Depois da Guerra.
13 Preço a pagar.
Notas iniciais
Eu imaginei escutar muitas coisas da boca de Pedro. Que ele voltaria para o exercito, essa era a pior coisa que eu imaginei. E não importava o que fosse, ele voltar para o lugar que o tirou de mim por mais de cinco anos ainda seria a pior coisa que ele falaria. Mas, eu também não imaginava que ele falaria sobre os últimos 5 meses que esteve fora.
– Karina... Fala alguma coisa. – seus olhos enchem-se de lágrimas que facilmente caem dos seus olhos e deslizam por seu rosto. – Me xinga, me bate. Mas, fala alguma coisa, por favor, não fica muda.
Como ele quer que eu fale depois de despejar tudo isso em cima de mim. A única coisa que tenho vontade de fazer é chorar. Não posso falar por que a vontade de chorar aperta minha garganta que parece que estou perdendo o ar. Meu coração bate mil vezes mais forte. Respiro fundo tentando me livrar do nó formando-se em minha garganta. Levanto meu rosto e fito os olhos de Pedro, eles estão brilhando por causa das lágrimas acumuladas neles.
Parecia que todas as feridas que se abriram quando eu fiquei sabendo da suposta morte de Pedro estavam abrindo-se novamente. Eu as sentia, uma por uma. E como antes a dor é horrível, indescritível. Eu conheço Pedro o suficiente para entender o porquê de ele voltar. Ele queria justiça, ele não ia sentir-se bem se não lutasse.
– Karina... – ele senta-se na mesinha de centro a minha frente. – Por favor, fala alguma coisa. – suas mãos pousam nas maças do meu rosto.
– Eu... – é a única coisa que consigo pronunciar. Novamente sinto o nó formar-se em minha garganta. Tento formular algo na minha cabeça. – Por que você não me contou isso antes?!
– Eu tive medo. Muito medo, medo que você me mandasse embora, medo que você me afastasse da sua vida e nunca mais quisesse me ver. – ele encosta os lábios entre minhas sobrancelhas. – Eu não podia perder você. Eu não posso perder você. – sussurra.
– Por que está me contando isso agora então? – indago.
– Por que você merece saber a verdade...
Fecho meus olhos lembrando-me de tudo que passei desde que conheci Pedro naquele parque. Tudo parece tão recente, a forma rápida como nos apaixonamos. A primeira vez que ele partiu para uma missão com o exercito. Os dias que eu passava contando pela volta dele, a saudade que eu sentia, o aperto no coração que eu sentia todas as vezes que ele partia. Eu sempre tive medo que ele não voltasse. Sempre! Mas ele sempre voltava e com o tempo eu perdi o medo, até que um dia ele não voltou. E meu mundo inteiro caiu sobre as minhas costas.
Eu lidei com a perda dele. A dor que eu sentia era a pior dor do mundo, eu havia perdido a pessoa que eu amava, que eu imaginava um futuro. Não teve nenhum dia que eu não chorei por Pedro, nenhum único dia. E cada dia que passava era como se a dor apenas aumentasse. Ai eu ganhei o melhor presente que ele podia ter me dado, Sophi... A minha filha, minha princesa e o único motivo para eu não desistir.
Era visível como Sophi sofria por não ter um pai. Eu sempre percebi isso, mesmo Marcelo e meu pai tentando preencher esse vazio que ela sentia, ela nunca estava completa. Sempre faltou alguém na vida dela. Pedro era o que faltava. Ela chorou apenas uma vez por ele não estar por perto. Nesse ultimo dia dos pais, que a escola organizou uma homenagem. Anos antes ela nunca demostrava, ela sempre ficava quieta e não tocava no assunto. Sophi era mais forte do que eu.
De repente a lembrança da volta de Pedro surge em minha cabeça, como se eu estivesse assistindo a tudo. Quando ele viu Sophi, quando ele me viu e como eu olhei para ele. Ele estava de volta, e tudo que eu queria era estar com ele. Eu não me importava com mais nada, apenas com Pedro, Sophi e eu. Naquele momento nada do que ele fosse me falar era importante. Nada!
A forma como Sophi é feliz quando esta com ele, eu não posso tirar isso dela e nem dele. Eu não posso ser egoísta com Sophi, com Pedro e nem comigo. Eu não posso desistir de nós dois, eu não posso tirar a minha chance de ser feliz.
– Não me tira da sua vida, eu sei que não mereço. Eu sei que você deve estar brava, que não admite mentiras. Mas, eu não admito que esteja fora da minha vida, não me afaste eu não vou me permitir isso, eu vou fazer de tudo para que não desista de nós. E se desistir eu vou reconquista-la. Vou dizer todos os dias que eu te amo. Eu sei que posso parecer egoísta, mas durante cinco anos eu fiquei separado de você e não passou um dia sequer que não pensei em nós dois. E não ter você ao meu lado agora é como aqueles cinco anos. Os piores da minha vida... – seus lábios permanecem encostados entre minhas sobrancelhas.
Permaneço em silencio, assimilando cada palavra que Pedro me falou. Cada silaba, cada letra. Tudo pronunciado com amor, com amor verdadeiro. Como vou me dar ao luxo de permanecer longe dele, quando cada molécula do meu corpo o quer, quando a minha maior vontade é beija-lo e ama-lo? Isso é impossível. Nós dois somos imãs, atraídos um pelo outro e que não conseguem ficar longe. Eu não vou conseguir permanecer longe dele, querendo ou não, uma parte de mim, a maior parte de mim ama ele. E sempre, não importa o que aconteça, nosso amor sempre vai trilhar o mesmo caminho e se encontrar. Nós somos parte um do outro.
Afasto meu rosto do dele para poder olhar dentro dos seus olhos, eles continuam cheio de lágrimas, que ele insiste em não deixar cair. Minhas mãos pousam em seu rosto, segurando suas bochechas o fazendo olhar dentro dos meus olhos. Contorno seus lábios com o meu polegar. Seus lábios sobre os meus é tudo que eu quero. Aprumo meu rosto, roçando meus lábios nos dele.
– Eu te amo, e não tenho forças para mantê-lo longe de mim. – Pedro espalma a mão nas minhas costas, me puxando para perto dele, sua outra mão sobe até minha nuca. Pressiona seus lábios contra os meus, abro minha boca dando passagem para sua língua que desliza para dentro da minha boca. O beijo é urgente e voraz. Nossas línguas dançam apressadamente no mesmo ritmo. Como se nós dois tivéssemos trocando palavras de amor, mas sem som, apenas com uma caricia.
Pedro me pega no colo e levanta-se. Entramos no quarto e com cuidado ele me coloca sobre o colchão. Tira minha camisa e distribuiu beijos em meus ombros, meu dorso e depois no meu pescoço. Giro meu corpo ficando sobre o dele, ele tira a camisa rapidamente. Beijo cada parte marcada do seu corpo. Rapidamente estamos nus, fazendo amor. Somos apenas uma pessoa
Porque tudo de mim
Ama tudo em você
Ama suas curvas e todos os seus limites
Todas as suas perfeitas imperfeições
Dê tudo de você para mim
Eu te darei meu tudo
Você é o meu fim e meu começo
Mesmo quando perco estou ganhando
Porque te dou tudo de mim
E você me dá tudo de você oh...
+++
PEDRO...
Quando contei para meus pais sobre os últimos meses em que estive fora, os meses que eu não enviei nenhuma noticia para eles, nada para acalmar o coração deles, eu pensei que eles iam odiar-me. Ou que eles iriam me dar um enorme sermão, mas não, minha mãe e meu pai entenderam. Claro que no começo minha mãe ficou magoada, mas logo ela entendeu e me abraçou, da forma que apenas uma mãe abraça o filho.
Porem, com Karina, as coisa eram diferentes. Ela é a minha mulher e sempre deixou bem claro que odeia mentira, que queria que eu acima de tudo sempre fosse honesto com ela. E eu preferi guardar isso dentro de mim, mesmo sabendo que com o tempo eles iam acabar descobrindo tudo. Mesmo eu sabendo que esconder a verdade sempre tem um preço.
Como eu previ, a parte mais difícil foi dizer a ela. Foi falar para a mulher que eu amo que depois de anos aprisionado em um lugar horrível eu fui resgatado e mesmo tendo a chance de voltar para os braços dela, eu preferi lutar por meus ideais. Eu preferi ficar longe dela durante todo aquele tempo por um sentimento estupido de vingança.
Eu escondi a verdade de Karina e eu sei o quanto isso a machuca, ser desonesto, tudo que eu nunca fui com ela. Eu sabia que o preço a pagar por isso seria enorme, e eu não queria pagar. Talvez eu seja um completo egoísta, mas não vou ficar longe dela, de jeito nenhum.
E depois que eu falei toda a verdade para ela. Tudo que eu passei, eu via em seu rosto uma mínima vontade de desistir de nós dois, e por mais que fosse mínima, eu não queria ver aquilo. Tudo que eu precisava era mostrar o quanto a amo, e eu fiz isso com palavras sinceras.
Ela ficou em silencio, um silencio torturador que parecia durar milhares de anos. Foram os piores minutos da minha vida, eu a perderia mais uma vez? Era tudo isso que eu me perguntava. Mas, quando ela falou que não conseguia ficar longe de mim, eu tive ainda mais certeza, (se é que isso é possível) que ela me ama. E eu sempre farei de tudo para merecer esse amor. Sempre retribuirei esse amor, da forma mais verdadeira possível.
E agora sentindo seu corpo junto ao meu, depois de fazermos amor da forma mais bonita, depois de trocar palavras de amor e caricias que demonstram tudo que sentimos um pelo outro. Sentir seu ressonar tranquilo, sua respiração lenta. Pequenas coisas para um homem que nunca conheceu o amor verdadeiro, mas para mim, é de uma dimensão infinita.
– No que está pensando? – ela murmura, com os olhos ainda fechados.
– Você não estava dormindo? – retruco com um sorriso enorme nos lábios.
– Apenas fechei os olhos, queria descansar um pouco. – fala. – No que estava pensando?
– No quanto eu amo você. – respondo. Um sorriso forma-se nos lábios dela. – Sou o homem mais sortudo do mundo por ter você. – encosto meus lábios no topo da sua cabeça.
– E eu a mulher. – sussurra. Aos poucos Karina cai em um sono leve e calmo. Levanto-me a contra gosto e visto minha cueca e calça. Saio do quarto e vou até a cozinha. Ela inda não jantou e nem eu. Cozinho algo simples e rápido e arrumo a mesa, com uma rosa de plástico que Sophi deu para Karina e velas. Volto para o quarto e me sento ao lado dela.
– Hey. – mecho em seus cabelos. Aos poucos ela abre os olhos e eles encontram os meus. – Eu preparei um jantar para nós.
– Oh merda! Por que você é tão perfeito? – dispara me fazendo gargalhar. – Vou tomar um banho. – levanta nu da cama e eu me seguro para não agarra-la novamente e ama-la intensamente.
Deito na cama e fico fitando o teto por alguns minutos. Depois levanto e volto para a cozinha, conferir se está tudo perfeito. Ajeito os pratos e talheres retos. Coloco o macarrão com queijo no microondas, para tostar o queijo e esquentar o macarrão. Giro sobre meus calcanhares e meus olhos encontram Karina parada junto à porta. Meus olhos trilham cada parte do seu corpo. Ela usa apenas uma camisola vermelha e transparente que deixa visível a cor da sua calcinha, que é preta e rendada, e seus seios, vai ser difícil jantar hoje.
– O que foi? – indaga, mas minha boca forma apenas um “O”. – Tenho planos para depois do jantar. – dispara com a voz provocativa, fazendo meu corpo reagir de todas as formas possíveis.
+++
– Deixa que eu recolho a louça da mesa e lavo. – diz Karina.
– Okay. Vou tomar um banho. – ela assente e levanta-se começando a arrumar a mesa.
Saio da cozinha e vou até nosso quarto, entro no banheiro e tomo um banho rápido. Coloco uma calça de moletom e saio do nosso quarto. Entro na cozinha e Karina está terminando de secar a pia. Seu joelho está dobrado, está apoiando o pé na outra perna, deixando parte de sua coxa amostra. A abraço por trás e pressiono meu queixo em seu ombro.
– É bom estarmos juntos depois de tudo que passamos. Não consigo imaginar quanta dor você sentiu quando recebeu a noticia da minha morte. Depois de descobrir que estava gravida. Queria estar ao seu lado, ter segurado sua mão enquanto olhava dentro dos seus olhos. – Karina vira-se na minha direção, acaricia meu rosto.
– Eu imaginei você lá. – diz olhando dentro dos meus olhos. – E quando eu peguei Sophi pela primeira vez eu olhei dentro dos olhos dela, eu senti sua presença ainda mais forte naquele momento. – inclino meu rosto, pressionando meus lábios no ombro dela.
– Quando eu queria sentir você por perto eu fechava meus olhos. Eu nunca me esqueci do seu rosto. – abaixo a alça da camisola a deslizando pelo seu braço e distribuindo beijos. – Seus olhos era a primeira coisa que eu lembrava, depois vinham suas bochechas, seu cabelo, queixo, orelhas. E por ultimo sua boca. – dou um beijo em sua boca. – Depois eu imaginava cada curva do seu corpo. – abaixo a outra alça da camisola e o tecido desliza pelo seu corpo levemente. Seguro suas costas e aproximo seu corpo do meu, olho no fundo dos seus olhos.
– Eu te amo. – ela diz. Aproximo meus lábios da sua orelha.
– Eu também. – digo. A pego em meu colo e a levo para o nosso quarto. Tudo que quero é ama-la da maneira mais bonita. Demonstrar cada sentimento com toques, beijos e caricias. Dizer que a amo em cada minuto. Por que é a mais pura verdade. Eu a amo e daqui em diante nada vai nos separar.
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