Depois Que Te Conheci
4 Capítulo 4 - No Campo
Notas iniciais
Esse Capítulo mescla narração em 1a e 3a pessoa, e eu não preciso dizer onde a narração muda, pois eu demarquei isso, fora isso não há mais nada para ser avisado.
Boa Leitura.
Capítulo 4 – No Campo
Acordei naquela manhã de forma mais despreocupada, com a folga que Shion misteriosamente havia nos concedido na noite anterior agora eu poderia aproveitar o meu final de semana sem trabalho, sem preocupações, sem pensar em nenhuma campanha e em nada do tipo. Estava relaxado naquela manhã, coisa que eu não estava conseguindo ficar a muito tempo, quatros anos para ser exato.
Estiquei o braço de forma preguiçosa em direção ao criado mudo e peguei meu telefone lá de cima, olhei para o relógio e ele marcava 9h30, um pouco tarde para mim em dia de semana, mas normal para quem havia chegado em casa às 3h da madrugada do mesmo dia.
Vi que havia ligações perdidas de Shun, provavelmente meu irmão não havia nem sequer dormido de tanta empolgação com a viagem para a chácara de Mime, viagem essa que ontem fui praticamente obrigado a aceitar por todos os olhares inquisidores que caiam sobre mim. Shina havia recusado o pedido, pois já tinha planos para o fim de semana, então seriamos eu, Shun e o namorado dele em uma viagem de quatro horas para as montanhas. Nossa, seria incrível, ver toda a empolgação do meu irmão e ouvir ele o namorado conversarem merda o caminho inteiro e ainda tentarem me envolver nessas conversas super interessantes, e mesmo que eu estivesse de folga naqueles dias eu sentiria que minha paciência, se é que eu a possuía, seria totalmente drenada nessa viagem como se fosse mais trabalho.
Só de pensar em toda essa diversão que me esperava a vontade era de ficar deitado na minha cama, só com minha cueca box preta e sem mais nenhuma peça de roupa, livre, leve e solto, — como eu sempre gostei, ou pelo menos esperei que a vida me fizesse gostar – só aumentava.
Ouvi o celular tocar novamente e quando olhei ainda com os olhos semicerrados de cansaço, vi que era Shun me ligando novamente. Suspirei, conhecia bem meu irmão e quando ele se empolgava com algo, a animação dele atingia níveis realmente irritantes, pelo menos para mim.
Preparei-me física e emocionalmente naquele momento, enquanto o aparelho tocava incessantemente. Respirei fundo já imaginando o grito enorme de “Bom Dia” a seguir e atendi ao telefone no último toque.
— Oi. – Disse apenas, enquanto esfregava meu rosto com a mão livre.
- Bom dia, Ikki! – Ouvi Shun gritar ao telefone aquelas palavras, e se até então eu não estava com dor de cabeça e nem com ressaca das bebidas da noite anterior, agora eu estava.
Eu já havia me preparado para ouvir aquele grito estrondoso no ouvido, mas mesmo assim não era uma sensação boa para meus tímpanos.
- Como você está irmão?! – Perguntou ele, ainda animado, na linha. – Espero que bem, porque hoje temos essa viagem incrível pra fazenda do Mime. Seiya e eu estaremos aí em no máximo uma hora, sairemos às dez e meia em ponto, deixaremos o carro na garagem do estacionamento do seu prédio, pegaremos o seu quatro por quatro que é melhor para o solo das montanhas e partiremos, tudo bem?! – Disse Shun muito rápido e animado, enquanto eu ainda tentava assimilar as informações por ele me passadas.
- É... – Tentei responder alguma coisa em minha lentidão mental, mas foi inútil.
- Ótimo, irmão! Obrigado, até daqui a pouco e se arrume. – Terminou por fim o meu irmão, desligando o celular logo em seguida.
Eu ainda permaneci mais alguns segundos com o celular no ouvido tentando entender o que foi aquela conversa. Shun sempre era assim, quando sabia que poderia haver alguma contrariedade em seus objetivos ele os empunhava as pessoas de forma que elas os aceitassem sem discordar ou mesmo revidar.
Suspirei mais uma vez deixando meu celular de lado, pegando o travesseiro e colocando no rosto. Minha vontade era de gritar naquele momento, mais não iria adiantar, era um ato totalmente despropositado e desnecessário que não mudaria em nada minha situação.
Fiquei deitado na minha cama com o travesseiro na cara por mais uns cinco minutos, até criar coragem e me levantar para tomar banho.
Sai da cama e retirei minha única peça de roupa restante, indo em seguida para o banho. Entrei no Box de vidro e deixei que a água fria caísse por sobre meu corpo e lavasse minha alma de tudo. Permaneci ali por uns quinze minutos e depois saí, vestindo uma calça qualquer e uma camiseta branca.
Peguei algumas roupas limpas e alguns itens de uso pessoal e coloquei numa mochila de viagem que eu tinha há algum tempo.
Segui para a sala rumo à cozinha e vi meu paletó e calça social jogados no sofá. Então fora ali que eles haviam ido parar ontem... Bom saber.
Abri a geladeira e peguei um suco de caixa, enchi um copo e bebi, depois repeti e repeti até esvaziar a caixa toda, ela já estava pela metade e o suco tava perto de vencer, como eu não passava muito tempo em casa era já costumeiro para mim ver as comidas da geladeira azedarem e apodrecerem por não serem consumidas.
Calcei umas sandálias e saí, trancando a porta. Nesse meio tempo, o relógio já marcava dez horas. Coloquei um boné na cabeça e desci pelo elevador enquanto colocava também uma jaqueta jeans.
Ao chegar ao térreo o porteiro me olhou estranho, como se não me reconhecesse daquele modo, afinal ele sempre me via bem vestido, de terno e gravata, e sempre para o trabalho, e para me olhar daquela forma tão curiosa naquele momento eu realmente deveria estar mais informal do que nunca nesse dia.
Caminhei até o estacionamento e esperei por Shun e o pirralho.
Não demorou muito e Shun chegou com o namorado no carro deles, saíram e vieram me cumprimentar. Abracei meu irmão e o beijei no rosto, enquanto o observava naquela bermuda bege, sandálias também bege, camiseta rosa e boné bege. E o Seiya lá, de jeans e camiseta preta, ambos traziam as mochilas da viagem.
Dei a chave da Land Rover para Shun abrir o porta-malas e colocar as mochilas lá.
- Bom dia! Tudo bom, cunhado?! – Perguntou aquele fedelho irritante, me estendendo a mão.
Eu até que tinha que admitir, Seiya se esforçava, até mais do que deveria, para manter uma boa relação comigo. A verdade era que eu não gostava dele, mas de qualquer forma me mantive imparcial naquele momento, como sempre me mantinha com ele, mesmo detestando ser chamado de cunhado por aquele cara.
Estendi a mão e o cumprimentei com um aperto, apenas assentindo com a cabeça; não estava muito de falar naquele dia. E Shun, sempre me olhando pelos cantos dos olhos, como se precisasse me advertir sempre que fosse conversar com Seiya sobre qualquer coisa. Meu irmão sabia que eu não gostava dele, então sempre procurava me alertar para não extrapolar com o namoradinho, até porque ele amava esse cara e não queria que houvesse problemas entre nós, não mais do que os que eu fazia questão que existissem.
Coloquei meus óculos escuros e entrei no carro, Shun na frente comigo e o namorado atrás. Partimos quando o relógio marcava 10h40.
A viagem seria longa, e só para sair de Nova York seriam uns 40 minutos de estrada. O que me animava era que o trânsito estava calmo naquele momento, afinal, já era tarde de mais para ir para o trabalho e muito cedo para sair para o almoço. Pegamos a principal e seguimos até a saída da cidade.
Seiya e Shun conversavam amenidades, como eu previ que fariam, enquanto eu dirigia pela estrada aparentemente deserta. Olhava pelo retrovisor e via a paisagem mais cinzenta de Nova York se distanciar e desaparecer com o tempo; aquilo me tranqüilizava, e muito.
- Mime te passou o endereço da fazenda ontem, não foi? – Questionei Shun sobre isso, enquanto mantinha-me concentrado na estrada.
- Sim, passou, estou aqui com o endereço anotado no celular. – Respondeu ele, somente.
- Pega o GPS no porta-luvas e coloca o endereço.
- Claro. – Respondeu ele, fazendo o que eu havia pedido.
Seiya, sendo aquele tipo de pessoa que não consegue ficar quieto e parado por nenhum instante que seja, tinha que soltar alguma de suas pérolas naquele instante.
- Vamos ouvir música. – Disse o pirralho, quase gritando no meu ouvido e já metendo os dedos no rádio do meu carro, que ligou numa estação onde a música estava extremamente alta e um Rock bem pesado estava tocando.
- Nossa... – Disse, Shun meio incomodado tapando as orelhas.
- Porra, mais que Merda... – Falei gritando naquele momento apertando o botão de desligar no rádio, o que fez o silencio voltar ao ambiente. — Aí ô cara, meu carro! Minhas regras! Estamos entendidos?! – indaguei irritado olhando para ele pelo espelho do carro.
O pirralho engoliu a seco naquele momento fazendo uma cara infantil, como se pedisse desculpas com aquela expressão imbecil. Ah, dá licença, aquela cara de retardado dele poderia comover o Shun, mais comigo não funcionava não. Eu respirei fundo e mantive-me concentrado na estrada.
- Desculpa, cunhado, foi mal. – Disse ele alguns segundos depois, com um tom de voz baixo. Eu apenas permaneci calado.
- Ele não fez por mal Ikki... – Meu irmão me olhou como se me pedisse para relevar.
Eu apenas continuei quieto, bem que sabia que aquela viajem não iria ser um “mar de rosas”.
Meus olhos apreciavam por dentro dos óculos escuros a paisagem que se passava rápida lá fora, campos abrangentes com algumas árvores pelo caminho, céu meio nublado com algumas pequenas manchas azuis que escapavam por dentre as enormes nuvens, uma estrada vazia e aparentemente interminável a frente, algumas montanhas ao longe, cujo os cumes ficavam ocultos por dentro da nuvens que por elas passavam. Uma estranha sensação de paz e tranquilidade me tomou naquele momento, finalmente me acalmando e me deixando levar pela viajem e isso sem dúvida estava me fazendo bem.
- Sim... – A voz de Shun chamou minha atenção e do namorado. – Tenho que ligar pro Shion pra saber o que diabos deu nele ontem pra liberar geral. – Disse ele, por fim discando o número do meu chefe no telefone.
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O vento entrava pela janela em forma de uma leve brisa, que tocava suavemente as costas nuas do homem deitado naquela cama, coberto apenas com um fino lençol branco, o relógio já marcava 11h20 quando o telefone tocou.
O loiro ergueu levemente seu braço em direção a cômoda onde o telefone se encontrava, e após tentar pegá-lo três vezes sem sucesso, na quarta a mão alcançou o aparelho e o levou ao ouvido.
- Alô. – disse o loiro com uma voz abafada, pois ainda mantinha o rosto afogado nos travesseiros da cama.
- Shion, querido... Sou eu, Shun, como está? Já acordou? – perguntou a voz doce e meiga do outro lado da linha enquanto o loiro ainda permanecia em estado de paralisia voluntária. — Shion?! – Chamou o jovem do outro lado da linha.
- Humm... – Grunhiu o loiro, que levantou o semblante finalmente, ainda com os olhos fechados e uma expressão sonolenta, estranhando a entrada de luz no ambiente.
- Você está bem, Shion?! Me parece cansado. – Comentou o virginiano.
- Estou bem sim, Shun, acontece que acabei de acordar, querido. Desculpe a dispersão. – Disse o ariano finalmente, organizando os pensamentos enquanto tentava se lembrar de onde estava.
- E então, Shion... – Continuou o rapaz de cabelos esverdeados enquanto se permitia sorrir levemente com a pergunta que estava para fazer a seguir. – O que aconteceu com você ontem?! Por que saiu correndo e apressado da recepção do Mime?! – Perguntou Shun, de forma curiosa.
O loiro riu nesse momento, enquanto tentava ajeitar suas volumosas e longas madeixas que estavam totalmente desgrenhadas naquele momento.
- Ah, querido, digamos que eu acertei a minha vida. – Comentou o publicitário sorrindo malicioso e com um olhar vago e distante enquanto olhava pela janela a claridade do meio dia, como se estivesse se lembrando de algo que havia ocorrido.
- É mesmo... Então me conte como você “acertou” a sua vida. – Indagou o virginiano, ainda mais curioso.
- Bem, acontece que... – O Loiro tentou responder a pergunta mais foi impedido quando sentiu seu pé ser beijado levemente. O que o fez parar o que estava dizendo para observar a cena.
Um ruivo muito bonito beijava de leve seus doces pés subindo lentamente por sua perna, o que arrancava sorrisos e olhares do ariano. O ruivo trazia consigo uma bandeja de frutas, com algumas torradas e suco, bandeja essa que o mesmo tratou de colocar em cima da cama ao lado do loiro enquanto se esgueirava felinamente por cima do mesmo com um olhar predador.
Os músculos definidos e trabalhados do peitoral, abdômen e as pernas bem torneadas, separados apenas por uma cueca box branca , sendo essa a única peça de roupa usada por ele, arrancavam afagos e olhares devassos do loiro que o observava subir por cima de si.
Shion mordeu os lábios naquele momento, olhando com ainda mais desejo para o belíssimo homem a sua frente.
- Shion. – Disse Shun, na linha ainda. – Shion, você está ai?! – Perguntou, preocupado, já que o ariano havia se calado a alguns instantes e não se ouvia nenhum barulho na linha.
O Ruivo tomou o aparelho das mãos de Shion e o levou aos ouvidos.
- Ele vai estar muito ocupado agora, Shun, depois ele te liga. – Disse o homem com uma voz máscula e sedutora, sem tirar os olhares de cima do corpo, também musculoso e tentador do homem abaixo de si. Em seguida desligou o telefone o arremessando em qualquer lugar em cima daquela cama.
- Aonde estávamos?! – questionou o ruivo aproximando-se ainda mais o loiro e tomando os lábios do mesmo com os seus.
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- O que?! Dohko, é você?! Alô?! – dizia Shun inutilmente na linha telefônica, que já havia sido desconectada, fato que o jovem só veio a perceber após retirar o telefone do ouvido e conferir que a chamada havia sido encerrada.
- Mas veja só... – Comentou o meu irmão, com uma expressão de surpresa e confusão.
Seiya permanecia com a cara de paspalho confuso que geralmente ele fazia e eu apenas sorria levemente, acompanhara a conversa de Shun com Shion naquele meio tempo e quando ouvi o nome de “Dohko” já entendi perfeitamente o que havia acontecido com ele. Isso sem dúvida me deixou feliz, afinal seria o fim de tantos problemas e confusões que aconteciam na Phoenix sempre que tínhamos que trabalhar com a NY Event.
Continuei a dirigir por aquela estrada rumo às montanhas por mais algumas horas. Em certos momentos foi difícil ter que ouvir todo aquele lero lero de Seiya com o meu irmão, e até me colocavam nas conversas de vez em quando, coisa que não me agradava muito, afinal não tinha paciência para ouvir nem se quer o timbre de voz daquele cara, quem diria qualquer conversa que pudesse se extender com ele.
Dirigi até as planícies desaparecem e darem lugar as grandes e imponentes árvores pelo caminho, uma paisagem mais verde e mais densa que a anterior. Árvores grandes, como carvalhos e pinheiros, se vinham a toda parte, as nuvens que encobriam os cumes das montanhas agora formavam uma leve neblina por aquele caminho, nada que impedisse a visualização da estrada ou qualquer coisa do tipo, mais era sem dúvida curiosa aquela visão, chegava a ter um ar de mistério e profundidade muito grande, e isso me agradava de certo modo.
— Olha, o Sol sumiu. – Comentou Shun, fazendo o namorado olhar pelo teto solar do carro e ver o tempo nublado.
A visão de “dia nublado” que tínhamos era bem intrigante e interessante. Eu não sabia sobre meu irmão ou Seiya, mas eu estava adorando aquela mudança de paisagem.
Dirigi ainda mais por aquele caminho e após mais uns trinta minutos de estrada ouvi o GPS informar para viramos a direita, e foi exatamente o que fiz quando vi a estrada que saia da principal e ia para mais dentro daquela floresta. Virei e entramos na nova estrada, essa por sua vez de terra, e não asfaltada como a anterior.
Continuamos e após mais uma hora por aquele caminho, a floresta se desfez e deu lugar a enormes pastos verdejantes, as nuvens que escureciam os céus agora não eram mais presentes e o Sol brilhava forte naquela tarde, o relógio já marcava 14h e eu estava começando a me estressar com a demora para chegarmos. Dirigi observando a paisagem ao redor enquanto às vezes olhava meu irmão pelo canto dos olhos.
Shun sorria de forma linda e seus olhos brilhavam como os de uma criança quando ganhava um novo brinquedo. Realmente ele deveria estar feliz por estarmos fazendo aquela viagem.
Aquilo me fazia bem, vê-lo assim feliz. Sem dúvida já valia a pena só por ele estar assim. Permiti-me sorrir um pouco naquele momento, logo que avistei uma grande casa ao longe, casa essa que o GPS do carro mandou virar na direção, coisa que prontamente fiz entrando pelos portões que alguns homens aguardavam para abri-los.
Entramos e estacionei o carro na frente do casarão, onde havia outros estacionados. Descemos do carro em seguida, pegamos nossas malas e nos aproximamos do casarão, onde alguns homens estavam parados olhando para nós. Eles usavam calças justas, cintos com fivelas enormes e douradas, botas e camisetas ensacadas, além, é claro, daqueles chapéus de vaqueiros, visual esse que eu achava bem degradante para falar a verdade.
Logo em seguida meus pensamentos se cessaram por alguns instantes quando vi Mime sair de dentro da casa, usando apenas uma camiseta branca e um short curto branco, que mostrava as pernas bem torneadas e delicadas dele, uma visão que me vez lentamente abrir a boca e admirar de forma pasma aquele homem que se aproximava com um olhar encantador e um sorriso tão convidativo que minha mente criou diversas possibilidades naquele momento. Entretanto, preferi apenar sorrir ante aquela situação.
- Ikki! – Exclamou Mime, no mesmo instante em que disparou em corrida na minha direção e me abraçou. – Que bom que você veio. – Disse ele, apertando-me ainda mais forte e animadamente.
Eu não sabia ao certo como reagir, então apenas o abracei de volta enquanto sentia meu rosto queimar em rubor naqueles segundos.
- Nossa, você ta bonito, olha só... Nunca imaginei ver você assim, tão informal. Devo dizer que gostei, gostei muito. – Disse o loiro se afastando de mim e me observando com um sorriso no mínimo malicioso no rosto, coisa que eu estranhei da parte dele, pois nunca havia visto tal expressão em seu rosto.
- É... Bem, Mime, o que posso dizer, né?! Eu me esforço. – Comentei apenas, dando de ombros e me fazendo de desentendido. E sinceramente, eu gostaria de estar mesmo desentendido, afinal todos os caras por perto naquele momento me olhavam com olhares curiosos e maliciosos, e de novo aquela sensação de incomodo por ser o “centro das atenções” me povoava.
- Shun, Seiya! – Exclamou Mime, indo em direção ao meu irmão e ao namorado dele e os abraçando. – Que bom que vocês vieram, fico feliz que tenham vindo. – Completou o cantor.
- Ah, querido, você sabe que não iríamos perder essa, né?! – Disse Shun, com sua simpatia habitual.
- Nossa, que lugar incrível, Mime. Adorei. – Comentou Seiya, olhando de forma idiota para o ambiente ao redor, e de fato dessa vez eu não poderia discordar, o lugar era realmente lindo.
Várias árvores frutíferas de grande porte ao redor, campos vastos de grama, cercas ao longe com celeiros e plantações, gado espalhado pelas planícies e um grande jardim perto da casa, com algumas rosas de várias cores. O céu nublado e misterioso, como uma tela de fundo para as altas montanhas. Era um lugar diferente para se ter uma fazenda, mais sem dúvida era muito bonito, principalmente quando se parava para prestar atenção no lugar.
- Obrigado Seiya, teremos muito tempo para conhecermos tudo. Mas agora vamos, vou mostrar seus quartos, e Shun, temos muito o que conversar. – Disse Mime, por fim.
Logo então entramos com ele na casa e ficamos bestas ao ver o quão grande e de bom gosto era a arquitetura do lugar, sem dúvida uma verdadeira mansão. Seguimos Mime escadas acima onde ele nos levou a um corredor e nos mostrou os quartos.
- Esse aqui tem cama de casal, e é pro Seiya e pro Shun. – Comentou Mime, sorrindo e piscando pra Shun.
- Está ótimo, Mime. – Respondeu Shun, no mesmo tom de empolgação o que não me deixou nada contente.
- Prometemos não fazer muito barulho. –Comentou aquele pirralho desgraçado, abraçando meu irmão por trás e o beijando no pescoço. Nossa, como aquilo me deu nojo.
- Amor! – Exclamou Shun, manhoso, enquanto Mime ria e finalmente se voltava pra mim.
- E esse é o do Ikki, tem cama de solteiro, mais tudo bem, né, Ikki?! – Questionou o loiro.
- Claro, sem problemas. – Respondi apenas, enquanto Mime abria a porta do quarto e me mostrava o lugar. Era pequeno mais cômodo. Uma cama, uma janela, um criado mudo, uma ar-condicionado e umas cortinas simples. Prático e cômodo, como eu esperava.
- O banheiro é no fim do corredor gente, mais isso não é importante agora. Vocês fizeram uma viagem longa e devem estar mortos de fome. Vamos, o almoço já está pronto e só faltam vocês. – Disse Mime, de forma animada, coisa que era de se estranhar. Nunca havia visto ele tão animado assim nesses três dias que eu o conhecia, mas devo dizer que era realmente uma visão linda.
Deixei minhas coisas em cima da cama e saí fechando o quarto. Seiya e Shun fizeram o mesmo e logo nos quatro descemos rumo à sala de jantar onde havia uma grande mesa e várias pessoas sentadas comendo. Sentamos então e fomos servidos pelos cozinheiros do local. Sem dúvida era algo bem diferente do que eu imaginava, não que eu não soubesse que Mime era rico e que tinha mordomias, mas mesmo assim, para mim ainda era algo muito novo.
O almoço ocorreu muito bem. Mais uma rodada de conversas amenas sobre assuntos desinteressantes, da qual não fiz questão de participar, eu nunca fazia mesmo, mas o que me incomodava eram os olhares sorrateiros de Shun durantes as conversas, olhares misteriosos cercado de meios sorrisos suspeitos que me faziam voltar ao meu foco, ou pelo menos um deles, que era ter uma conversinha séria com Shun a respeito de certas coisa, entre elas o próprio Mime e esses “Sinais” estranhos que ele vinha fazendo para mim há alguns dias.
- Depois do almoço podemos ir cavalgar, o que acham? – Perguntou Mime, de forma que me fez encará-lo, assim como Shun e Seiya.
- Claro. – Disse Seiya.
- Cavalgar... Nossa, eu nunca fiz isso, vou adorar experimentar. – Comentou Shun.
- Sim, claro. – Comentei apenas, voltando minha atenção ao meu prato.
Mime me encarou com um leve e doce sorriso e levou o copo de suco da mesa a boca enquanto isso.
- Muito bem, então. – Disse ele por fim, enquanto terminávamos de comer.
Após o almoço fomos para a varanda onde conversarmos mais algumas coisas enquanto descansávamos um pouco do almoço. Seiya como sempre palerma, fazia Mime e Shun rirem com seus comentários. Eles dois sempre muito extrovertidos e risonhos e eu permanecia quieto e calado, apenas observando a paisagem que pouco mudara desde que chegamos àquele local.
- Não está gostando, Ikki? – Perguntou Mime, meio preocupado com minha quietude. Fato que fez Shun e Seiya me olharem. Eu odiava isso.
- Não é isso... – Comentei, sem jeito, esbanjando um sorriso amarelo. – É que eu sou meio calado mesmo, não costumo comentar ou interagir muito em rodas sociais. –Completei apenas, de fato isso era verdade.
- Isso é verdade Mime, o Ikki é um chato mesmo. Me pergunto como alguém como ele foi parar na área de “Comunicação Social”, porque ao meu ver um publicitário deveria ser mais social, tendo como principal função conversar e interagir, mas o Ikki parece não ter aprendido isso na faculdade. – Disse Shun, com certo tom de provocação e indignação, enquanto me encarava com certa imponência e demonstrava descontentamento no olhar.
Eu encarei meu irmão um pouco perplexo e não sabia como rebater aquelas afirmações, então preferi somente me calar e ficar na minha, coisa que sempre fazia. Não que achasse que Shun tivesse razão, mais eu não estava disposto a começar uma briga ideológica ali.
- Eu acho que o Ikki é do tipo que gosta de aventuras e precisa de um pouco de emoção pra se soltar mais... – Disse Mime, levantando-se da cadeira em que até então estava sentado e vindo em minha direção. Aproximou-se tocando meus ombros e os acariciando gentilmente.
Eu o olhava perplexo e sem entender, mais mesmo que algo me dissesse para apartar aquele ato, eu sinceramente estava me sentindo muito bem com aquilo e tudo que pude fazer foi retirar meus óculos escuros e encarar aquelas íris de sangue de Mime.
- Andar a Cavalo? – Indagou o ruivo, o que me fez assentir com a cabeça.
Logo ele se afastou e disse que iria colocar algo mais adequado. Passado alguns minutos ele desceu e fomos todos rumo a uma espécie de curral que havia ali por perto do casarão. Entramos e Mime pediu a um dos vaqueiros que lhe trouxesse quarto cavalos, coisa que o mesmo fez prontamente. Quatro garanhões de excelente qualidade – não que eu pudesse dizer muita coisa, não era um criador de cavalos nem conhecia raças, mais os animais eram magníficos, grandes, fortes, esbeltos e imponentes. Sem dúvida aquilo que muitos chamariam de “Sangues Puros”. Era perceptível também que eram muito bem cuidados.
- E então, quem se arrisca?! – Perguntou Mime, sorrindo.
- Eu não sei, tenho medo... – Comentou Shun, meio receoso.
- Eu nunca andei de Cavalo, mas vamos lá. – Disse o metido do Seiya, indo em direção a um dos cavalos e com a ajuda do capataz que trouxe os animais o namoradinho do meu irmão subiu no cavalo sem muitas dificuldades. Por mim, ele poderia ter caído no chão ou mesmo o animal poderia ter se assustado e derrubado ele. Se eu fosse o cavalo, eu faria.
- Ai, ‘tô com medo. – Disse Shun, aproximando-se cautelosamente do outro cavalo.
- Vamos Shun, você consegue. – Incentivava Mime, sorrindo divertido com a preocupação do meu irmão. — E você Ikki?! Um homenzarrão desses vai ficar aí parado?! – ele provocou, o que me fez sorrir de leve. Tinha que admitir: quando Mime mostrava-se provocante daquele jeito, ele ficava ainda mais lindo e despertava algo selvagem em mim, algo instintivo que eu não sabia bem o que era.
Caminhei então até aquele que seria o meu cavalo, ainda sobre os olhares de Shun e Seiya, e é claro, de Mime, que parecia ainda esperar uma resposta verbal minha, sendo que não receberia. Eu nunca fui do tipo de responder e sim de fazer para mostrar a que vim, então, como já havia feito equitação algumas vezes no passado, coloquei meu pé na cela, sempre com todos os olhares por sobre mim e num único impulso joguei minha outra perna e meu corpo por sobre o animal montando nele com maestria.
Mime, Seiya e Shun me olhavam incrédulos e atônitos, como se aquilo fosse o mais surpreendente dos atos. Eu apenas sorri e disse:
— Vamos Senhor Demarco, vai ficar só aí?! – Retornei a provocação, fazendo os olhos de Mime brilharem numa chama luminosa que deixava aquelas orbes rosadas ainda mais deslumbrantes.
Demarco apenas subiu com ainda mais rapidez e maestria no último cavalo e o incitou a se mover.
- Vamos Ikki, quero ver agora. – Chamou ele, saindo na frente.
Eu sorri e aticei o animal em que me encontrava o fazendo andar também, e Seiya e Shun vieram logo atrás.
Cavalgamos por aquelas vastas planícies por uma meia hora mais ou menos, com apenas o céu nublado com seu ar misterioso e a longa campina como companhia. Eu observava Mime que cavalgava mais rapidamente a minha frente por aqueles campos, os cabelos que variavam de dourado para acobreado levitando ao passar do forte vento que varia o chão daquela terra, o animal sendo controlado tão habilmente por ele sendo uma representativa tão intrigante de liberdade e elegância que me deixavam perplexo ao observar tal visão.
Mime parou então ao chegar a uma colina. E eu logo em seguida eu encostei nele.
- Parece que eu ganhei. – Comentou, enquanto arrumava as cascatas onduladas do cabelo, a essa altura bem desgrenhadas.
- Não sabia que estávamos competindo em alguma coisa. – Respondi sorrindo travesso e arqueando uma sobrancelha.
Ele apenas sorriu e olhou para o horizonte a frente, apenas quilômetros e mais quilômetros de vastas campinas e algumas lavouras mais a frente.
- É bonito, né? – Ele perguntou ainda sem me encarar.
- Sim, é lindo. – Respondi apenas.
- Quando eu era pequeno eu adorava andar a cavalo e meu Pai me trazia aqui sempre, todos os verões. Cavalgávamos juntos por esses campos por horas e eu adorava. – Disse ele do nada, e ainda sem me encarar, mais eu podia perceber que seus olhos brilhavam.
- Mas por causa da vida que eu escolhi eu tive que abrir mão de certas coisas e... – Fez uma pausa antes de continuar, assumindo um semblante mais melancólico. – E essa foi uma delas. Eu sempre estava ocupado demais com os ensaios, festas, shows, entrevistas e afins. Me sinto bem demais por poder ter esse tempinho para relaxar nesse lugar que foi tão importante assim pra mim. – Finalmente ele me encarou.
Eu vi naquele momento, nas profundezas do olhar dele, aquela mesma tristeza que havia visto antes, uma tristeza profunda e melancólica misturada a um forte sentimento de culpa. Era algo muito perturbador para mim, pois me despertava um forte sentimento de proteção, e naquele momento, eu quis abraçá-lo.
- Finalmente achamos vocês. – Shun chegou com Seiya um pouco depois, a passos lentos, Seiya segurando a guia do cavalo do meu irmão já que evidentemente Shun estava assustado demais para fazer tal coisa.
- Aonde aprendeu a cavalgar tão bem, Ikki? – Questionou Shun.
- No Clube. Lembra que o Shion me obrigava a ir por causa dos anunciantes da Phoenix?! Então, foi lá. – Expliquei rapidamente.
Shun apenas assentiu e olhou a paisagem junto comigo, Mime e o namorado.
Ficamos lá por mais algum tempo até que Mime se pronunciou:
— Está ficando tarde, é melhor voltarmos.
Continua...
Notas finais
**Agradecimentos especiais para Kassandra e Mangalove que me deixaram review. Obrigado meninas ^^
***Essa fanfic já está entrando em reta final, logo logo ela chega ao fim e sinceramente estou achando bom, apesar de amar todas as minhas fanfics como se fossem meus filhos, essa aqui está me saindo uma bela decepção, mas tudo bem... A próxima coisa que vai ser é o Capítulo 7 de Escola de Cavaleiros, então fiquem atentos... Obrigado à todos e até a próxima.
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