Depois Da Tempestade
1 Epílogo
Notas iniciais
Depois Da Tempestade
“Por que depois da tempestade surgiu o sol, o meu sol particular, Edward.”
A leve brisa soprou em meus cabelos, o sol sumia entre as montanhas, lágrimas desciam por minha face e o sentimento de saudade tomava conta do meu ser.
Esme, Carlisle, Ângela, todos se foram. Por quê? Eu não tinha essa resposta, mas não tinha raiva alguma de Deus, acredito que cada um tem sua hora e agora era a deles. Mas a dor não cessava, eu sentia o pressentimento de que algo faltava.
Eu não tinha família alguma, apenas Irina irmã de Esme minha adorável mãe. Já não via Irina há certo tempo, ela não me visitava com freqüência, apenas nas datas comemorativas como Natal, Ano Novo e aniversário.
Foi quando um enfermeiro entrou no quarto e sorriu com pena pra mim, eu já sabia o que estava por vim, acredito que a dor não é algo com que você se acostume. Eu vivo ali há tempos, não sou uma novata, sei como funciona. Não era louca, estava ali por opção de minha tia, ela não era uma boa pessoa, eu sabia. Eu também sabia que algo aconteceu no passado para que isso acontecesse, Irina sempre teve raiva demais de minha mãe. Desconheço dos motivos, nunca tocaram no assunto quando eu estava presente, Irina me internou nessa “clinica psiquiátrica” assim que meus pais e minha irmã se foram, eu claramente entrei em depressão, o que foi uma desculpa para ela me “jogar” ali.
Me levantei dando uma última olhada para o horizonte através daquela pequena e velha janela, estava chegando ao fim, mais um dia, abaixei minha cabeça seguindo o enfermeiro. Enquanto passava pelo corredor estava ciente de que não voltaria ali tão cedo, eles haviam reformado um antigo prédio que fazia parte do grande lote onde se estabelecia a clinica. Estou aqui há 5 anos, semana que vem completo 17 anos de vida. Aquele prédio parecia abandonado e nunca fora utilizado.
Passamos pela ala principal onde havia um espelho, ao olhar meu reflexo ali senti repulsa, aquela era mesmo eu? Não parecia, não parecia a Isabella Cullen de cinco anos atrás, estava estampado a dor em meus olhos, meus cabelos presos em um rabo de cavalo baixo, meu rosto parecia estar anestesiado, um sorriso já não aparecia ali ao que se parece muito tempo. Eu não via motivos para sorrir, minha vida estava fadada ao fracasso naquele lugar.
O prédio reformado estava bonito e organizado, mas vazio. Eu era uma das primeiras a ser transferida para ali. O enfermeiro abriu a porta e eu entrei já me sentando na cama, o meu quarto era afastado, acredito que eles sabiam que eu não tinha nada de louca, me deixavam ali pela alta quantia em dinheiro que minha tia pagava ali.
- E esse armário? – Perguntei e o enfermeiro olhou para o armário velho que havia no canto do pequeno quarto.
- Vai ser retirado, logo. – Foi o que ele falou e logo trancou a porta desaparecendo pelos corredores.
Aproximei-me do armário e o abri, estava aparentemente vazio, mas havia algo que me chamou atenção, um fundo falso talvez? Forcei a madeira antiga e velha retirando dali aquela parte do armário, havia muita poeira, mas eu não esperava encontrar um diário. Um diário intrigante, sua capa era de couro e ele parecia bem antigo, abri o diário e na primeira página em uma caligrafia impecável havia escrito: Diário de Edward Masen.
Eu não sabia naquele dia, mas encontrar aquele diário foi a minha válvula de escape de um mundo onde pessoas tratam as outras como objetos, encontrar aquele diário foi o que me mudou o rumo de tudo.
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