Departed Guardians

3 II - A Little Help


Estellise correu o mais rápido que pôde. Por algum motivo, haviam mantido-a em cativeiro no local em que pensou ser a residência do louro desconhecido.

Maldita hora em que seu tradutor, implantado na região da orelha, parou de funcionar. O impacto da queda ou os ferimentos poderiam ter tido envolvimento na pane do sistema. Não conseguia entender direito o que os humanos falavam, também nem teria como; havia saído da Terra ainda bebê, sequer havia tido tempo de aprender a língua da sua terra natal. Tinha conhecimento de algumas palavras, mas não poderia manter uma conversa longa.

Não sabia ao certo de onde vinha a força extraordinária adquirida, mas podia se recordar vagamente da injeção recebida no outro cativeiro; não se preocuparia com isso, precisava escapar dali.

Usou a nova força e se jogou contra a janela, caindo sabe-se lá quantos metros ou andares. Estelle não se machucou, pelo contrário, aterrissou com maestria e leveza, para sua surpresa. Estava no meio da movimentada rua de Nova Iorque, pessoas a encaravam com espanto, ela não os culpava.

Estellise decidiu voltar para o local da queda de sua aeronave, precisava sair da Terra o quanto antes. A informação recebida pelo Colecionador havia sido falha, não havia encontrado nenhum super-herói ou semideus capaz de ajudá-la.

Tony Stark era um sequestrador. Onde estavam os lendários heróis que haviam derrotado Loki? Ah, bem, nem tão lendários assim, o Colecionador havia confessado que a informação só existia em alguns planetas e estava sendo mantida em sigilo, para o bem dos humanos.

Estelle se ergueu lentamente e procurou um caminho adequado para escapar da multidão. Não se lembrava bem aonde havia deixado a sua aeronave, mas sabia como chegar ao antigo cativeiro.

Foi quando sentiu um baque no rosto e rolou no chão. O sangue invadindo sua boca.

– Isso foi demais, ‘tasha! – Ouviu-se a voz masculina. Era o homem de roupas escuras e óculos de mesma tonalidade, ouviu a mulher chamá-lo de Clint.

– Ela quebrou o Vibranium. Meu soco não vai quebrar nem mesmo um osso dela. – Natasha riu falsamente. Seu olhar se fixou em Estelle. – Onde estávamos?

Estellise conseguiu entender vagamente o que a mulher de rabo de cavalo havia falado, o golpe em sua face deveria ter ativado parcialmente o sistema de tradução. Não seria uma das melhores ideias apanhar ainda mais dela, mas dado seu desespero para se comunicar com eles, não havia outra saída.

Ela se ergueu e limpou a boca com o sangue. Fez o gesto chamando a Viúva Negra para a briga e a mesma concordou.

Encontraram-se em uma luta, com Natasha tendo a liderança por acertar facilmente os golpes em Estelle e bloquear os demais vindos dela.

Estellise conseguiu desviar de alguns socos, mas se viu presa em um gancho no pescoço que a imobilizou. Foi então que viu o tal Tony Stark e mais alguns presentes daquele prédio, saindo para acompanhar a luta.

Natasha forçou o braço em torno de seu pescoço e Estelle sentiu o ar se esvaindo dos pulmões. Jogou sua cabeça para trás e acertou uma sequência de cabeçadas na ruiva, que caiu desorientada.

– Tenho que admitir, você segura bem uma luta. – A agente limpou o nariz avermelhado com o próprio sangue e estalou o pescoço.

Mas antes que pudesse prosseguir, Estelle ergueu a mão na direção da Viúva Negra e recebeu um soco forte no estômago sem revidar, demonstrou ter desistido da luta.

– O que foi? Cansou? – Natasha questionou com sua respiração ofegante.

Estelle ficou de joelhos com uma das mãos apoiada na região do abdômen, ouvia claramente Natasha.

– Mais do que isso. Estava cansada de procurar por vocês. – Ela sorriu.

Romanoff olhou para os companheiros em sinal de surpresa, era natural, Estelle havia acabado de falar a língua deles. Todos se aproximaram.

– Você pode nos entender, então? – Tony se curvou discretamente para ela.

– Seus ajudantes não souberam o problema do tradutor, acho que sua amiga, ‘tasha foi mais eficaz do que eles. – Estellise respondeu tentando esconder o sorriso. – Os golpes dela ajudaram a consertá-lo.

Clint encarou a amiga que revirou os olhos com a fala.

– Antes de tudo, sou um bom fã de shows e estardalhaços, mas acho que se discutirmos aqui os motivos da sua fuga, não teremos privacidade. – O Homem de Ferrou sorriu casualmente.

Ele estava certo. A multidão só aumentava ao redor deles. Pelo menos, Estelle havia conseguido consertar o tradutor e poderia se comunicar facilmente com os Vingadores, o plano para voltar à aeronave podia ser adiado.

– Sim, mas antes... – Ela mostrou o braço completamente coberto de sangue. – Eu poderia usar a ajuda de vocês para tratar os ferimentos.

– Sim, sim, sim. Como quiser, mas, por favor, não quebre mais nada. – Tony lhe deu as costas.

Natasha a ajudou se erguer e segurou em seu braço enquanto voltavam para dentro da Torre. Estelle viu Steve a seguindo com uma expressão preocupada, o homem que havia tentado ajudá-la, parecia ter medo agora. Não a olhava diretamente, mantendo a atenção nas costas de Natasha.

Bem, ela tinha gostado de Steve pelo curto tempo que o teve como amigo, mas Estellise não tinha ido a Terra para encontrar alguém e desenvolver uma amizade, havia muito mais em jogo.

Para sua surpresa, nenhum dos Vingadores lhe fez perguntas sobre seu estado, origem e os motivos de estar ali. Havia sido conduzida para um quarto aonde um médico a aguardava e roupas novas estavam disponíveis; foi atendida pelo homem prontamente, recebeu pontos e curativos por todos os lugares do corpo.

Ouviu o médico dizer algo sobre o Extremis, em seu corpo, agilizar o processo de cura, mas não deu atenção. Foi orientada a tomar uma ducha para eliminar os resíduos de sangue e outros componentes e se apresentar para expor o caso aos Vingadores.

Colocou um vestido azulado com pequenas flores estampadas de manga cavada com altura até os joelhos, estranhou o gosto dos humanos por peças tão leves e sem graça, mas não questionou a hospitalidade. Arrumou os cabelos de modo a manter a franja escura sob sua testa e os cabelos escorridos para trás da orelha.

Quando terminou, ouviu a voz de J.A.R.V.I.S instruindo-a para se encontrar com os anfitriões. Entrou em uma sala clean, com todos os Vingadores de pé, encarando-a, Exceto Tony Stark, este estava sentado comodamente em uma poltrona, sem demonstrar preocupação.

Ela admirou cada parte do local, achando tudo diferente do mundo aonde havia sido criada com o que existia ali. Não notou quando Bruce pigarreou, parou de olhar os móveis quando Steve soltou um alto e sonoro ‘Com licença’.

– Oh? – Estelle se voltou imediatamente para ele, os olhos rubis fixos em sua face.

– Espero que esteja disposta a conversar conosco, senhorita... Maats? – Steve aparentou desconforto ao se dirigir a ela.

– Estellise Maats. – Ela confirmou. – Estava procurando por vocês.

– E nos achou! – Tony estendeu os braços para os lados. – A questão é, por quê?

Estelle respirou fundo e começou a falar tudo o que queria, desde que havia chegado a Terra.

– Preciso da ajuda de vocês. – Ela disse. – Apesar de ter sido um acidente, minha ideia era de entrar em contato com o senhor Stark antes mesmo de adentrar a órbita da Terra, mas fui atacada. Não tive tempo hábil de avisar as coordenadas da queda, também não contei com o fato que seria um pouso... forçado.

– E-Espera. Você está dizendo que veio de fora da Terra? – Clint balançou a cabeça.

– Sim. – Ela respondeu calmamente. – Estou pronta para as consequ-, digo, eu lidarei com isso outra hora. O fato é, sou humana como vocês e nasci na Terra, mas por circunstâncias, não pude ficar aqui.

– Primeiros os aliens de Nova Iorque, agora uma garota vinda de filme americano nos seduzindo com palavras. – Clint murmurou alto o suficiente para todos ouvirem.

Estelle sorriu, ao menos tinham senso de humor.

– Ouvi que vocês conseguiram derrotar o possuidor de uma Joia do Infinito e pensei que poderiam nos ajudar a fazer o mesmo.

– Joia do-? – Bruce arqueou uma das sobrancelhas.

– Vocês derrotaram Loki. Ele carregava uma joia poderosa, o suficiente para destruir este planeta.

– Nossa fama circula além Terra? Nossa. – Tony sorriu e se ajeitou na poltrona. – Conte-me mais.

Estelle sentiu o corpo amolecer, devia ser a pancada em sua cabeça ainda fazendo o efeito. Nem tudo estava claro, mas ela faria o máximo para contar do que se recordava.

– Descobri que... ah, um inimigo do meu, ern, povo está em posse de outra Joia e vem para a Terra por vingança. – Ela disse. – Mas como eu disse, a ideia não era assustá-los assim, preferia ter feito uma abordagem sutil.

– Sutileza não entra nos padrões dos Vingadores. – Tony debochou.

– Com certeza. – Natasha concordou.

– Tentei contatar meus conhecidos para me ajudarem nessa tarefa, mas pelo visto... um deles estava muito ocupado, fazendo algo mais importante. – A imagem de Quill surgiu na cabeça de Estelle e deixou ainda mais irritada. A ideia de agredi-lo até torná-lo paraplégico era muito tentadora, mas afastou os pensamentos por serem violentos demais. – Minha nave, a Genova, foi atacada antes mesmo de eu tentar um contato. Peço desculpas por isso.

Steve Rogers se aproximou dela e a encarou com preocupação.

– E você enfrentou tudo isso sozinha?

– Não tive muita escolha. – A jovem respondeu seriamente. Estelle encarou Cap sem receio. – Posso contar com a ajuda de vocês?

Esperou a resposta negativa, como sempre. Estava acostumada com o modus operandi de Peter Quill, já imaginava que iriam debochar de seus problemas e provavelmente a expulsariam dali, mas pelo menos havia tentado.

Ela se manteve firme, sem baquear, não queria demonstrar sua fraqueza antes aos heróis mais conhecidos de seu planeta natal.

– E então? – Tony olhou para os colegas. Sua expressão era indecifrável.

– Espera, não sabemos quem é o inimigo e você quer enfrentá-lo assim mesmo? – Natasha indagou. – Está louco, Stark? Ou melhor, está mesmo.

– Se eu puder opinar, acho que se todos aqui lutaram contra um grupo de aliens no passado, enfrentar outros não parece tão insano assim. – Bruce ajeitou os óculos no rosto. – Olhe para nós, só cooperamos quando temos algum inimigo em comum, sem isso, destruímos uns aos outros.

– Ele está certo. – Clint assentiu com a cabeça.

– Ela é humana como nós, não podemos ignorar esse pedido. – Rogers disse firmemente. – Se estiverem de acordo, eu estou.

Tony balançou a cabeça para os lados se dando por vencido. Formou um sorriso forçado para Estelle.

– Bem, você tem os Vingadores do seu lado. Apesar do grande Para-Raios não se encontrar aqui, podemos dar um jeito de avisá-lo, ele adora uma batalha honrada.

Estelle abriu um largo sorriso.

– É sério?! Claro que é. – Se corrigiu automaticamente. – Muito obrigada! Agora eu sei que a Terra tem uma chance e Xandar também!

– Xandar? – Ouviu-se o questionamento coletivo.

Estelle tapou a boca e se recordou de Genova, sua nave. Precisava voltar o mais rápido possível para Knowhere e informar Quill de sua façanha, também precisava comunicar a Nova Corps, eles sequer sabiam da ameaça que os aguardavam!

Havia tantas coisas a serem feitas, não havia dito aos Vingadores que o grande inimigo, era alguém que os Guardiões da Galáxia haviam enfrentado. Como poderia? Os terráqueos não tinham ideia do poder de Thanos e Ronan.

Mas então a jovem viajante se recordou da queda e da grande possibilidade de sua nave estar quebrada, como conseguiria voltar com a tecnologia inferior da Terra?

– Ah, droga. – Estellise se lamentou. – Minha nave, Genova, preciso dela.

– Isso é fácil. – Stark disse. – Podemos localizar.

– Preciso voltar para resolver pendências, sem a Genova, não conseguirei. Temo que esteja danificada com a queda, gostaria de contar com sua cooperação para me ajudar na recuperação. – Ela respondeu. – Não sei como é a tecnologia espacial de vocês, mas ajudarei o máximo que puder com meus conhecimentos.

Bruce soltou uma risada abafada.

– Quanto a isso... Eu temo que tenhamos mais conhecimentos que você, senhorita Maats. – Tony gabou-se. – J.A.R.V.I.S?

Sim, senhor?

– Tem a localização da queda da aeronave? Se sim, traga-a para a torre, temos uma coisinha para consertar.

Imediatamente, senhor. Iniciando o Protocolo Extração Nível 10, senhor Stark.

A voz desapareceu, deixando todos em um mais do que profundo silêncio. Estellise não se conteve e foi a primeira a falar.

– É isso? Vão trazê-la aqui?

– Deveria ser difícil? – Tony questionou.

– A Genova é grande e... Como caberia aqui? – Ela tentou se explicar.

– A Torre Stark é autossuficiente e, minha cara, creio eu que ainda não conhece os andares superiores. Temos espaço de sobra. – Stark respondeu. – Enquanto aguardamos sua nave, precisamos dar um jeito nesse... seu temperamento.

Estelle não entendeu a afirmação. Fechou o semblante, preocupada.

– O Extremis. – Cap lhe disse de forma tranquilizadora. – Algo similar ao que me deixou assim, mas que pode torná-la instável. Mas isto sou eu falando sem qualquer conhecimento científico.

Ela sorriu. A sinceridade de Steve Rogers era algo novo para alguém que convivia com mercenários, alienígenas sem escrúpulos e humanos abduzidos que viviam como se fossem de Xandar ou outros planetas.

– Tudo bem. – Estelle assentiu com a cabeça. – Por onde começamos?