Alguém entra correndo em meu quarto, eu saio de meu pequeno banheiro para saber quem é, me assusto ao ver Jéssy parada ali no meio do meu quarto, com os olhos arregalados, com várias lágrimas, pronta para chorar e eu? Bem, eu estava me preparando para consola-la (talvez).

— Posso ajudá-la? — eu falo chegando perto vagarosamente

— Como eu pôde? — ela fala me olhando ainda com lágrimas nos olhos — Como eu pôde achar que você seria uma ameaça? Você nunca me fez nada, foi tudo uma armação, eu... Eu... — ele se ajoelha e começa a chorar desesperadamente

— Armação? — eu falo chegando perto e me abaixando em sua frente — Como assim?

— Eu tentei ser como você! — eu fico de boca aberta — Ser inteligênte, estudiosa, elegante, mas sem seguir sempre as modinhas toscas, tentei ser como você! Sem querer ligar para o que os outros vão pensar, sem ter medo de fazer o que me der vontade, ser livre, poder ter minha familia, de sempre estar sorrindo como você, independente do que aconteça...

— M-Mas, por que ser como eu? — eu a abraço e a solto e digo enquanto limpo suas lágrimas: — Jéssy, você é linda, você é legal, não tenho nenhuma magoa de você, você não pode ser quem você não é! Seja você mesma, quem for realmente amigo seu, te aceitará assim mesmo!

— Me desculpa? — ela me olha com os olhos vermelhos e ainda marejados — Por favor?

— É como eu disse: eu não tenho magoa de você, me dói lembrar de tudo que passei naquela escola, mas eu cresci com isso, eu teria que te agradecer Jéssyca. É claro que te perdôo! — eu falo a abraçando

— Obrigado, obrigado, obrigado! — ela diz me dando beijos na bochecha a força

— Pa... Ra... Jés... Sy... ca... — eu falo a empurrando

— Desculpe, é que você é a única que confio, sinceramente? — eu a olho — Chega de choro! Isso já está muito meloso...

— Eca! — falamos juntss, logo rindo

— Ei, você se lembra aquela vez que você foi suspensa por que tentou seduzir o professor de matemática para conseguir nota? — eu falo rindo

— Eu precisava! — ela diz fazendo bico

— Era só um ponto, você podia ter feito o trabalho!

— Desculpe Srta CDF, eu não tenho sua paciência e inteligência para isso! — ele diz rindo — Era mais fácil eu fazer daquele jeito!

— Foi a professora Janete que viu e te dedurou, néh? — ela faz que sim com uma careta, me fazendo rir mais ainda — Ela era uma chata mesmo!

— Ei, não é legal ficar lembrando da desgraça dos outros não! — ela fala fingindo estar brava — Você foi espulsa do jogo de futbol por ser muito bruta com os outros!

— Não tenho paciência com essas garotas molengas que não sabem jogar!

Escuto alguém batendo na porta desesperadamente, eu corro para abri-la e levo uns cascudos no nariz.

— Desculpa! — diz meu irmão rindo — Pensei que ainda era a porta!

— Claro, eu tenho a cara feita de madeira! — eu falo com a mão no nariz — E minha cara é reta agora também!

— Jéssyca? — meu irmão diz com os olhos arregalados me empurrando levemente para vê-la melhor

— O-Oi... Tchau Allinea, já estava de saída! — ela diz pegando sua bolsa e vindo em minha direção

— Jéssyca! — meu irmão segura o braço da mesmo, eu cruso meus braços olhando para meu irmão, concordando com a reação da Jéssy

— O que foi? — ela diz seca — Eu não quero saber de nada mais! Chega de suas mentiras, me solta!

Ela puxa seu braço bruscamente e desce os degrais correndo, logo nos fazendo escutar o barulho da porta barulhenta se fechando, olho para meu irmão que estava cabisbaixo, eu pego em seus cabelos, ele me olha com um olhar triste, coloca sua cabeça em meu ombro e sinto uma única lágrima molhar meu ombro, o abraço e ficamos assim por algum tempo até Ryan começar a rir igual uma criança em nossa frente.

— O que foi garoto? — eu e meu irmão dissemos juntos, logo soltando uma gargalhada — Para de ficar me imitando! Para! Eee...

— Allan!

— Allinea!

Dissemos juntos inumeras vezes, arregalamos os olhos e corremos escada à baixo e parando em frente à nossa mãe.

— Mãe, olha só isso! — dissemos juntos mais uma vez — Para de me imitar! Para, eu ja disse! Isso é chato, que coisa!

— Da ultima vez que vi isso, no dia seguinte, as duas pessoas que falavam juntos, mudaram de corpos, ficou um preso no corpo do outro! — minha mãe diz tirando sarro da nossa cara

— Eu trocar de corpo? — nós nos olhamos e fazemos cara de nojo — Para mãe! Credo! Aí, não conseguimos parar, e agora?

A campainha toca e eu vou apostando corrida com meu irmão para saber quem chega primeiro, não dá muito certo porque ao abrir a porta, ambos nos embolamos e caimos de joelhos, rindo iguais duas crianças imaturas, eu me levanto limpando meus joelhos que ficaram um pouco vermelhos, logo olhando para ver quem estava ali na porta.

— Cristian?

Notas finais
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