Por Priscila

Eu precisava desse tempo. O Rodrigo andava muito esquisito e eu não me sentia mais única ao lado dele. Passei toda a viagem até São Paulo pensando nisso. Meu pai de cara notou que alguma coisa estava errada. Primeiro que, depois de tanto tempo implorando para viajar com o Rodrigo a última coisa que ele esperava era que eu pedisse para voltar mais cedo, sem o Rodrigo.

Ao chegar no apartamento, que agora só era habitado pelo meu pai, tomei um banho enquanto meu ele pedia a janta. Quando a comida chegou, sentamos e finalmente conversamos sobre o assunto.

–Pri, não adianta falar pra mim que está tudo bem, eu te conheço. O que houve entre você e o Rodrigo? Ele fez alguma coisa que você não queria e/ou não gostou?

–Não é isso, pai! O Rodrigo jamais faria algo que eu não quisesse. Mas ele anda meio estranho, parece que eu não sou mais a pessoa mais importante na vida dele. Como se eu fosse só um acessório. Ai nós tivemos uma briga e eu decidi que o melhor era se afastar e pensar.

–Por que vocês brigaram?

–Urgh, odeio falar sobre isso. Nós brigamos por que ao invés de me apoiar e ajudar ele foi ficar com uma nojentinha que nós encontramos na rua.

–Filha, tenho certeza que não foi exatamente assim. Me explica direito senão eu não vou poder te ajudar.

–Ai pai! Primeiro, ele não quis ir ao shopping comigo e fez o que ele quis. Depois, nós estávamos caminhando na rua e esbarramos com a Nicole, aquela nojenta que deu o beijo nele na festa junina do meu acidente. E, para completar, a tal Nicole jogou uma garrafa d’água na minha cabeça, e quando eu me vinguei jogando coca nela ele quis ficar lá para ver como ela estava, ao invés de me ver!

–Por que você não conversou com ele, Priscila. Eu não sou a Samantha para te dar os melhores conselhos, mas eu sei que vocês namoram há mais de 5 anos e que você não pode mais agir assim. Conversa com ele, filha! Não é como se vocês não tivessem intimidade. Se você quiser eu até adianto sua passagem para BH para esperar ele lá, mas a situação não pode ficar assim, Priscila. Me avise o que você quiser fazer.

Ele me deu um beijinho na testa e foi para o quarto. Vendo por esse lado meu pai estava certo. Mas eu ainda estava com muita raiva do Rodrigo! Poxa, ele havia me deixado arrasado. Resolvi falar com a pessoa que mais me entendia, apesar de estar em outro hemisfério: a Samantha.

De: Priscila

Para: Samantha

Oi Sam! Estou precisando falar com você, vou te ligar. É URGENTE, senão eu não ligaria para o outro lado do mundo ahahahha você pode falar agora? Me reponde rápido. Priscila

Logo depois que eu mandei o e-mail para a Sam ela me respondeu e nós conversamos no telefone.

Sam: mas é claro que você tem que falar com ele, Priscila! O Rodrigo é seu namorado há anos e vocês ainda não discutem os problemas? Cuidado pra não acontecer que nem na época do seu acidente, que vocês tinham muita roupa suja pra lavar! Fala com ele!

Priscila: Mas o que que eu faço, Sam? Ele não deve querer falar comigo e eu não sei se devo arriscar ir até BH. Vai que eu chego lá e ele não está, ai eu quebro a cara!

Sam: Quebra a cara mas pelo menos tentou, né Priscila! Faz o seguinte: manda uma mensagem falando que quer conversar com ele e pergunta se ele já está em BH. Se ele falar que está lá, pega o 1º avião e se resolve com o Rodrigo! Estou torcendo por vocês, beijo cunhadinha!

Priscila: Obrigada, Sam, você é demais! Te mantenho atualizada.

Depois de falar com a Samantha me senti melhor. Fiz logo o que ela disse e fiquei de plantão do lado do telefone esperando o Rodrigo responder. Eu não podia perdê-lo!

Fiquei esperando por uma hora quando decidi ir ao Starbucks para tomar um café. Apesar de ser de noite, era perto e eu estava precisando, havia sido um longo dia.. Pedi meu Frappuccino e sentei numa mesa. Lembrei de, quando anos antes eu havia estado no mesmo lugar, mas conversando com a Sam. Eu sentia tanta falta dela. Quando eu já estava me levantando para ir pra casa, meu celular apitou. Era uma mensagem, do Rodrigo.

“Pri, já estou em BH sim. Não tenho boas notícias, precisamos conversar. Rodrigo”

Ahn? Sobre o que ele queria conversar? Talvez fosse sobre a nossa briga, mas eu não chamaria aquilo de más notícias. Corri para o apartamento para pedir pro meu pai marcar a passagem mas esbarrei com uma pessoa na rua antes. A pessoa não era ninguém mais, ninguém menos, que o Patrick.

–Priscila, oi! Como é bom te ver! Desculpa por essa batida, eu não olho para os lados hahaha você está bem?

–Oi Patrick! Não foi nada, estou bem, sim. O que você faz por aqui?

–Bom, eu estou morando aqui perto. Dei um tempo de Orlando, vou ficar em São Paulo alguns meses. E você, vai dizer que largou BH?

–Não, de jeito nenhum! Vim só visitar o meu pai mesmo, ele está morando aqui perto também.

–Ah, e o Rodrigo, vocês ainda estão juntos?

–Nós tivemos uma briga recentemente, mas acho que vai ficar tudo bem haha

Aquele papo já estava me incomodando. Eu demorei praticamente um ano para “superar” o Patrick, e agora ele vem á tona justo quando eu brigo com o Rodrigo? Isso estava muito estranho.

–Ih, já sei. Vamos para o barzinho que tem no final da rua! Ai você me conta seu problema e eu te ajudo. Se você quiser, é claro.

–Hmm pode ser! Vamos indo, só vou mandar uma mensagem para o meu pai.

“Papai, encontrei uma amiga aqui na rua e nós vamos para aquele barzinho novo que tem aqui! Não se preocupe, eu tenho a chave de casa. Priscila”