Depois De Tanto Tempo
27 Epílogo
Notas iniciais
PS: Pretendo começar a responder as reviews desde o capítulo 25 até o desse hoje!
…
Nunca pensei que passaria tanto tempo assim em um mesmo local depois de me tornar um demônio.
Com o passar dos anos, Sebastian e eu tivemos que ir lentamente mudando nossas formas para que pudéssemos parecer mais velhos para podermos permanecer em Londres. Um pedido meu para ficar próximo de Alois, algo que não gosto de admitir.
Passando tanto tempo juntos, Claude contou que tem origem inglesa, mas morou até os 17 anos na França, que é quando nos o conhecemos. Por isso sabe falar francês, algo que agrada até demais a meu amigo. E que ele possuía uma pequena insuficiência cardíaca, que não lhe afetava muito.
Aos 19 anos, Alois decidiu que gostaria de fazer fotografia e eu disse que gostaria de fazer o mesmo. Nunca havia feito o curso antes, seria interessante. Ambos fomos facilmente aceitos em Cambridge. Claude também foi à mesma universidade, mas preferiu seguir a área de engenharia aeroespacial.
Descobri várias coisas durante o tempo na universidade. Como, por exemplo, não deixar Alois beber em excesso nas festas das quais ele me arrastava para ir junto. Era sempre inconveniente vê-lo bêbado, se atracando com Claude em casa. E também consegui informação sobre a mãe de Alois.
Ela saiu de casa por causa do marido, na primeira vez em que ele lhe levantou a mão, quando Alois ainda era um bebê. Pude ver e conversar com ela na nossa formatura do colegial, e a convenci de ir a nossa formatura da universidade. Lá, os dois se reencontraram, mas ela foi-se pouco tempo depois, dando-lhe um adeus apropriado e lhe dizendo que aprovava tudo da vida dele, desde as notas até as amizades e o relacionamento.
Já nos 25 anos, Claude propôs Alois para morarem juntos, o que meu amigo loiro fez de bom grado. No entanto, ainda nos víamos todos os dias, eu e Sebastian iríamos visitá-los ou vice-versa.
Alois contou-me que Claude deu-lhe um anel, um dourado com um pequeno rubi no centro, assim como Sebastian fez para mim há alguns muitos anos, depois de alguns meses morando juntos. Ele sempre o usava, não importava qual fosse a circunstancia.
Algumas raras vezes, mais raras do que o normal dos outros casais, eles brigavam. Houve apenas uma vez que Alois veio para minha casa novamente, com os olhos avermelhados de tanto chorar. Após algum tempo que ele veio, Claude já estava na porta, implorando por perdão, e eu até o ajudei. Sei que meu amigo era absolutamente louco por ele. No entanto, nunca descobri o exato motivo da briga.
Alois e eu abrimos um estúdio de fotografia e trabalhávamos, na maior parte do tempo, tirando fotos para catálogos de grandes empresas, como a que Claude trabalhava para a construção de satélites. Mas ele também gostava de tirar fotografias de paisagens, dizia que gostava de como a natureza era a única livre de verdade. Eu o chamava de louco, pois somos todos livres para vivermos como queremos, tudo depende de nossas escolhas.
...
Aos 75 anos, Alois e Claude sofreram um acidente de carro. Ambos foram levados com vida ao pronto socorro, mas Alois não conseguiu resistir à cirurgia, morrendo com uma hemorragia na mesa do cirurgião.
Claude, que ao contrário sobreviveu facilmente à operação, ficou em coma por poucos dias. Ao acordar e descobrir que Alois havia falecido, seu coração não fora forte o suficiente e teve um ataque cardíaco, morrendo em poucos minutos.
Sebastian e eu organizamos o funeral e o enterro, colocando-os no melhor cemitério de toda Londres.
...
Graças a influencia de Sebastian no inferno, conseguimos uma permissão para nos encontrar, no máximo, uma vez por semana com Alois e Claude na biblioteca dos deuses da morte, mesmo que nós dois não fossemos exatamente bem-vindos por lá, já que éramos demônios.
Alois e Claude receberam as memórias da vida passada de volta e, apesar das discussões que tiveram por Claude tê-lo matado e outros aspectos desse tipo, eles se resolveram e continuaram juntos. Trancy ficou um pouco irritante, mas continuava com a maior parte da personalidade tolerável, o mesmo para Claude. O que era bom. Não me arrependo de visitá-los todos os sábados.
Lá, eu contei o que ocorreu depois da luta. Disse como me tornei demônio e o que fiquei sabendo do que aconteceu com eles. Alois corou bruscamente ao saber que Claude desistiu de seu posto alto –não tão alto quanto de Sebastian- no inferno para fazê-lo feliz.
Talvez ter oportunidades melhores realmente pode mudar qualquer um.
...
Senti braços se amarrarem ao redor de meus ombros e um queixo sobre minha cabeça. Olhei para cima, vendo Sebastian encarando-me enquanto eu olhava a lua da ponta do penhasco.
“Para onde vai querer ir agora, Jovem Mestre? Ouvi dizer que a Itália está crescendo.”
“Não, Itália de novo não. Estou cansado de lá. Talvez na próxima... O que acha da França? Faz mais de meio século que não vamos lá.”
Ele riu baixo, lentamente virando-me para que pudéssemos nos encarar.
“Quer voltar a Paris? Você sempre gostou de lá, ma petite chérie.”
Alois tinha razão, francês é realmente uma língua sensual quando falada pelas pessoas certas.
“Quero, foi... Interessante morar lá.”
“Se for o que o meu lorde deseja.” Sebastian disse brincalhão, descansando sua testa contra minha, nossos olhos brilhando magenta.
“Pode ser nossa quinta lua de mel.” Comentei com um pequeno sorriso, colando meus braços ao redor de sua cintura.
“Terei que te dar outro anel.” Ele disse, levando uma de suas mãos a peça pendurada ao redor de meu pescoço.
“Não. Já lhe disse que gosto desse, não quero outro.”
“Teimoso como sempre, Ciel.” Ele riu baixo, encostando o seu nariz ao meu.
“Cale-se, Sebastian. E vamos logo.” Disse olhando para o lado, tentando esconder o tom vermelho que meu rosto ganhou com suas ações.
“Yes, my lord.”
“Vá para o inferno.”
“Apenas se o senhor for comigo.” Sebastian rebateu, puxando-me para perto, sorrindo maliciosamente para mim.
“Claro que vou, idiota. Acha que depois de tanto tempo, eu desistirei de você agora?”
“Esperava que não. Ambos ficaríamos devastados.”
“Exato.”
Sebastian riu novamente, acariciando minha bochecha direita, bem abaixo de meu olho com sua marca, antes de beijar-me gentilmente, o qual eu respondi de bom grado.
Tsc, idiota.
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