Rafael está logo acima da porta do laboratório Alaska. Pela saída de ar têm a visão perfeita dos soldados que fazem a ronda, tentando insistentemente levá-la ao chão. Ele calcula. Há mais do que seu campo de visão o permite contar.

Enquanto pensa no máximo de estratégias que consegue para tirá-los de lá, sua solução chega. Com um susto, a porta se escancara. Um objeto em chamas é jogado no corredor, causando um impacto estrondoso, explodindo todos ao redor.

Maia sai com a arma em mãos, exterminando os que insistem em manter-se em pé.

Vê uma movimentação acima de sua cabeça. Aponta a arma diretamente para a saída de ar.

— Sou eu, sou eu! — Rafael desce da mesma, atordoado, deixando a grade cair no chão.

— Cacete! O que está fazendo aqui? — Cauã pergunta.

Rafael, ainda tentando recuperar-se do impacto da bomba, demora um instante antes de responder.

— Vim ajudar vocês.

Maia ri, esquecendo-se da situação de risco em que se encontram.

— Agradecemos, mas temos que dar o fora daqui. — Lucas sai de dentro da sala carregando um garoto semiconsciente em um dos braços. Gael o ajuda.

— Onde estão os outros?

— Espero que longe.

Rafael concorda rapidamente com a cabeça.

— É, vamos sair daqui. Vão na frente, a gente dá cobertura. — Diz, já com a arma em mãos, indicando o caminho para os que carregam o garoto empalidecido.

Cauã abre o caminho para eles, ligeiro. Lucas e Gael seguem praticamente arrastando o menino no encalço, e Maia e Rafael fazem a cobertura dos três. A saída não está longe, eles sabem, mas não podem baixar a guarda agora.

A cabeça de Maia voa da situação em que se encontram, lutando por suas vidas, para Naomi e Levi, e principalmente para Alex e Nic. Espera que os amigos estejam bem.

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— Ok, qual o plano? – Naomi pergunta à Rico, os três prostrados no batente da porta enquanto aguardam alguma deixa.

— Plano? – O mais velho olha para ela com as sobrancelhas arqueadas, como se a garota acabasse de fazer a pergunta mais idiota que já ouvira. – A gente não precisa de um plano. Precisamos só chegar àqueles elevadores.

— Vão nos matar assim que colocarmos os pés fora daqui. – Levi comenta.

— Alguma sugestão? – O pai pergunta.

— Sem outras entradas? – Naomi não se conforma.

— As escadas por onde eles estão vindo. Não acho uma boa, menina.

Os três encaram-se em silêncio.

— Ok, garotos, eu estou todo fodido. – Rico comenta. – Vou tirar eles de perto da porta, vocês se viram a partir dali.

— Não. – Levi nem ao menos o deixa terminar. – Claro que não.

— Não estou pedindo, Levi, estou mandando. – Com a arma do filho nas mãos, espia porta afora. Faz menção de sair, mas o garoto o segura pelo braço.

— Pai. – Eles nunca mantiveram uma boa relação, mas isso não quer dizer que não se importam um com o outro. O próprio ato de Rico prova isso.

— Nos vemos de novo, moleque. Acabem logo com esses filhos da puta. – Os dois se puxam para um abraço apertado.

Levi concorda com a cabeça. Vê o pai sair porta afora o mais rápido que seu corpo ferido o permite. Nem ao menos tiveram tempo de falar sobre Gabriel.

Levi tira a arma das mãos de Naomi.

— Vai. Te dou cobertura.

Ela não o contradiz. Não há tempo de discutirem. Ela espera até a isca de Ricardo ser colocada em prática. Ao ouvir os tiros próximos na direção oposta à que pretendem ir, Naomi voa pelo corredor.

Sente-se completamente exposta sem a arma, mas confia em Levi para cobri-la.

Finalmente alcança a porta do elevador, já levemente entortada em uma das laterais. Ela aproveita para abrir espaço entre elas com os dedos. Faz mais força do que achara ser necessário, mas consegue separá-las minimamente. Se vira para trás para pedir ajuda, mas percebe o quanto Levi está ocupado quando esconde-se atrás de uma pilastra para investir contra os que entram no corredor em direção à eles, pegando-os despercebidos.

— Abre essa porra! – Ele grito em meio aos tiros.

Naomi faz toda a força que pode para separar as duas portas. Seus braços ameaçam falhar, mas ela não deixa.

Levi grita de dor atrás dela. Ela o vê escorregar até o chão em uma contração do tronco.

— Entra! – Ela o obriga. Segura as portas com o próprio corpo, os braços esticados trêmulos.

O garoto se arrasta para dentro, deixando um rastro de sangue por onde passa. Naomi fecha a porta assim que ele passa, ofegante. O escuro os ronda. As portas os protegem, mas não por muito tempo. Sabem que estão ali, e entrarão em segundos.

Antes que possa tomar qualquer providência, o elevador chacoalha. Naomi senta-se no chão ao lado de Levi, como se assim se protegesse. O inesperado acontece. O elevador sobe. O som de um alarme estridente aumenta gradativamente.

— Diego? – Ela pergunta, mas Levi não consegue responder.

Ela se aproxima dele e percebe com dor nos olhos o que acontecera.

— Foi baleado.

— Pois é. – O garoto deita-se no chão do elevador, cobrindo o ferimento na altura da cintura.

— Temos que sair daqui, anda.

Ela passa seus braços pelo tronco do garoto, tentando ajudá-lo a se levantar, mas Levi contorce-se em dor. Com um grito, volta ao chão. A respiração ofegante o deixa sem ar. Tenta pressionar o ferimento com as mãos trêmulas, mas a dor que sente na altura de sua bacia é excruciante. Chega à temida conclusão — não conseguirá fugir.

— Naomi? – Eles se enxergam parcialmente pela luz que entra pela fresta do elevador. O sangue quente de Levi escorre incessantemente pelas mãos dos dois.

— Sem chance. Não vou deixar você.

— Ia pedir pra ficar. – Ela não espera por aquelas palavras. – Não quero morrer sozinho.

Naomi sente o coração apertar. As lágrimas brotam de seus olhos.

— Não vai morrer.

Ele ri. Não perde sua essência, não importa a situação. Encara a morte como conhecida.

— Fica aqui. – Ele pede. Sente medo por fazer o pedido a garota. Ela ainda pode se salvar, mas ele não quer ser deixado no escuro sozinho, sangrando até a morte, ou assassinado à sangue frio antes disso. Se dá ao luxo do último desejo.

Naomi deixa as lágrimas escorrerem. Os encontrarão logo, mas ainda têm tempo.

Dá um beijo molhado e triste nos lábios do garoto. Ele a puxa para acomodar-se em seu peito. Em meio às lágrimas e pesares, deitam-se lado a lado, esperando a morte.

A porta do elevador se abre. Não irão morrer sem lutar. Naomi se senta e aponta a arma para a fresta que se abre, os braços teimando em tremer.

Antes que possa sequer pensar em puxar o gatilho, vê os olhos pintados de Alex aparecerem por entre as portas de metal. Ela abaixa a arma e se põe de pé novamente, as lágrimas que rolam são de alívio.

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— Naomi? – A porta mal se abrira quando a amiga a puxa para um abraço apertado, que não se demora.

Alex olha a garota de cima a baixo. De seu corpo ensanguentado para Levi no chão.

O sorriso de Naomi se desfaz assim que vê quem ajudou-a a abrir a porta. A mulher que acabara de salvar sua vida ainda insiste em manter a porta aberta. Já está com a arma em mãos novamente quando Alex a proíbe.

— Ela me ajudou.

As três se encaram por um instante.

— Posso falar agora mesmo, mas seu amigo está morrendo. – A voz da mulher sai falhada enquanto sustenta a porta com a força do corpo. – E vamos ser as próximas.

Ela tem um bom argumento.

Alex e Naomi amparam Levi do chão, que tenta sem sucesso segurar os gritos de dor.

A mulher deixa a porta fechar assim que os três passam. Segue na frente, guiando-os para o mesmo caminho em que Alex vira Nic sendo carregado.

Não entende o que acabara de ocorrer, mas uma coisa estava clara — aquelas duas pessoas trajadas de inimigo salvaram suas vidas.

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Não sabem para onde a mulher está os levando.

Levi despeja o peso sobre os ombros das duas garotas que o sustentam. Sente a dor pungente na lateral do corpo, como se cada passo rasgasse um pedaço de sua bacia.

A soldado sabe exatamente para onde está indo. Por falta de opção a seguem sem questionar, confiando às cegas.

O som do alarme que ressoa cada vez mais alto em seus ouvidos é ensurdecedor. A mulher os guia pelo anfiteatro por corredores escuros, sabendo exatamente que caminho seguir para não cruzar com ninguém.

Andam o mais rápido que podem. Levi já está fraco, e as duas que o mantém em pé mantém a respiração ritmada.

Quando finalmente chegam ao térreo, um portão grande se abre para eles.

— Rápido. — A mulher troca de lugar com Alex antes de seguir caminho, amparando o garoto, que não faz objeções. — Rua Sete.

Alex a obedece. Finalmente retorna aos setores com uma dor na ponta do estômago, ansiosa.

Rua Sete.

Mergulha no labirinto das tendas seguindo em frente, na rua indicada pela mulher. Por algum motivo, não estão cheias. Pessoas andam de um lado para o outro, preocupando-se com o que acontece ao redor. E essas mesmas pessoas os dão cobertura sem questionar. Algo ocorrera no tempo em que Alex esteve fora.

Um garoto a segura pelo braço e a guia para a tenda à direita no final da rua sete do setor B, o mesmo garoto que auxiliara Nic. Os amigos seguem logo atrás dela. Quando abre a porta, seus olhos brilham de felicidade ao vê-lo ali.

À luz de uma solitária vela, Nic está sentado observando a doutora Ava fazer um curativo em sua canela com o material que dispõe. Seu rosto expressa dor, mas se mostra forte. O sorriso jovial se desenha em seu rosto ao ver Alex.

A garota se põe ao lado dele em um salto.

— Como está?

— Doendo. — Ele tenta sorrir, mas segura um grito quando a mulher manuseia sua perna.

Alex a olha com alívio nos olhos.

— Você é nossa benção, Ava.

A senhora sorri, cansada e estressada com a situação.

— Sabia que estava viva, Alex.

As duas dão um demorado abraço, segundos antes de Alex ouvir o urro de protesto de Levi ao lado dela. A garota o observa ser deitado ao seu lado. A mulher que os trouxera pega sua arma e se coloca no batente da porta, ouvindo o que acontece do lado de fora.

Têm muitas perguntas a fazer. À mulher, ao garoto que ajudara Nic, à Ava. Mas sabe suas prioridades — ergue a blusa do loiro para ver o ferimento.

Tanto seu rosto quanto o de Naomi se contorcem em uma careta.

— Tão ruim assim? — O garoto pergunta, tentando manter a sanidade em meio à dor.

Alex não responde, apenas analisa. Dois tiros o acertaram, um sobre o outro, fraturando sua crista ilíaca do lado esquerdo do corpo. A garota não vê um cenário em que aquilo não vá ser doloroso.

— Limpe isso, querida. — Ava joga os materiais para Alex, que os estuda rapidamente.

Naomi morde o lábio inferior, o que faz sempre que está apreensiva. Detesta não conseguir ajudar.

— Fale o que eu posso fazer.

— Ok, não é um lugar letal, então vamos nos preocupar em estancar esse sangue. — Alex joga as gazes para Naomi, que rapidamente as coloca por cima do ferimento ao som de protestos do amigo.

— Foi mal. — Ela limpa o sangue e troca as gazes, se concentrando apenas no quadril do amigo. Se surpreende quando ele segura em seu punho. O gesto a acalma, e a ele também.

— Preciso tirar as balas.

As mãos de Alex tremem, mas ela já fizera aquilo antes, dias atrás.

— Ava? — Ela chama.

— Você consegue fazer isso, menina. Melhor que eu, ande.

Alex se coloca ao lado de Naomi, tomando seu lugar com as gazes na mão.

— Não pode gritar. — A mulher na porta diz, assistindo distante à cena.

Levi concorda, o peito ofegante quando Alex aproxima-se com a pinça de um dos ferimentos.

Ele aperta a mão de Naomi, que não sai de seu lado. Faz toda a força que pode para não gritar. Solta todos os palavrões que consegue até Alex tirar as duas balas.

— Acabou? — Naomi pergunta, tão tensa quanto o amigo.

— Agora é comigo. — Ava levanta-se e ocupa o lugar de Alex, que dá espaço sem questionar. — Aguenta aí garoto.

Levi não responde, mas aguenta. Ava fala com ele durante todo o processo. Nunca tivera que lidar com um ferimento à bala durante aqueles anos no bunker, mas sabe o que fazer.

Alex levanta e limpa o sangue das mãos na própria roupa, sentando-se ao lado de Nic e observando Ava em ação.

Com precisão, a doutora costura as feridas de Levi, que mostra-se extremamente forte em aguentar sem gritar. Seu corpo ameaça se contorcer, mas contenta-se em apertar a mão de Naomi.

Os urros de Levi cessam, e apenas sua respiração entrecortada mistura-se aos sons caóticos do ambiente de fora.

— Vai ficar bem. — A senhora finaliza, limpando o ferimento.

Em uníssono, todos soltam o ar em alívio. O clima tenso sai de seus ombros.

— Agora, — Naomi começa, virando-se para a mulher parada à porta — pode me explicar quem é você e porque está nos ajudando?

Notas finais
ia dar mais um sustinho com levi e naomi mas fiquei com dó HAHAH gente socorro eu vou terminar antes de chegar no vinte QUE