Depois Do Fim

3 Conflito Entre Realidades


Acordou com seu pai chamando-a, o que era raro. Abriu os olhos rapidamente e a primeira coisa que notou foi a ausência do bilhete no criado-mudo a seu lado. Levantou os olhos para o pai.

—Tirou o bilhete que estava aqui? — pergunta ela.

—Não vi bilhete nenhum, — responde ele, com uma felicidade incomum —estamos lhe esperando para o café da manhã.

—Estamos?! — enfatizou ela. —Sim, bobinha. Eu e a sua mãe.

—Mãe?!

—Sim, oras. O que houve com você hoje?

—Minha mãe morreu. — ela diz, friamente.

—Se ela morreu, quem está lá embaixo? — diz ele, rindo e colocando a mão na testa dela. —Você está com febre? Teve algum sonho estranho? Ela ignora, incrédula, levanta e desce as escadas correndo. E não é uma qualquer que está sentada a mesa, é a sua mãe. Igualzinha a do retrato. Nem se lembrava dela saudável assim, só conseguia se recordar de seu rosto pálido e doente, no fim de sua vida. Sem perceber, seus olhos se enchem de lágrimas.

—I-isso não pode ser real. — diz ela, ainda admirando a mãe, como uma bela pintura ou fotografia.

—Querida, está se sentindo bem? — diz a mãe. Ela tenta se lembrar dessa vida, é inútil. Qual era a real? Apesar dessa parecer bem melhor, apostou na que tinha lembranças.

—Não é real! — gritou ela.

—Acredita mesmo nisso? — diz o pai, descendo as escadas, com um meio sorriso estampado no rosto. Foi então que ela teve certeza.

—Acredito, essa vida não é real. — repete ela, com confiança, sem hesitar. Tudo ao seu redor começa a tremer e ela é envolta pela escuridão.