Depois da Escuridão

2 Nunca irei te abandonar


Levantei-me devagar minha perna ainda dói muito, mas preciso ser forte e ir mais deles virão e apesar de querer apenas esquecer que acabei der ser mordida por um demônio e principalmente da consequência que isso irá causar em mim... realmente não quero lembrar disso agora apenas proteger Paul. Sempre em minha vida fechada em uma pequena casa pensava que se algum dia fosse mordida me mataria para não me tornar o que mais odeio dentre tudo existente, mas agora as circunstâncias são outras, Paul não pode se cuidar sozinho não tem a mínima chance de sobreviver sem mim por nem uma semana.

– Katy, coloca isso na sua perna. – meu irmão rasgou um pedaço de sua calça de pano, uma das muitas exatamente iguais que tem.

Peguei o tecido de algodão e enrolei ao redor dos dois cortes, cada um com aproximadamente cinco centímetros que sangravam sem parar e a essa altura já havia criado uma pequena poça vermelha no chão.

–Nós precisamos ir. – me coloquei em pé e estendi os braços para pegar Paul.

– Você não pode me levar! Está machucada, mal pode andar sozinha. – o garotinho se afastou.

Ele tem razão não consigo nem andar sem mancar ou me segurar para não gritar de dor apenas para que Paul não veja que estou mal. Sou sua irmã mais velha não posso parecer fraca perto dele.

– Não vou deixa-lo aqui então se quiser vamos nos sentar e esperar que venham nos matar.

Sua expressão fechou, sempre que mordia nos lábios significa que está pensando, Paul é bem fácil de interpretar menos pelo sorriso que ás vezes é falso tentando apenas agradar a mamãe e o papai, mas assim que ficávamos sozinhos no quarto ele pedia para dormir com ele na cama pequena, metade de mim fica para fora dela o que deixa bem desconfortável, mas nunca o deixava sozinho e era aí que chorava baixinho com intensão de esconder até de mim seu choro, dou o máximo de mim para fazê-lo feliz sempre achei que sou mais materna com ele que minha mãe. Paul estendeu os braços que nem pareciam ter carne apenas osso e pele para mim e peguei-o colocando do lado em que minha perna não está machucada, meu irmão é bem magro como já citei, mas hoje naquela hora parecia mais pesado que nunca o que tornou bem difícil para carregá-lo.

– Fecha os olhos. – ordenei quando pisei para fora do quarto, tentei fechar os meus também e gostaria de poder voltar e tê-los fechado.

Minha mãe estava jogada em um canto perto da mesa em que comíamos todos os dias decapitada, sua cabeça á alguns centímetros de distância assim como a de meu pai. Não consigo imaginar dor que sentiram naquele momento, pode ter sido rápido, mas mesmo que por alguns segundos devem ter sentido uma dor infernal que te faz desejar a morte apenas para acabar com todo aquele sofrimento.

A tampa de madeira foi arrancada, subi nos caixote arrastando minha perna com dificuldade, coloquei Paul sentado na beirada de terra, ele olhava para todos os lugares como se estivéssemos no país das maravilhas e me fez lembrar que ele nunca havia saído de casa e por isso estava tão impressionado até com as pequenas formigas que andavam sobre sua pequena mão. Dei o último impulso e finalmente consegui sair de dentro de casa, ou melhor que até ontem eu podia chamar de casa, mas agora só ficará no passado até que desapareça de minha memoria que algum dia fui humana.

A situação não melhorou quando adentramos a floresta minha perna sangrava muito já havia encharcado o pano com meu sangue e agora escorria por minha perna até chegarem em minhas botas de couro marrom, ardia muito como na hora em que me mordeu, não mudou muita coisa de lá para agora, apenas que estava suando frio, tremendo sempre que um pouco de vento bate em meu corpo e com peso extra em mim.

– Katy, você está bem? – meu irmão fixou os olhos em mim.

Já faz três horas que estamos nessa caminhada e nunca me senti tão mal, queria responder que está tudo bem, mas estava tão fraca que não consegui soltar a voz por isso apenas concordei com a cabeça.

– O Sol já está se pondo, temos que parar. – Paul se mexia.

– Ok. – falei com minhas últimas forças.

Caminhei um pouco para o leste até chegar ao lago, sempre venho buscar a água de casa neste lago, porém nunca vim á esta parte sempre ia à parte perto de casa e com certeza aqui é bem mais bonito. Escorei em uma árvore alta bem próximo ao lago, coloquei Paul sentado ao meu lado e respirei aliviada. Meu irmão mexia os quadris até onde estiquei minha perna, suas duas mãos seguraram firme minha bota e a puxaram, seus dedos cuidaram de desfazer o nó feito um pouco mais cedo ainda em casa.

– O que vai fazer? – perguntei.

Paul não respondeu, se moveu até a beirada do lago e enxaguou o pedaço de tecido que deixara uma falta na barra de sua calça.

– Isso vai doer um pouco. – o menino torceu o pano cheio de água em cima de meu ferimento.

–Ah! – gritei remexendo o corpo.

– Tudo bem, tudo bem já acabou. – ele enrolou o pano lá como da outra vez e voltou para o lugar em que o deixei.

Abracei-o, meus olhos quase se fechavam estou completamente exausta e com muita dor, seria uma boa dormir agora.

– Katy, você vai ser um deles?

Abri a boca para dizer que não, mas estou cansada de mentir sobre tudo, nossas cabeças se encontraram e apenas consegui chorar, não quero ser um demônio, quero voltar a ser humana, voltar para casa, caçar de manhã, voltar a achar minha vida tediosa, queria não ter perdido tudo tão de repente.

– Ali! – alguém gritou acordando-me, uma luz veio direto em meu rosto.

Não sentia mais medo, a dor já estava passando e outro demônio não faria diferença nenhuma no que estou passando, a menos é claro por Paul.

– Finalmente achamos vocês. – um homem de cabelos negros e olhos do mesmo tom sorria.

– Saiam de perto dele! Levem-me, mas não façam nada com ele! – gritei ainda sem entender.

– Calma senhorita. Viemos ajudar vocês, soubemos do ataque por meio de boatos e queríamos ajudar. – o homem ruivo falou se aproximando.

– Então vocês são anjos? – Paul se entusiasmou.

– Sim.

– Não estou entendendo nada. – falei.

– Anjos, Katy, são os únicos capaz de curar uma mordida de demônio, não se lembra das histórias?

Sorri antes que o homem de cabelos pretos pegasse-me em seus braços, encostei a cabeça em seu ombro agradecendo interiormente sua chegada, com dois dedos afastou o pano de minha perna.

– É bem ruim, temos que correr! – ele encarou o outro.

–Ok, vamos garoto! – o ruivo acenou para Paul pedindo que se levantasse.

Meu coração doeu ao ouvir aquilo e ver sua expressão envergonhada, me pergunto às vezes se ele se questiona de porque é assim ou o que fez para ser assim.

– Ele... ele não anda. – falei.

Agora quem ficou com vergonha foi o anjo, sua bochecha corou tanto que mesmo por baixo das sardas é possível ver.

– Então vai ganhar uma carona. – o rapaz pegou Paul assim como eu o segurava pouco tempo atrás.

Caminhamos algum tempo e de cinco em cinco minutos o anjo que me segurava olhava minha perna, já era a quinta vez que olhava quando fez uma expressão ruim.

– Está ficando preto, precisamos ser mais rápidos ou ela não tem nenhuma chance.

Não consegui ouvir o que meu irmão disse e nem o que o outro homem falou, minhas vistas ficaram embaçadas e minhas pálpebras desceram lentamente até se encontrarem.

Notas finais
Comentem se gostaram (ou não) por favor. Não sei se vou continuar como quero pois quase ninguém comenta/favorita então vou pensar.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.