Notas iniciais
bom, aí está o 3° capítulo, então, espero que gostem!

Entrei em casa, com relutância, pois sabia o que iria acontecer no momento em que eu colocasse meus pés dentro do aposento. Meus pais perguntariam o que eu havia pedido.
Essa pergunta era normal com os iniciantes. Depois do primeiro pedido feito, eles parariam de perguntar, e os pedidos seriam de nossa sabedoria, apenas.
Pensei no que responder. Na nossa sociedade, fomos treinados a não mentir, nunca, mesmo em qualquer circunstância. Mas, pela primeira vez, desrespeitei uma regra obrigatória. E me senti feliz e importante por isso.

–E então, filha! — exclamou minha mãe, com a maior felicidade estampada em seu sorriso. Minha mãe adorava esses momentos de ''primeira vez'' — Qual foi seu primeiro pedido? Esse é só o primeiro de muitos, minha querida, mas, além de ser o primeiro, é o mais importante, pois ensina você a pedir as coisas corretas — terminou.

Suspirei, forcei um sorriso de canto, e vomitei apenas algumas palavras.

– Mãe, eu pedi apenas um brinquedo. Não sabia o que pedir dessa vez, mas quem sabe na próxima semana eu acerto no pedido.

Minha mãe me lançou um olhar apreensivo, mas abriu um sorriso sincero, eu creio. Ela estava feliz com qualquer coisa que eu fizesse, desde que eu também estivesse feliz.
Pedi licença, e fui ao meu quarto, pensar no que aconteceria na próxima semana. Se a chuva mágica pararia de cair, se iria parar de chover, se a magia misteriosa aumentaria cada vez mais. Não sabia, nem fazia ideia do que iria acontecer. Me convenci, então, que a melhor escolha era esperar pela próxima semana. Enquanto isso, manteria o meu pedido.

Quase levantei quando Will entrou no quarto e fechou a porta. Sentou na cama dele, que era ao lado da minha. Nos olhamos por vários minutos, até que ele, finalmente falou:

–Eu pensei sobre seu pedido — começou, e eu comecei a ficar agitada — não que eu ache totalmente certo isso, mas gostaria de ver essa mudança na sociedade, ainda mais feita por uma garota de 12 anos! Se você conseguir isso, pode virar uma pessoa importante na cidade, como pode ser...odiada por todos, humilhada...-eu o interrompi

–Está bem! Já entendi, e também já pensei mais ou menos nas consequências de tudo isso. Quero fazer isso não para me tornar importante, mas sim para a sociedade mudar, lutar pelos seus direitos. — parei, por um instante, pensando em uma possibilidade — Você me ajudaria mesmo?

Ele me olhou, com o mesmo sorriso sincero que dera minha mãe momentos atrás, e me abraçou de repente, sussurrando palavras, que agora sim, sabia que essas eram as mais sinceras:

–Claro que irei te ajudar.