Depois Da Aula
6 Epílogo
Notas iniciais
Epílogo
“Eu vou morrer, eu vou morrer.”
É o que repito enquanto ando por esses corredores lotados tentando equilibrar meu material de desenho para que não caia.
Mas antes que eu explique o porquê do meu desespero todo, deixe-me me apresentar.
Eu sou Matsumoto Takanori ainda, já que não tem como ser legalmente casado com um homem, caso contrário meu sobrenome seria Suzuki. Tenho 22 anos e estou cursando faculdade de artes plásticas. Ainda sou filho de uma família relativamente bem abastada com dinheiro e posses, mas não os vejo e não falo com eles há anos, quando Akira chegou em minha casa e avisou que me levaria com ele. No dia milagrosamente meus pais estavam lá, e não tiveram objeção alguma quando ouviram o nome Suzuki.
Não reclamo, eu sou feliz... ainda, eu acho, pois tenho certeza que Akira irá ter um ataque se eu me atrasar pra essa festa.
“Merda! Merda! Merda! Akira amor, eu já to indo...!”
“Eu vou morrer, eu vou morrer.... ele com certeza vai me matar...”
E não, não é no sentido literal da palavra, é um modo de dizer. Akira jamais levanta a mão pra mim a não ser pra me beijar, pra me tocar ou pra me jogar em uma superfície plana e me pegar de jeito quando estamos com vontade.
–Kai*, corra o mais rápido que puder – pedi pro moreninho que era meu motorista, gente boa, Akira confiava nele e eu também, era meio que um amigo nosso.
–Se você se atrasar sabe que ele vai te matar, não sabe? – o moreninho falou ao me olhar e sorrir da minha cara pelo retrovisor.
–Cala a boca Kai – vociferei – a culpa foi daqueles amigos idiotas que eu tenho, prometeram que era só um suco e acabaram pedindo bebidas... – expliquei em uma resmungo baixo.
– Sabe que Suzuki-san não vê problema que você tenha amigos, mas se isso começar a atrapalhar ele vai te infernizar até você se desfazer deles, não sabe? – advertiu, Kai tinha liberdade pra isso afinal ele era motorista, amigo, segurança... tinha moral com a gente. Ela já era amigo do Aki antes, parece que o Aki salvou a vida do namorado dele e Kai prometeu ajudá-lo em tudo e segui-lo... então realmente acreditava no que ele dizia.
–Eu sei... da última vez ele ficou uma semana sem nem me tocar, acredita? UMA SEMANA! – gritei ao lembrar da frustração – se ele fizer outra greve vou enlouquecer e secar...
–Não exagere, ele sofreu tanto quanto você, Suzuki-san já estava colocando sua roupa no travesseiro e o comendo chamando de Takanori – debochou, ganhando mais uma estreitada de olhar minha.
–Chegamos, tem 5 minutos pra se arrumar! – avisou e eu apenas larguei meus materiais do jeito que estavam e corri pra dentro de nossa mansão, tentando cumprimentar a maioria dos empregados no caminho.
–Já estávamos te esperando – Fukoto-san falou em sua voz rouca e fraca – arrumem ele garotas – ditou às duas assistentes que já traziam um yukata enquanto outra tirava minha roupa. Ajudei no que pude e em menos de três minutos estava devidamente vestido. Peguei o estojo com maquiagem e perfume das mãos de minha antiga babá, que ainda era meio surda, meio cego e falava pouco, mas parecia sempre saber quando eu estava precisando de ajuda.
–Obrigado, gente! – agradeci antes de disparar, descendo às escadas pelo corrimão e correndo feito um condenado para dentro do carro novamente – Kai, corre – ordenei mais uma vez enquanto começava a delinear meus olhos e tentar arrumar o meu cabelo da melhor forma possível dentro de um carro a 200 por hora virando de um lado para o outro.
Naquela tarde, em nossa primeira vez, Akira disse que me amava e eu, mesmo ainda não tendo completamente certeza, respondi que também o amava. Depois de mais algumas primeiras vezes, ele me abraçou e me contou toda a sua vida, sobre seu medo de filmes de terror por sempre lembrar de sua mãe neles, sobre seu pai e sobre como fora criado, sobre o que fazia, sobre como se apaixonou por mim quando tinha 11 anos... e apesar de tudo, mesmo sabendo que ele não era uma boa pessoa, eu voltei assentir que o amava... talvez por que pela primeira vez na minha vida eu era importante para alguém, e sim eu gostava disso. Mas por trás daquele Reita assustador tinha o meu Akira... o meu e só meu, que só eu conhecia a fundo... e pra mim não importava quantas pessoas ele matasse, quantas vidas ele destruísse... eu o amaria e ficaria ao lado dele... como uma boa “mulher” de mafioso, como alguém apaixonado incondicionalmente.
Ainda me assustava o fato de ele matar o próprio pai e assumir tudo aquilo que um dia foi dele, mas pelas histórias que ouvi do velho Suzuki eu não conseguia me impedir de sentir certo alívio. Até porque ouvi Kai dizer que se “aquele homem”, como todos pareciam se referir a ele, tivesse ao menos suspeitado sobre nós antes que Akira o matasse, provavelmente teria mandado me estuprar e me matar e mandaria minha cabeça e um video de minha morte para o filho. “Era mais ou menos assim que ele gostava de fazer as coisas!” foi o que disseram.
Até hoje lembro do dia que Akira, já fora da escola e eu em meu último ano, chegou no colégio seguido de alguns caras assustadores para me buscar. Até hoje não consigo esquecer a vergonha que senti quando ele simplesmente andou até mim no meio da entrada e me agarrou, me beijando e dizendo que não precisaríamos mais nos esconder, que tudo estava bem. Ainda bem que era quase final do ano, por que os olhares que ficavam me acompanhando depois disso oscilavam entre interesse e medo, eu me sentia meio desconfortável.
Akira respeitou minha vontade de cursar artes, mas pediu para que fosse em um lugar mais perto, o que eu atendi, já que quando ele me “tirou” das casa do meu pai simplesmente não voltei a ter contato com eles. Lá eu tinha feito amigos, e vivia a vida mais feliz que eu jamais tive, amizade, pessoas que se importavam comigo... amor...
Não me importava que os negócios dele não fossem tão “legais” assim – em toda extensão da palavra -, até porque ele já tinha melhorado muito. De acordo com os empregados na era “daquele homem” as coisas eram bem piores, e eu tinha certo orgulho do meu posto ao lado dele, e de ser oficialmente o parceiro do mafioso mais poderoso da cidade e de metade do país...
Isso se ele não ficar chateado de novo e decidir fazer greve de sexo... eu vou morrer, com certeza eu morro se ele fizer isso.
Por quê?
Simplesmente porque eu PRECISO do corpo dele todas as noites e manhãs, e tardes se for possível. Quando ele viaja eu quase não funciono e quando ele inventou esse “castigo” no mês passado eu senti que iria morrer a qualquer instante. Tudo porque eu me atrasei meia horinha para o aniversário dele... e daquela vez nem foi culpa dos meus amigos, foi culpa de uma velhinha que me pediu ajuda para carregar as compras até a casa dela... mas quem disse que Akira entendia? Ele simplesmente não aceitava negações ou desculpas... “Mandava a velhinha ir pro inferno, é o meu aniversário, Taka!” ele brigava... e para muitos ele pode parecer um ogro ou um monstro... mas só eu sei o quanto aquela pose de cara mau guarda um menino totalmente lindo, gentil e amável.
–Ta legal? – perguntei em relação a minha aparência.
–Estamos em tempo, não vai precisar seduzi-lo pra fazê-lo de perdoar – Kai sorriu.
–Ah! Nunca é demais, eu só quero estar bem... afinal são 6 anos... – sorri em nostalgia, nem parecia que tinha tanto tempo. Hoje fazíamos 6 anos que estávamos juntos, 12 de acordo com ele que contava os 6 anos de amor platônico por mim. “Eu estava com você em minha mente, todas as noites e dias!” ele dizia... o que eu disse? Não é um fofo?
–Chegamos! – Kai anunciou ao parar bruscamente em frente ao salão luxuoso que ele havia alugado apenas para nossa festa, todo ano fazíamos aquilo... já tinha se tornado a comemoração mais aguardada do grupo Suzuki, “O aniversário de casamentos dos chefes!” era o que os homens diziam, ainda que não fossemos casados legalmente.
Sai do carro e corri escada acima, entrando no hall e identificando logo a direção do salão de festas.
–Takanori-sama – a recepcionista me chamou, e eu a reconheci como a moça que nos atendeu naquele dia no motel que eu descobrira ser completamente do Akira mesmo naquela época... posso dizer que fiquei feliz por saber que a intimidade dele com ela não era necessariamente porque ele ia muito lá?
Sim, sim, sou gay, apaixonado e vadia do chefão. O que é? Quer o meu lugar? Só por cima do meu cadáver. Pra me tirar do lado do meu Akira só me esquartejando e se certificando que eu vou ser muito bem cremado, porque se possível ainda viro zumbi, me costuro e volto pra tomá-lo de volta.
Respirei fundo e me arrumei mais um pouco antes da moça abrir as portas e eu ser apresentado ao salão repleto de membros do grupo, todos abrindo um corredor no centro para que eu passasse e curvando a cabeça em respeito... tenho moral , não tenho? Pode dizer, você queria o meu lugar... mas não vai ter, ele é meu.
E no final do corredor de pessoas está ELE...
Suzuki Akira, o filho da puta mais fodasticamente lindo, gostoso, fofo e bom de cama da face da Terra... sem dizer no nosso Aki-junior de 17-18 cm... ai Céus, quando essa droga de festa acaba? Eu quero logo ir pro quarto e...
–Aposto que ficou vadiando com os seus amigos de novo depois da aula! – ele censurou, afrontado e sério... merda! Esse olhar dele sempre me deixa duro...
–Cheguei bem na hora marcada, Aki, nem vem... – me defendi, enlaçando seus ombros e beijando-o.
–Ta perdoado só porque você está lindo hoje! – ele sorriu de lado.
–E quando eu não estou lindo? – inquiri de modo convencido, anos ao lado dele e minha auto-estima estava transbordando.
–Quando está longe de mim! – ele rebateu em seriedade e eu tive que me derreter e beijá-lo novamente – muito bem, senhores, a senhora aqui chegou, vamos logo começar essa festa! – gritou para os demais no salão e uma música animada começou a tocar assim como comida e bebida continuaram a ser servidas.
–Senhora é? Se eu te levar pra aquele cantinho escuro ali e te foder, ainda vai me chamar de senhora? – provoquei, deslizando minha mão para a sua bunda e apertando-a.
–Oh-hou, está me intimando Takanori? – ele sussurrou em meu ouvido, na voz ameaçadora e séria que antes temia e hoje... amava.
–Algum problema se eu estiver? – continuei.
–Não, nenhum... – ele sorriu de lado – mas só depois da minha vez, se você ainda conseguir ficar de pé eu penso no seu caso – ditou, me puxando para trás do salão, passando por uma porta , por um corredor e indo parar no banheiro, trancando a porta atrás de si – te lembra algo? – inquiriu ao me afastar com seu corpo até que minhas costas encontrassem o tampo de mármore da pia coletiva. Pegando minhas pernas e colocando-me sentando nela antes que eu pudesse responder qualquer coisa.
–Hummm – gemi – vai me obrigar a te chupar, valentão? Ou vai fazer esse servicinho pra mim antes?
Akira sorriu e me beijou, perambulando sua língua por minha boca e me sugando o ar com ânsia.
–Ou a boca ou a bunda Takanori, o que você escolhe? – sussurrou em meu ouvido e eu sorri satisfeito. O afastei gentilmente com as mãos e desci da pia, me colocando de frente para o espelho e de costas para ele, espalmando minhas mãos no mármore e me arrebitando.
– O que você acha? –provoquei e sorri com o modo rápido que ele levantou minha bonita yukata negra e vermelha.
–Sem cueca? – perguntou destilando indecência – estava planejando isso, meu pequeno?
Sorri de volta.
–Quem sabe? – dei de ombros, na verdade eu meio que esqueci de colocar na correria, mas se serviu ...
Akira abriu sua própria yukata e abaixou sua boxer, colando-se a mim em seguida, esfregando seu membro semi desperto ali atrás.
–Eu amo você – cochichou em meu ouvido como se fosse segredo e eu me derreti completamente com aquilo.
–Eu amo você – assenti, pegando sua mão na minha e fechando os olhos quando ele me invadiu.
Nossas vidas não eram felizes, até decidirmos uni-las.
Ainda havia problemas de vez em quando e eu não sei se o nosso pra sempre duraria realmente pela eternidade... mas eu desejo veemente que sim.
Fico pensando às vezes como seria se tivesse sido diferente, se eu não tivesse a mania de comer em um canto, ou se Akira não estivesse ali para me ver, ou até mesmo se eu tivesse conseguido fugir dele aquele dia depois da aula... não tenho certeza de muitas coisas, talvez se eu não estivesse tão insatisfeito com a minha vida anterior eu nunca tivesse a oportunidade de conhecê-lo...
Então agradeço por meus pais nunca terem dado importância a minha existência, agradeço aos alunos que sempre me ignoraram e me tornaram invisível, agradeço aos empregados da mansão Matsumoto que me desprezavam...pois se tudo isso foi o que me trouxe até Akira... só tenho uma coisa a dizer:
– Se Foderam otários... eu estou bem mais feliz que todos vocês!
–Amor? Disse algo? – ele perguntou ao parar momentaneamente seu entra e sai alucinante.
–Não, me fode vai... hum...
Notas finais
Então gente, final!
o/
Não sei se agradeci nos outros caps, mas gostaria de deixa um beijo especial as leitoras:
Crazydelirius
Yori Suzuki
LikaNightmare ( tia limãocom vodka)
que deixaram recomendação pra essa mini long fic! ;D
E novamente gostaria de ser grata por cada review q recebi e por todos o leitores que fizeram parte dessa obra amadora que com toda a sinceridade superou minhas expectativas ao ter tantos leitores!
COmo eu disse, são os leitores quem fazem a fic neh? E os reviews e comentários, sejam aqui, por MP ou por twitter ou msn são sempre bem vindos e muito amados! Por isso... um reviewzinho?
*-*
Novamente agradeço, beijos e felicidades para todos! Espero que possamos nos ver mais por aí, seja em outras fic minhas ou fics de outras pessoas ( leitora compulsiva), twitter, msn... o que seja! ;D
beijoooooooooooo
o/
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