Depois Do Dia Dos Namorados - Parte 4
16 Cap. 016
A bailarina mal chegou ao final das escadas para ouvir o carro estacionando na garagem, o que a fez mudar de direção e ir encontrar a esposa.
— Mami! (Maya gritou feliz e parecia que nada do que havia acontecido anteriormente estava em suas lembranças).
— Ola pequena... (Santana respondeu espelhando o sorriso da filha, mas Britt podia dizer que nem tudo foi como Santana gostaria).
Ela observou Santana levantar a filha em seus braços apertando-a com carinho, os olhos fechados e a respiração profunda, como se quisesse absorver cada pequena sensação deste momento.
— Maya... (Carol chamou vindo para dentro com Gabi). Gabi quer ver se você ainda lembra de todos os passos da sua coreografia especial... (ela continuou chamando a atenção da menina que logo se animou com a possibilidade de dançar com Gabi e Brittany sorriu feliz quando a menina piscou disfarçadamente em sua direção).
Não era segredo para ninguém da casa que Meg vinha incomodando Maya com seus comentários maldosos e Brittany estava feliz que Carol e Gabi estavam dispostas a distrair sua filha quando a outra menina estava na casa. Mercedes era uma boa amiga e ela realmente amava sua afilhada, mas faltava muito pouco para que Brittany se irritasse profundamente com toda a situação.
— O que aconteceu? (a bailarina pediu quando o grupo deixou a sala e não demorou para que Santana enrolasse seus braços em seu pescoço enterrando a cabeça exatamente no mesmo lugar aonde sua filha havia estado apenas alguns minutos antes).
— San... (Britt chamou sabendo que Santana se sentiria melhor depois que transformasse seu sofrimento em palavras).
— Eram quatro crianças B... (ela explicou ainda fortemente abraçada a esposa). Quatro crianças em um acidente estúpido e nós perdemos um... (ela continuou baixinho). Alex fez tudo o que podia, mas eram tantos danos...
— Shiuuuu amor... (Brittany sussurrou tentando acalmar a esposa). Vocês fizeram tudo que podiam...
— As outras cirurgias, elas foram simples e quando terminamos eu fui atrás do Alex... Ela nem era minha paciente... 5 anos B... (Santana suspirou e Brittany começou a entender melhor). Como Maya... (a morena terminou, mas já não era mais necessário). Nossa filha perdeu uma coleguinha esta tarde Britt e eu não sei como contar a ela... (Santana terminou afastando-se para olhar nos olhos da esposa e Brittany viu o quanto sofrimento Santana estava passando).
— Uma coleguinha? (Brittany perguntou apenas para ter certeza).
— Victória... (Santana explicou). A menina da lancheira laranja que Maya nos mostrou outro dia...
— Victória que esteve aqui brincando algumas semanas atrás? (a bailarina perguntou lembrando da menininha loirinha sem os dois dentes da frente que brincou alegremente com Maya durante toda uma tarde até que sua mãe veio lhe buscar).
— Como vamos contar a ela? (Santana perguntou sentindo-se derrotada).
— Shiuuu... Não se preocupe com isso agora amor, nós vamos encontrar uma maneira...
— Eu não sei se quero... (Santana olhou timidamente para a porta dos fundos e Brittany entendeu).
— Suba para um chuveiro, eu vou explicar o que aconteceu e você pode descer quando se sentir melhor, ok? (Brittany perguntou ganhando um aceno suave de sua esposa).
Santana fez como Britt lhe disse e a loira voltou ao pátio explicando a seus amigos o que Santana tinha lhe contado. Ela conhecia bem sua esposa e sabia que ela ficava abalada com as perdas, mas essa tinha a mesma idade de sua filha, uma coleguinha de sala e mesmo para a bailarina tinha um sabor muito mais triste.
O clima relaxado da pequena festa entre amigos não demorou a ficar mais silencioso e todos acabaram saindo muito mais cedo que o normal, eles não se importaram que Santana não tivesse retornado, cada um deles imaginando que isso era diferente para alguém que dedicava a sua vida tentando salvar crianças como Victória.
Carol e Gabi ajudaram Brittany a organizar a casa e quando Brittany perguntou sobre Maya Carol explicou que ela havia subido para o quarto depois que Santana terminou o banho.
No andar de cima, Santana deitou na cama em seu quarto com a filha muito perto de si e explicou a ela o que tinha acontecido, como papai do céu precisa de alguns anjinhos com ele e por isso Victória não estaria mais na escolinha quando ela voltasse de viajem. Ela esperou um tempo em silencio, os bracinhos de Maya em seu corpo e a cabecinha de sua filha em seu peito enquanto a menina pensava em tudo que sua mãe tinha acabado de lhe dizer. Santana sabia que Maya teria perguntas, mas o que veio de sua cabecinha de criança a pegou totalmente desprevenida.
— Mami, papai do céu sabe fazer cookies? (ela perguntou levantando a cabecinha para encontrar os olhos de Santana).
— Eu acho que sim pequena...
— Com grandes gotas de chocolate como os que abuela faz?
— Ele deve saber fazer todos os tipos... (Santana respondeu um pouco insegura sem saber aonde a conversa iria chegar).
— Então eu acho que Vick vai ficar bem... (Maya voltou a deitar sobre o peito de Santana). Victória adora os cookies que abuela faz... (ela terminou seu pensamento com naturalidade e Santana não pode evitar a lágrima solitária que escapou de seus olhos, sua pequena criança tinha uma maneira mágica de ver o mundo e era muito bom apenas poder fazer parte disso). Mami... (Maya voltou a chamar).
— Si pequeña...
— Quando abuela vier fazer biscoitos nós podemos colocar um no telhado, apenas para se o Papai do céu não souber como fazer com as grandes gotas?
Santana murmurou um acordo e trouxe a filha de volta para perto de seu corpo fechando os olhos para o sentimento do corpinho pequeno perto de si.
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