Depois daquele míssil
2 O cheiro doce de Diana Cavendish
Notas iniciais
— Uau – Amanda disse. – Por que não fui incluída no show de mágica?
— O que você faria? – Diana perguntou.
— Sou boa na vassoura, poderia participar com alguns truques.
— O ponto é – Lotte interrompeu. – Vocês têm uma semana para preparar uma apresentação de magia para um baile da Alta Sociedade.
Daiana e Akko estavam sentadas na biblioteca, na companhia de Amanda e Lotte.
— Onde está Sucy? – Akko perguntou.
— Está trabalhando em alguma coisa nova.
— Perfeito – Diana disse. – Quem sabe não é possível encaixar no número?
— Você conhece os experimentos da Sucy? – Lotte murmurou.
— Não são exatamente o que eu colocaria numa apresentação em público – Amanda comentou ao relembrar o dia em que cogumelos brotaram em seus dedos ao cochilar no dormitório com Sucy, enquanto esperava Akko.
— A questão é – Akko bateu na mesa. – Diana conhece tantos truques bons quanto é boa em pratica-los. Eu conheço sete palavras que podem salvar o mundo de um míssil. O que será que não podemos fazer?
As três meninas encararam a prepotência de Akko.
— E qual é seu plano? – Amanda finalmente perguntou.
Akko sorriu antes de esclarecer cada detalhe de sua grande ideia.
Faltavam três dias para o grande baile na casa de Andrew, e Diana lia sobre um antigo feitiço em seu quarto, quando foi interrompida por batidas na porta. Vagarosamente, abriu o quarto e deu de cara com Amanda vestida com uma regata e um short curtinho.
— Akko precisa de você no pátio – as palavras saíram rápidas demais, sem serem precedidas sequer por um “bom dia”.
— Oh – Diana deixara o livro aberto na escrivaninha. – Você sabe por quê?
— Problemas com a vassoura. Ainda não conseguiu o que vocês combinaram. Na verdade, ela não consegue descer, está a metros do chão. Resumidamente, precisam de você lá embaixo.
Diana olhou para o lado pensativa antes de falar novamente:
— Vou descer. Poderia entrar e fechar o livro que deixei aberto, por favor? O marca-páginas está ao lado dele. Ah – fez uma pausa. – E desça também, é possível que precisemos de todo mundo.
Amanda assentiu e deu um passo à frente, ao mesmo tempo que a colega. Seus corpos se chocaram e elas saltaram para trás.
— Desculpe – Amanda disse.
Diana pigarreou, mais atordoada que o normal.
— Sem problemas – e saiu correndo, a barra do vestido de verão ondulando.
Amanda O’Neill adentrou o perfeitamente arrumado dormitório da Srta. Cavendish, sentindo cada músculo de seu corpo geralmente relaxado retesar. Um cheiro doce preenchia o cômodo, cheiro de Cavendish. Tudo ali era demais para ela: a estante adjacente à porta, o tapete aspirado, o pequeno sofá próximo à janela, e o que ficava ao seu lado também. Caminhou até a outra parte do quarto, atrás da estante e descobriu a escrivaninha com o livro em cima. Era um grande exemplar de um livro de feitiços antigo.
— Unicornius alegris — leu baixinho.
Ao lado do livro, encontrou o marca-páginas dourado. Até mesmo este objeto tão simples não carregava sequer um arranhão.
Amanda se aproximou da cama de Daiana, estava impecavelmente arrumada, com quatro travesseiros e lençóis sedosos. Com cuidado, sentou-se. Ela não sabia o que estava fazendo, mas sentiu aquela necessidade por um momento. Não pela primeira vez, confessou para si. No segundo seguinte, estava de pé.
O dormitório, e tudo que levava consigo, era perfeito. O oposto de Amanda. O pacote completo a encantava. Inclusive a dona dele. Ela só não conseguia decidir de que forma.
Akko, finalmente, colocou novamente seus pés no chão. Estava exausta. Praticara o dia todo aquele truque. E praticava todo os dias, desde que pisara em Luna Nova, o vôo de vassoura.
— Akko! – Lotte gritou, recebendo-a de volta à terra firme. – Você está bem?
— Sim – Akko falou. – Obrigada, Diana.
— Não fiz nada demais – Diana deu de ombros.
Sucy, percebendo que todos estavam com medo de fazer a pergunta, colocou a dúvida no ar:
— Acha que conseguirá até sábado?
— Acho que conseguirei até amanhã! – Akko declarou.
— Sabe, Akko – Diana olhava nos olhos da menina. – Se preferir, podemos mudar o truque.
— Quanto a isso, não há discussão. Faremos o que planejamos – Akko insistiu.
Ninguém mais questionou nada. Mais tarde, após o jantar, Atsuko Kagari guardou para si o pensamento que a perturbava: o vôo de vassoura. Mesmo sendo exposta ao show da Chariot e ao conversor de sonhos que roubou temporariamente suas habilidades, Diana praticava magia perfeitamente. Ela, Akko, também tinha suas chances. Acreditava que aquela situação de baile seria a melhor para demonstrar sua verdadeira magia. A pressão a colocaria no lugar.
Ainda mais tendo que fazer tudo na frente de Andrew e Diana, que já a deixavam nervosa sem esforço algum. Só que por motivos diferentes.
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