Santana

O ritmo ditado por Britt era lento e eu acompanhei sentindo milhões de descargas elétricas enquanto nos beijávamos. Ainda entre beijos, fomos nos aproximando da cama e me afastei apenas para deixar a taça ainda pela metade sobre a mesinha antes de voltar novamente minha atenção para seus lábios.

Britt deitou devagar me levando com ela. Suas mãos vagavam pelas minhas costas e em pouco tempo o zíper lateral do meu vestido já havia sido aberto e senti o toque quente contra minha pele. Sorri contra os seus lábios antes de me afastar deles para beijar seu pescoço.

- É a primeira vez que fazemos assim... (falei próxima ao seu ouvido). É a primeira vez que faço amor e só poderia ser com você... (continuei me arrepiando quando senti seu corpo se arrepiar).

Desci meus lábios em direção ao seu ombro e apliquei pequenas mordidas ainda sobre o vestido, sentindo uma de suas mãos descer pela minha perna. Britt soltou um riso rouco que pareceu ecoar por todo o meu corpo.

- San, acho que a gente deveria tirar isso (ela falou apontando para nossas roupas).

Sentei-me sobre suas pernas e puxei meu vestido pela cabeça antes de ajudá-la com o seu. Eu já sabia que ela estaria de vermelho, Britt sempre veste vermelho no dia dos namorados, mas pela primeira vez vestia-se assim para mim. Joguei seu vestido para fora da cama e parei para observá-la. Ela tinha voltado a se deitar e estava linda, a pele clara sob a luz fraca, o branco dos lençóis, o vermelho vivo, o azul vibrante de seus olhos. As cores de uma pintura perfeita que eu jamais conseguiria esquecer. Senti que outra lágrima iria deixar meus olhos, mas não liguei. Voltei a me deitar sobre ela apoiando-me com minhas mãos ao lado de sua cabeça para beijá-la. Ela me puxou para mais perto, aproveitando meu momento de surpresa para trocar nossas posições.

Seus dedos tocaram meu rosto com carinho, antes de beijar de leve o local onde a lágrima havia corrido. Seus lábios voltaram aos meus enquanto passava a mão livre pelos meus cabelos.

- Eu te amo tanto San... (falou se afastando apenas o suficiente para que eu pudesse olhar em seus olhos). Eu não quero que você chore... Não precisamos...

Eu sabia o que ela ia falar, mas não deixei que continuasse. Selei seus lábios com carinho antes de explicar.

- Eu quero Britt. E eu quero muito, só estou realmente feliz de estar com você (falei me aproximando novamente de seus lábios).

Britt aceitou meu beijo e puxei-a mais para perto, enroscando minhas mãos em seus cabelos. Nossas línguas voltaram a se encontrar e uma nova corrente elétrica me atingiu. Passei minha mão livre por suas costas buscando o fecho de seu sutiã que se soltou sem maiores dificuldades. Suas mãos vagavam pelo meu corpo e em pouco tempo encontraram seu objetivo. Não consegui evitar um gemido quando senti seus dedos tocando-me sobre a calcinha e Britt sorriu contra meus lábios antes de subir novamente em direção aos meus seios. Ela soltou o fecho do meu sutiã e um suspiro rouco saiu dos seus lábios quando nossos seios se tocaram. As carícias foram ficando a cada minuto mais ousadas e mesmo tentando prolongar este momento, não demorou muito para que chegássemos ao ápice.

Eu não imaginava que seria tão inebriante. Quero dizer, estar com a Britt é sempre perfeito, não importando o lugar ou modo, mas fazendo daquela forma, com tanto carinho, sem medo de deixar meus sentimentos falarem mais alto, eu tive a certeza de que jamais conseguiria viver sem ela. E quando nos livramos das últimas peças, quando demos vazão a paixão que já nos consumia, nem neste momento deixamos de lado o cuidado e carinho que tinha nos levado até lá.

Eu havia passado a semana planejando aquela noite, mas de forma alguma seria capaz de planejar um momento tão perfeito quanto o que tivemos juntas.

Brittany

- San? (perguntei quando senti seu abraço apertar um pouco mais minha cintura).

- Fala meu amor... (ela respondeu com a voz sonolenta).

- Podemos fazer assim mais vezes?

- Sempre que você quiser... (falou antes de dar um selinho no meu pescoço).

Virei-me de frente pra ela, queria ver em seus olhos que não faria apenas para me fazer feliz. Queria que ela tivesse gostado tanto quanto eu.

- Mas eu só quero se você também quiser... (falei olhando em seus olhos).

- Neste caso, pode ter certeza, faremos muitas vezes... (ela respondeu com um sorriso). Você precisa ligar para a sua mãe? (perguntou preocupada).

- Não, eu disse que passaria a noite contigo (respondi observando seus olhos fecharem devagar).

- Britt, você vai ficar chateada se eu dormir só um pouquinho?

-Não San, acho que eu vou aproveitar e dormir um pouquinho também (respondi deixando o sono chegar).

Eu entendia porque ela estava cansada, eu mesma não agüentava mais manter os olhos abertos e em pouco tempo já estava dormindo. Quando voltei a abrir os olhos ainda era noite e fiquei observando o rosto da minha namorada iluminado pela luz que vinha da janela. Sempre gostei de observar a Santana dormindo, por ela ser tão linda, com seus cabelos escuros esparramados sobre o travesseiro, os lábios carnudos relaxados, a expressão tranqüila. Nossos amigos acreditam que ela nunca relaxa que está sempre pronta para a briga, mas eu sei que não, ela só não gosta de mostrar esse outro lado para todo mundo.

Seus braços ainda estavam na minha cintura e tentei levantar devagar para pegar um copo de água. Estava quase conseguindo quando sua mão apertou um pouco mais minha cintura. Me virei assustada para ver Santana com um olhar preocupado).

- B onde você vai? (perguntou com uma voz sonolenta). Ainda é noite (continuou olhando ao redor).

- Eu sei amor, só vou pegar um copo de água... (respondi voltando-me para lhe dar um selinho na testa).

Ela relaxou o aperto, mas me seguiu com os olhos quando me levantei.

- Você está muito linda... (falou com um sorriso). Linda dos pés à cabeça.

- Eu estou só de calcinha San (falei séria), e totalmente despenteada.

- Por só estar de calcinha é que posso ver o quanto está linda (respondeu com seu melhor sorriso malicioso). Está ficando frio aqui, você vai demorar muito? (perguntou descansando a cabeça sobre um dos braços).

Mesmo brincando, San mantinha a tranquilidade de minutos atrás, quando ainda dormia e eu não pude evitar me aproximar novamente da cama deixando no caminho, meu copo ao lado da taça que ela havia largado a algumas horas.