Depois Do Entardecer.
11 Morte Súbita.
Bethan pareceu parar no tempo. Não sabia de onde poderia tirar coragem para tomar alguma atitude. Se levantou e observou Becky chorando e gritando desesperadamente. Bethan sentia que Becky estava perdida, ele se colocou no lugar de Becky e com certeza não suportaria um terço do que ela passou. Becky estava agachada, estava com os braços cruzados, suas mãos apertavam tão forte seus braços que as pontas dos dedos estavam brancas.
Bethan sentiu-se leve, seu corpo estava tremulo, ele não escutava nada mais além de zunidos. Olhava para os lados tentando achar uma saída para aquilo, mas ele estava sem nenhuma reação ou qualquer atitude. Um calafrio subiu rapidamente, formando ondas extremamente geladas, seus olhos piscavam repentinamente e cada vez mais rápido. Não, ele não podia, não queria desmaiar. Ele tinha que ser forte por Becky, Leo e por Sarah.
Levantou os braços em rendição e depois passou as mãos em seus cabelos bagunçando-os rapidamente, tentando sair da transe.
Respirou fundo, fechou os olhos e contou até dez. Sentiu tudo em volta girar, cada vez mais rápido. Perdeu o Equilíbrio e caiu sentado. Olhou para o teto e tentou se levantar com calma. Quando finalmente conseguiu levantar, uma forte pontada veio em sua cabeça, fazendo uma lágrima cair. Pegou Leo e saiu a procura de um quarto relativamente bom.
Bethan passou lentamente pelos corredores, sentia a presença de muitas coisas, ruins, boas, como se tivessem pacientes lá. Tentou ignorar a sensação e continuou andando.
No caminho pensou em Sarah e no quanto ela o detestava, de todas as vidas que tinham sido perdidas no hospital, ele queria ter sido uma.
Odiava o fato de Sarah gostar de Dan. Não precisava alguém contar aquilo para ele, apenas era notável.
Um ódio subiu com muita força, fazendo-o desabar em lágrimas. Poderia ter morrido a anos, poderia se matar ali mesmo. Poderia acabar com todo aquele sofrimento dele. Sabia que ninguém dava valor a ele. Ele se sentiria melhor se explodisse, se seus órgãos se decompusessem ali mesmo, "tanto faz" pensou, "Alguém me da valor nessa merda? to sempre me ferrando!" fechou os olhos tentando acalmar as lágrimas. Bethan se sentia um completo idiota por estar chorando, não bastava os outros acharem que ele era gay, agora isso?!
-NÃO! — Bethan gritou continuamente, tentando colocar para fora toda a dor, raiva, enfim, toda angústia presa em seu peito para fora. - NÃO! NÃO! NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO! — Gritou mais alto, chorando mais alto.
Olhou para todos os quartos e finalmente achou um quarto relativamente bom, entrou e colocou Leo que estava ficando pesado demais a cada passo em uma maca totalmente branca.
Respirou o mais fundo que pode e soltou o ar. Olhou para os lados e tentou imaginar como era aquele lugar antes.
Parecia ser um lugar terrivelmente sofrido. Sentia-se um ar de desespero, um ar de violência..
Voltou a procura de Becky, que quando achou ela, permanecia sentada no chão agarrada em seus joelhos, com a cabeça entre eles, chorando alto.
-Becky, venha. — Bethan tentou levanta-la, mas Becky cambaleou e caiu desmaiada.
-BECKY! MEU DEUS! BECKY! — Bethan se deseperou, ele realmente precisava de ajuda e não tinha ninguém mais lá, a não ser ele.
Puxou ela e a colocou em seus braços, logo levou ela para o quarto em que Leo estava e colocou ela na outra maca meio azulada. Sentou-se no chão acariciou a mão de Becky e ali dormiu.
Becky teve um pesadelo. Sonhara que Leo a puxava para uma espécie de túnel, tão profundo e negro. Becky segurava em uma barra frágil de metal, suas mãos estavam escorregando. Becky estava despesperada.
Leo segurava seu pé esquerdo e a puxava com muita força. Sua mãos estavam doendo, até que escorregaram. Ela caiu muito rápido. Sentia seus cabelos batendo com muita força em seu rosto. Leo a soltou mas Becky podia sentir que ele estava logo abaixo dela. Coisas passavam por ela, ela gritava loucamente até que sentiu suas pernas se achatando e seus ossos estourando, uma dor gélida e incontrolável subiu tão rapidamente que ela mal sabia o que fazer, acordou no mesmo instante com um sobressalto na cama, seu coração estava acelerado, sua respiração ofegante e seus pés muito gelados. Observou o quarto e notou que havia amanhecido, Bethan estava sentado no chão com os braços estendidos sobre a maca baixa de Becky. Leo mudou de posição na maca. Ficou espantada, pensou que Leo estivesse morto. Mas não estava.
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