Depois da Madrugada

1 Capítulo 1 - Pariz


Notas iniciais
Música do capítulo: Ain' It Fun - Paramore

Ela tinha o cabelo cumprido e tingido num tom entre o ruivo e o castanho claro. Possuía uma franja, aparada recentemente, um dedo acima das sobrancelhas incrivelmente bem desenhadas. Seus olhos eram azuis e se destacavam na pele pálida do rosto da garota. As bochechas eram levemente avermelhadas desde que ela havia entrado na puberdade. Era magra, mas possuía curvas bem marcadas em todo o corpo. Era baixa também. Não tão baixa, tinha um metro e sessenta — altura consideravelmente normal para os seus quase quinze anos.

Ela encarava o relógio que havia acima da lousa de sua sala de aula, pendurado na parede. Eram cinco e meia da tarde. Faltavam apenas dez minutos mortais para ela poder sair daquele lugar. O ponteiro vermelho parecia andar mais lentamente e os segundos levavam décadas para passarem.

O professor de geografia escrevia alguma coisa na lousa de giz. Ele havia explicado algo sobre tipos de solos no início da aula e ela sequer copiou as anotações do homem. Manuela detestava as aulas de geografia.

Ela desviou o olhar para o caderno e pegou o lápis de grafite. Os dedos de suas mãos eram finos e suas unhas eram longas e estavam pintadas de vinho. Rabiscou um círculo no centro da folha em branco e continuou fazendo outros desenhos ao redor. Era uma mandala. Manuela tinha um monte daqueles desenhos que ela mesma fazia. Assinou o nome quando terminou.

Manuela Pariz.

Ela carregava aquele sobrenome de poder. A família Pariz era dona de uma das maiores grifes nacionais. Ela riu levemente ao se lembrar que a maioria das pessoas pensava que seu sobrenome fazia referência à capital francesa.

Ouviu o sino tocar.

By the grace of God!, cantou em sua cabeça.

Ela guardou o caderno e o estojo na bolsa e foi uma dos primeiros alunos a deixar a sala. Caminhou pelo corredor até a sala 3 — Português/Literatura. Sim, os alunos quem mudavam de sala em seu colégio, não os professores.

— Até que enfim! — exclamou assim que sua melhor amiga saiu da sala de aula. Olívia revirou os olhos e sorriu, brincando com ela. Ambas passaram a caminhar para a outra direção do corredor, indo para o pátio.

Olívia era um pouco mais alta que Manuela. Tinha poucas curvas, mas a sua cintura era fina. Por isso, evitava usar roupas coladas demais ao corpo. Seu cabelo era naturalmente castanho, mas atualmente estava loiro. Também era liso e os maiores fios chegavam na metade de suas costas. Os olhos eram azuis vibrantes e chamavam muita atenção mesmo de longe.

— Onde estão os outros? — perguntou, procurando os amigos pelo pátio do colégio. Manuela deu ombros. Era sexta-feira e todos os estudantes do Colégio Elementar — São Paulo estavam eufóricos. Elas pararam de andar e sentaram-se num banco branco perto da porta de vidro que levava à quadra de basquete.

— Meninas! — alguém gritou atrás delas. Era Vinicius, o único menino do seu grupo de amigos. Amigas, no caso. Ele era do segundo ano, alto e esguio. Tinha o rosto perfeito, com o queixo bem marcado. Seus olhos eram negros, assim como o cabelo liso em topete. — Ansiosas? — perguntou. E, antes que elas pudessem responder, mais alguém gritou.

— Obrigada por me esperar, vadia! — era Penelope. A loira alta e esbelta se aproximou com o uniforme de educação física marcando o sutiã que apertava os seios enormes da menina. Ela também era do segundo ano.

— Olha meu bem, eu não estava muito interessado em te esperar porque isso significa que eu teria que ficar vendo você se esfregando no Matheus Valdez. — Vinicius respondeu sincero. Muito sincero. Manu e Olivia riram com o amigo.

— Tá com inveja, bebê? — ela provocou, deslizando o polegar pelo rosto do menino até chegar em sua boca. Ele segurou a mão dela e a encarou, sarcástico. Penelope e Vinicius eram melhores amigos desde que nasceram. As suas mães eram melhores amigas e a amizade de ambas acabou refletindo nos dois. — Vamos no vestiário? Não gosto desse uniforme.

Talvez seja porque ele é da sétima série, Vini pensou. Não era mentira. Ele sabia que Penelope usava roupas apertadas e de tamanhos menores para exibir seu corpo. Os dois saíram, ficando apenas Manuela e Olivia outra vez.

— Ansiosa? — a ruiva perguntou. Ela olhava para os oxfords vermelhos que faziam parte do uniforme do colégio. Olivia não respondeu. Ela estava realmente preocupada.

— Não. E se tudo der errado? — a loira indagou.

— Vai dar tudo certo, Oli! Para com isso! — Manu exclamou batendo levemente no braço da amiga. Ela esperava que desse tudo certo naquela noite. Ela não sabia o que esperar daquela noite, mas queria que desse tudo certo. Desejava que tudo desse certo naquela noite. — Não temos com o quê nos preocuparmos.

— Ah, temos! Nós temos tudo para isso! — Olívia virou-se levemente para o lado, com a intenção de encarar Manuela. — E se os pais da Cindy voltarem de repente da viagem? E se os empregados da mansão Pascal nos virem fugindo? E se o taxista conhecer os pais da Cindy? O se o Pedro passar mal e não puder levar a gente para casa outra vez? E se terroristas invadirem a boate? E se... — Manu pousou a mão na boca da amiga, impedindo que esta continuasse a falar.

— Os pais da Cindy não podem voltar de repente, Olívia. Eles são grandes empresários. Grandes empresários não fazem esse tipo de coisa. — afirmou. Ela sabia daquilo porque seus pais também eram grandes empresários. — Os empregados não nos virão e, se virem, não vão desconfiar de nada porque nós estaremos com o Pedro. A probabilidade de que um taxista qualquer conheça os pais da Cindy é tão pequena quanto a probabilidade de alguém ganhar de primeira na loteria! Caso o Pedro passe mal, nós o colocamos dentro de um táxi e voltamos para a casa.

— E se terroristas invadirem a boate? E se...

— Não estamos na França, Olívia. Nem iremos à uma boate.

A menina de cabelos loiras engoliu seco. Estava exagerando, sabia disso. Mas ela temia qualquer coisa que pudesse acontecer.

— Ouça, Oli. Nós iremos ao Pitchu's curtir a noite, beber um pouco e voltar para a casa. Só isso. Nada de ruim irá acontecer. — afirmou. Otimista.

***

O vestido preto havia lhe caído bem. Não era tão justo ao corpo e nem tão largo. A peça favorita de Manuela da grife de sua família. Ele era feito de algum tecido que ela não conhecia e "coberto" por renda preta. As mangas iam até os cotovelos e a saia roçava um palmo acima dos joelhos. O decote não era tão ousado e formava um semi-círculo de um ombro ao outro. Era marcado na cintura e realssava o busto da garota.

Calçara o seu par de Oxfords vermelhos, mas trocara os cadarços brancos por pretos e vestiu o sobretudo da mesma cor, porém num tom mais escuro. Optou por deixar o cabelo solto e passar uma maquiagem mais leve do que estava acostumada a usar.

Ela e Olívia eram as únicas prontas para a grande noite. Ainda eram oito horas e Manuela não conseguia parar de verificar o horário em seu iPhone. Olívia era pessimista e Manu exageradamente pontual. Haviam combinado com Pedro, o irmão maior de idade de Cindy, que saíriam às oito e meia.

Ambas estavam na imensa sala de estar da mansão da família Pascal. Manu estava sentada no sofá creme enquanto observava Olívia caminhar de um lado para o outro. Ela também estava linda. Uma calça jeans preto rasgada nos joelhos, um coturno da mesma cor com alguns strass. Uma blusa de manga cumprida com a foto de alguém fantasiado de Mickey Mouse mostrando o dedo do meio e a frase Free to go, free to stay.

— Você vai abrir um buraco no chão desse jeito, Oli.- avisou. A menina de cabelos loiros a olhou de relance com as mãos pousadas na cintura. — Vem cá! — chamou. Olívia foi até ela e sentou-se ao seu lado. — Tem certeza que você quer ir? — perguntou. A menina agitou a cabeça negando. Mas, antes que Manuela pudesse perceber o gesto, outra coisa lhe chamou atenção.

— Jambo, leoas! — exclamou Vinicius para as amigas. Ele estava fabuloso. Vestia um jeans azul claro e uma camisa mais escura. Ele estava elegantemente fabuloso. Vinicius era elegante por natureza. Usava roupas sociais desde pequeno de uma forma que não parecessem roupas sociais. Influência do pai, advogado de renome, e da mãe, modelo e estilista. Ele desceu as escadas e passou a mão pelos fios macios e invejáveis de seu cabelo.

— Jambo, leão! — Manu respondeu. Eles haviam escutado a expressão num desenho infantil que assistiam pela Netflix vez ou outra. — Você está arrasador. — elogiou. Vinicius era leonino. Astrologia era algo muito sério para aqueles amigos. Vinicius adorava receber elogios como um bom leonino

— Você está escandalosa! — ele quase gritou. Eles riram um do outro, como sempre faziam. — E a senhorita Olívia? Ah, esta está delicadamente impecável. — Olívia alcançou uma das almofadas espalhadas pelo sofá gigante e arremessou-a em Vinicius.

— Estamos todas muito lindas! — mais alguém exclamou do alto da escada. Era Cindy. A filha mais nova da família Pascal e herdeira da maior gravadora de músicas do país. Ela era menos sutil que as duas melhores amigas. Usava um sneaker azul, calça rasgada do tornozelo à coxa, regata preta com a frase Fuck you and your opinion escrita em branco no meio da camiseta sem mangas. Ela usava um gorro sobre os cabelos extremamente lisos e negros. Cindy possuía um espírito mais libre que Manuela ou Olivia.

Atrás dela estavam as outras três garotas que completavam o grupo: Penelope, Julieta e Clara. A primeira estava usando um vestido justo, como já era de se esperar, e prateado. Era tomara-que-caia e os seioa fartos da loira saltavam para fora da peça. Calçara um scarpain branco e prendera o cabelo num coque.

Julieta vestia um macacão azul florido em lilás e uma jaqueta jeans. Ela era alta assim como Penelope. Seu cabelo era castanho escuro e curto, na altura do ombro. Ela prendera a franja para trás, deixando os cachos abertos — que ela havia feito com o babyliss— livres. Julieta era modelo e gostava de maquiagem, mas habia passado apenas sombra, rímel e batom vermelho.

Clara possuía uma beleza natural invejeda por todos em todos os lugares lor onde passava. Ela tinha a pele morena bem escura e cabelos cacheados negros e volumosos. Eram lindos. Naquele dia, decidira usar um cropped listrado preto e branco com mangas três por quatro. Vestia um short jeans não muito curto e um moletom amarrado na cintura. O cabelo estava preso num coque frouxo e ela calçava um sneaker branco já que não era tão baixa.

As três garotas desceram, ao encontro de Cindy. Manu, Olívia e Vini fizeram o mesmo. Os setes amigos se abraçaram num círculo.
— Eu juro solenemente curtir ao máximo essa noite no Pitchu's. — Vinicius declarou.

— Eu juro solenemente curtir ao máximo essa noite no Pithu's. — as meninas repetiram e riram em seguida.

— Estão prontos? — Pedro se aproximou, vindo da cozinha. O irmão mais velho de Cindy era muito mais alto que todas elas e tinha cabelos descoloridos e olhos increvelmente azuis, assim como os da irmã. Ele era swag e vivia nos Estados Unidos, mas voltara ao Brasil para as suas férias de verão. Ou inverno.

— Já nasci pronta! — Cindy exclamou, correndo para abraçá-lo. Era em momentos como este que percebia-se o quanto ela era baixinha. — Vamos? — perguntou para todos. O grupo assentiu e eles caminharam da porta da mansão para fora.

Haviam dois táxis parados na frente do imenso jardim do palácio Pascal. Pedro, Cindy, Julieta e Clara foram em um e Vinicius, Penelope, Manu e Olivia no outro.

Notas finais
Hey hey hey!
*mãos de jazz*
Aqui quem vos fala é Giovana Purcino, quero me apresentar.
Espero que vocês gostem desse romance não tão comum - inspirado num real cof cof - que escreverei.
Sim, a história se passa ao redor de adolescentes que fazem parte da elite e da moda. Mas isso vocês entenderão melhor no decorrer da história.
Contem o que acharam da Manuela.
Qual amigo dela que vocês mais gostaram?
Adivinhem o nome real da Cindy. Isso vale um capítulo sobre ela. Comentem pessoas! Não sejam tímidos, eu não mordo!
Antes de saírem dessa página, não se esqueçam de recomendarem para seus primos, amigos, vizinhos e para o tio da padaria também!
Vejo vocês em breve?
I hope so.
XX