Depois que o sol se pôe
10 Cruel Realidade
Gastamos uns 15 a 20 minutos para chegar até o carro dos rapazes. Imaginei que fosse um Chevy Impala 67, assim como o do Dean, mas na verdade era um carro comum, bastante sujo e sem placa. Provavelmente era roubado. Entramos.
Matt: Querem cerveja? – disse ele levantando uma garrafa de Schin. Todos recusaram, menos o Felipe.
Helena: Pra onde vamos agora? – eu estava exausta e bastante pensativa.
Gabi: Pra casa, amiga. – ao dizer isso, todos se entreolharam e a Gabi demonstrou aflição – não é gente?
Lore: E o que vão dizer quando chegarem lá com apenas a metade do grupo que veio?
Gabi: Isso não importa. Tudo o que eu quero é ir pra casa... – uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
Caio: Não chora, amor – beijou na testa da namorada – vai ficar tudo bem. – abraçou-a.
E então, o Matt finalmente ligou o carro e seguimos viagem.
Dormi durante todo o percurso, ou melhor, tentei, porque a cada momento eu tinha um sonho ruim e acordava assustada. Pude ouvir, enquanto cochilava, o Miguel sussurrando lentamente em meu ouvido:
“Eu nunca vou te abandonar, minha princesa. Eu te amo e enquanto eu estiver por perto prometo que cada de ruim vai acontecer contigo”.
Sorri ao ouvir isso, mas eu estava tão exausta que não consegui abrir os olhos ou dizer uma palavra sequer. O apertei forte e agradeci a Deus por ter salvado nossas vidas. O Miguel acariciou o meu cabelo e rapidamente voltei a dormir.
***
Miguel narrando.
Coitada da Leninha. Ela não merecia ter passado por tudo isso... E olhando-a dormir no meu colo percebo o qual frágil é o meu maior tesouro. A Helena é o meu ponto fraco e se algo acontecesse com ela eu não sei o que faria...
Sussurrei algumas palavras ao seu ouvido e mesmo dormindo, inconscientemente ela sorriu. Sorri de volta.
***
Olhei através da janela do carro e já estava começando a anoitecer. Peguei um cobertor dentro de uma das malas e cobri a Helena que dormia profundamente. Eu estava morrendo de sono, mas não podia me atrever a dormir também. Seria como deixar ela vulnerável e eu tinha que estar ativo caso algo aparecesse... Mas felizmente não apareceu. Depois de algumas horas chegamos à cidade e a Helena ainda dormia.
Miguel: Amor... Já chegamos. – toquei o rosto dela.
Helena: Hum? – até mesmo acordando ela era linda. Abriu os olhos. – Chegamos?
Miguel: Sim, venha. Estão todos te esperando lá fora. Sua mãe já soube do que aconteceu, mas liguei pra ela e a acalmei. Ela disse que em poucos minutos estaria aqui. – ao ouvir isso a Lena levantou depressa e saímos de dentro do carro.
***
Helena narrando.
Ou a gente chegou muito rápido ou eu dormi tanto que não percebi.
Depois que saí do carro olhei a minha volta. Parecia que as pessoas do bairro inteiro estavam reunidas ali. Haviam jornalistas entrevistando o professor Wudson e alguns dos alunos sobreviventes que de tanto chorar não conseguiam falar, os familiares dos que morreram também estavam presentes, gritando desesperados, desmaiando ou já sendo levados por uma ambulância... Era um barulho estressante e doloroso e eu não via a hora de sair dali.
Gabi: Amiga, você tá bem? – disse tocando no meu braço.
Helena: Sim Gabi, obrigada. Só a minha cabeça que tá doendo um pouco, mas vai passar. Tá tudo bem. – sorri. O Miguel me abraçou. – Mas e então, que história estão contando a polícia?
Caio: Lobos. Quem ia acreditar em vampiros? – aproximou-se de nós e segurou a mão da Gabi.
Helena: Meu Deus, eu tô em Sobrenatural. – tentei rir. Todos se entreolharam e riram por alguns segundos. Enquanto isso a minha mãe foi chegando, quase que correndo em minha direção e fui ao seu encontro. – Mãe! – abracei-a.
Mãe: Minha filha! – segurou o meu rosto e me encarou – Não sabe o quanto eu fiquei preocupada quando vi os seus colegas chegarem e você não... – chorou – Porque demoraram tanto?
Helena: É que viemos em outro carro, mãe. Mas estamos bem, fica fria. – abracei-a novamente e olhei a minha volta. – Ué, cadê a Lore? E o Felipe? E os caçadores, onde estão todos eles? – falei disparadamente.
Mãe: Lore?! Lorena está viva? – perguntou assustada.
Helena: Sim mãe – suspirei – mas essa é uma longa história, depois te conto.
Gabi: Bem, – olhou para mim – na verdade a vida da Lore não é mais como a nossa, você sabe Lena. – encarou-me e eu demonstrei compreender – Então ela preferiu ir embora antes que a mãe dela a visse... E o Felipe, o Matt e o André tem muito trabalho a fazer ainda, não podiam perder tempo aqui conosco.
Helena: Uhum, entendi... – refletindo.
Mãe: Mas eu não estou entendendo nada... – olhou pra o Miguel – me explica, filho?
Miguel: Claro, mãe. – abraçou-a e foram conversar separadamente.
Helena: Foi tão bom rever a Lore... – disse pensativa – Pena que nessas circunstâncias. – olhei para o nada.
Gabi: É... – aproximou-se de mim – mas pelo menos agora a gente sabe que ela tá bem, né? E é isso o que importa. – sorriu sem graça.
Caio: Verdade... Mas acho que nós nunca mais seremos os mesmos... Nem o colégio. – entristeceu-se – nem dá pra acreditar que a professora Maísa morreu e mais aquele monte de gente. – meu coração ficou apertado ao ouvir isso.
Helena: Mas vamos esquecer né, gente? Tentar superar. Mais uma vez. – respirei fundo e a Gabi me abraçou.
Gabi: Nós vamos sim. – sorriu e me olhou nos olhos. Enquanto isso, o Miguel e a minha mãe aproximaram-se de nós. Ele com a cabeça baixa e ela com um olhar assustado.
Mãe: Não posso acreditar. – encarou cada um de nós – Vampiros? Sério?
Miguel: Desculpa, mas você pediu a verdade, mãe. – olhou pra ela – não confia em mim?
Mãe: Claro que sim, meu garoto. – respondeu lentamente – Parece impossível, mas eu acredito e confio em cada um de vocês. – sorriu e olhou para o céu. – Obrigada meu Deus, por trazer essas crianças de volta pra mim – silenciou-se por alguns segundos e depois começou a chorar, então todos nós fomos abraça-la.
Helena: Mas essa história morre aqui, tá bom? Levaremos esse segredo ao túmulo.
Gabi: É assim que os Winchesters fariam. – riu. Automaticamente todos nós rimos.
Conversamos por mais algum tempo, depois uma jornalista veio até nós pedindo depoimento, mas apenas o Miguel e o Caio falaram. Sobre lobos assassinos, pois é. A área já estava esvaziando quando senti fome e chamei todo mundo pra ir jantar lá em casa. A Gabi e o Caio recusaram, pois tinham que ir pra casa ver seus pais, que até então não sabiam de nada. O Miguel ligou pra sua mãe e tentou avisá-la também, calmamente para que ela não se assustasse e graças a Deus sua reação não foi tão ruim, mas ela o fez prometer que chegaria em casa antes das 10h.
***
Miguel narrando.
Passados alguns dias, nossas vidas foram finalmente voltando ao normal. A Leninha, que agora já sabia o que tinha acontecido com sua amiga Lorena, estava bem mais viva e alegre, a Gabi mais apaixonada do que nunca, eu resolvi de uma vez por todas a minha briga com o Pablo (ganhei, é claro) e o Caio também teve a sua vez de dar o troco. E que troco. Mas como o moleque não aceita perder, ainda podemos considerar que temos rixa com ele. Coitado.
A Marina teve que fazer tratamentos psicológicos para superar o incidente do Camp e começou a namorar com o Roger (corno) que a ajudou bastante em sua recuperação. O colégio passou quase um mês inteiro sem aulas, por luto dos dois professores e dos alunos (não sei quantos) que morreram, mas enfim, as aulas voltaram; mesmo sem ninguém ter disposição pra isso.
Era sexta-feira e eu marquei com a Leninha de assistir filme na casa dela. Quanto eu estava terminando de me arrumar, recebi uma mensagem de texto no celular via internet. Era da Leninha, pedindo que eu a encontrasse na frente de um bar. Estranho. Mas como ela é cheia de surpresas resolvi ir.
Ao chegar lá, o bar estava fechado e as ruas desertas. Que brincadeira é essa? Fui andando rumo à casa da Helena até passar por uma rua bastante escura e ter o pressentimento de que alguém estava me seguindo. Olhei para trás, mas não vi ninguém. Continuei andando, mas dessa vez com passos mais rápidos. Ao dobrar a esquina, alguém veio em minha direção e me nocauteou. Mas foi tudo tão rápido que nem sequer notei quem era. Simplesmente desmaiei.
***
Helena narrando.
Já são 9h e o Miguel ainda não chegou. Marquei com ele às 7:30h, ele não devia ter se atrasado tanto. Estava tão ansioso para assistir Os Vingadores comigo... Será que aconteceu alguma coisa?
Resolvi ligar pra ele. A ligação deu na caixa as 15 vezes que tentei, chamando até cair. Será que ele tá me traindo? Não, melhor não pensar nisso. Liguei uma última vez e uma mulher atendeu. Ãn?
# Alô? – sua voz estava trêmula e tinha um sotaque engraçado.
Helena # Quem está falando? – eu já estava ficando histérica.
# Ah... Não importa. Esse celular tá chamando aqui há horas, na calçada do bar e eu não tô conseguindo fuder direito, minha amiga. Dá um tempo ai, valeu?
Helena # Como é que é? Que bar? – fiquei confusa.
# Rock N’ Bar. Se for seu, vem buscar logo essa droga. – gemeu – O cara tá aqui estressado por sua causa, vadia. – após dizer isso ela desligou na minha cara. Depois a vadia sou eu, cada uma.
Eu não sabia onde ficava esse bar, então pedi pra o Caio e a Gabi irem comigo procura-lo. Aparentemente atrapalhei a ‘foda’ deles também, mas não tô nem ai. Preciso encontrar o Miguel.
***
Chegando ao bar, vi um casal de drogados fumando, encostados na parede e o celular do Miguel jogado no chão ao lado deles.
Helena: Miguel! – gritei e corri para pegar o celular. A Gabi aproximou-se e olhou para o casal que trocava beijos e tragadas.
Gabi: Vocês sabem o que aconteceu por aqui? – ela olhava pra eles com cara de nojo – Onde está o dono desse celular? – apontou para mim.
- Sabemos não, moça. Já tava ai quando a gente chegou. – respondeu o homem.
- Ah, então era você que tava ligando, né chatice? – disse a mulher olhando feio pra a Gabi.
Helena: Não senhora, fui eu. – aproximei-me da mulher com o coração quase que pra sair pela boca – Esse celular é do meu namorado e eu preciso muito saber onde ele está. – comecei a chorar e a Gabi e o Caio vieram até mim para tentar me consolar.
Caio: Você não sabe de nenhum lugar onde ele poderia estar, Lena? – apenas respondi negativamente com a cabeça e a abaixei. O celular do Miguel tocou e automaticamente eu atendi.
Helena # Alô?
# Olá garota. – era uma voz masculina e educada – Talvez você seja a Helena.
Helena # Como sabe quem sou? Quem é você? – fiquei ofegante.
# Ah, eu sou um amigo do seu namorado... – respondeu ironicamente – Quer dizer, nem tão amigo. – riu – Ele está comigo agora, mas dormindo, pois apliquei um tranquilizante nele...
Helena # O que? Mas porque fez isso? – desesperei-me.
# Calma, garota. – sua voz ficou dura – Pelo menos ele ainda está vivo, e não decepado como seus amigos fizeram com minha família. E pra não dizer que sou um vampiro tão mal, não vou sugar ele por agora. – comecei a tremer – Devolverei o seu namoradinho são e salvo, mas com uma condição: traga-me os seus amiguinhos caçadores. Combinado? Mas acho melhor pensar rápido, pois não me alimento há um bom tempo... Estou faminto. – gargalhou.
Desabei em lágrimas. O Caio tomou o celular das minhas mãos e começou a conversar com o vampiro sequestrador. Tínhamos apenas a opção de entregar o Matt, o André, o Felipe e a Lore. Não, não podíamos fazer isso. Mas o que fazer?
Fale com o autor