Depois da Chuva
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Fechei os olhos, e inspirei fundo. Peguei ar até de onde não tinha, colocando tudo pra dentro dos meus pulmões. Depois soltei, e pedi.
Pedi que a magia que aquela chuva possuía...não existisse mais, assim, bem de repente. Que simplesmente suas mágicas gotas sumissem, e que fossem apenas gotas normais, satisfazendo as plantas, a terra e apenas molhando a pele dos humanos.
Senti um pingo cristalino e gelado na ponta do meu nariz. Dei uma risadinha, e limpei-o com a manga da blusa. Olhei para o meu irmão, que estava com a cabeça pra cima, recebendo o milagre. Era uma cena bonita, aquela. Mas infelizmente, teria de acabar.
Enquanto voltávamos para casa, pensei em manter isso apenas pra mim. Se escapasse, algo com certeza daria errado. E muito.
Will estava alegre.
–Louise, o que você pediu?
Congelei. Olhei pra ele, ele olhou pra mim. Se eu contasse, tudo iria acabar. Mas, meu pedido já iria ser realizado mesmo, então não tinha nada a perder. Poderia contar à Will. Mas, só à ele.
–Will, eu...preciso te contar, antes que cheguemos em casa.
Ele me olhou, apreensivo com o que iria acabar de saber. Mas, ouviu mesmo assim.
Contei toda a história do meu pedido, que na verdade não possuía história nenhuma.
Assim que terminei, ele me olhou, com um leve sorriso no rosto. Parecia que tinha me entendido, e então, não ficaria mais sozinha nesse mundo.
–Louise...-ele começou, e eu observei aquele pequeno sorriso se tornando maior, como um sorriso de gozação- Isso...isso não é possível de acontecer, minha irmã. Eu entendo que você quer revolucionar a forma de como vivemos, mas...Desculpe, não irá acontecer. É impossível a chuva parar -terminou ele, recolhendo o riso e me olhando seriamente.
Olhei para ele. Era estranho, mas eu continuava confiante diante a isso.
–Tudo bem-respondi apenas.
A volta para casa foi silenciosa e constrangedora.
Estávamos em frente a porta de entrada, quando impedi que meu irmão continuasse, e comecei a dizer:
–Por favor, tenho mais um pedido a fazer, não conte para ninguém! Isso é entre você, eu e a nossa querida chuva. Eu te imploro, por favor! -supliquei
Ele afirmou com a cabeça, e entramos em casa.
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