Depois do Fim
1 Epílogo
Notas iniciais
Era o fim. Tudo se resumia ao simples fato de que tudo acabaria a qualquer momento. Ao pequeno espaço de tempo que você leva para ter certeza de que é impossível continuar. Eu estava vivendo nesse pequeno espaço havia meses. O tempo é diferente agora. Insignificante. Parece orbitar em torno de nós de forma incompleta. Não me lembro exatamente do momento em que a epidemia se tornou algo catastrófico e tudo começou a desmoronar ao nosso redor, mas não passa um dia em que eu esqueça a sensação de estar entre os escombros que restaram.
Sobreviver se tornou nosso instinto mais importante, o que dá razão a todas as nossas decisões. Pessoas morreram por não serem capazes de dar vazão a esse instinto. Talvez porque não acreditassem que aquilo estivesse realmente acontecendo. Outras enlouqueceram, algumas se entregaram e a minoria, como eu, lutou. É difícil esquecer tudo aquilo que já se viveu e que um dia foi sua vida, mas era preciso seguir em frente.
O tempo, algo tão precioso antes, logo se tornou sem valor. Porque, quando tudo que se tem é um minuto para salvar sua vida, o tempo se torna inútil. Todas as vezes, até agora, em que pensei que ia morrer senti um alívio por finalmente ter certeza de alguma coisa. Morrer era a única coisa certa em nossas vidas humanas, mas até isso foi tirado de nós. Os morto-vivos tomaram tudo que um dia lutamos para construir, inclusive o nosso direito de viver. Eu e meu grupo estamos a 104 dias sobrevivendo no meio de todo esse caos. Alguns dias são mais difíceis, outros são mais calmos. Porém, todos os dias são marcados pela dúvida e pela angústia de não saber se haverá um amanhã. Aqui quem fala é Samantha Saywer, uma das sobreviventes do fim do mundo. Espero que você esteja escutando.
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