Depois da chuva...Sempre vem o sol!

1 Capítulo Único - Colorindo a escuridão...


Notas iniciais
Boa Leitura! :)

Era uma quinta-feira de tardezinha o sol já havia começado se esconder, eu estava tendo crises de convulsões, meus pais corriam de um lado para o outro, eles não sabiam o que fazer, estavam bastante preocupados. Levaram-me rapidamente ao médico, e depois de passar por alguns exames constataram que eu estava com leucemia, esta se desenvolvia lentamente, eu precisava dar inicio ao tratamento o mais rápido possível.

Cada vez mais frágil, minha vida não era a mesma, já não podia brincar como as outras crianças, a doença me prendia a vários exames, antibióticos e uma cama de hospital. Via dias e noites se passarem pela única janela que havia em meu quarto, esta mal dava para ver o sol brilhar do lado de fora.

—Mamãe isto acontece com todo mundo? Perguntei.

—Não filhinha, só com algumas pessoas, era pequena, mas nada me impedia de buscar algo que me fizesse entender o porquê daquilo acontecer exatamente comigo.

Passava várias vezes por sessões de quimioterapia, meus cabelos já não existiam, aos poucos foram caindo até não restarem mais nada, a única salvação para minha vida, seria um transplante de medula óssea, não era tão simples assim encontrar alguém que fosse compatível comigo.

Anos se passaram, não era mais uma garotinha pequena, estava crescida, minha mente havia mudado, passei a não aceitar ter minha vida resumida a um quarto de hospital.

O que eu havia feito de errado para isto tudo acontecer comigo? Talvez fosse isto mesmo, não havia feito nada, por isso me culpava tanto, fiz da minha vida meu próprio pesadelo, digno de não ser vivido por ninguém, me tornei uma garota fria, triste e solitária.

Quando já não acreditava em mais nada, uma esperança reacendeu, encontraram um doador para mim, aquela noticia alegrou-me, dois dias depois me levaram para sala de cirurgia, finalmente iria receber a medula da qual tanto necessitava para sobreviver, aplicaram-me uma anestesia, a qual fez apagar-me não me deixando ver mais nada.

No outro dia quando despertei, não estava mais naquela sala, estava em um quarto e minha mãe sentada ao meu lado, esperava ansiosamente que eu dissesse algo.

—Já acabou? Perguntei confusa.

—Sim querida, ela disse-me sorrindo.

—Quando vou sair daqui? Voltei a perguntar novamente, afinal era tudo o que eu mais queria.

—Depois que você se recuperar querida, respondeu-me sorrindo.

—Mais quando? Queria que fosse o mais rápido possível.

—Não sei filha, falou-me.

Minha recuperação estava sendo demorada já haviam se passado dois meses e continuava naquele hospital passando por mais e mais exames, a esperança que ainda restava em mim, começava a se desfazer. Uma semana depois veio a surpresa, os médicos vieram dar-me a grande noticia de que já estava curada e que já poderia ir embora.

—Doutor quem foi meu doador? Perguntei-lhe curiosa.

—Não posso lhe dar esta informação, isto é sigilo, respondeu-me.

—Mas, só queria poder agradecer, expliquei-lhe.

—Sinto muito, o doutor disse-me.

Ao passar pela porta daquele hospital, pude sentir a brisa leve em minha pele, nenhuma doença me prendia mais, voltei para casa, começando incansáveis dias de procura, queria descobrir quem havia devolvido minha alegria de viver.

Cinco anos andei procurando pelo meu doador, fiz uma campanha na internet a fim de encontra-lo mais não estava dando resultados, ninguém sabia de nada a respeito, contei minha história, foram oito anos lutando pela minha recuperação.

Voltei ao mesmo hospital onde havia sido internada, entrei em uma sala, estava vazia, procurei alguns papéis até encontrar o endereço e o nome do último doador, anotei em um papel, e voltei para casa. Sozinha no meu quarto avalie o endereço por um instante, havia o encontrado, mas ele morava muito longe, então resolvi escrever-lhe uma carta e enviar-lhe como forma de agradecimento, já que não poderia estar presente.

Olá Alex Sguens,

Você não deve saber de quem se trata, aliás, nem me conhece, mas eu precisava de alguma forma te agradecer, desde pequena vinha lutando contra leucemia, ela me pegou tão despreparada, trazendo tristeza, medo, insegurança e dúvidas em minha vida. Sempre buscava uma forma de descobrir o que eu tinha feito de mal. Se alguma vez tinha sido egoísta? Se desobedeci meus pais? Ou se havia sido mal agradecida? Mas nunca encontrei algo que me explicasse o porquê de estar naquele impasse.

Cada aniversário que se passava minha família sempre vinha com um pequeno bolo, pedia para que eu fechasse os olhos e fizesse um pedido, sempre pedia para que minha cura viesse logo, parecia que nada fazia efeito. Nas cartinhas de natal pedia para o papai Noel me dar uma nova medula, mas sempre no dia de natal quando esperava ansiosamente, meus olhos brilhavam, resgava então o papel que cobria meu presente, logo via que não se tratava do que havia pedido, e sim de um novo brinquedo, então passei a entender que o que eu tanto pedia era uma coisa impossível de se realizada pelo papai Noel.

Já um pouco madura, passei a conviver somente com a minha própria solidão, quando já não tinha mais forças para acreditar, você apareceu, doando para mim uma nova chance de viver, apagando minhas dúvidas e me mudando completamente. Procurei tanto tempo pela pessoa que havia me tirado daquele poço fundo que a vida me lançou.

Posso ser uma completa estranha para você...

Obrigada por salvar a vida dessa estranha, dando a ela um novo sorriso!

Espero um dia poder te encontrar.

Asheley Stiugs.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Beijos ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!