Depois de Você
3 Capítulo 3 - "OFF"
Em algum momento durante a madrugada, Damon abre os olhos para verificar se Elena e Kate estavam conseguindo dormir tranquilamente, quando se deparou com uma delas escorada em uma das paredes, encarando o nada visivelmente tentando se acalmar. Ele a observa por mais alguns segundos, até que o olhar dela encontra o dele, como se pedisse por ajuda em silêncio.
—Vem cá. — Ele sussurra para Kate, tentando arranjar espaço naquela cama pequena para que ela se deitasse junto dele.
—Eu estou faminta de novo… — Ela choraminga enquanto se deita, numa conchinha com Damon, que a envolve com o braço e beija seu pescoço. — O que eu faço.
—Isso vai te ajudar. — Damon morde seu próprio pulso e oferece a Kate, que o olha sem entender nada. — Confia em mim.
Mesmo sem conseguir encontrar alguma lógica para beber sangue de outro vampiro, ela aceita a oferta e se agarra ao pulso de Damon, sentindo o prazer consumi-la. Ela não conseguia decifrar a sensação que sentia, mas aquele era considerado também um ato sexual e por isso, ambos ficaram ali por um momento anestesiados, trocando fluidos enquanto Damon beijava o pescoço de Kate, até que por fim ela recua.
—Isso foi…
—Eu sei. — Damon sorri maliciosamente, vendo-a se virar de frente para ele.
—Damon… — Ela acaricia o rosto do moreno e lhe dá um leve beijo — eu te amo.
—Eu te amo. — Ele permite se demonstrar vulnerável naquele momento, porque sabia que não conseguia mais esconder o que sentia.
E depois de mais algumas carícias e alguns beijos, os dois dormem abraçados. Kate se sente segura e amada de verdade pela primeira vez na vida, enquanto Damon, sentia que era possível sim se sentir conectado com alguém de novo.
A porta do quarto abre e segundos depois, passos apressados vão até Damon, chacoalhando-o com pressa, despertando-o no mesmo instante, assustado. Era Elena, com uma expressão nada tranquila e matinal.
—Damon, nós temos um problema! Kate sumiu!
—O quê?! — Ele olha para a sua cama vazia e percorre o quarto para se certificar, ainda tentando assimilar o que estava acontecendo.
—E nós temos um problema maior… — Elena cerra os lábios, visivelmente preocupada com algo realmente sério.
Então Damon se levanta num pulo, correndo até a porta do quarto para procurá-la pelos corredores, quando seu corpo freia bruscamente, sentindo a presença nervosa de Elena ao seu lado encarando o mesmo que ele. Uma trilha de corpos pelo corredor do hotel, provavelmente sem vida. Receoso com o que poderia encontrar, os dois avançam pelo caminho até chegar à recepção, encontrando mais dois corpos incluindo a recepcionista.
—Ops. — É só o que Damon consegue dizer.
—Isso é culpa sua.
—Espera aí… culpa minha?!
—Você disse que tinha tudo sob controle, pra ela confiar em você! Agora ela deve… — Elena suspira, esfregando as mãos no rosto — Ela deve estar arrasada, a gente precisa encontrá-la.
—Bom dia! — Kate aparece no mesmo instante pela porta de entrada do hotel, segurando uma bandeja de papelão com três copos de cafés e com um sorriso no rosto — Trouxe café da manhã… e claro que não é café.
—Kate, o que você… — Damon franze a testa confuso, analisando-a com cautela.
—Ah, isso? Eu estava faminta, e… bom, como dizia que ofereciam o café da manhã, achei que estaria incluso. — Ela diz com desdém e entrega um copo de café para cada um e simula um brinde — Ah! E obrigada pela dica sobre o lance das emoções, não foi muito fácil lidar com… vocês sabem. Mas agora eu estou bem.
—Kate! — Elena fica boquiaberta, surpresa com tamanho espanto do que havia feito, enquanto Damon permanecia estático, sem saber como reagir.
—Ah, e claro que vim preparada. Parei no posto de gasolina e trouxe um galão, para queimarmos isso aqui. — Ela passa pela porta de entrada e volta com um galão de gasolina, como se não fosse nada — Achei que servia mais rápido se livrar dos corpos assim e bom, não tenho mais magia, mas ainda sou boa em queimar as coisas… não é?
—Uau. — Elena ergue as sobrancelhas ao ver que ela já havia arquitetado todo o plano mirabolante dela sozinha.
—Podemos conversar? — é o que Damon consegue dizer, absolto com aquela situação.
Eles obviamente queimaram o hotel, depois de compelir o restante dos hóspedes — que ainda estavam vivos — a irem embora e esquecerem de tudo. Elena acaba bebendo o “café”, afinal, precisava de uma dose de sangue para manter seu controle, assim como Damon.
E então pegaram a estrada de novo. Elena mandava mensagens para Stefan e Caroline, enquanto Kate tagarelava no banco de trás, contando detalhes sobre tudo o que aconteceu durante a manhã. Damon não ouvia uma palavra sequer, porque estava se martirizando por ter falhado tão gravemente com ela, pensando no que ele poderia ter mudado e na possibilidade de Elena também ter culpa disso, afinal, ela nem era para ter vindo e talvez se agarrar a essa ideia fosse mais fácil do que enfrentar de fato a culpa sozinho.
—Vocês podiam desligar a humanidade também, né? — Kate pergunta empolgada, virando-se para os dois com seus olhos extremamente brilhantes e extasiados — Imagina! A gente em Las Vegas se divertindo sem pensar em…
—Em quantas vidas vamos matar? — Elena corta sua empolgação com uma voz firme e direta, para tentar atingir algum balanço emocional.
—Não era isso que eu ia dizer, mas… Tem algum recorde entre vocês vampiros?
—Kate, sem chance. Esquece. — Damon finalmente volta sua atenção para a conversa dentro do carro — Não era pra você ter feito isso! Que droga!
—Eu aposto que você vai gostar mais dessa versão. — Kate sorri maliciosamente, acariciando a coxa de Damon até sua virilha, enquanto Elena desvia o olhar para outro lado. — E além do mais, já temos uma festa para ir hoje.
—Festa?! — Elena volta sua atenção para ela, indignada. — Que festa?!
—Você não vai a lugar nenhum. — Damon nega aquela ideia absurda, talvez pela primeira vez na vida.
—É uma festa a fantasia, ninguém vai se importar se o sangue é falso ou verdadeiro! Eu posso treinar minhas compulsões lá! — Ela fica novamente animada com a ideia, olhando para os dois.
—Não! — Os dois respondem juntos.
—Se vocês não querem ir, tudo bem. — Ela ajeita o espelho retrovisor do carro e o arranca — Eu vou.
E antes que ele reclamasse sobre estar destruindo seu carro, ela crava o espelho no peito de Elena num vulto e quebra o pescoço de Damon, puxando o freio de mão, jogando o carro em direção ao gramado fora da estrada. Ainda durante a fuga, aproveita para rasgar um dos pneus do carro antes de seguir viagem e desaparecer pela estrada em direção a Las Vegas.
Fale com o autor