Depois da mentira.
2 Sentimental.
Notas iniciais
Meus olhos pararam imediatamente no sms de Cobra. Ele queria falar comigo com urgência, só espero que ele não esteja envolvido pois a decepção seria tripla. Desconfiava de Duca, mas nada o lutador tinha dito, imagino que sabia, mais do que podia. Naquele instante levantei vendo frestas do raio de sol sair da janela. Bianca dormia e os olhos pareciam inchados pelo choro, mas suas lágrimas pouco me comoviam. Resolvi ir tomar banho, por mais difícil que fosse, mas me sentia com a alma completamente suja, e no meio do banho chorei, chorei o quanto podia de novo, somente naquele instante. Assim que coloquei a roupa, vi a atriz parada perto da minha cama, chorando em prantos, eu me encontrava indiferente, apenas cruzei meus braços e esperei pela enchurrada de desculpas que a mesma ia dizer.
— K, eu queria conversar com você. — disse soluçando. — Juro que tive boas intenções, jamais a quis ver mal.
— Bianca, você sempre diz que tem boas intenções, que nunca quer me ver sofrer e você sempre faz o oposto. — Vomitei o quanto pude. — Eu não quero ouvir suas desculpas, você e o Pedro são dois idiotas egoístas. Ficaram surpresos com minha reação? De não socar a cara dos dois? Eu não ia perder meu tempo, eu quero que vocês vão pro inferno a partir de agora.
Imaginei que fui um pouco dura, mas estava com tanta coisa engasgada que não consegui me segurar, então ela veio em minha direção numa tentativa de me abraçar mas me esquivei.
— K, olha, eu juro que foi com boa intenção, você ia ser infeliz esperando que o Duca te correspondesse, eu só quis te fazer bem.
— Bianca! Nada disso justifica, eu não sou um objeto, você me vendeu como se eu fosse um objeto de troca, não adianta dizer que teve boa intenção, eu não acredito nisso. — Gritei o mais alto que consegui, e o assunto estava a me consumir de raiva, minha vontade era de voar em Bianca a qualquer momento. — Eu não vou ouvir suas desculpas, quero que se dane, você e o Pedro, vão pro inferno!
— Karina, minha filha, o que está acontecendo aí com vocês? — Meu pai grita na porta desesperado. — Abram a porta. — Assim o fiz e sai correndo de lá, desci as escadas e fui parar na praça, lá fiquei um tempo abraçada aos meu joelhos de novo
Que inferno, nem em casa eu tinha mais paz, ia passar o dia ouvindo as mentiras dela, os pedidos de perdão, eu não queria perdoar ninguém, só queria que tudo acabasse, inclusive eu.Depois de alguns minutos sentada na praça, ouvi um violão com uma música melódica, e uma voz audível para todo o bairro do Catete. Era Pedro e a turma da Ribalta, olhei de soslaio para eles e fiquei estática, enquanto ao fundo eu ouvia a música dos Los hermanos.
O quanto eu te falei
Que isso vai mudar
Motivo eu nunca dei
Você me avisar, me ensinar
Falar do que foi pra você
Não vai me livrar de viver
Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar...
E havia doído de novo, a música parecia representar exatamente a forma como eu me sentia, e Pedro parecia saber. Eu estava emocionalmente cansada, lembrei da mensagem de Cobra mais cedo e o que ele queria falar comigo, então corri da praça até o QG, a porta estava aberta, e ele se encontrava atrás do balcão com o queixo apoiado na mão, como se esperasse por algo, e eu esperava que fosse por mim.
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