Depois do amanhecer
21 Repercussões
P.O.V. Hope.
Agora estou na reunião do G-20, mas ontem tive uma reunião com as bruxas. No cemitério.
—Este mundo conhece a violência, á muito mais tempo do que sabe sobre a nossa magia, sobre vampiros e lobisomens. E foi por isso que á muitos séculos atrás nossos ancestrais decidiram se esconder. Mas, isso não é viver. Isso não é viver! Para nenhum de nós. Ter que vagar de lugar para lugar, nunca tendo um lar de verdade. Ter praticar em segredo, com medo de ser pego. E foi também por isso que nossos ancestrais deixaram seus grimórios pra trás, assim teríamos algo... algum tipo de poder para podermos sobreviver neste lugar! Mas, há uma diferença entre sobreviver e viver! E eu percebi isso, admito não tinha a intenção de revelar o segredo, mas agora que revelei... me sinto tão melhor! E agora que o mundo sabe sobre nós... esta é a nossa chance, assim cada um de nós independente da espécie será livre!
—E quanto aos vampiros? Seus números aumentam por hora enquanto nossa força diminuiu! Leva nove meses para fazer um bebê e três dias para criar um vampiro!
Protestou uma das bruxas que estava no cemitério.
—Eu sei que estão com medo. Eu estou com medo. Estou apavorada na verdade, mas nada que valesse á pena nunca veio sem sacrifício, sem luta, sem sangue, suor e lágrimas. E talvez este seja o propósito do meu nascimento.
—Que seria?
—Unificar as facções. E os humanos são uma facção também. O mundo mudou, muito. Câmeras de segurança em tudo quanto é canto, satélites de vigilância, sensor infra-vermelho. Quanto tempo até os humanos descobrirem sobre nós? Se não tivesse sido eu, poderia ter sido qualquer um. Pego por uma câmera escondida.
Felizmente elas concordaram comigo. E eu consegui uma representante para vir comigo hoje.
—Agatha.
Então fui atrás dum lobisomem e Jackson Keith veio. E por fim, um vampiro... tio Eleazer. Ele foi teimoso como o inferno.
Quando chegamos á reunião haviam vários fotógrafos, figurões em seus ternos caros. Entramos num local que mais parecia um salão Oval, era uma sala de reuniões.
P.O.V. Presidente Shaw.
Ela tinha uma comitiva com ela. Quatro homens e uma mulher. Estava usando um terninho preto e havia um brasão pendurado no seu pescoço e outro no pescoço do homem.
Apertamos as mãos e a reunião começou. O clima era tenso. Começando a discutir sobre medidas para reduzir o aquecimento global, de novo.
—O senhor tem filhos, Presidente Shaw?
—Tenho. Porque a pergunta?
—Porque não está pensando nos seus filhos. Perdi as contas de quantas vezes ouvi um humano dizer... ah, as calotas polares só vão derreter daqui á cinquenta anos. Você está pensando no agora. E só no agora. Cinquenta anos, o que são cinquenta anos para um vampiro? Nada. Para você é metade da sua vida. O que acontece quando os oceanos engolirem as cidades costeiras? O que será dos seus netos quando o ar estiver tão poluído que não dá pra respirar? Um vampiro não precisa respirar, é indiferente para eles. Mas, vocês... se não respirarem... vocês morrem. Um vampiro não precisa beber água ou comer comida. É indiferente pra eles, mas vocês... se não beberem água ou comerem... vocês morrem. Existem maneiras de reduzir o impacto e salvar as gerações futuras. Mas, está preocupado que vai perder bilhões de dólares. E dai? É melhor perder este dinheiro agora do que morrer. Você está preocupado com terroristas, com bombas, mas no fim... você é o seu pior inimigo.
—Você chacinou aqueles estudantes.
—Eles mereceram. E eu não tenho muita escolha. Posso mostrar-lhe algo?
Ela se colocou na minha frente.
—O que?
—Como uma das minhas tias, eu tenho um dom especial. De prever o futuro. As visões da minha tia não vão tão longe quanto as minhas, então me permita lhe dar uma amostrinha do seu futuro, do futuro do seu país.
Senti quando ela colocou as mãos na minha nuca, quando invadiu a minha mente e vi um mundo pós apocalíptico. Lixo por todos os lados, o ar era carregado, não dava para ver nada tamanha era aquela poeira. Pessoas se matando por uma garrafa d'água.
Então, vi a mim mesmo. Não assinando o acordo, vi os empreiteiros derrubando as árvores para construir a fábrica. Ai parou.
—Meus parabéns! Este mundo pós apocalíptico, este futuro terrível... foi culpa sua. E de todos os seus sucessores. Mas, ainda há tempo de ratificar este erro.
—Como sei que não está inventando isso?
—Como as da minha tia, minhas visões são subjetivas. O futuro está em constante estado de fluxo, eu vejo o caminho das pessoas enquanto elas estão nele. Se a pessoa muda de ideia, a visão muda. O passado, não pode ser alterado. Mas, o futuro pode.
Disse pouco antes de se sentar.
—É a sua escolha. Nossas escolhas colocam as coisas em movimento. Para melhor ou para pior.
Respirei fundo. E decidi assinar o acordo. No segundo em que eu decidi, os olhos dela se perderam no vazio.
—O que ela tem?
—Está tendo outra visão. Alguém decidiu alguma coisa.
Disse o homem.
—Ela pode mostrar?
—Venha.
Ele colocou a mão dela no meu rosto e eu vi. A situação ainda estava crítica, mas era menos pior.
Depois que o acordo anti-aquecimento global foi assinado, nos voltamos para o perigo mais imediato. Eles.
—E quanto as nossas famílias, como sabemos que estão seguros?
—Você está correndo o mesmo perigo hoje que seus antepassados corriam. A única diferença é que você sabe. Sempre vão haver humanos dizendo que nós vampiros queremos exterminar a sua raça, que a magia duma bruxa é ruim, que lobisomens são bestas. Um bando de besteira. Vampiros se alimentam de sangue, a maioria de sangue humano. Fato. Se um predador fica sem presas para se alimentar geralmente ele morre. Fato. Nossas espécies vivem juntas neste planeta, co-existem. Á eras. Outro fato.
—Ela está certa. Nós salvamos vocês de si mesmos várias vezes. Incontáveis.
Disse a mulher.
—E quem é você?
—Agatha. Sou uma bruxa. No Oeste da África nos chamam de Axe, que significa mãe. De onde a minha mãe veio chamam-nos de Hexa. Como inimigas ou aliadas temos sido uma força a se considerar. Vampiros lutaram conosco e contra nós. Mas, como aliadas ou adversárias sempre fomos uma força a se considerar. Nunca houve uma bruxa toda poderosa. Até Hope. É claro, ela não é uma puro sangue, mas creio que isso é o que a torne Toda Poderosa.
—Não pode esperar que não tomemos precauções.
—E quais seriam essas precauções? Água benta e crucifixo? Prata e mata-lobos? Como ela disse estamos co-existindo a gerações. A única diferença é que não nos escondemos mais.
Então o homem de pele pálida que imagino que seja vampiro falou:
—Meu nome é Eleazer Denali. E eu nasci dia onze de outubro de 1700, tenho 319 anos. Vi coisas que vocês nem imaginam. Vi os humanos criando armas para matar outros humanos. Nós somos capazes de coisas terríveis, mas vocês também são. Me lembro do dia em que houve o incidente de Hiroshima e Nagasaki. Me lembro de ver a nuvem de cogumelo, me lembro de quando inventaram a primeira pistola, de quando inventaram os canhões. Quando descobriram a pólvora. Vocês descobriram muitas coisas, mas até agora ninguém encontrou a cura para o câncer. Eu venho me abstendo de sangue humano á muito tempo. Prezo mais pela vida da sua raça do que você.
P.O.V. Hope.
Ai, o tio Eleazer deu um chega pra lá no presidente dos Estados Unidos.
—Então, vampiros são capazes de não beber sangue humano?
—Sim.
—Então, vamos incluir isso no acordo.
—Então não vamos assinar. Beber sangue humano ou não é uma opção que todos os vampiros devem ter. Como um humano pode ser ou não ser vegetariano. E com a tecnologia de hoje... nem é tão terrível assim. Bolsas de sangue são uma opção viável. E os criminosos também. Preciso descarregar então posso descarregar em um bando de seres humanos que você considera inocentes ou posso descarregar em terroristas e fugitivos procurados. Vocês escolhem.
Eles não tinham muita escolha. E eu sabia que bem lá no fundo eles pagam de bonzinhos, mas há escuridão lá dentro.
Assinaram o acordo sem protestar. Eu trouxe um contrato preparado, mas é claro que fizemos algumas alterações. Fora os criminosos, que seriam sacrifícios, os vampiros que escolhem se alimentar de sangue humano tem se alimentar de bolsas de sangue. Alguns lugares que eram território de vampiro ou de lobisomem viraram áreas ambientais protegidas.
Estávamos saindo da reunião quando um grupo de malucos mascarados nos atacaram usando coquetéis molotov.
P.O.V. Presidente Shaw.
Eles não entraram em pânico. A garota e alguns de seus embaixadores se deram as mãos. Agatha e Lorenzo. E eles começaram a pronunciar algo que imagino que seja um encantamento.
—Phesmathos Modis Incendiamos. Phesmathos Modis Incendiamos.
E o fogo foi abrindo para eles passarem.
Eles entraram no carro.
—Apague o incêndio, Hope.
—Aduatur.
E o fogo apagou. E eles foram embora.

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