Depois da Guerra.

5 Ela se tornou o meu mundo.


Notas iniciais
Ai gente olha eu aqui 0/0/, desculpa a demora. Enfim, acho que estou fazendo vocês chorarem de mais, me corrijam se eu estiver errada. HUSHUAS. E achei esse cap o mais legal até agora. E também acho que vocês vão chorar mais um pouquinho. HSUAHS Me perdoem. Enfim, espero que gostem. Obrigada por comentarem, favoritarem e acompanharem, fico muito feliz. :* QUERO MUITOO, MAIS MUITO MESMO, AGRADECER AS DUAS RECOMENDAÇOES QUE TIVE NA FIC, MINHA NOSSA NÃO SABE O QUANTO EU FIQUEI FELIZ, PATRICIA E BIANCA, MUITOO OBRIGADA PELAS LINDAS RECOMENDAÇOES, FIQUEI TIPO MUITO FEELIZ E EMOCIONADA. ESSE CAP É PRA VOCÊS. ESPERO QUE GOSTEM.

Acordei com Uzuri chacoalhando meus ombros e falando meu nome. Quando abri os olhos, ela jogou uma capa de chuva em cima da cama e arrumou algumas peças de roupas minhas em uma bolsa.

– O que está acontecendo? – indago.

– Se você quer sair dessa maldita vila, essa é a hora. – respondeu.

– Como assim? Há dois meses a gente está procurando uma forma de sair daqui e agora você diz que é a hora, você construiu um barco ou algo do tipo? – ela sorri e joga a bolsa no meu colo.

– Um barco de pescadores atravessou e parou aqui na vila. Pedi se eles nos levam até o outro lado, eles falaram que daqui meia hora estão saindo. – demoro um pouco para assimilar o que ela acabou de dizer. Então isso quer dizer, que estamos a um passo, ou melhor, a uma travessia de rio, para sair dessa vila. Levanto da cama e calço minha bota. Coloco a capa de chuva.

[...]

– Você se lembrou de mais alguma coisa nesses últimos meses? – Uzuri pergunta depois de um longo tempo em silencio.

– Lembrei do meu sogro. – falei com um sorriso plantado nos lábios. – Ele é muito cruel, acho que não precisava lembrar-se dele. Ele tem uma academia de luta, logo quando comecei a namorar a Karina ele me encostou na parede e disse que se eu a fizesse sofrer ele ia me fazer sofrer em dobro, e não era qualquer dor e sim uma enorme dor física. – Uzuri deu uma gargalhada, o que fez os pescadores olharem para gente.

– Eles me dão medo. – comentou. Olhei de relance para um que comentava algo com outro. Ela me deu um soco no braço chamando minha atenção. – Mas, alguma coisa? Lembrou o que estava fazendo naquele galpão? – indaga.

– Eu era um soldado, servia ao exercito brasileiro. Recebemos a informação de que alguns terroristas guardavam bombas no deposito. Tínhamos que invadir o galpão e se tivesse bombas tínhamos que destruí-las. – respirei fundo. Lembrando desse maldito dia. – Eu estava no segundo andar quando escutei um tiroteio. Em seguida senti um forte cheiro de produtos químicos. Em poucos segundos o fogo se alastrou no primeiro andar. Tentei voltar, mas não tinha como. Outros homens voltaram e se enfiaram em meio das chamas. Lembro que entrei em pânico, e não sabia o que fazer. – abaixei minha cabeça, parecia que estava vivendo tudo aquilo novamente. Uzuri segurou minha mão e apartou.

– Continue. Sei que dói. Porem, dividir vai ser bom para você. – assenti.

– A fumaça começou a tomar conta do local e carregar meus pulmões, meus olhos ardiam e eu não conseguia mantê-los abertos. O cheiro do produto químico era muito forte, comecei a ficar tonto, minhas pernas fraquejavam. Forcei meus olhos a ficarem abertos. A única coisa que pensava era em sair daquele lugar vivo, para voltar para Karina. Eu tinha acabado de pedir a mão dela em casamento, acabado de dizer o quanto a amava e prometido voltar vivo para ela, ela não merecia. – minha voz ficou fraca e as lagrimas preencheram os meus olhos. Apertei os olhos e não deixei que elas caíssem. – Olhei todo o local a minha volta e enxerguei duas janelas. Me segurei em algumas barras de ferro que tinha no caminho e depois de muito esforço, lutando contra a fumaça que entrava nas minhas narinas e preenchiam meu pulmão e a mesma fumaça que deixava minha visão turva, eu consegui chegar na janela. Peguei um pequeno barril que tinha no chão em frente à janela e estilhacei o vidro. Não liguei para a altura, só pensava em sair vivo daquele lugar e voltar para a minha família e para a mulher que eu amo, então eu pulei. Depois disso acordei na sua casa. Sem lembrar-se de nada.

Essas lembranças tinham voltado há algum tempo já. Mas, eu não consegui pensar naquilo que passei. Doía tanto, que eu acabei não falando para Uzuri. Minha memória não voltou 100%. Alguns fragmentos ainda vêem do nada, quando estou dormindo ou acordado tomando café, enfim, em qualquer hora do dia. Sei onde moro, lembro da minha família, lembro de Karina, Gael, João e muitas outras pessoas. Porem, algumas lembranças de momentos que passei com essas pessoas, começam a surgir aos poucos.

– Você vai voltar para casa Pedro. Talvez nessa vila tenha soldados brasileiros, ai tudo vai ficar mais fácil. Eles vão te reconhecer e você vai voltar para Karina. – Uzuri virou uma grande amiga, quase uma irmã mais nova, eu devo minha vida a ela. Que me encontrou e me levou para a casa dela, chamou um medico e ajudou ele a cuidar de mim, e alem de tudo me deu moradia e alimentação, vou ser eternamente grato a ela.

Os pescadores começam a falar auto e rir. Um deles se aproxima e fala com Uzuri. Apenas observo os dois conversarem, não entendo nada do que eles falam. Uzuri me ensinou alguma coisa, mas eles falam muito rápido, não dá de acompanhar. Ela vira-se para mim e sorri.

– Estamos chegando. – assinto com um largo sorriso nos lábios. O inferno está perto de acabar e eu vou poder ver novamente o lindo sorriso de Karina, seus lindos olhos, vou sentir a maciez da sua pele, beijá-la. Meu Deus, como sinto falta dela, como preciso dela para ser feliz.

FlashBack Onn.

Depois da noite que tive ao lado de Karina, é impossível esquecer ela. Acho que estou apaixonado por ela, completamente. Já perdi a conta de quantas vezes me peguei sorrindo ao lembrar-se da noite que tivemos.

Depois de nos beijarmos na boate. Saímos sem avisar João e Andre. Primeiro paramos em uma lanchonete, comemos batatas fritas, hambúrguer e tomamos refrigerantes. Ela é completamente encantadora, seu sorriso e seus intensos olhos azuis. Seus lábios, como tenho vontade de provar ainda mais aqueles lábios, provar do seu gosto doce. Sentir sua essência. Nunca me senti assim com nenhuma mulher.

Depois de sair da lanchonete o céu caiu sobre nossas cabeças. A chuva gelada encharcou nossas roupas. A maquiagem dela borrou e os cabelos ficaram escorridos, entretanto ela continuava linda. Brincamos como duas crianças na chuva, demos risadas e nos beijamos em baixo da chuva. No fim, tudo acabou quando a levei até seu apartamento. A dei um ultimo beijo, ainda sinto seu gosto na minha boca. Mas, é claro que eu não queria que aquela fosse a nossa ultima noite. Então a convidei para jantar, em um restaurante italiano que eu conhecia. Ela aceitou e isso me deixou muito, mais muito feliz.

– Você está nervoso Pedro. Está acontecendo alguma coisa? – Tomtom entra no meu quarto e se joga na cama.

– Sim. Eu tenho um encontro com uma garota e não sei que roupa usar. Ela é tão linda, parece um anjo, não quero estar mal vestido. – desabafo, em seguida Tomtom começou a rir.

– É você vai ter que me apresentar essa garota, ela deve ser um anjo mesmo, por que para deixar você tão nervoso. – cruzei os braços e bufei como uma criança de cinco anos. – Calma. Vou ajudar você. – abriu o meu guarda roupa e tirou algumas peças de roupas. Uma calça jeans escura e uma camisa verde musgo de manga longa. Por fim, minhas botas

– Tem certeza que essa camisa fica boa? – perguntei, olhando para as roupas sobre a cama.

– Aquela vez que você usou no casamento da nossa tia. As meninas não tiraram os olhos de você. Acho que é por causa dos seus músculos, eles disfarçam a sua cara feia. – bufei sem paciência, Tomtom riu e saiu do quarto.

Olhei para as roupas e comecei a me trocar. Até que não ficou tão ruim. Pensei me olhando no espelho. Arrumei meus cabelos e passei um perfume que ganhei da minha mãe. Calcei as bostas e peguei minha carteira e as chaves do carro.

[...]

Quando cheguei no prédio de Karina, avisei o porteiro que avisou que eu a estava esperando. Ela disse para eu esperar que já estava descendo. Que bom que ela não desistiu. Me encostei no carro e estou esperando ela descer. Tiro os olhos das minhas botas quando escuto um barulho na minha frente. Ela esta sorrindo, está perfeita. Se eu não estava apaixonado por ela antes, agora eu estou. Está vestindo um vestido azul, que combina com seus olhos. Um pouco apertado, deixa boa parte das coxas nuas e tem uma abertura nas costas, um decote na frente. Ela quer me proporcionar um infarto, só pode.

– Você está maravilhosa. – acho que estou babando.

– Você também. – diz, com um enorme sorriso nos lábios. Sorriso que faz meu corpo inteiro arrepiar.

– Acho que estou apaixonado. – ela me olha embasbacada. Maldita boca. – Sei que é loucura. Quer dizer não é. Você é linda, eu não parei de pensar em você depois que nós trombamos no parque. Ai você aparece no restaurante da minha mãe com o seu namorado. Ai nós nos vemos em uma boate eu te beijo, passamos uma noite juntos. Sim, eu estou apaixonado por você, e você deve estar querendo sair correndo agora. Pode sair, eu vou entender. – ela olha fixamente para os meus olhos.

– Pensei que a maluca da historia era eu. – beijou meus lábios. Segurei suas costas e aproximei ainda mais nossos corpos, aprofundando o beijo. O beijo foi intenso e ávido, nossas línguas dançavam o mesmo ritmo, nossas bocas são o encaixe perfeito. Nos separamos quando o ar é preciso. – Aliás, aquele rapaz não era meu namorado.

FLASHBACK OFF.

– PEDRO! – Uzuri gritava, quando um dos homens a agarrou pelo braço e puxou para fora do barco.

– Solta ela! – parti para cima de um dos homens. Dei um soco no que estava a agarrando, ele a soltou e veio para cima de mim. Era o dobro da minha altura, muito forte. Senti seu punho acertar meu queixo. Depois um chute na lateral da barriga, cai no chão e o homem continuou me dando chutes. Olhei para Uzuri que estava sendo arrastada por outro homem. Senti uma pancada na cabeça e desmaiei.

Acordei em um lugar escuro e molhado. Parecia até uma prisão daqueles filmes medievais. Olhei ao redor e vi Uzuri sentada em um canto chorando. Levantei e senti meu corpo inteiro doer. Mesmo sentindo dores me arrastei até onde ela estava. Ergui sua cabeça e ela tinha um corte no lábio superior.

– Eles fizeram algum mal para você? – indago. Tenho tanto medo que ela diga que sim. E se eles a estupraram? Por favor, Deus que não tenham feito isso com ela.

– Não. – graças a Deus. A abracei e deixei que chorasse no meu colo. Depois de um tempo ela se acalmou e sentou ao meu lado.

– Que diabos esta acontecendo? – ela limpa as lagrimas com a manga da blusa.

– Eles escravizam pessoas, Pedro. – fiquei um tempo sem reação. Até que levantei e comecei a bater na porta.

– MALDITOS! – exclamo, sentindo toda a raiva envolver meu corpo.

[...]

KARINA...

Sento na cama sentindo fortes dores na barriga. A cama inteira está encharcada. Levanto abro o guarda roupa e pego as duas malas prontas. Uma rosa com ursinhos desenhados onde guardei as roupas da minha bebe e outra preta onde guardo as minhas roupas.

– Pai! – grito. Enquanto entro no banheiro e troco de roupa.

– Karina! – meu pai entra atônito no quarto. – Está acontecendo alguma coisa? – alarguei um sorriso nos lábios.

– Está na hora. – disse, alisando minha barriga. Meu pai olhou para os lados sem saber o que fazer. – Pai! – segurei o queixo dele. – Você já fez isso duas vezes. Lembra? – ele assentiu. Pegou as duas bolsas sobre a cama e saiu correndo do quarto. Em poucos minutos ele tinha voltado e estava me carregando no colo até o elevador. Saímos do prédio e ele me ajudou a embarcar no carro.

– Respira fundo, filha. – ordenou, antes de sair dirigindo em alta velocidade.

Comecei a afagar minha barriga. Como queria que Pedro estivesse aqui, comigo. Sophia vai nascer e eu queria tanto que o pai dela estivesse comigo. Sinto as lágrimas descerem pelo meu rosto. Nove meses se passaram, eu pensei que a dor ia passar, mas às vezes acho que ela só aumenta.

Meu pai estaciona em frente o hospital e desembarca do carro. Me pega no colo e entra comigo no hospital. Algumas pessoas olham para nós, e eu tenho que rir da forma que meu pai está nervoso.

– Pai, me coloca no chão. – bato no ombro dele.

– Você está bem? – assinto. Então, sinto meus pés tocar o chão. – Por favor, ela está tendo o bebe! – esbraveja.

Em seguida duas enfermeiras se aproximam com uma cadeira de rodas. Sento-me na cadeira e elas me levam para a sala de emergência. Logo doutora Silvana entra no quarto e me ajuda a deitar na cama.

– Então a pequena Sophia resolveu nascer. – diz, sorrindo como uma boba.

[...]

O parto foi normal. A dor foi horrível. Mas, agora tudo que eu quero é ver o rostinho da minha pequena garotinha. Doutora Silvana disse que as enfermeiras a levaram para se lavar e colocar uma roupinha. Meu pai está impaciente do meu lado. Acho que se as enfermeiras não vierem logo com a neta dele ele mesmo vai atrás dela.

– Oi. – a enfermeira entra no quarto com Sophi enrolada em um cobertor rosa. – Ela está dormindo. – diz, antes de colocar aquela coisa pequenina no meu colo. Afasto o cobertor da sua face, ela é a coisa mais linda do mundo, coloco meu dedo em sua pequenina mão e ela aperta. No momento em que seus olhos castanhos encontram os meus, eu vejo o meu mundo colorir-se novamente.

– Oi, minha princesa. Como você é linda. – beijo sua testa com carinho e amor. – Você tem os olhos do seu pai. – uma lagrima desce dos meus olhos e eu limpo. – Mamãe te ama, e muito. Você nem sabe o quanto. – deixo as lágrimas rolarem pelo meu rosto.

O momento em que a vi, meu mundo inteiro mudou. Minhas crenças mudaram. Eu serei a heroína dela, a melhor mãe do mundo. Serei tudo para ela. Por que a partir de agora ela se tornou meu mundo.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Espero que comentem. Acho que mereço comentarios HUASHAUS. Digam se gostaram, e também digam se não gostaram, enfim, não sejam fantasminhas. Bjoos até o proximo.