Depois da Madrugada

4 Puff Preto Para Dois


Notas iniciais
Oi gente bonita! Tudo bom com vocês? Não me matem por favor! Sou jovem demais! Demorei um pouquinho né? Mas aqui está! Prometo que postarei esse fim de semana também! Vejo vocês lá embaixo

O show acabara. Vinicius e Manuela voltaram à mesa alguns minutos antes da última música. Eles conversavam sobre qual deveria ser o sol e os outros planetas do guitarrista da banda. Vinicius arriscou dizendo que ele tinha Marte em Escorpião. Manuela riu e acenou com a cabeça. Eles sabiam bem o que significava aquilo. Pouco tempo depois, eles avistaram Penelope conversando com o vocalista da banda. John, João, Jonathan. Manuela não se lembrava bem do nome dele.

— Por que a Lolita sempre fica com os caras mais gatos? — Clara resmungou quando ela e as outras meninas se aproximaram da mesa. Ele não é tão bonito assim, pensou Manuela em silêncio. — Você não pode controlar ela para eu poder ficar eles também? — perguntou olhando diretamente para Vini. Às vezes, Manuela queria realmente entender qual era a graça dos meninos bonitos, porém, estúpidos, galinhas e burros. De que adianta ser belo por fora e horripilante por dentro?

— Eu não posso controlar a Loli, Clarinha! Sabe muito bem disso! E ela fica com quiser. Esperta foi ela que agarrou o boy antes de você! — o moreno respondeu com um toque de frieza em sua voz. Clara revirou os olhos. Ela era, sem sombra de dúvidas, a mais invejosa do grupo.

— E tem muitos caras gatos aqui, Clara! — avisou Julieta. Apesar de ter gostado do vocalista da banda também, não via problema entre ele e Penelope. Ela não queria se casar com ele afinal. A garota de cabelos cacheados bufou como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo.

— Pelo amor de Deus! Ele nem é tão bonito assim! — Cindy exclamou lendo a mente de Manuela. Em seguida, revirou os olhos. — Sério! Olha ao seu redor, Clara! Nós podemos fazer o quisermos! E você está preocupada com um menino qualquer? — indagou, irritada. Manuela cutucou Olivia com o cotovelo. Aquela conversa iria durar um bom tempo. As duas seguiram até o balcão de bebidas.

— O que vão querer? — um dos garotos que trabalhavam ali perguntou. Ele era magro, sem muitos músculos e usava óculos. Além disso tinha o cabelo ruivo e uma tatuagem no braço. Manuela percebeu o efeito que ele causara na amiga porque a mesma não conseguia desviar o olhar. Riu.

— O que você sugere? — ela falou se apoiando no balcão de madeira. Ele deu ombros de um jeito engraçado e olhou em volta. — Nada alcoólico! — avisou. Manuela repudiava bebidas como cerveja, vodca e vinho apesar de nunca ter experimentado.

— Ficamos sem opções! — o garoto brincou com um meio sorriso no rosto. — Suco de graviola? — propôs. A ruiva fez uma careta. Quem gostava de suco de graviola? Ela agitou as mãos, dizendo que não. — Melão? Carambola, goiaba?

— Uma água.

— Um suco de graviola e uma água então. — ele anotou o pedido numa folha de papel.

— Não! Eu não quero suco de graviola! — exclamou. Ele não havia entendido o seu sinal escandaloso com as mãos?

— Mas a sua amiga quer! — ele respondeu apontando para Olivia. Manuela virou a cabeça para observá-la sobre o ombro e arqueou a sobrancelha. A menina sorria e os olhos estavam iluminados. — Vocês já têm uma conta? — ele precisou explicar que as bebidas eram pagas na saída, assim como o valor da entrada. O rapaz anotou o pedido e o nome de Manuela e entregou as bebidas para as meninas.

— Obrigada! — agradeceu Olivia sorrindo. Mas sua mão estava tremendo tanta que, quando ela foi tentar pegar o copo, acabou tendo uma espécie de espasmo e derrubando o líquido no garçom. — Meu Deus! Me desculpa! — Manuela levou a mão à testa, pressionando as têmporas. Olivia estava indo tão bem.

— Não tem problema! — ele exclamou, sorrindo. Foi então que a ruiva percebera que a amiga não havia sido um desastre completo. Tinha que sair dali para Olivia se virar sozinha. Se afastou do balcão, até o canto. Havia um puff preto ali, bem ai lado de uma porta. Deu ombro e se sentou do travesseiro gigante. Observou o espaço vazio ao seu lado. Caberiam mais algumas pessoas ali.

Ela pegou o iPhone e abriu o Twitter. Não era fácil passar despercebida nas redes sociais quando se é filha de grandes nomes da moda no Brasil. Ela ainda recebia mensagens — algumas ofensivas — sobre a sua aparição no catálogo de verão da Paris'Le. Revirou os olhos. Aquilo não tinha muita importância.

Continuou deslizando o dedo pela tela, fazendo a timeline se expandir. Entre um tuite e outro, ela repostava algo apenas para matar tempo. Olhou a hora. Meia-noite e dois. Não fazia ideia de que horas iria embora. No fundo, ela queria sair dali. Não gostava muito de ambientes onde um grande número de pessoas estava concentrado.

De repente, sentiu um peso ao seu lado, afundando-a. Alguém havia se jogado ao seu lado. L-I-T-E-R-A-L-M-E-N-T-E. Manu tentou se equilibrar, mas acabou caindo para o lado e apoiando-se na perna da tal pessoa. Ele segurou em sua mão, ajudando-a a voltar à sua posição inicial.

— Desculpe! — ele disse. Oh céus! Sua voz era rouca! Por dentro, ela fervia.

Então, ela o encarou. E o reconheceu. Ele tinha olhos verdes, de perto. Conseguia ver agora. O cabelo era castanho claro mesmo quando a luz não o refletia. Ele tinha um piercing no septo.

— Sem problemas! — respondeu. Desviou o olhar rapidamente voltando a se concentrar em seu celular.

O guitarrista da banda que acabara de tocar estava sentado ao seu lado. Ele era tão bonito. Parecia ser tão legal. Ela afastou o pensamento. Estava parecendo Clara. Não se julga ninguém pela aparência, porque não se julga um livro pela capa. Engoliu seco. Sentiu que ele estava a encarando, então virou-se de lado. Quem ele pensava quer era?

Então o viu com um copo. Um líquido amarelado, dourado brilhava lá dentro entre bolhas. Uma espuma espessa na boca do copo. Não precisou pensar muito. Cerveja.

Arregalou os olhos. Então ele bebia. O viu dar um gole na bebida. Por que diabos ele estava bebendo aquilo. Não sabia que fazia mal para saúde? Não sabia que poderia morrer bebendo aquilo? Poderia ser pior? Ele a olhou pelo canto do olho com a íris verde cintilando.

— Quer um pouco? — ele ofereceu agitando levemente a cerveja em seu copo na direção dela. Manuela recuou e fez uma careta. Negou com a cabeça. Cerveja era algo que cheirava tão mal! — Tudo bem! Sobra mais para mim. — Miguel deu ombros. Ela o observou apoiar os cotovelos no joelhos e inclinar-se para frente, dando mais um gole na bebida dourada. Suspirou demoradamente.

Viu que ele tinha uma tatuagem na mão direita e outra no braço. Ambas eram bonitas, embora Manu não conseguisse entender bem o que significavam. Ele usava alguns anéis de coco e uma pulseira. Seus olhos seguiram pela pele do menino até chegar em sua camiseta preta de banda. Ele não era muito musculoso. O tecido estava mais que folgado nele. Mordeu os lábios.

***

Miguel espiou pelo canto do olho e viu a menina-ruiva-do-puff mordendo o lábio inferior. Foi quando viu o rosto dela melhor. A camada rosada da parte de baixo de sua boca voltou ao seu lugar lentamente. No mesmo ritmo em que um frio percorreu por sua espinha. O rosto dela era marcado naturalmente e as maçãs de seu rosto eram rosadas. O nariz era fino e as sobrancelhas grossas e bem-desenhadas. Ela possuía uma franja dois dedos acima destas.

— Gostou do show? — ele perguntou, curioso pela opinião da garota. Ela assentiu, voltando a se concentrar em seu celular. — Ah. — Miguel murmurou, ainda tentando observar a menina. O silêncio tomou seu espaço no tempo. Alguma música eletrônica tocava, mas eles não estavam nem aí. O rapaz continuou a beber de sua cerveja e ela continuou mexendo no iPhone. Foi quando ela recebeu uma mensagem de Vinicius.

"E então, leoa? Quando vai agir?"

"O quê?"

"Tem um cara mais que gato do seu lado e você tá aí parada mexendo no celular..."

"Qual é o seu problema, Manuela?"

Ela arqueou a sobrancelha ao ler aquilo. O amigo provavelmente estava a observando de um local estratégico. Ela tinha certeza!

"Quer que eu faça o quê? Dê em cima dele?"

"Dar em cima é uma expressão muito forte!"

"Manu! Vamos lá!"

A menina de franjinhas não estava entendendo onde Vinicius queria chegar com aquilo? Ele sabia que ela ainda estava na fase de esquecer o ex-namorado, Gabriel, e o trágico fim de seu primeiro relacionamento amoroso. Ele queria que ela saísse dando em cima de qualquer garoto como Penelope fazia?

"Isso vai ajudar você a esquecer o Gabriel"

"Além disso, você não tem que 'dar em cima' dele. Só puxa uma conversa.

Se rolar, rolou. Se não rolar, tente na próxima vez!"

A ideia de responder irônica e grosseiramente passou pela mente de Manuela, mas a mesma hesitou no mesmo instante. Vinicius só estava tentando ajudar ela. Ainda que de uma forma não tão "plausível" aos seus olhos e ouvidos. Revirou os olhos. Sabia que, se dissesse "não" ao amigo, ele continuaria insistindo.

"Não temos assunto."

"Pergunta qual é o signo dele!"

— Qual é o seu signo? — perguntou tão de repente que deu uma susto rápido no roqueiro. Este arregalou os olhos no mesmo instante em que ela falou, revelando sua voz doce e meiga. Ele quase derramou a bebida em sua roupa.

— Escorpião. — ele respondeu, mais uma vez com aquela voz rouca. O ar fugiu de seus pulmões e o sangue parou de correr. Ela estava voltando a ferver. Ele cerrou os olhos, confuso. Ela riu leve inclinando os ombros para a frente e ajeitou-se de lado no puff para visualizá-lo melhor.

***

A menina-ruiva-de-franjinha-do-puff sentou-se de lado, colocando uma perna sobre a outra. Miguel não se conteve ao olhar para a pele branca que o vestido negro acabou revelando. Engoliu seco. Ela o observava com atenção por algum estranho motivo. Ele inclinou a cabeça e a viu consertar a coluna. — Você é de...? — ele balbuciou, procurando dar continuidade à conversa.

— Leão! — ela respondeu sorrindo orgulhosamente e deixando os buraquinhos na bochecha próximos a boca à mostra. Miguel conhecia uma coisa ou outra sobre astrologia, mas sabia algo essencial sobre qualquer leonino: eles eram vaidosos e egocêntricos. — Sabe o seu ascendente?

— Não faço a menor ideia! — ele realmente não fazia. A animação desapareceu instantaneamente do rosto da menina. — Uma amiga minha fez o meu mapa astral uma vez. Acho que ainda tenho ele salvo aqui... — o rapaz tirou o celular do bolso da calça e mostrou a imagem. Ele se inclinou levemente para o lado e apoiou o corpo sobre a mão no estofado, o que fez com que o puff afundasse e a menina-ruiva-de-franjinha-com-covinhas-do-puff escorregasse em sua direção. — Opa! — ele brincou segurando-a pelo braço. Ambos riram levemente. Os olhares se encontraram por um instante e ele se perdeu no azul claro que lembrava a cor do céu em dias ensolarados.

A ruiva agitou a cabeça e piscou rápido algumas vezes. — Aquário! — ela exclamou ao analisar o mapa astral de Miguel. — É o mesmo que o meu! — ele arregalou os olhos e fez a sua melhor expressão de surpresa. — 1998? Você tem dezoito anos?

— Dezessete. Faço dezoito em novembro. — ele respondeu. — E você? Tem quantos anos?

— Quinze.

— Não sabia que pessoas de quinze anos podem entrar aqui... — ele pensou alto. Virou o rosto para encará-la. Não havia percebido o quão próximos estavam e sentiu o cheiro doce da ruiva. — O que uma garota de quinze anos faz num bar no meio da Paulista à mais de meia noite?

— Bom... Ela sai com seus amigos. — respondeu com certo humor. Ele continuou a encarando até que ela virou o rosto também ficando a alguns centímetros do rapaz. Baixou o olhar e sorriu, tímida.

— Meu nome é Miguel. — ele revelou, de repente.

— É... eu sei. — ela respondeu. Eles estavam incrivelmente próximos e se Miguel se inclinasse mais um pouco para frente, ela sentiria sua respiração.

— O seu nome é... — ele incentivou.

— Manuela.

— É lindo.

Ela foi atraída pelo olhar do garoto sobre si. Percebeu que ele também tinha olhos azuis, ainda mais claros que os seus. Alguns cachos de seu cabelo levemente castanho cobriam a testa sob o gorro. Ele, por algum pressentimento estranho, lembrava o perigo. Não perigo perigo. Perigo no sentido de algo que ninguém deveria mexer se não quisesse se tornar algo a mais e... Era difícil de se explicar. Haviam o quê, dez centímetros entre os seus rostos? Manuela engoliu seco como quem não sabia o que fazer.

Miguel não parava de encará-la. Explorava cada mínimo detalhe daquele rosto sensível. Ela não conseguia manter o olhar por muito tempo e acabava piscando o que o fazia sorrir, involuntariamente. Eles ficaram assim, um perto do outro por minutos infinitos. Ele soltou o celular no espaço que havia entre eles e sua mão livre procurou a dela. Manuela estava congelando por fora.

Por fora.

Por dentro, ela fervia. Seu estômago se revirou quando Miguel a tocou. Seus órgãos se embaralharam, o ar lhe faltou e seu coração pulou e dançou e bateu tão rapidamente que o sangue não chegou às extremidades do seu corpo. Ela sentiu o rosto empalidecer. Um meio sorriso apareceu na boca do rapaz. Manuela baixou o olhar e não conseguiu não alongar os lábios e comprimi-los como Miguel.

Sem que houvesse tempo para pensar em algo, o guitarrista aproximou o seu rosto do dela, acabando de uma vez com os centímetros que os separavam. A ruiva não recuou. Pelo contrário, se inclinou para a frente e fechou os olhos lentamente.

Então, os fogos de artifício coloriram o céu. Os lábios de Miguel eram quentes e um pouco ásperos. Os de Manuela eram macios e tinham gosto de morango. Ele abriu a boca no mesmo instante em que ela levou as mãos ao seu rosto, acariciando a pele perto da orelha com a ponta dos dedos finos e roçando as unhas vermelhas. Miguel estava com a mão pousada na coxa da menina, mas não de forma ofensiva. Sua boca ainda tinha gosto de cerveja, mas não era tão forte quanto Manuela pensara. Suas línguas dançaram em perfeita harmonia enquanto se beijavam. Ela se sentia em chamas. Rodeou os dois braços no pescoço de Miguel, aprofundando ainda mais aquilo.

Se afastaram brevemente para recuperarem o ar. Mas não tardou para que voltassem aos beijos. Faziam dois meses que Manuela não sentia aquele desejo incontrolável de agarrar-se a alguém. Era o que ela sentiu enquanto beijava Miguel. Desejo e descontrole. Aquelas duas palavras nunca haviam sido tão bem colocadas.

Notas finais
OH MY GOSH Não sei vocês mas eu shippo muito #ManuEl kkk Deixem aqui os comentários sobre o que vocês acharam do capítulo! Recomendem a história para os seus amiguinhos leitores de livros virtuais! Não sejam fantasmas kk Vejo vocês sábado ou domingo(eu juro) XOXO