Depois Do Fim
6 Angústia Mental
Nos dias seguintes tinha andou por boa parte de São Paulo. Paulista, Augusta, Consolação, Praça da Sé, Luz, Ibirapuera e outros lugares que antes haviam pessoas demais. E ela correu, pulou, andou, comeu, brincou nos parques, rolou na grama, enquanto houvesse luz era feliz.
Mas, durante a noite, tudo era diferente, um medo irracional a atingia. Medo de que algo estivesse atrás dela. Ou pior, medo de que ela morresse ali, solitária. Aquele sonho já estava ficando chato. Se sentia sozinha. E era pior do que antes, agora que não podia nem observar as pessoas comuns em suas vidinhas comuns.
A obsessão e a angústia dentro de si só cresciam. Arranjou armas em um posto policial, pronta para o ataque alienígena que com certeza aconteceria.
Mal conseguia dormir e não sabia mais quanto tempo havia se passado. Uma semana? Duas? Que diferença fazia? Agora nem de dia conseguia sossegar, vigiava até não aguentar mais, qualquer movimento repentino era um zumbi diferente. Estava enlouquecendo, já não dormia a pelo menos três dias.
Seu próximo plano era pegar o maior número de comida possível, estocaria em algum lugar e ficaria trancada lá, se necessário. Escolheu o hipermercado mais próximo e começou a encher um carrinho.
Seu corpo tremia, sentia frio. Seu corpo estava quente, ardendo em febre. Em algum momento, ela caiu no chão, de joelhos. Na mesma hora em que sentiu alguém se aproximar, virou-se o mais rápido que pôde, apontando uma arma para o suposto inimigo, ainda no chão. Mas sua mão tremia tanto que não conseguiu muita coisa além de atirar no chão.
–Merda, uma doida tentou atirar no meu pé. — ela ouviu alguém gritar, antes de desabar no chão.
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