Notas iniciais
fiz esse cap pra trazer alegriazinha pra esses amores que eu to me apegando socorro

Não importa o quanto adentrem a mata ou o quão silencioso o grupo consegue se movimentar. A sensação no peito dos seis é a de sempre estarem em perigo, sendo observados ou em constante situação de fuga. De certo modo, se encontram em todas as situações.

Rafael segue na frente, um objetivo lhe ocupando a cabeça para não pensar no irmão. Eduardo caminha ao seu lado, em silêncio. Lídia logo atrás dos dois. Gael se misturara ao grupo.

Caminham por incansáveis horas. Os amigos andam na retaguarda do grupo, protegendo-os instintivamente. Lucas insistira em levar uma garotinha no colo, que dorme um sono pesado. Os braços da mãe estão cansados.

Alex olha com pesar para a menina. Seus olhos vasculham em volta, por entre as árvores. Ela encontra Miguel, e até onde seus olhos alcançam, mais duas crianças. Essa é uma guerra que elas não deveriam estar lutando.

— Podemos parar? — A ruiva pergunta para Eduardo, alto o suficiente para Rafael escutá-la também. — Estão cansados e com fome.

Gael se aproxima deles.

— Estamos andando há uma hora e meia, talvez duas… Calculo que em mais três horas nesse ritmo nós chegaremos… Eu nem sei mais aonde, na verdade.

— Em casa. — Rafael diz, se lembrando do abrigo. — Um lugarzinho seguro pra enchermos o bucho.

— Não pretende levar essa galera toda em uma noite, né? Cinco horas andando? Temos crianças, cara.

— Vamos parar. — Naomi se aproxima deles, atravessando a multidão e apoiando a mão nos ombros do amigo. — Precisamos comer. As noites estão caindo cedo. Vamos comer, andar mais um pouco e arrumar abrigo pra dormir.

— Quem colocou você no comando, princesa? — Gael pergunta, os olhos semicerrados.

— Eu coloquei. — Eduardo se pronuncia. Encara Gael, que nem pisca.

Naomi dá um sorriso de vitória.

— Vai ser assim então. — Ele levanta os ombros, afastando-se.

— Ainda precisamos comer alguma coisa. — Rafael a lembra.

— Estamos em uma floresta, não estamos? — Ela sorri. — Se eu me lembro bem, você era um ótimo caçador.

Rafael sorri, envergonhado.

— É, quando eu tinha arco e flecha. Não vou gastar munição nem arriscar fazer barulho…

— A gente improvisa. Cuida da galera, façam algumas fogueiras pequenas e discretas, têm que ser apagadas antes de anoitecer. — Ela pede a Eduardo, que educadamente concorda.

— Posso ir com vocês? — A ruiva pergunta. — Eu caçava com meu pai… há muito tempo atrás. No pior dos casos, eu só não vou atrapalhar.

Naomi concorda com um aceno de cabeça, ansiosa para a atividade que mais a manteve entretida por toda a vida no abrigo.

Naomi se aproxima da retaguarda do grupo seguida de Rafael e Lídia. Os três com um sorriso travesso no rosto.

— O que foi? — Lucas pergunta baixo, ainda com a garota dormindo no colo.

— Vamos caçar. — Rafael anuncia.

Maia arregala um sorriso e esfrega as mãos uma na outra.

— Finalmente! Estava esperando alguém pedir!

— Vamos jogar? — Levi se aproxima, com o sorriso malicioso no rosto.

— Não estamos muito no clima pra jogar, cara. — Diego começa. — Quer dizer…

— Na verdade, acho que a hora seria perfeita. — Rafael, com quem Diego estava preocupado, parece empolgado com a ideia.

— É. Não tem ninguém atrás da gente… até agora. Estamos estressados, precisamos tirar um peso das costas. — Naomi diz, como se implorasse para toparem a ideia.

— A não ser que esteja com medo. — Levi provoca Diego, que dá uma risada de deboche.

— Vamos jogar então.

Maia bate palmas, empolgada.

— Jogar? — Alex pergunta, tirando as palavras da tímida Lídia. Cauã se junta para ouvir.

— Quando estávamos no abrigo, costumávamos apostar pra ver quem conseguia caçar mais. Depende de… tamanho, quantidade… mas sempre entramos em um consenso.

— E o que vamos apostar? — Levi pergunta, entusiasmado.

— Quem perder faz a guarda da noite. — Naomi propõe.

— Perfeito. Grupos?

Como crianças, eles se reúnem em um pequeno círculo. Gael se aproxima timidamente.

— Só não quero ficar aqui. — Diz, dando de ombros.

— Eu não sei caçar. — Alex levanta as mãos e dá um passo para trás. — Cansei de ser peso morto.

— Ah, cala a boca, você vai sim! — Maia a segura pelo braço. — Vamos, grupos! Estou com fome.

— Dois ou um? — Naomi propõe, com um sorriso brincalhão.

Os outros concordam. Todos os marmanjos contam no ritmo da brincadeira de criança. Em círculos, colocam dois ou um na ponta dos dedos. Os grupos estão formados.

— Perfeito. Nos vemos em duas horas. — Lucas se pronuncia. — Posso estar enferrujado, mas eu sou competitivo pra caralho.

Levi e Rafa sempre formaram um belo time de caça e sabiam disso. Naomi é silenciosa e sabe manusear bem o arco e flecha. Lídia sente que possivelmente afundará a equipe, está fora de forma. Ainda não sabem se Gael viera para somar ou não. O garoto até então mostrara-se o mais antipático possível, mas pelo menos deixou-se disponível para ajudar.

Do outro lado, Diego sempre fora bem estratégico. Lucas, o rápido. Já Maia, aproveitando de uma habilidade que nem ela mesma conhecia com o arco e a agilidade com que se movimenta sem fazer barulho, é a carta na manga perfeita. Cauã e Alex não sabem se irão somar no grupo, mas não pretendem subtrair.

Entretanto agora eles não têm mais arco e flecha. Não estão em território conhecido. O cenário é propício para um bom novo desafio.

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— Vamos fazer um arco. — Rafael afirma, decidido, assim que os cinco separam-se pelo território escolhido, à leste de onde está o acampamento.

— Eu não saberia nem por onde começar. — A ruiva diz.

— Pra sua sorte, fizemos um intensivo de criação de arcos no abrigo anos atrás. Caça silenciosa e eficaz. — Levi faz a propaganda com um sorriso no rosto.

— Me ajude com as flechas. — Naomi pede à Lídia. — Meus arcos ficam tortos.

Gael está estático. Não admitirá, mas precisa de orientação.

— Vamos precisar de uma linha… de pesca, barbante, o que tiver. E uma faca. — Rafael pede, já analisando os gravetos no chão.

Gael confirma com a cabeça para si mesmo. Sabe exatamente com quem encontrar. Sem dizer nada, se separa dos outros quatro, rumando de volta para o grupo.

Levi pisa com cuidado por entre os galhos de árvores, procurando incessantemente pelo pedaço de madeira perfeito, até encontrar a agulha no palheiro.

Caído de um jatobá, um galho seco e morto, mas não cinza. Reto o suficiente, com apenas um calombo facilmente moldável, aproximadamente um metro de comprimento.

— Perfeito. — Rafa pega o galho entre as mãos, virando de um lado para o outro.

Gael volta em tempo com um facão em uma das mãos e um fio de nylon amarelado em outra.

— Perfeito. — Rafael repete, empolgado.

Começa a fazer o que sempre foi bom. Com o facão, molda as pontas do galho e o entorta na curvatura adequada, fazendo também o apoio para as flechas. Simultaneamente, Levi amarra as pontas do fio de nylon no lugar adequado. O arco improvisado está pronto.

Lídia rouba o facão por um segundo. Ela traz os gravetos, Naomi esculpe as flechas até que fiquem retas e lisas, deixando um encaixe para as pontas. Os três homens, lascando uma pedra com outra, criam perfeitas pontas para as armas. Amarrando com o fio de nylon, as flechas estão prontas. Os cinco se entreolham, orgulhosos, inclusive Gael, que parece ceder um pouco à brincadeira.

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O outro grupo decide primeiramente andar em um reconhecimento do ambiente. Alex se arrepia a cada movimento, observando as cobras, aranhas e formigas gigantes que passam por ela, além de insetos que ela nunca ouvira falar na vida.

O irmão de Naomi, Cauã, parece simpatizar com ela. Ou pelo menos com os medos dela. A mata também nunca fora seu habitat favorito.

Seguindo os passos de Maia, Lucas e Diego, param abruptamente quando a garota os pede com um gesto.

Os olhares recaem sobre ela, intrigados.

— Não estão ouvindo?

À princípio, nenhum dos outros quatro estava ouvindo nada. Mas o som gradativamente fica mais nítido.

Seguindo Maia, guiada simplesmente pela audição, eles encontram a origem dos ruídos calmantes. Uma fonte de água doce cai sobre as pedras da montanha, escorrendo gelada até um riacho.

De longe, já conseguem ver a movimentação dos peixes na água.

Lucas leva a mão aos céus, sorrindo.

— Essa já tá no papo, meus amigos. Vamos ter uma bela noite de sono!

Os outros riem, mas a parte difícil ainda está por vir.

— Como pretendem pegar os peixes?

Cauã tira os tênis e puxa as calças até os joelhos, adentrando a água congelante com uma careta. Ri sozinho lembrando da cena de Mulan, em que os soldados eram treinados para pegar os peixes com as mãos. Seria mais fácil. Ele aproveita da água para limpar o rosto.

Da borda do riacho, Maia observa os peixes médios nadando em cardume. Devem estar próximos de uma fonte de água maior, como um rio.

— Pensei em fazer uma lança. — Diego diz. — Não é difícil, mas… eu não sei pescar com uma lança.

— Nem eu. — Lucas diz. — Maia?

— Podemos tentar. — Ela dá de ombros. — Mas eu vou comer peixe hoje. E dormir muito.

Alex, estática até então, se aproxima do riacho, andando pelas bordas de terra molhada com os braços cruzados, pensativa.

Como se uma luz se acendesse em cima de sua cabeça, têm uma ideia.

— Eu já volto. — Diz, correndo de volta em direção ao grupo, torcendo para não se perder.

Quando volta, Diego está com água quase até a cintura, a blusa deixada em terra, e uma lança improvisada em mãos, tentando incansavelmente pescar alguma coisa.

Ao olhar para a situação dos amigos, os outros também já tentaram. Maia improvisa outra lança.

— E aí, o que foi fazer? — Ela pergunta, assim que Alex se aproxima.

Nas mãos, traz um grande rolo de barbante.

— Eu lembrei de ter visto isso aqui na cidade. As crianças estavam usando pra jogar bola.

Ela lança nas mãos da garota, que a pega no ar.

— E a sua ideia é…?

— Uma rede.

— Uma rede? — Cauã pergunta, caçando fontes de sol por entre os galhos das árvores. — Pode funcionar.

— Vai funcionar mais que isso aí. — Lucas acena com a cabeça para o atrapalhado Diego. — Ele vai pescar o próprio pé logo, logo. Vamos fazer uma rede. Ensina aí, bonita.

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De volta à grande concentração de pessoas, Levi, com o estômago forte, tira toda a pele do grande javali que Rafael conseguira acertar depois de um bom tempo de frustrante perseguição.

Famintas, as pessoas observam. Principalmente as crianças, admiradas. Nada lhes causa impacto nessa idade e circunstâncias.

Naomi improvisara espetos, colocando os pedaços de carne sobre a pequena fogueira e distribuindo para as outras pessoas, com fogueiras individuais.

— Mandamos bem. — Ela diz, feliz, girando a carne do animal em cima do fogo.

— É, talvez não o suficiente. — Gael ri. Escutam sua risada pela primeira vez, olhando os outros cinco voltarem com uma rede gigante cheia de peixes.

— Ah, sem chance. — Levi diz, decepcionado.

Diego sorri para ele, vitorioso. Alex salvara o dia. E a noite de sono.

Naomi solta uma risada gostosa, levando as mãos à boca.

— É, mandaram bem. — Ela diz, quando os cinco se aproximam. Ela passa a mão pelo barbante. Os nós dispostos irregularmente seguram os peixes que ainda se debatem na rede. — Mas pelo amor de Deus, onde acharam água?

— Posso te mostrar, se quiser. — Maia se oferece.

— Preciso de um banho. — Diz, roubando um pedaço de carne de javali da fogueira. A carne dura e nada suculenta dará para o gasto. — Mas estou faminta. Apaguem as fogueiras antes da noite cair. Vou me preparar pro nosso turno.



Notas finais
e aí flores? o próximo tá escrito e eu fiz um negocio muito legal HEHE