Não sei como vou conseguir voltar para LA (não que seja uma coisa muito discutível) agora sei que minha irmã está gravida e mesmo que eu não o tenha visto, já amo muito meu afilhado e sem contar que Adan está aqui e não sei se serei capas de me afastar dele novamente. Posso ainda achar que aqui não é mais meu lugar, mas sei que há muitas pessoas aqui que amo.

Saio de perto da minha irmã e de meu cunhado com o olhar meio triste, mesmo que eu queira ficar pelo meu afilhado, sei que isso não será possível, nesses cinco anos eu construí uma vida e deixando ela para voltar, seria o mesmo que jogar cinco anos de muito trabalho pelo ralo.

Tendo esse pensamento em mente, vou em busca de comida, a boa e velha comida de mãe e melhor ainda, comida brasileira que em minha opinião, é a melhor de todas. Vou até a cozinha e vejo muita comida, incluindo feijoada e meu Deus! Como eu amo isso, há quanto tempo não como. Pego um dos potinhos e encho o máximo possível, pego uma colher e vou até a varando a procura algum lugar para sentar e comer em paz, vejo uma cadeira e vou em sua direção, me sento e começo a comer e como senti falta disso!

—Moça, você sabe quem eu sou? – Pergunta uma menininha que surgiu do além, mas como eu poderia conhece-la já que aparente ter uns quatro anos e eu não estava aqui a há quatro anos atrás.

—Sinto muito mocinha, mas não... – Digo a ela, que parece ter ficado chateada pois olha para seus sapatos rosa claro e balança seu vestido também rosa – Mas como você me conhece? – A pergunta faz com que ela levante a cabeça com um sorriso banguelo muito fofo.

—Papai me mostrou uma foto sua e falou que você era o amor da vida dele, papai também é o amor da sua vida? – Pergunta a garotinha com uma inocência que me espanto, mas ao mesmo tempo me perturba, pois dizer apenas “papai” não me faz saber quem é realmente o pai dela e muito menos saber se ele é o amor da minha vida, o que é impossível, porque só amo um homem, e ele não pode ser pai dessa garotinha.

—Não sei porque não conheço seu... – Sou interrompida com a som da voz de... Adan? E pelo o que eu acho que escutei... ele realmente disse “FILHA, finalmente achei você! ”

E eu achando que era impossível...

Mas como? Ta, eu sei como funciona a reprodução, mas como isso aconteceu? Com quem? São muitas perguntas rondando minha cabeça ao mesmo tempo.

Olho novamente para a menina, mas ela não tem nada a ver com Adan, talvez se parece com a mãe, mas do mesmo jeito! Como ele poderia ter uma filha tão grande? Eu sei que ele seguiu com sua vida, mas ter uma filha!? Será que ele ainda está com a mãe dessa menina? Imagino que não, porque a menininha disse que eu era o amor da vida dele, e eu ainda pensei que era impossível ela realmente ser filha dele, será que existe algum modo de minha cabeça ficar mais confusa e esse mundo mais louco?

Mas agora só quem pode me afirmar ou discordar sobre isso tudo é Adan e espero que ele saiba me explicar direito, principalmente a parte que se refere a mãe dessa garotinha. Eu sei que não faço parte da vida dele a tempo, mas já fomos amigos, ele tem que levar isso em consideração.

—Adan... você é o pai dessa menininha? – Pergunto na defensiva, com medo da resposta, mesmo que eu saiba lá no fundo que não estou realmente ouvido coisas, ainda estou com medo da confirmação, não se se consigo aceitar isso.

—Isabel? – Percebo que ele não havida notada minha presenta, até o momento — Sim, ela é minha filha – finalmente responde e pega a menina no colo fazendo com que o sorriso da criança abra ainda mais.

—Ele é meu papai, agora você consegue me responder? – A menininha, que agora eu sei que é filha de Adan, me pergunta novamente, deixando-me embaraçada, descido esquecer a minha revolta com isso por agora, afinal, uma criança está presente, não é o momento propício para uma possível discursão.

—É... Sim, ele é – Digo com um sorriso meio envergonhado, apesar de estar confusa com essa história, e bastante chateada com Adan, não posso negar meus sentimentos, não por enquanto.

Minha resposta deixa Adan confuso por não ter escutado a conversa toda, mas parece ignorar a sua curiosidade quando sua mãe chama a menina pelo nome que agora descubro, Meg.

—Você é muito linda Isa, adorei te conhecer e parece que o papai gostou de te ver também – diz a menininha me dando um abraço e me deixando sozinha com Adan...

—Adoraria ficar e ouvir a mentira que você vai tentar inventar para me contar que história é essa, mas não estou afim de escutar você falar besteiras – Digo ríspida, virando-me de costas, mas como Adan sempre será o Adan, ele não vai deixar barato e muito menos me deixar ir sem antes uma pequena discursão em meio aos meus familiares.

—Você achou mesmo que passei cinco anos te esperando? Que eu parei cinco anos da minha vida para ficar pensando que minha namorada foi embora para outro país porque tinha sonhos mais altos do que eu podia lhe proporcionar!? – Me viro novamente para ele, esperando que ele despeje toda sua raiva e angustia em mim – Não Isabel! Eu tenho uma vida! E você não pode simplesmente voltar e pedir explicações do que você não entende e ainda ficar chateada por isso!

Por incrível que parece, concordo com ele, mas meu orgulho fala mais alto, tenho que ser forte, não posso chorar como tenho feito desde que cheguei aqui. Amo-o, mas ele tem razão, não posso chegar e esperar que tudo esteja como eu deixei, afinal não estamos mais no ensino médio, com nossas vidas “perfeitas”. Mas não consigo acreditar que ele seguiu a vida dele, no quesito outras mulheres.

—Adan, eu sei, o que eu fiz foi egoísta, precisava sair da nossa zona de conforto, parecia que estava tudo planejado e se continuasse assim eu não seguiria meu sonho... eu seria infeliz. Não espera que você estivesse sentado me esperando voltar, até porque não sabia se eu iria realmente voltar, mas ter uma filha! Isso foi muito mais do que seguir a vida – Esbravejo, e nem falei a metade do que gostaria

—É minha vida Isabel! Foram cinco anos! Cinco anos sem você nem ao menos tentar contato! Você querendo ou não, eu tive outros relacionamentos, e Meg... – Não deixo que ele termine o que iria falar, não quero saber mais nada, já estou cheia!

—Não quero saber! Como você mesmo disse, foram cinco anos, nesse tempo joguei nossa história no ralo, perdendo todo o respeito que você tinha sobre mim.

Não sei como, mas digo tudo isso sem ao menos deixar derramar uma única lagrima, estou cansada de chorar! Nunca fui tão sentimental assim, não é agora, quando eu preciso ser forte para mostrar a todos quem eu me tornei, que vou ser fraca, e isso termina agora, com essa conversa.

—Quer saber? Eu não me arrependo de ter ido embora, nada que você diga vai me fazer achar que a pior coisa que eu fiz foi ter ido viver meu sonho, mas se você pensa assim, não acho que possamos nem ao menos sermos amigos como antes, então, depois a gente se fala – Digo dando as costas e indo embora sem espera-lo falar algo, caminho um pouco rápido para fora de casa, sem ao menos me importar de como pagamos de adolescentes brigando desse jeito, mas eu preciso pensar, não aguento mais isso!

Vou andando até um pequeno córrego que tem no final de minha rua, lugar onde antes eu corria ou vinha apenar para pensar, a água sempre me acalmou de uma maneira incrível. Sendo na beirada sem ligar se vou sujar minha roupa, preciso colocar meus pensamentos em ordem, preciso responder alguma das minhas questões internas sobre isso.

Provavelmente eu estou sendo egoísta, mas não consigo lidar com o fato dele ter uma filha, a gente se amava, um amor de verdade não se acaba assim, se a menina realmente tem quadro anos, alguns meses após minha partida ele já havia me esquecido, e sem dúvida, é o que mais me irrita nele, mas me intriga, ele estava pagando de bom moço para mim, fingindo ir na minha casa para se lembrar de mim... o que aparentemente é mentira. Ele tem alguns conceitos deferentes dos meus, principalmente sobre seguir a vida.

Seguir a vida é uma coisa, começar a vida com um outro alguém, é outra.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.