Notas iniciais
espero que gostem!

O prefeito olhou de relance para Will, e por fim, pousou o olhar em mim. Começou, então, a falar.

–Bom...Naquela época, tudo era totalmente normal. Ninguém sequer imaginava que pudesse existir algo mágico ou sobrenatural. Mas, se achavam isso, foi porque nunca haviam conhecido uma moradora da cidade.

Lúcia morava com a neta, Isabele, numa casa de esquina, grande, mas velha pelo tempo. Ela não tinha muito dinheiro, mas possuía muita preocupação com Isabele. Então, a maior parte de seu salário era concentrada na sobrevivência da neta, de apenas 7 anos. Era linda, a menina: olhos negros, cabelos castanhos-avermelhados, e um rosto fino e branco como papel.
Todos que olhavam a menina ficavam encantados com sua beleza e educação, que apesar da pouca idade, tinha uma postura um tanto sofisticada. Mas, todas essas qualidades que a menina possuía, causava um certo sentimento em algumas pessoas.

Sebastian, que era um rapaz bem conhecido pelos seus bem feitos na cidade, havia percebido a existência de Isabele, e, logo de cara, começou a ter suas segundas intenções em relação à ela.
Ele, muito esperto, começou a arrumar amizade com Lúcia, tentando assim, se aproximar de Isabele.
Lúcia, que já não era mais tão atenta por causa de sua idade avançada, começou a se sentir atraída por Sebastian, que a cada dia que passava, chamava mais a sua atenção.
Passado um tempo, eles se casaram, mas nada tão grande. Se casaram apenas no cartório.

Alguns anos depois, Lúcia percebia que sua felicidade ao lado de Sebastian aumentava cada vez mais, e decidiu ter algo mais com ele. Decidiram ter um filho.
O rapaz, que observava a beleza da menina evoluir cada vez mais, continuava se sentindo atraído por Isabele. Então, na noite em que ele e Lúcia entraram no quarto, ele decidiu levar a menina com ele no dia seguinte, para longe dali, em vista apenas dos olhos dele.

Na manhã seguinte, Lúcia acordou feliz pela noite anterior. Ela levantou e notou que Sebastian não se localizava mais na cama. Enquanto procurava por ele, notou também a falta de Isabele, que também havia sumido. Lúcia, desconfiada do que poderia ter acontecido, decidiu usar uma coisa que não usava há anos: seus poderes.
Ninguém sabia, com exceção de sua neta, sobre a existência de seus poderes. Ela, revoltada com a possível situação, decidiu fazer uma maldição. Mas não uma maldição simples. Uma maldição no céu.
A cada gota de chuva que caísse nos corpos humanos, um desejo seria realizado. Qualquer um. E, Lúcia, tomada pela raiva de Sebastian, a fez.

Completa a maldição, Lúcia esperou o dia chuvoso. O dia em que teria sua vingança, e o dia em que teria Isabele de volta. Ela podia pressentir que ele havia feito algo com ela. Mas, depois disso, não teria problemas.

Na hora da chuva, foi para a praça da cidade, e pediu. Pediu que Isabele voltasse para ela, e, pediu também que, por mais que o seu coração fosse bom e puro, a raiva te dominava naquela hora. Pediu que Sebastian morresse, pagando pelo que havia feito a Isabele, e ao seu coração.
Alguns minutos depois de ter voltado pra casa, Lúcia ouviu um barulho de algo caindo no chão. Estava surpresa pela imagem que via. Isabele estava deitava no chão, imóvel, morta. Sebastian a havia matado.
Lúcia chorava no chão, deitada ao lado da menina. Era o pior momento de sua vida, não podia estar acontecendo. Com o ódio exalando de sua pele, esperou pelo momento em que receberia a notícia de Sebastian.

Dias após o ocorrido, Lúcia recebe a notícia de que Sebastian fora atropelado.
Durante os primeiros dias, conseguiu conviver com isso, mas o tempo foi passando, e a culpa foi tomando conta de todo o seu ser, até ela se suicidar em sua própria casa.

Eu olhava pasma para o prefeito, que tinha uma expressão de dor e tristeza.

–Uau...-comecei, impressionada com o fim da história — que história mais...interessante — balbuciei, pois estava impressionada com o que tinha acabado de ouvir.

Will olhava perplexo, ora para mim, ora para o prefeito.

–Será que... — começou Will, duvidoso — será que Louise conseguiu fazer a chuva parar, apenas pedindo?

O prefeito deu um olhar certeiro para Will

–Claro que sim, eu creio...Você fez um pedido, não fez, minha pequena? — perguntou o prefeito, enquanto eu assentia com a cabeça — A chuva terá que realizar o seu desejo.

Eu continuava atordoada. Nossa glorificada chuva mágica havia sido mantida...Mas de uma forma tão violenta e vingativa. Era um pouco difícil de acreditar em tudo isso.

Pedi licença ao prefeito, agradeci pela história e Will veio bem atrás de mim. Antes de sair, o prefeito me chamou mais uma vez. Virei em sua direção.

–Bem...Espero que eu tenha ajudado em algo. Tudo o que precisar, mocinha, pode contar comigo — terminou ele com ar solidário, agradeci novamente, e saí porta afora.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.