Depois de Você
6 Capítulo 6 - "ON"
Enquanto a notícia havia pego todos ali de surpresa, Kate começava a despertar, sentindo-se zonza e confusa ao tentar entender como havia parado ali. Enquanto ela se senta e olha em volta, percebe estar em sua casa de infância com seus pais à sua frente, esperançosos em receber alguma demonstração de afeto, mas ela não reage, apenas fica um tanto constrangida.
—O que tá acontecendo aqui?
—Achamos que ficaria aliviada em nos ver… na nossa antiga casa. — Sua mãe responde serena, com um sorriso materno e sincero.
—Você lembra de como se sentiu quando achou que seus pais haviam morrido queimados? — Stefan decide iniciar a pressão psicológica para tentar adiantar o processo, sentando-se ao lado dela — Lembra do medo que sentiu? Do desespero e da culpa? De como tudo foi tão rápido e intenso?
—O que você está fazendo? — Ela diz em tom de deboche, tentando esconder a sua hesitação.
—Você não precisa mais sentir medo, porque eles estão aqui. Vivos. — Ele continua — Você não precisa mais conviver com essa culpa. Pense nisso como uma segunda chance ou um milagre e se não por você, pelo bebê.
—Pegou pesado. — Caroline murmura para Elena, apreensiva sobre como ela iria reagir.
—Não, meus pais morreram no incêndio. — Kate desvia o olhar de Stefan, recusando sentir qualquer coisa e preferindo permanecer em negação. — Não sei o que vocês são, mas não são meus pais.
—Não nos obrigue a fazer isso da maneira difícil, Kate. — Damon suspira, olhando-a quase em súplica.
—Eu desconfiava que você não tinha realmente se desligado, mas pelo menos eu sei que assim você não vai fazer nada, porque vai se arrepender depois. — Ela dá de ombros, convencida que havia ganho aquela conversa.
—Você estar grávida não é motivo suficiente?! — Caroline explode, irritada com tamanha insensatez.
—Isso não é verdade, ela inventou isso pra tentar me fazer voltar!
—Filha, eu senti! Você está…
—Você não é minha mãe! — Kate arregala os olhos encarando-a, visivelmente mostrando a resposta para todos de seu gatilho. — Minha mãe morreu no incêndio!
—Você talvez vá me odiar por isso e eu espero que sim, porque aí sim vai sentir algo. — Damon murmura ao ver aquela cena e então decide agir no calor do momento para não perder o ápice de seu gatilho, pegando um acendedor de metal da lareira e mirando no peito de sua mãe enquanto a prende por trás com os braços num vulto. — Então não vai se importar se eu fizer isso…
—Você não tem coragem. — Ela o desafia, cruzando os braços na defensiva.
Stefan reage também num impulso fazendo a mesma coisa com o pai de Kate, mesmo duvidando que conseguiria prosseguir com aquilo e torcendo para que ela se rendesse antes de precisar realmente machucá-lo para ativar sua humanidade. Kate parece desafiar Damon e Stefan com o olhar, mas bem discretamente, seus olhos parecem suplicar para que não continuem com aquilo. Sem poder se defender por estar fraca, ela se sente encurralada ao ver seus pais mortais diante de uma situação de risco e por muito pouco ela não se entrega, cruzando seus braços novamente e mudando sua expressão de desdém.
Damon percebe que não há outra saída e antes que continuasse cogitando as inúmeras reações de Kate, ele decididamente crava o acendedor no abdômen de sua mãe. Bastou um milésimo para que um estrondoso grito ecoasse pela sala em desespero e a fizesse correr na direção da mãe.
Todos olham apreensivos para Damon e para a reação de Kate, sem saber se já podiam respirar aliviados ou se ela estava sadicamente teatralizando a situação. Porém, ao ver suas mãos trêmulas retirando o objeto e suas lágrimas banharem seu rosto, puderam tirar suas conclusões.
—Já deu certo, façam alguma coisa! — O pai se agita angustiado para ir até ela, mas Stefan o impede.
—Mãe! Não! Mãe, acorda! — Kate chacoalha-a aos prantos, quando Damon se abaixa ao seu lado.
—Damon, salva a mãe dela! — Elena o apressa, porém ele ignora-a totalmente.
—Você pode salvá-la. — Ele diz plenamente, atraindo a atenção de Kate. — Com seu sangue. Lembra quando eu salvei aquele cara no bosque e você me perguntou como eu fiz? É a sua vez agora.
Ela o olha como se estivesse desnorteada e depois de entender o que aquilo significava, rapidamente rasga seu próprio pulso, mesmo sem saber ao certo como era feito aquilo, e deixa seu sangue escorrer entre os lábios de sua mãe. Kate percebe que logo para de gemer de dor e cuspir sangue, e começa a se fortalecer gradualmente, fazendo-a se sentir aliviada por completo porque havia dado certo. Sem esperar mais, abraça-a com força, mostrando a Stefan que tudo estava sob controle e então libera o pai de Kate para que participe do abraço, enquanto os outros se entreolham, aliviados.
—Mas qual a história da gravidez mesmo? — Caroline pergunta, pensativa sobre o tanto que aquilo não fazia sentido — Ah, meu Deus! Damon vai ser pai?! Eu nunca imaginei que isso aconteceria!
—Quem diria? — Stefan cutuca o irmão, vendo-o completamente aéreo e distraído. — Damon?
—Pois é, quem diria. — Damon dá um sorriso nervoso e desvia o olhar, sem rumo.
—Eu vou fazer alguns exames pra me certificar disso assim que voltarmos, porque… é impossível. — Kate responde Caroline, visivelmente confusa sobre o assunto.
—Talvez Bonnie possa ter alguma suposição. — Elena comenta, fazendo Kate assentir com a cabeça ao concordar com a ideia.
—Eu ainda não entendi porque preferiu completar a transição… — Seu pai fala como se realmente estivesse decepcionado, olhando para o que sua filha havia se tornado e lamentando-se.
—Eu havia perdido tudo, pai! Achei que estavam mortos! — Kate exclama, lembrando de como foram dias difíceis e de tudo o que passou, até olhar em volta e ver quem estava com ela — E aí eu encontrei uma nova família.
—Mas eles são vampiros. — O pai parece enfatizar seu antigo problema entre as espécies. — Você é uma bruxa.
—Era. — Kate rapidamente corrige. — Agora eu sou igual a eles. E se é tão difícil assim aceitar isso, eu entendo. Nem eu me aceitei e agora grávida menos ainda! É tudo uma loucura, eu sei, mas…
—Nós precisamos de um tempo pra assimilar tudo isso. — A mãe dispara, hesitando a possibilidade de infringir os princípios pessoais referente a tradição das espécies. — Eu espero que entenda.
—Claro. — Ela engole a seco, desviando seu olhar para o teto para tentar evitar que a lágrima escorresse e depois de respirar fundo, continua — Eu realmente não estava errada em dizer que meus pais estão mortos pra mim.
Kate lança um olhar frio aos dois e sai da casa antes que as lágrimas escorressem para que não vissem, mas sente seu peito pesar anunciando uma crise prestes a ser desencadeada, mas ela respira fundo. Precisava se manter firme pelo menos até chegar em casa e estar só em seu quarto para que pudesse liberar toda a sua dor.
—Alguém viu Damon? — Elena pergunta enquanto todos saem pela porta da frente, deixando a casa dos pais de Kate.
—O carro dele sumiu também. — Stefan comenta indignado, suspirando como forma de repreensão.
—Por que ele foi embora sem a gente? — Caroline com toda sua ingenuidade pergunta, na dúvida se havia perdido alguma coisa importante que aconteceu.
—Nós encontramos ele lá. — Stefan dá de ombros sem querer se esforçar no momento pra entender a atitude do irmão e antes de entrar no carro, ele toca o ombro de Kate para olhá-la nos olhos. — Você está bem?
—Vou ficar. — Ela prefere desviar o olhar para não demonstrar a decepção escancarada.
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