Depois da Guerra.
19 A dor é inevitável, o sofrimento é opcional
Notas iniciais
É só mais uma noite e eu ainda estou encarando a lua, vi uma estrela cadente e pensei em você.
Cantei uma canção de ninar na beira d’água e soube... Se você estivesse aqui, cantaria para você.
Você está do outro lado do mundo, e a linha do horizonte se divide. Milhas distantes de poder te ver.
Eu posso ver as estrelas da América. Eu me pergunto, será que você as vê também?
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1 mês e 3 semanas depois...
PEDRO.
Eu estava sentado em um banco de madeira no meio de uma floresta, com um grupo grande de soldados. Tropas americanas haviam se juntado a nós, eles haviam trazido junto tecnologia de ponta para nos ajudar a achar os rebeldes que possuíam armamentos de grande escala, um centro de pesquisas havia sido instalado no meio da mata onde estávamos. Tudo isso para acabar de uma vez com a tropa inimiga.
Era hora do almoço, e nossa comida não é lá grandes coisas, na verdade é uma gororoba, nenhum soldado tem certos dons na cozinha, talvez dons peculiares, mas nada que torne a comida saborosa. Isso me faz ter saudades da minha casa.
As últimas semanas foram o inferno, invadimos lugares que nem bases secretas da c.i.a sabem que existe, nem satélites têm sabedoria da sua existência, apenas uma pequena tropa de soldados trabalhando afinco para encontrar dois soldados que podem ser executados a qualquer minuto, e armas capazes de dizimar uma cidade inteira.
– Isso tem gosto de cocô. – cochicha Cleber, um dos homens da minha tropa, ele é um soldado aposentado que como eu também se voluntariou, mas mais do que qualquer outro soldado nessa tropa ele é o que mais anseia para encontrar os rebeldes, Cleber é o único que possuiu um laço de sangue com um dos soldados sequestrados.
– É o que tem para hoje. – digo, arrancando uma grande gargalhada dele. É surpreendente as forças que Cleber consegue juntar para sorrir, seu filho está no domínio de um exercito sem escrúpulos e ele ainda consegue sorrir.
Cleber é o pai de Bruno, que foi sequestrado junto com André. Os dois têm um laço muito forte de pai e filho, Bruno sempre quis ser um soldado como o pai, mesmo Cleber sendo sempre contra, pois ele sabia muito bem por tudo que o filho ia passar e pais sempre querem o melhor para seus filhos, e Cleber é um desses pais corujas.
Eu não consigo nem pensar na possibilidade de Cleber encontrar o filho morto, ou se caso nós não conseguirmos encontra-lo. A dor que ele vai sentir será enorme.
– Como consegue sorrir? – pergunto e ele me olha com as sobrancelhas arqueadas. – Conviveu durante anos combatendo pessoas como essas que sequestraram seu filho. Viu coisas horríveis, coisas que nos faz pensar em desistir do mundo, mas continua sorrindo. – explico. – Não conseguiria ter a sua força.
– Sorrio pelo simples motivo de não dar espaço para o sofrimento. – diz. – A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. – acrescenta e coloca uma colherada de gororoba na boca. – Todas as noites eu vejo que você olha para uma foto antes de dormir. Quem é?
– Uma parte de mim. – digo. Ele sorri, satisfeito com a minha resposta. – É minha noiva e minha filha. – tiro a foto do bolso e entrego para ele. – Sempre estou com essa foto.
– Tem uma família bonita, Pedro. – assinto, e ele me entrega a foto. – Bruno tem um filho também, e o pequeno quer seguir a profissão do pai, se já não bastasse minha esposa se preocupar comigo e com o filho, agora terá mais um incluso na lista.
– Não deve ser fácil para ela, digo isso pela minha mãe, ela não ficou nenhum pouco contente da minha volta para o exercito, nem ela e nem ninguém. – digo.
– Você tem uma divida de honra com André, ele salvou sua vida, posso entender porque está aqui. Nossos familiares nunca vão ficar satisfeitos com nossas decisões, ela nunca agradará todo mundo.
– Eu sei. – falo. – Mas, foi difícil partir dessa vez, depois de tudo que os fiz passar com minha suposta morte, e eu os fiz sofrer mais quando resolvi me voluntariar. Não me acho digno de receber o amor deles, caso eu voltar vivo.
– Não seja bobo rapaz, você mais do que qualquer um merece o amor da sua família. – ele levanta-se e aperta meu ombro, igual como meu pai faz. – Jamais perca a fé, e nem se julgue incapaz de receber amor. Aposto que quando você voltar vivo todos vão lhe receber de braços abertos. Agora vou pegar mais um pouco dessa gororoba.
– Obrigado. – agradeço e ele se retira.
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2 horas depois...
– Tropa?! – chama nosso comandante, todos os soldados se reúnem em volta dele, prestando atenção no que ele tem para falar. – Estava em uma busca com o comandante Peter do exercito americano, e encontramos algo suspeito em um cemitério abandonada próximo daqui. – diz. – Fui informado que o cemitério já foi usado como esconderijo dos rebeldes. – ele dá uma pequena pausa e volta a nos encarar. – Nós vamos invadir o local à noite.
– Á noite? – indaga o jovem medico da tropa, ele chama-se Douglas e veio apenas para cuidar dos feridos, mas sempre nos acompanha nas missões.
– Temos mais chances a noite. – responde. – Então, por favor, se organizem. Ás 21hors:00 vamos traçar um plano e depois saímos andando até o local. A tropa americana vai nos dar auxilio. Todos entenderam?
– Sim, Senhor. – batemos continência e voltamos a fazer o que estávamos fazendo antes do anuncio. Vou para a minha tenda, a que divido com Cleber, ele está sentado em sua cama, com o rosto afundado nas mãos, parece estar rezando. Sento na minha cama e pego a foto de Karina e Sophi.
– Não sei mais se consigo fazer isso. – murmuro e então ele me olha. – Não sei se consigo rezar.
– Isso é algo que nunca esquecemos. Pedir a ajuda de Deus, não se trata apenas de sentar e proferir uma oração, você precisa conversar com ele, é fácil, devia tentar.
– Tinha uma garota o nome dela era Uzuri, ela foi à pessoa que me salvou do galpão em chamas. Depois que fomos capturados por rebeldes, ela orava todas as noites, pedia para que fossemos salvos. Ela sempre me mandou ter fé, assim como ela. Uzuri acabou morrendo sem ninguém salva-la. Mesmo ela orando todos os dias.
– Depois disso você perdeu a sua fé? – fico em silencio. – Acredito que Uzuri tenha lhe protegido depois da morte dela, e continuado as suas orações para que você fosse salvo. Eu já fiz coisas que me fizeram pensar e repensar na minha fé. Eu matei pessoas e quase desisti de tudo. Mas, eu sei que ele nunca desistiu de mim. Assim como de você. – Cleber abaixa a cabeça e volta a cochichar.
Olho para a foto na minha mão, e fico a encarando por alguns minutos, até fechar meus olhos. Não sei se consigo, mas apenas quero pedir para que esse inferno termine, quero voltar para a minha família, para as pessoas que me amam. Não sei se sou digno disso, mas talvez você não tenha desistido de mim.
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– Quando eu der o aviso. – dispara nosso comandante. Estamos em um lugar escuro, iluminado apenas por nossas lanternas, e o local ao qual temos que invadir parece uma fortaleza. O lado de fora da cripta (onde talvez Bruno e André estejam.) está cercada por rebeldes muito bem armados. – Vamos acabar de uma vez com tudo isso, agora!
Cleber está ao meu lado, ele tem muita habilidade com o fuzil, não é para menos, há anos ele serve para o exercito. Logo os barulhos incessantes de tiros começam a tilintar na minha cabeça. É como se pequenas bombas estivessem sendo explodidas no meu cérebro.
– Vamos pegar a direita, está limpa. – avisa Cleber. Eu e outros soldados assentimos e o seguimos, entrando pela direita da cripta, Cleber está bem à frente de nós. Somos surpreendidos por um homem vestido em um colete cheio de bombas.
– Voltem! – grito. Mal, consigo virar de costas e escuto o barulho ensurdecedor das bombas explodindo. O impacto da explosão lança meu corpo para longe e eu escuto o zumbido na minha cabeça, tudo ao meu redor parece mover-se lentamente, o zumbido torna-se mais alto e eu tenho a impressão de estar surdo. Tudo consequência do homem bomba.
Levanto-me com dificuldade, como se meu corpo estivesse movimentando-se através da adrenalina que percorre em minhas veias. Minha visão está turva, consigo escutar os gritos de socorro, os gemidos que antecedem a morte. Sinto o cheiro de fumaça mesclando-se com o cheiro forte de produtos químicos. Quando estou em pé, cravo meus pés no chão para não cair, sinto o liquido quente descer pela minha têmpora, passo a mão pela região, e a olho, ela está suja de sangue.
Tudo parece uma grande confusão, meus olhos ardem devido a fumaça, e também não consigo enxergar nada, aperto meus olhos, mas a fumaça escura continua dificultando a minha visão. Espero ela dispersar-se no ar.
Quando consigo enxergar alguma coisa o cenário é horrível. Vejo Cleber, ele está caído no chão agonizando. Aproximo-me dele e estilhaços de bomba atingiram seu corpo, um pedaço de madeira atravessou sua bacia, ele está com o rosto queimado, sua perna tem um ferimento profundo, ele está perdendo muito sangue.
– Pedro. – seu chamado é como uma ultima prece, ele ergue a mão com dificuldade, eu me agacho e a seguro.
– Calma. Você vai ficar bem. Tente não se mexer, vou procurar o Douglas. – tento me levantar, mas mesmo a beira da morte seu aperto é forte.
– Não. – diz, engasgando com o próprio sangue. – Você sabe que para mim acabou. – as lágrimas preenchem meus olhos. Balanço minha cabeça negando, mas eu sei que acabou. – Preciso que salve o meu filho, tenho certeza que ele está dentro dessa cripta. Depois diga a ele que eu o amo e que tenho orgulho do homem que ele se tornou, e entregue isso a ele... – com dificuldade Cleber retira um rosário do bolso e entrega para mim. – Você é memorável, Pedro.
Sua mão amolece e cai ao lado do seu corpo, seus olhos fecham gradativamente, seu peito para de subir e descer, resta apenas sua casca. Não existe mais vida ali.
Preciso que salve o meu filho. Preciso que salve o meu filho. Preciso que salve o meu filho.
Essas palavras soam alto em minha cabeça, como um rock selvagem dos anos 80. Levanto-me e seguro meu fuzil. O barulho de tiros ainda penetra na minha cabeça. O lado direito da cripta está vazio. Marcho rumo à porta de entrada que também está vazia. Entro no local e dois rebeldes me barram, eu atiro nos dois. Deixo meu corpo a mercê dos meus instintos, eles me guiam.
Um dos soldados que matei tem um chaveiro, deduzo ser a chave da cela onde eles mantêm os reféns, talvez Bruno e André estejam mesmo aqui. Retiro a chave do cinto do homem e pego a única porta que tem no interior da cripta.
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KARINA.
As últimas semanas foram horríveis, não sei o que seria de mim sem a minha família. Delma passou a semana cuidando de Sophi, que acabou ficando doente, tenho certeza que ela sente falta do pai, por mais que ele faça jogo duro. Bianca e meu pai passam quase 24 horas do dia no meu apartamento.
Mantenho-me forte, para não ver a minha filha desabar, mas na verdade é que ela que me mantem firme, ela é o meu pilar, sem ela eu estaria perdida. O trabalho no escritório aumentou muito, até agradeço por isso. Mas, agora, eu queria estar em casa, afundada na minha cama em companhia de minha filha, um filme meloso de romance, e sorvete, mas tenho um jantar de negocio com Diego e nossos clientes.
Diego e eu estamos trabalhando juntos em um caso envolvendo empresas fantasmas e impostos, tem muita burocracia no meio disso, essa ultima semana nós acabamos ficando até mais tarde no escritório, procurando por uma brecha que favorecesse o nosso cliente. O trabalho é bom, porque mantem minha cabeça ocupada, mas gosto de ficar em casa com Sophi, é a melhor parte do meu dia.
Estacionei o meu carro na frente do restaurante em que Diego tinha marcado o jantar com os nossos clientes, o manobrista abriu a porta para mim, sai do carro e entreguei a chave para ele. Entrei no restaurante e a recepcionista logo veio me atender, com seu sorriso carismático e profissional. Ela me levou até a mesa que ainda estava vazia, apenas eu havia chegado.
– Fique a vontade. – murmurou.
– Obrigada. – sento-me em uma cadeira. A mesa fica próxima à vitrine do restaurante. Posso ver o movimento do lado de fora, e me distraio olhando as pessoas passarem apressadas na calçada.
– Karina. – viro-me para frente e Diego está como sempre muito bonito, vestindo um terno elegante. Levanto-me para cumprimenta-lo e ele me dá um beijo na bochecha. – Que bom que você veio.
– São clientes importantes. – comento, me sentando novamente.
– Preciso mesmo do seu auxilio. – diz. – Vou pedir uma bebida para a gente tomar por enquanto.
– Não posso, estou dirigindo. Mas, fique a vontade. – ele assente e chama pelo garçom. Minha cabeça dói, não queria mesmo estar aqui, a musica clássica que toca é chata pra caramba. Diego logo tem sua bebida, e minutos se passam até que ele recebe uma ligação e se afasta.
– O assistente do grupo Ferreira acabou de ligar cancelado o jantar, disse que surgiu uma emergência no escritório. – murmura.
– Bom, então eu vou para minha casa. – Diego franze as sobrancelhas, e ergue a mão quando vou levantar.
– Karina preciso que passe no escritório para conferir o relatório sobre a empresa de cosméticos que está sendo processada. – comenta.
– Agora?! – rebato.
– Sim, mas se preferir posso levar na sua casa. – pondero.
– Não. – respondo. – Eu passo na empresa.
– Eu lhe acompanho. – assinto e saímos juntos do restaurante. O manobrista traz o carro de Diego primeiro, um esportivo que nem um ano inteiro do meu salario compra. Depois trazem o meu. Embarco no carro e mesmo morrendo de sono e dor-de-cabeça sigo para o escritório.
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Quando chego ao edifício subo logo para o andar da presidência, as portas do elevador se abrem e eu sigo para a sala de arquivos, a sala me traz boas lembranças e me fazem sentir uma enorme falta de Pedro. Queria chegar em casa e encontra-lo, sentir seus braços me apertando contra seu corpo, sentir seus lábios nos meus, mas infelizmente, Pedro está no meio de uma guerra.
Entro na sala e Diego já está me esperando, é claro, com aquele carro ele chega antes em qualquer lugar, ele se aproxima de mim com uma pasta azul na mão.
– Aqui está o relatório, preciso que faça uma analise detalhada dele, não precisa ser para amanhã. – para muito perto de mim, eu dou um passo para trás.
– Okay. – digo, pegando a pasta da sua mão.
– Pedro deu noticias? – pergunta, eu o olho sem entender o porquê da pergunta, Diego nunca me perguntou sobre Pedro, por que isso agora?
– Pedro está em um lugar onde não existe nenhum meio de comunicação. Ou seja, no fim do mundo. – respondo.
– Você não tem medo que ele...
– Não volte? – ele assente. – Confio nele, sei que ele vai voltar.
– Mas e se algo acontecer. Acho que você deveria levar sua vida para frente, Pedro fez uma escolha, escolheu a guerra ao invés da família.
– Não pode falar isso. Você nem ao menos o conhece. – disparo. – Pedro não trocou a família pela guerra, ele ajuda as pessoas, isso é da natureza dele. Por favor, nunca mais fale assim dele quando estiver perto de mim. Agora, se me der licença, preciso ir para minha casa, tenho uma filha me esperando.
– Okay. – saio a passos largos, reprimindo minha vontade de arrebentar a cara de Diego. Ele sempre teve tudo e não sabe o que é uma guerra, não sabe nada da minha vida e nem da de Pedro.
Chego à minha casa me sentindo exausta, chuto meu sapato para o canto da sala, vou até a cozinha e Bianca está lavando a louça. Pego um copo e coloco agua. Bianca olha para mim com expectativas.
– E ai como foi o jantar com o grupo Ferreira? – indaga.
– Não foi... Eles cancelaram. – digo. – Onde está a Sophi?
– Ela estava meio desanimada, coloquei um filme para ela assistir no quarto.
– Ela já jantou?
– Sim. Mas, nem comeu direito, apenas revirou a comida no prato. – suspiro, Sophi está começando ceder. – Você vai comer alguma coisa? E eu não fiz macarrão, diferenciei e fiz um risoto de camarão.
– Não, só de pensar nisso meu estomago revira. – digo, Bianca cruza os braços e fita meus olhos.
– Você está bem?
– Sim. Apenas ouvi coisas que me deixaram enjoada hoje. Mas, prefiro não falar.
– Você está comendo direito? – indaga desconfiada.
– Mais ou menos. – disparo. – Apenas bolacha salgada. Até o café me faz querer correr para a privada e vomitar, o cheiro de comida revira meus estomago.
– Quando isso começou?
– Há alguns meses atrás. – respondo. – Por quê?
– Como está o seu ciclo?
– Atrasado. – falo levando o copo até a pia.
– Meu Deus! – dou um pulo com o grito de Bianca. – Não acredito que não percebeu. – ela corre e me abraça.
– Não percebeu o que? – ela enche meu rosto de beijos.
– Fica quietinha aqui que eu já volto. – Bianca pega a sua bolsa e as chaves do seu carro e sai do meu apartamento.
– Maluca. – falo, marchando até o quarto de Sophi. Ela está aninhada no meio das suas cobertas azuis, seu rosto está afundado no travesseiro, me aproximo dela e começo a fazer cocegas em suas costas, então percebo que ela está chorando. – Hey, o que aconteceu? – ela me abraça e começa a soluçar.
– Estou com saudades do papai. – dispara e instantaneamente meus olhos enchem de lágrimas. – Queria que ele estivesse aqui. – sua voz é doce, mas embragada por causa do choro.
– Mamãe também queria. – a afasto e limpo suas lagrimas, não posso desabar agora, não logo agora, preciso confortar minha filha. – Mas, o papai vai voltar. Está bem? Preciso que confie na mamãe.
– Eu confio. – ela diz, e então me abraça. Fico com ela presa no meu pescoço até sua respiração ficar calma, deito-a na cama e a cubro. Quando a vejo dormindo, tão serena, calma, como se nada estivesse acontecendo em seu mundinho eu deixo que as lágrimas caíam dos meus olhos naturalmente.
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