Notas iniciais
Esse capítulo ficou meio pequeno, mas ele é importante! Boa leitura amores!

Andava de um lado para o outro no meu quarto, remoendo minhas dúvidas e anseios em relação ao que acontecera ontem. Pra quê tanta curiosidade? Minha família está bem com sua história guardada no passado, sem serem incomodados. Ninguém os procura faz tempo mesmo.

Pra mim, cada ser tem sua função na Terra. Uns nasceram para serem vitoriosos, outros nem tanto. Mas cada ser, cada pessoa do universo está aqui por um motivo. Um bom motivo. E o meu talvez seja esse. Talvez aquele homem que vi na foto seja importante.

Uma coisa que eu achei muito estranha foi que eu nunca tinha visto esse porta retrato na casa do meu avô. E eu conhecia muito bem cada cômodo, cada móvel, cada centímetro cúbico de sua casa. E ele não é um homem de segredos, muito pelo contrário. Ele sempre me contava tudo esperando que eu fosse ajudar de alguma forma, nem que fosse uma ajuda bem pequenininha. E eu era uma criança, então não podia ajudar em muita coisa. E apesar de não ser uma criança mimada e briguenta, eu podia atrapalhar de alguma forma. E eu ainda posso. Mas eu cresci, amadureci, e estou disposta a ajudar minha família seja no que for. Agora, eu preciso me preocupar com a nota da minha prova substitutiva de física, e quando eu puder, eu vou atrás do homem misterioso, sorrido lindamente na foto antiga do vovô.

Minha cabeça doía, enquanto fazia meus deveres de casa. Eu pensava em procurar aquele homem, mas não sabia por onde começar. E meu trabalho de cinco páginas sobre a revolução francesa estava longe de acabar. Estava pensando em que consequências aquilo me traria. Poderia acabar com a ordem e paz na minha família? Poderia ajudá-los de alguma forma? Quem será que tirou aquela foto, tão alegre? Eu não iria parar de procurar e é muito melhor ficar só entre mim, não contar pra ninguém.

Quando finalmente acabei, não sabia por onde começar a busca pelo homem na foto do vovô. Minha cabeça e minha garganta doíam, eu estava extremamente exausta e tonta. Olhei para o relógio. 19h15min. Deitei-me em minha cama, que já não estava gelada e desarrumada, mas não dei importância. Fechei meus olhos esperando que as dores melhorassem, principalmente a de cabeça.

Acordei mais uma vez no dia seguinte, dessa vez sem dores e no horário de ir para a escola. Vesti uma roupa comum, um gorro e fui para a escola a pé.

Chegando lá, Kailee me abraçou forte.

– Sua doida, você sumiu! O que aconteceu? – ela disse, com sua voz meiga e suave.

– Eu fiquei doente e aconteceram umas coisas na minha família, mas agora estou bem, não se preocupe.

Kailee pegou no meu braço com sua mão branca e gelada, e ia me guiando pelos corredores da escola até nossa sala, vazia pois o sinal não havia tocado. Ela sentou em uma das carteiras e tirou seu iPhone com uma capinha rosa do bolso. Começou a jogar um joguinho infantil. Estava tão fissurada no jogo que nem perceberia se eu saísse. Retirei-me da sala devagar, dando passos silenciosos e torcendo para que ela não me notasse, só para ver se ela percebia minha ausência. Fui até o bebedouro, e inclinei – me para beber um pouco da água um tanto gelada, quando percebi alguém atrás de mim. Era uma menininha, visivelmente arrumada. Deveria ter pelo menos uns cinco anos e carregava uma garrafinha rosa.

No momento, notei que ela estava esperando eu sair para encher a pequena garrafa. Me afastei do bebedouro e fiz um gesto para que a menina pudesse usar. Ela colocou a boca da garrafa na torneira do bebedouro e, de alguma maneira, tentou encher a garrafinha pulando, fazendo com que a água derramasse a cada vez que ela dava um de seus pulinhos. Visivelmente embaraçada, eu fui me retirando, quando Kailee saiu da sala por algum motivo.

– Judie? O que você está fazendo na minha escola? – disse Kailee para a menina, que pareceu não dar muita atenção – Vamos, me diga!

Judie olhou para Kailee, pegou sua garrafinha e saiu correndo, dando pulinhos. Kailee foi correndo atrás dela e eu a segurei na hora em que ela ia escorregar na água que Judie derramara. Eu posso dizer que se eu não segurasse o braço dela ela estaria no hospital agora.

Me dirigi até a sala e olhei no relógio. Faltava cinco minutos para a hora de o sinal bater. Eu não sei como nem por que, mas eu achei o rosto daquela menina um tanto quanto familiar. Os olhos e cabelos claros, o sorriso... Não, não pode ser! O homem da foto! As mesmas feições, características e principalmente o sorriso! Eu preciso falar com aquela pequena garotinha, de algum jeito.

Voltei para a casa e fui direto para o computador. Ia falar com a Kailee pelo chat, quando notei uma coisa na foto. Em seu verso, estava escrito uma data. 29/06/1955. Não pensei duas vezes e fui procurar. Passei horas e horas na frente do computador, tentando achar alguma coisa, alguma pista, pelo menos uma linha falando se realmente aconteceu algum evento durante essa época. Olhei para o relógio do iPod. 4h23min da manhã. Meus olhos estavam piscando, quase fechando, quando vi um link no canto da tela, com letras tão minúsculas que meus olhos cansados quase não viram. Nele dizia “Veja documentos históricos de Africanos que tiveram seus vilarejos atacados por Ingleses no século passado”. Cliquei com tanta força que quase quebrei meu mouse.

Vi cada um dos relatos, e vi que aquilo me ajudaria de verdade. E eu tenho certeza de uma coisa agora: não estou nem um pouco determinada a parar. Mas estou determinada a dormir. Fechei o computador e dormi, dessa vez com esperança, de que tudo iria dar certo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.