Depois da Chuva
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Fiquei confiante em relação a opinião de Will. Sabia que ele iria me ajudar a revolucionar a sociedade em que vivemos. Passamos as últimas horas pensando em quais coisas deveríamos fazer, para conseguir tudo isso.
Depois de vários minutos de reflexão, e sem quase nenhuma resposta para todas as nossas perguntas, pensei em algo que poderia ajudar.
–Ei, Will — chamei-o — primeiro, antes de tudo acontecer, precisamos saber mais sobre a chuva mágica.
Will fez uma cara de confusão e reprovação.
–Você não está querendo falar com o...
–Sim, quero falar com o prefeito, ele deve saber tudo sobre a história da chuva. Ele deve ser nossa única opção, mesmo que tenhamos que contar o que estamos planejando.
Will levantou apressado, comigo em seu encalce. Eram duas e meia da tarde, e todos teriam que estar em casa até as nove da noite. Teríamos tempo o suficiente.
A casa do prefeito ficava a apenas duas quadras da nossa. Já havia passado na frente dela várias vezes, mas nunca havia entrado, e nem sei se entraria. Era bem grande; possuía um gramado incrivelmente extenso, com variedades de flores e plantas, visíveis a todos. Na entrada, haviam pilares que ajudavam a sustentar a estrutura da casa. Possuía também, muitas janelas grandes, voltadas para todos os cantos, tendo vista de tudo.
Parei um centímetro antes de pisar na entrada da casa. E se não desse certo? E se eu contar o meu segredo, e não arranjar resposta alguma? O que ele iria fazer comigo?
Ele devia ser um bom homem. Piedoso, cuidava apenas da cidade, ajudando em melhoras na rua, calçadas e áreas verdes. Como não precisava dar atenção à população, a cidade era sua única preocupação.
Will me deu um empurrãozinho nas costas, e enfim apertei a grande campainha. Fez um som estridente e longo. Uma mulher destranca a porta e nos vê.
–Bom dia, em que posso ajudá-los? — perguntou, simpática.
–Queríamos ver o prefeito — Will tomou a liderança — Temos permissão para vê-lo?
A mulher nos olhou, de baixo para cima, e fez um sinal para que entrássemos.
O lugar era simplesmente gigantesco. Uma escada longa se encontrava no meio da grande sala de recepção. Algumas pessoas andavam de lá para cá, com papéis na mão. Telefones tocavam incansavelmente. Fiquei atordoada com todo aquele barulho.
Senti, pelo meu chinelo de dedos, o carpete vermelho que revestia todo o piso do grande salão. Dei risadinhas quando percebi o quão macio era.
–Esperem aqui, por favor — indicou a mulher.
Sentamos em um sofá de veludo. Aquilo era a definição de aconchegante. Olhei para Will, que pela sua cara, deveria estar pensando o mesmo que eu.
Esperamos por pelo menos quinze minutos, até que um homem alto nos mandou segui-lo.
Ele nos levava por corredores e mais corredores. Aquele lugar parecia não ter fim!
Por fim, parou em uma sala mal-iluminada, e indicou que entrássemos.
O prefeito se localizava ali, lendo um livro bem grosso, de talvez umas 700 páginas.
–Senhor — começou o homem alto — essas pessoas querem vê-lo.
O prefeito parou seu livro, endireitou o óculos quadrado e se sentou ereto, enviando um ar de liderança.
–Olá — cumprimentou ele, nos dando a mão gentilmente — O que traz vocês à minha casa? Creio que seja algo muito importante, pois é difícil alguém da comunidade vir me visitar, já que não precisam de minha atenção.
Por um momento minúsculo, senti pena dele. Mas, Will, foi direto ao ponto principal.
–Senhor prefeito...Não sei se nos consegue ajudar, mas precisamos de algumas informações muito importantes, e espero que concorde com nosso ponto de vista. Mas, antes de contarmos ao senhor, esse homem aí poderia sair?
O prefeito pensou por alguns segundos, e então afirmou com a cabeça a saída do homem. Ele fechou a porta, deixando apenas nós três no aposento.
–Está melhor agora, meu rapaz? — o prefeito perguntou de forma carinhosa.
–Está sim, muito obrigada. — Will inspirou fundo, e começou — Nós precisamos da sua ajuda, com relação a nossa chuva. O senhor poderia nos contar toda a história dessa chuva?
O prefeito, que ouvia atentamente, mudou de posição na poltrona de veludo.
–Antes de contá-los toda essa história, precisam saber que tenho que estar consciente do motivo que leva vocês a curiosidade sobre esse assunto. Se o motivo for aceitável, conto-lhes a história.
Olhei para Will, que retribuiu o olhar. Eu queria falar agora, então comecei bem antes que ele.
–Olhe, senhor...há algumas horas, foi minha primeira vez de fazer o meu pedido. Então, na hora me veio uma ideia, uma coisa certa a se fazer, que eu pensei que deveria usá-la naquele momento. Eu pedi...pedi que a chuva mágica que temos parasse de cair, e que caísse apenas a chuva normal. Queria que a sociedade em que vivemos fosse justa, que todos conquistassem tudo com luta, fé, determinação...Não com uma chuva mágica idiota, que estragasse tudo. Todos temos o que queremos, apenas com gotinhas de chuva? Isso é patético. — terminei, ficando irritada.
O prefeito, ficou incomodado, mudando de posição novamente. Olhou bem no fundo dos meus olhos, e pude ver o brilho profundo dos seus.
–Uau...que pensamento mais incrível você possui, minha pequena! Pessoas como você, existem aos poucos, ou nem devem existir. Na verdade, existem sim, duas pessoas. O seu irmão, e eu.
Fiquei espantada. O prefeito pensava igual a mim? Ele queria que todos tivessem de lutar para conseguir as coisas?
–Mas...o senhor só fala isso porque é prefeito, e precisa ajudar as pessoas, mas não consegue, pois todas elas já possuem tudo o que querem.- falei, tentando saber se era real mesmo aquilo que ele tinha falado.
O prefeito deu uma risada grossa e rouca.
–Pode até ser, minha querida, mas também tenho outros motivos. — ele parou de rir, e ficou sério — Bem, vamos então ao que interessa. Isso pode demorar um pouco. Então relaxem, e curtam a história.
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