Depois da Meia-Noite
3 Trabalho Em Dupla?
Notas iniciais
Scarllet
O sinal finalmente toca, e nós começamos a entrar na sala de aula.
Viktor continua na porta, até que eu tropeço e caio em cima dele. Nós continuamos imóveis no chão, olhando um nos olhos do outro por algum tempo. Cara, ele tem lindos olhos castanhos... Podia ficar ali pra sempre, mas não queria admitir isso á mim mesma, então tratei de me levantar rapidamente e tentar disfarçar.
–Seu idiota! Por que você fica parado feito lesado na porta? –Digo tentando parecer furiosa.
–Eu o idiota? Tinha espaço suficiente pra você passar, se você é uma cega que não enxerga as coisas ao seu redor, sinto muito, mas não é problema meu! –Fala o garoto.
–O que? Você acha que pode falar assim comigo?!–Respondo realmente enfurecida.
–Acho? Não, tenho certeza! Aliás, quem começou me chamando de idiota foi você!
–Ah, quer saber? Pouco me importa o que você acha ou deixa de achar e dá próxima vez que você ficar naquela porta quando eu passar, eu te levo junto! –Grito repreendendo ele.
–Pode levar, se você me levar junto com você, eu até agradeço... –Sussurra Viktor em um tom tão baixo, que mal consigo ouvir.
–O que você disse? –Pergunto surpresa.
–Nada, guria idiota! Além de cega tá escutando demais agora? –Diz ele esbarrando no meu ombro e indo se sentar em sua carteira.
“Se você me levar junto, eu até agradeço.”. Fiquei repetindo essa frase várias vezes na minha cabeça... Cara? Mas que diabos estou fazendo? Agindo como uma idiota? Agindo como uma adolescente bobinha daqueles filmes clichês? Talvez seja tudo isso, talvez seja até pior, será que eu realmente estou gostando do Viktor? Não. Não, não, não e não! Não posso e não devo. Afinal, ele sempre foi um idiota comigo, por que eu gostaria de um menino assim? Não, eu não gosto de Viktor Moore, essa é a minha conclusão final... Talvez... Ah, quer saber? Eu nem deveria me importar com isso, e não me importo mesmo. “Sim eu me importo sim”. Inferno! Por que ele faz isso comigo? Porque mexe comigo desta forma? Odeio me sentir assim, me faz sentir como uma completa idiota.
–Silêncio turma, vamos começar a aula. –Diz nosso professor.
Eu realmente estava distraída, nem vi que o Sr. Walker já tinha entrado na sala.
...
Passa uma hora, quase no fim da aula ele anuncia:
–Bem, já que se identificaram tanto com o assunto na aula de hoje, vou passar um trabalho para o fim de semana — Nesse momento, todos da sala lamentam com um ar desanimador-, calma, eu ainda não acabei! O trabalho será em dupla – Agora, todos comemoram, pois é mil vezes melhor fazer algo em dupla do que sozinho, logo Harvey sorri pra mim, e eu retribuo o sorriso, faremos o nosso trabalho juntas, como sempre- Esperem! Ainda não acabei!- Continua o homem de meia-idade- Desta vez, quem escolherá as duplas, serei eu! – Todos começam a reclamar. Nesse momento, vejo um sorriso de satisfação se formar nos lábios do Sr. Walker. Idiota! O que ele tá pensando?! Acho bom ele me colocar como dupla da Harvey, ou terá sério problemas!
Ele começa a escolher as duplas, no começo nem dou bola, mas depois chega a parte em que começo prestar atenção:
–Harvey Collins e... -“Por favor, diga meu nome! Por favor, diga meu nome”, repito a mim mesma- Harvey Collins e Jake White. –Diz o idiota, ops quero dizer, professor.
O que? Mas o que ele pensa que está fazendo? Eu TENHO que ir com a Harvey, ele pensa que pode me separar dela assim? Pensando bem, ele é meu professor, e sim, ele pode sim... Ah que se dane! Penso em ir lá tirar satisfações com ele, mas depois penso melhor e resolvo ficar na minha.
Harvey me olha com uma cara de decepção, eu faço bico, logo depois ela olha para Jake e os dois sorriem um pro outro, o que é justo, afinal, são namorados... Um namoro bem fofo, aliás, sempre apoiei eles dois juntos, só depois fui me dar conta que: “Oh céus, minha melhor amiga está mesmo namorando o melhor amigo de Viktor Moore”.
Parei de prestar atenção na lista de duplas, até que começo a ouvi-la de novo:
–Viktor Moore e... -Uma parte de mim dizia: “Por favor, diga meu nome!”, mas a maior parte dizia: “Porra, só não diga a porcaria do meu nome!”-Viktor Moore e Scarllet Woren.
Puta que o pariu, ele disse meu nome. Uma parte de mim queria soltar fogos de artifício, mas outra bem maior queria matar aquele professor queimado com uma caixa de fósforos e um pouco de óleo. Viktor olha pra mim, mas logo desvia olhar, primeiro ele faz uma cara de: “Foda-se você”, mas logo depois que paro de olhar e olho de canto de olho, vejo que ele está com um sorriso torto no rosto. Parece estar pensando em alguma coisa, ou alguém. Será que ele está pensando em mim? Ah, que se dane, não importa! Faço cara de insatisfeita.
Bate o sinal para a hora do intervalo.
Pego meus fones de ouvido, meu celular, o dinheiro do lanche e saio.
Quando estou na porta da sala, alguém puxa meu braço, a sala está vazia, só restamos eu e o Viktor.
–Você. Amanhã. Duas horas em ponto. Fazer trabalho. Minha casa. –Fala a garota pausadamente, e logo depois solta meu braço e se vira para sair da sala.
Pego o braço dele e o impeço de sair.
–O que? Mas quem disse que você decide as coisas do trabalho? –Digo irritada — Vamos fazer na MINHA casa!
–Caralho, que menina fresca! Tá, como preferir “rainha do mundo.” — Fala o garoto e logo depois vai embora.
–Trouxa... –Resmungo.
Cara, como ele pode ser tão idiota? Mas eu entendi o recado, afinal, são as minhas notas que tão em jogo. Isso, só isso importa: minhas notas. Oh céus, a quem estou querendo enganar? Estou mais preocupada com o fato de passar o fim de semana inteiro com o Viktor, do que com as minhas notas, apenas não quero e não consigo admitir isso.
Fale com o autor