— Lembra quando eu entrei na sua casa pela primeira vez e você pensou que eu tinha ido te matar e ficou gritando feito uma doida sendo que eu só queria jantar com você?

Eve olha para ela, séria.

— Você está rindo? Eu sinceramente achei que aqueles seriam meus últimos momentos de vida.

— Você me ameaçou com um limpador de privada. – diz Villanelle. Eve ri.

— As outras opções eram toalhas de banho e sabonete, o que queria que eu fizesse? Estava apavorada.

— Bem, eu pegaria o sabonete, esfregaria no chão e jogaria água por cima para ficar bem escorregadio. Assim quando o intruso entrasse iria cair e então eu fugiria. Se eu fosse você, claro. Se fosse eu, eu simplesmente aproveitaria a vantagem e mataria ele.

Eve olha para Villanelle com o canto do olho.

— Naquela época, não agora. Hoje eu sou uma pessoa mudada. – diz a ex assassina.

Villanelle estava deitada no sofá, e Eve estava deitada no outro sofá. Após matarem os doze, tudo estava uma paz. Elas haviam decidido tirar umas boas e merecidas férias, mas ainda estavam em Londres para acertar algumas coisas. Elas estavam em um apartamento que Konstantin havia alugado, não tão luxuoso quanto Villanelle estava acostumada, mas isso não a incomodava nem um pouco. Ela estaria feliz dividindo um papelão se fosse preciso, desde que Eve estivesse com ela. Ela sorri para si mesma e espreguiça, se levantando.

— Aonde vai?

— No banheiro, quer vir?

Eve revira os olhos.

— Ah! Chuva desgraçada! – diz Konstantin, entrando pela porta, trazendo um pacote no braço e um jornal parcialmente molhado debaixo do outro.

— Sabia que a gente devia ter vindo embora direto, eu disse! – diz Irina, entrando correndo atrás dele, com os cabelos respingados de chuva.

— Nunca me acostumei com o tanto que chove nessa cidade. – diz Pam, entrando atrás deles, com uma capa de chuva transparente.

— Foi você quem quis passar na padaria pegar essas rosquinhas. – diz Konstantin à filha.

— Lógico, aqui não tem nada de bom para comer. Eu estou cansada de pão e sopa, queria doce. – diz Irina, atacando o pacote de rosquinhas que o pai tinha colocado na mesa. Pam tira a capa de chuva e se joga na poltrona da sala com um suspiro pegando o celular.

— Onde estão aquelas duas? Villanelle! – diz Konstantin, chamando a afilhada.

— Eu estou aqui. – diz Eve, levantando a mão.

— Bizarro. – diz Irina, vendo Villanelle sair do banheiro abotoando as calças no corredor. Villanelle dá um tapa na cabeça dela e ri, pegando uma das rosquinhas.

— Ei! Você lavou a mão? — pergunta a menina, mas Villanelle não dá a mínima, indo até onde Eve está deitada e se sentando no sofá junto com ela.

Eve pega a rosquinha da mão dela e morde.

— Deu certo? – pergunta Villanelle a Konstantin.

— Cada centavo. – ele diz e os olhos da loira brilham.

— Estamos ricos! – comemora Irina.

— Milionários. – diz Konstantin e Villanelle vibra. Ela adorava dinheiro.

— O que vai fazer com sua parte do dinheiro? – pergunta Irina a Pam.

— Não vou te contar. – diz Pam – Acho que vou abrir uma churrascaria com o meu namorado. Depois de viajar para o Havaí, claro.

— E como vai explicar ficar rica de repente? – pergunta a garota.

— Sei lá, a gente não segue as regras, então não tenho que explicar nada pra ninguém. – diz Pam.

— Bandida, bate aqui! — diz Irina estendendo a mão em um highfive.

— Sabe o que vou fazer? Vou abrir uma loja de alguma coisa chata. Claro que vai ser só fachada pro meu negócio real. – diz ela, com um olhar malicioso e Konstantin olha de canto para ela.

— Não dá pra abrir uma firma de tráfico de doces Irina, eu já te disse. – diz Konstantin.

— Você vai ver se não dá. – diz a garota, fazendo cara feia enquanto lambe os dedos. Pam ri.

— E você? O que vai fazer? – pergunta Irina a Villanelle. A loira olha para Eve, e então de volta para a garota.

— Pergunta pra ela.

— A gente vai tirar umas merecidas férias. Depois veremos. — diz Eve.

Villanelle concorda, se jogando no sofá.

— Sério? Vai deixar ela te controlar assim? Cadê a Villanelle toda poderosa que meu pai falava? — diz Irina à ex assassina.

— Ela aposentou. — diz Villanelle.

— Ok, então vocês vão me ajudar a traficar doces. Eu tenho grandes planos de expansão. — diz Irina, abrindo os braços.

— Vai lá, Willy Wonka. — ri Villanelle. Eve se senta ao lado dela no sofá, E Villanelle deita a cabeça no colo dela enquanto Eve acaricia seus cabelos.

— Sabe, não é uma ideia ruim. Encher o mundo de doces. — diz Eve.

— Crianças com cáries e mães doidas para todo lado. Parece divertido. — ri Villanelle.

— Estou rodeada de doidos. — ri Pam, indo buscar mais uma rosquinha.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.