Depois de Você

17 Capítulo 17 - "São só crianças"


Estava num momento tenso, em que agora todos planejavam rotas e definiam suas funções para conseguir encontrar Luna. Bonnie usaria o colar de Luna para que junto com Lily realizassem o feitiço de localização, torcendo para que ela não estivesse bloqueada de alguma forma. Enquanto isso, Stefan e Elena iriam de carro para uma direção e Damon e Caroline para outra, enquanto Kevin ficaria a salvo na casa.

—Mas eu tenho uma ideia melhor. — Damon diz antes de sair — Kevin, você vem comigo.

—Não sei se é uma boa ideia. — Stefan comenta com o irmão sutilmente, em dúvida se aquilo poderia ser perigoso demais.

—E eu na verdade precisaria que alguém tentasse contato com os amigos dela, pra verificar se alguém a viu por aí… — Bonnie comenta.

—Então combinado, Caroline fica e Kevin vem comigo. — Damon conclui, autoritariamente, começando a ficar agoniado pela enrolação da conversa.

—Tem certeza? — Kevin olha para Kate e depois para Damon, incerto do que deveria fazer. — Eu quero muito ajudar, mas eu não...

—Você vem ou não?! — Damon pergunta impaciente, já na porta para sair.

Talvez não fosse uma boa ideia, mas Damon sentia que precisava de um tempo a sós com o garoto para tirar suas dúvidas e claro, ameaçá-lo. Se ele desistisse fácil, seria menos trabalho para Damon aceitar que sua menina pode estar crescendo pra valer e criando sua independência, construindo sua vida pessoal e amorosa.

—Vamos lá. — Damon diz depois que colocaram o pé na estrada, enquanto dirigia — Nome completo, idade, a pior coisa que já fez na vida e seu tipo sanguíneo.

—Ér… Tipo sanguíneo? — Ele fica receoso de pergunta, mas arrisca.

—Se eu me irritar com você, quero saber se valerá a pena. — Ele apenas responde com um sorriso rápido e debochado, dando a entender o que queria dizer.

—Bom, se isso for sério mesmo… — Kevin se ajeita no banco e prossegue — Kevin Daniels, 19 anos. A pior coisa que eu já fiz foi… colocar mel na bolsa de uma professora para atrair abelhas e suspender a prova. E bom… Meu sangue é A -.

—Isso é sério?! — Damon o olha com tédio e depois volta seu olhar atento a estrada — Nem mesmo seu tipo sanguíneo pra diminuir sua tediosa vida.

—Damon… posso te chamar assim?

—Já chamou.

—Eu sei que isso tudo tem a ver com o fato de que estou com sua filha e eu respeito sua intenção de criar seu julgamento sobre mim. Mas, se me permite ser sincero, sua filha quem decidirá estar comigo ou não, então…

No mesmo momento, Damon sente uma irritação o invadir ferindo seu ego, então bruscamente rabeia o carro propositalmente na pista e o pára no acostamento, se virando de frente para Kevin para encará-lo, enquanto ele ainda se recuperava do susto.

—Você não sabe com quem está se metendo e eu espero mesmo que saiba. Porque se eu souber de qualquer coisa que vá magoar Luna… — Damon o fuzila firmemente, intimidando-o. — Eu juro que vou atrás de você pra garantir que não verá mais a luz do dia.

—Eu não pretendo magoá-la. — Kevin responde, também mantendo sua firme. — Eu realmente gosto muito dela e...

No mesmo instante, uma ligação de Bonnie faz com que o clima se quebre, aliviando a tensão de ambos ao saber que o feitiço de localização havia dado certo. Estavam mais próximo de encontrá-la, mas Damon, mais próximo de perdê-la, de certa forma.



Era numa mansão abandonada quase no fim da cidade que não espairecia muita vitalidade. Era fim de tarde, então a cena era ainda mais misteriosa, porque não estava sendo protegida por um exército como imaginavam e isso levantava a suspeita de uma possível armadilha. Com a atenção redobrada, estacionam mais longe e observam o redor da casa, tentando identificar algo pela janela do cômodo, onde aparentemente estava iluminado com velas.

—Isso tá fácil demais, não é a cara dele. — Stefan comenta apreensivo, atento a qualquer movimento.

—Eu estou com mau pressentimento. — Elena completa, sentindo o peito pesar por algum motivo. — Vou ligar para Bonnie.

—Mas o que.... — Damon foca sua visão na movimentação ao redor da casa — mas que diabos… ?

Então aos poucos, percebem que eram pessoas rodeando a casa como uma forma de barreira, enquanto murmuravam possivelmente alguma magia. Quando o feixe de luz os ilumina, eles podem ver nitidamente que eram crianças e adolescentes, completamente treinados para fazer aquilo e isso pega todos de surpresa. Era covardia demais e Damon e Stefan apenas se entreolham aterrorizados, ao se verem numa enrascada daquelas. Eles não podiam matar aquelas crianças, porque ... eram crianças!

—Não, não, não…. — Damon se vê sem saída, preocupado com o fim daquela história.

—Qual é o problema? são só crianças. — Kevin dá um passo a frente na intenção de se direcionar a elas para começar uma ingênua conversa, mas elas reagem.

—Não! — O instinto de Damon foi de tentar agarrar o braço de Kevin para impedi-lo, mas eles são atingidos com magia antes mesmo de tocá-lo.