Depois de cinco anos
2 Capítulo 2
Em uma ação de saudades, corro até minha mãe em um abraço, cheio de carinho e amor, amor pela a mãe que a tanto tempo não via.
Com o barulho todo de choro e como minha mãe não voltava para casa, meu pai veio ver o que poderia ter acontecido com ela (pelo menos é o que eu imagino do porque ele ter vindo aqui fora)
Ainda abraçada com minha mãe, ao abrir meus olhos, vejo meu pai, com uma lagrima escorrendo em sua bochecha. Me desvencilho de minha mãe e vou até ele, o olho no fundo de seus olhos e vejo brilho neles, a saudades que senti deles que até hoje fora negada a cada minuto, eles sentiram, porém, diferente de mim, eles nunca esconderam isso.
—Que saudade de você, minha Branca de neve – diz meu pai me abraçando, ouvi-lo me chamar com o meu apelido da infância só me fez querer chorar mais, e foi o que fiz.
—Papai, que saudade!
—Minha branca voltou para casa- diz meu pai agora me olhando nos olhos que estão completamente vermelhos por conta das lagrimas, e chorando junto a mim e minha mãe.
—Vamos minha pequena, não sabíamos que viria, mas tem muita gente lá dentro, e tenho certeza que todos também estão com tanta saudade de você quanto nós – diz minha mãe me convidando para entrar.
Caminho até a porta que é onde minha mãe está e a abraço novamente.
—Mãe, me desculpa... – me desculpo com minha mãe, por não ter ido visita-los por tanto tempo – me desculpem, os dois...
—Não se preocupe minha pequena, nós sabemos que você só estava indo em busca de seus sonhos, a agora que o conquistou está de volta para nós.
Não poderia ter recebido melhor resposta, saber que eles não estão tristes ou bravos comigo por ter me escolhido em vez deles me faz sentir-me muito melhor. Sinceramente, na viagem toda eu fiquei pensando como eles reagiriam ao me ver, mas só pensava em recepções não muito boas, pensava que talvez eles estivessem bravos comigo.
Ainda chorando, entro em casa e realmente tem muita gente ali, se eles soubessem que eu estava voltando talvez eu pensasse que isso tudo é para mim, mas como não sabiam, encaro isso como uma coincidência muito boa, estavam todos lá, ou melhor, quase todos, ele não estava, mas por algum motivo sua mãe estava. Não que eu esteja surpresa, durante esse tempo que a gente se conhece, nossas mães viraram muito amigas. Mas a pergunta que eu me faço e ao mesmo tempo não me faço internamente, é que se sua mãe está aqui, porque ele não está?
—Tia, quanto tempo... que saudade que eu estava da senhora- com o passar dos anos comecei a chama-la de tia, há tanta proximidade entre nossas famílias que a considero minha tia.
—Minha menina! Como você está bonita! Crescida e tão adulta! – Minha tia me diz já me enchendo de beijos como antigamente, igual nos tempos que estava junto com seu filho. – Tenho certeza que Adan vai adorar te rever, ainda mais estando tão linda assim! Ele já deve estar chegando.
Agora sim, se antes eu não estava muito nervosa, agora estou pirando, ao ouvir seu nome meu coração começou a bater mais rápido, do mesmo jeito que era quando nos víamos antigamente.
Dou mais um abraço nela, e vou cumprimentar o resto dos parentes e amigos de meus pais.
Todos falam a mesma coisa, o quanto sentiram minha falta e como estou bonita e crescida mesmo não tendo crescido nem sequer uns cinco centímetros nos últimos anos.
Uma coisa que eu sonhava que se desse certo minha chegada aqui, seria um natal normal, e não um natal falando de minha vida ou do meu trabalho, gostaria de sentir como se nunca tivesse saído daqui sabe, aquele natal típico de família, com aquelas perguntas ridículas e piadinhas bobas e velhas que ninguém mais aguenta ouvir, mas que ao mesmo tempo, não consegue não rir.
Posso estar pedindo demais, mas só não quero me sentir uma intrusa ou uma estranha em “minha” própria casa, que não é tão minha como antes, mas como sempre dizem “seu lar é onde sua família está” e é aqui onde a minha está e onde eu vou tentar estar também, pelo menos por um tempo.
Converso um pouco com todos, conto como tem sido minha vida, o que tenho feito, como é morar fora, todas essas coisas que me fazem lembrar que não sou mais daqui.
Quando já passam das seis horas da noite, me sinto exausta por conta da viagem muito longa e de tanto conversar e me esforçar ao máximo para lembrar o que cada palavra significa. Peço licença e me retiro da sala onde todos estão, subo as escadas e percebo que lá em cima (o andar dos quartos), nada mudou, tudo no mesmo lugar, incluindo uma frase que eu tenho pendurada na porta do meu quarto desde meus seis anos que é “Uma rosa deixaria de ser rosa e de ter igual perfume, se por outro nome fosse chamada? ” — William Shakespeare junto com uma moldura de uma rosa, tudo isso feito em madeira, na época em que ganhei isso de meu pai não entendi bem, até mesmo porque só tinha seis anos, mas ao crescer passei a admirar essa frase, não que atualmente tenha certeza de seu significado, porque afinal é Shakespeare, mas sem dúvida essa frase é minha “inspiração” ou melhor, motivação.
Fico de frente a porta de meu antigo quarto e encosto em minha placa, essa frase me fez lembrar que não importa quem eu tenha me tornado, quem realmente se importa comigo não liga para isso, e bem, não é exatamente o que tem acontece comigo em LA, por conta do meu trabalho, muitos atores tem se aproximado de mim apenas por trabalho e não porque realmente estava interessado, cai nesse “truque” algumas vezes até, e esse foi mais um dos motivos pelo qual vim passar um tempo aqui, sair do caos e falsidade em que vivia a muito tempo.
Abro a porta do meu quarto e o que vejo realmente me fez relembrar tudo... nada meu foi tocado há cinco anos, provavelmente só limpo, mas nada saiu do lugar, meus livros, fotos, ursinhos de pelúcias e frases que tenho espalhadas por todo meu quarto em post its de todas as cores, estão nos mesmos lugares em que deixei antes de viajar
A parede onde fica minha mesa que servia para tudo, tem uma tinta magnetizada, a qual, muitas fotos de minha adolescência e infância estão. Por algum motivo, não quis levar nada dessas coisas comigo, acho que na época eu só pensava em seguir meu sonho, e ver alguma foto acabaria comigo, me fazendo querer voltar na hora.
Percorro meus olhos nas fotos e vejo cada lembrança melhor que a outra, muitas fotos de quando era criança na praia, outras com minhas melhores amigas da escola, e outras com Adan, algumas com a família em geral, lembranças...
—Não mechemos em nada desde que você saiu de casa – diz minha mãe entrando em meu quarto.
—Você não tem ideia da saudade que eu sinto desses momentos... – digo percebendo que estou chorando, e pelo jeito a um tempo (sim! Sou uma boboca chorona).
—Na verdade eu sei, não mechemos em nada porque era a única coisa que nos restara de você, a única coisa que você deixou para nós, eu e ele – diz minha mãe apontando para uma foto minha e Adan abraçados no pôr do sol no Rio – vínhamos aqui, desde que você foi embora e cortou o contado com a maioria de nós, nós fizemos de seu quarto nosso santuário.
Saber que meu primeiro e único amor vinha aqui para “me ver”, me faz pensar que talvez ele ainda me ame, do mesmo modo que eu acho que o amo, essas fotos de nossos momentos passados só me fez lembrar do quanto me sentia feliz por estar com ele, mas como era uma menina mimada isso não bastava, não bastava ter meu príncipe encantado só para mim, eu tinha que construir meu próprio império, e foi isso que fiz, e agora estou pagando o preço por isso.
Em um momento de impulso, toco a foto minha com ele, e acaricio seu rosto, e lembro desse dia com ele na praia, foi a primeira vez que viajamos sozinhos, e também foi o dia da nossa primeira vez... perdemos nossas virgindades juntos, e sem dúvida esse dia não vou esquecer.
E como será que ele deve estar agora? Um homem eu imagino, do mesmo modo em que em cinco anos eu amadureci e tornei uma mulher, ele provavelmente se tornou melhor do que já era, o sonho de qualquer pessoa... pessoa que um dia foi eu, mas a diferença é que eu o já tive, mas ser egoísta me tirou dele, sendo tudo culpa minha.
Como um pedido de ajuda e aconchego, olho para minha mãe que está de costas para a porta, mas quem eu vejo atrás dela me faz soltar uma lagrima solitária, era ele, meu amor, meu príncipe, minha vida.
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