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8 Capítulo 8
Eu estava me segurando para não me tacar nos braços dele e sentir o calor que eu sentia antes da tragédia que nos separou.
Parecia que a chama que havia em meu coração, que estava apagada, quando eu o vi, ela acendeu novamente e incendiou meu coração e iluminou tudo a minha volta.
Não agüentava mais esperar para abraçá-lo. Eu o olhava com lágrimas nos olhos e um grande sorriso, mas ele pareceu indiferente com a minha atitude. Sabia que ele se lembrava de mim, como esquecer o que passamos? Mas, não parecia o mesmo, estava muito sério e não me olhava muito, me tratou como se eu fosse somente mais uma ali que ele teria de monitorar.
-Então. Estamos indo. – riu Dra. Mc’curt e Kevin, que deu um sorriso sem graça para mim. Eu o retribui e olhei para Yago, que não parecia nada contente.
-Tchau. – disse Kevin saindo do ninho, junto de sua mãe.
Sr. Nyer sorriu para Dra. Mc’curt e para Kevin. Quando eles saíram e bateram a pesada porta ele virou os olhos para nós, sem aquele sorriso amável. Tinha uma expressão séria e malvada no rosto. Assustei-me com a drástica mudança de humor.
-Então... – disse ele andando pelo ninho, passando por nós.
Era como se o coronel estivesse examinando seus soldados com uma rigidez tremenda.
-Agora sou seu Coordenador, não é moleques? – ela uma pergunta retórica e todos perceberam, menos um menino de cabelos dourados que estava ao lado dele. O garoto balançou a cabeça e disse que sim.
Sr. Nyer olhou para o menino com os olhos quase que saltando de sua cabeça, levantou a mão acima dos ombros e deu um tapa no rosto do garoto, que caiu deitado no chão. Todos fizeram barulhos de reprovação e susto, até que Yago se meteu, falando calma e friamente com o homem.
-Não acho que seja prudente agredir esses pivetes. – falou ele, olhando o homem nos olhos e se aproximando dele, com as mãos atrás das costas e uma expressão serena. Eu não o reconhecia mais. – Já são miseráveis. Não precisam ser torturados fisicamente, pois já são psicologicamente. – falou ele, pondo uma das mãos no ombro do homem.
Os olhos do Sr. Nyer foram abaixando e ficando calmos novamente. Ele respirou fundo e esboçou um sorriso.
-Está certo, filho. – disse ele.
Filho?! Yago agora era filho deste homem?! Como assim?! O que ele havia feito com o meu namorado?! – perguntei-me, indignada.
-Enfim! – disse Yago, indo em direção a porta com seu novo pai. – Arrumem-se, esperamo-los na Sala de Adoção. – ele e o Sr. Nyer saíram do ninho e imediatamente todos foram acudir o menino, que ainda estava com as mãos no rosto e com lágrimas contidas nos olhos.
-Que homens desprezíveis! – gritou Alicia, socando seu travesseiro.
Cheguei perto dela e olhei ao redor. Os outros estavam ocupados demais ajudando o menino ou se arrumando para a apresentação.
-Aquele... O meu monitor... – falei, olhando-a nos olhos e sussurrando. Ela assentiu, como se estivesse entendendo o que eu estava falando.
Eu confiava em Alicia, não sabia o porquê, mas confiava nela.
-O que tem? – disse ela, pegando um vestidinho roxo dentro do baú.
Queria muito saber como aquele vestido aparecera ali, se um dia antes, só o que havia ali era nosso uniforme.
-Ele é... – engoli em seco e me lembrei do monstro que ele tinha se transformado. – Ele era o meu namorado. O menino que correu para o trem no primeiro dia.
-O que?! – ela arregalou os olhos, e até deixou seu vestido cair na cama, e foi o que ela fez também, se jogando na cama. – Como assim?! – disse ela me puxando para cama e me fazendo explicar tudo a ela.
Falei que antes de tudo de ruim acontecer, nós éramos namorados e nos amávamos muito, mas fomos separados e eu nunca mais o vi, até aquele dia na estação. Mas, ele tinha mudado muito. Ele costumava ser fofo, galanteador, engraçado, carinhoso, brincalhão e não aquele protótipo de general.
-Isso é muito estranho... – falou ela, estreitando os olhos. – Tem alguma coisa aí...
Balancei a cabeça positivamente. Com certeza tinha alguma coisa muito estranha acontecendo.
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