Lore: Somos namorados. – apertou a bochecha do homem-lobo, olhando nos olhos dele.

Helena: Uau. Quanta surpresa pra um dia só... – olhei para o nada, refletindo.

Lore: Pois é. Vem aqui comigo que eu te conto a história toda. – segurou a minha mão e me levou até a cabana dela. Nós sentamos e começamos a conversar.

A Lore me contou a história mais inacreditável que eu já poderia ter ouvido. Ela me disse que naquele dia depois da festa, quando a levamos ao hospital, ela havia sido transformada em vampira, mas que agora já é de novo a Lorena humana mesmo. A bebida que a ofereceram na boate aquela noite era nada mais nada menos do que sangue de vampiro; ela bebeu e foi automaticamente transmutada. O vampiro que lhe deu o sangue a levou para aquela praça onde a encontramos no intuito de entregar-lhe a alguém, talvez um chefe que quisesse novas criaturas para aumentar o ninho. Mas ela disse que antes que o tal chefe chegasse, ela se desesperou para ir embora, sem nem saber o que estava acontecendo e o vampiro aplicou nela alguma coisa que a fizesse dormir.

Helena: Mas quando te encontramos você estava sozinha...

Lore: Pois é, e é ai que começa a minha história de amor. – sorriu apaixonada – Lembra que tinha um cachorro lambendo minhas mãos quando você e o Miguel chegaram?

Helena: Lembro sim, mas... – pensei um pouco – Vai me dizer que era o homem-lobo?

Lore: Homem-lobo não, Felipe, haha. Mas enfim, era ele sim. Ele matou o vampiro lá antes que eu acordasse, e quando acordei já não me lembrava de mais nada. E foi ai que resolvi ligar pra vocês, pra pedir ajuda...

Helena: Ah, sei... Mas o ‘Felipe’ ontem parecia ter uns dois metros de altura, e naquele dia era como um cão qualquer.

Lore: Pois é, ele muda de tamanho quando quer dar uma disfarçada. – piscou pra mim.

Helena: Uhum, certo. – sorri – Mas tem uma coisa nessa história que ainda não consegui entender... – disse curiosa – Se o Felipe mata vampiros, porque ele não te matou também? Ele não sabia que você era uma vampira?

Lore: Então... Ele sabia sim. Mas me cheirou antes de me matar e percebeu que eu ainda não havia “bebido” ninguém. A verdade é que ele se encantou com o meu rostinho lindo kk; e como já tinha ouvido falar de uma cura pra vampirismo, achou que talvez valesse a pena tentar comigo.

Helena: Ah, saquei! É igual ao Sobrenatural, como quando o Dean foi transformado em vampiro. Se você já tivesse atacado alguém não teria mais jeito, mas como não atacou...

Lore: ... Eu tinha a chance de ser Lorena de novo! – riu – É isso aí, amiga.

Helena: Nossa... – sorri meio sem graça – e eu que pensava que isso tudo era ficção...

Lore: Pois é. Eu queria poder acreditar que fosse, mas não. – entristeceu-se – É vida real.

E então ela me contou detalhadamente o porquê de ter desaparecido daquele jeito, sem deixar rastros. O Felipe deixou que eu a levasse da praça, juntamente com o Miguel, para que ele pudesse, antes de qualquer coisa, informar ao Matt e ao André sobre a Lore e ver assim o que eles achavam da sua idéia de salvá-la. A idéia foi aprovada com sucesso: A Lore seria cobaia de um trio de caçadores, em que inclusive, um deles era um skinwalker, na experiência de tentar eliminar sangue de vampiro do seu corpo transmutado. E graças a Deus deu tudo certo; a Lore nem sequer passou mal ao tomar a mistura louca que eles fizeram. Quanto ao que houve no hospital, o Felipe entrou no quarto da Lore (sem ninguém ver), em sua ‘versão-humana’, é claro, e explicou a ela o que estava acontecendo. Por algum motivo ela acreditou nele logo de cara e os dois pularam pela janela. Ele, transformado no belo lobo de dois metros, e ela montada nele; pronta para ‘ganhar o mundo’, ou perdê-lo de uma vez.

Assim que a Lore terminou de me contar sua história, a Gabi chegou nos chamando.

Gabi: Vamos gente, hora de ir pra casa. – ela parecia feliz.

Helena: Como assim hora de ir pra casa? Pensei que estivéssemos presos aqui... – perguntei desconfiada.

Gabi: E estávamos, mas aí o Matt e o André deram um jeito. Vamos?

Uma ponta de esperança brotou no meu coraçãozinho. Estaríamos livres daquele inferno todo?

***

Saímos da cabana e fomos em direção aos caçadores. O resto do pessoal que havia sobrevivido, estava arrumando suas malas para partir. Mas partir como? Afinal, nessa mata não havia nenhum sinal de celular para fazer ligação nem tinha automóvel nenhum pra a gente se mandar, mas... Pera aí. – olhei ao meu redor – Que barulho de motor é esse?

Matt: Eu não disse? – sorriu olhando para os meninos, que pareciam aliviados. Depois ele olhou para o lugar de onde vinha o barulho de motor e cruzou os braços, como se estivesse esperando tranquilamente que algo chegasse.

E então se aproximou de nós um carro velho, barulhento, porém com bastante espaço. O motorista era um senhor de mais ou menos 50 anos, com um semblante cansado e infeliz, que estacionou o automóvel e desceu para cumprimentar o Matt e o André.

- Que droga, cara! Eu sabia que estariam aqui. – disse o homem ao Matt.

Matt: Pois é Eddie, estávamos esperando por você. – abraçou o homem. – Será que tinha como você levar essas pessoas a cidade mais próxima?

- E quem são essas pessoas? – perguntou curioso.

André: Estudantes. Vieram acampar e apareceram alguns vampiros.

- Alguém morreu?

Matt: Sim.

- Mas vocês sabem que não posso levar todos. – olhou em volta – são muitos e eu teria que dar pelo menos umas três viagens.

Felipe: Então dê Eddie. Não podemos deixar essas pessoas aqui. – abraçou a Lore. – nós também viemos de carro. Está um pouco afastado daqui, mas podemos levar alguns deles conosco.

Lore: Então faz assim – pegou na minha mão – vem conosco a Leninha, o Miguel, a Gabi e o Caio. Mesmo apertadinho, acho que dá pra a gente ir. O resto você leva, certo Eddie?

O homem balançou a cabeça afirmativamente e chamou os seus passageiros, que logo entraram no carro. O Miguel me abraçou e fomos andando, seguindo o Matt, o André, o Felipe e a Lore, mata adentro.

Notas finais
Ainda tô criando o próximo capítulo, ok leitores? Enquanto isso, vão comentando a vontade! rsrs