Dentro de um Coração Vazio

3 Velhas Feridas Que Nunca Cicatrizam


Notas iniciais
Oie povo, saindo mais um cap bem dificil de montar, mas me dediquei muito a ele, então, peço pra vcs me darem seu retornou, pq eu escrevo com carinho e amor por esses personagens, mas tbm necessito de apoio de vcs aí que leem e não comentam. Por favor deixem os seus reviews!!! Ahhh, queria dedicar esse capitulo a Carolayne Silva pela recomendação e pelo apoio, muito obrigada Carol..

"Eu te seguraria em meus braços

Eu afastaria

toda a dor Agradeceria por tudo que você fez

Perdoaria todos os seus erros

Não há nada que eu não faria

Para ouvir sua voz de novo

Às vezes eu quero te chamar

Mas eu sei que você não estará lá

Ooh, me desculpe por te culpar

Por tudo que eu não pude fazer

E eu feri a mim mesmo ao ferir você"

(Hurt — Christina Aguilera)

~*~


Bonnie

Passamos quatro meses conturbados e ansiosos guardando o corpo de Damon, enquanto perseguíamos, implacavelmente, Julian, que havia desaparecido levando consigo a Pedra da Fênix, mas distraidamente deixando para trás a espada mágica que era a única coisa que poderia dar um fim naquele sanguessuga. Depois de tanto procurar conseguimos encontra-lo refugiado no subterrâneo de um hospital antigo e abandonado em Seattle.

− Sejam bem-vindos ao meu pesadelo! − Ouvi a voz asquerosa e sádica de Julian ecoar no escuro daquele local tenebroso e fétido. Ele tentou nos manipular, como se estivéssemos presos dentro da sua própria mente doentia e perversa.

Tudo era uma armadilha, pois mais outros vampiros se juntaram a ele nos encurralando. Stefan me puxou para longe dali, tentando me proteger e usando sua velocidade sobrehumana me levou para um local mais seguro com a ajuda de uma Caroline, igualmente, assustada, enquanto Valerie, Beau e Enzo ficaram mais atrás tentando atrasa-los.

O pior foi quando Nora e Mary Louise cruzaram o nosso caminho. Sem saída tivemos que enfrenta-las. Stefan me deu cobertura para que conseguisse chegar até uma das hereges e com um aneurisma forte consegui derrubar Mary, enquanto sorrateiramente Valerie apareceu quebrando o pescoço de Nora e, assim, derrubando a barreira que parecia proteger o seu líder de ser atacado por nós. Carol, Enzo e Beau em pleno controle de suas habilidades, entraram em ação contra-atacando os outros vampiros aliados de Julian.

Logo, fui surpreendida por um Julian implacável e feroz como um predador. Eu tentei incendia-lo usando uma de minhas magias, mas ele foi mais rápido e resistente, conseguindo chegar até mim e prender suas mãos afiadas contra o meu pescoço tentando me sufocar, porém eu aumentei a carga de aneurisma e o repeli fazendo-o se chocar violentamente contra o chão. De repente seus olhos selvagens, que antes me olhavam pronto pra retornar seu ataque, se fixaram em Stefan atrás de mim.

— Você matou Lily naquele inferno e a matou aqui no mundo real, onde você não pode consertar seus erros. — Stefan disse desarmando o vampiro mais velho.

Lily era o ponto fraco de Julian, o que poderia fazê-lo fraquejar.

— Você tentou roubar Lily de sua família por duas vezes, mas no fim ela escolheu a nós. – Cada palavra de Stefan era afiada, cheia de magoa e ressentimentos, reflexos muito além da perda de Lily em suas vidas.

− Você sabe o que é viver preso dentro de seu inferno pessoal, vivendo seus maiores medos e fraquezas das formas mais terríveis possíveis? − Julian, apesar de estar afetado emocionalmente, conseguiu sair de seu torpor e suas próximas palavras me deixaram sem fôlego. — Então, você num momento está agonizando em dor, ou em culpa... Em outro você está descontrolado ,lutando contra si mesmo.

E tudo o que eu pensava naquele momento era em como a pedra vermelho rubi, deveria estar consumindo a mente e alma de Damon.




Damon

Eu podia ouvir os sussurros de várias vozes ao meu redor, enquanto meu olfato pegava no ar o cheiro forte de ervas medicinais. Mãos tocavam a minha pele e eu podia sentir um certo incomodo onde elas tocavam, era uma leve dor e ardor bem na região do peito onde essas mesma mãos se localizavam. Ainda meio tonto com a cabeça latejando um pouco, tentei abrir meus olhos, mas a iluminação do lugar me fez num reflexo rápido fecha-los. Eu também me sentia desnorteado no meio daquelas vozes e daquele lugar, até que um cheiro em especial se tornou mais proeminente.

Ela cheirava a canela e rosas.

− Oh, meu menino, você acordou! Já era tempo de voltar para a sua família. – Ouvi aquela voz tão familiar e doce soar perto de mim me fazendo abrir os olhos instintivamente para encontrar com azuis tão intensos quanto os meus.

− Lily... − Eu tentei dizer com dificuldade, fazendo a minha garganta seca queimar me impedindo de pronunciar aquela simples palavra.

Eu tentava falar, questionar querendo saber onde estava. Comecei a olhar para todos os lados percebendo que Lily não era única ali comigo. Havia duas criadas em suas roupas simplistas, entre elas consegui identificar Emily Bennett, mas a outra que estava sentado ao lado da cama cuidando de mim, eu não conseguia vislumbrar sua face, pois a toca que lhe cobria os cabelos me atrapalhava a visão. A tal moça naqueles poucos instantes, permanecia sempre com a cabeça baixa num sinal de submissão.

− Filho você voltou para nós depois de semanas preso nesse quarto. – Lily disse amorosamente tocando meu rosto. Mas minha mente e meus olhos ainda estavam perdidos nos toques cuidadosos da jovem desconhecida que fazia um novo curativo em meu peito. Foi assim, que percebi que estava ferido, mas a ferida parecia estar em processo de cicatrização. Também reconheci o local onde me encontrava, eu estava em meu quarto, deitado em minha cama se sentindo um pouco debilitado.

— Como se sente querido. – Minha mãe interroga calma e serena pairando mais perto da minha cama.

− Eu me sinto... – Minha voz falha e eu começo a tossir.

— Emily traga água fresca, rápido! – Lily disse e logo Emily já retornava com uma jarra de vidro cheia de água. As mesmas mãos que antes cuidavam do meu ferimento no peito agora me alcançava um copo de água. Lily me ajudou a se sentar na cama enquanto aquelas pequenas mãos me ajudavam a matar a minha sede.

Por um instante pude vislumbrar os olhos verdes escuros indomáveis que tinham um belo contraste com sua pele negra, uma beleza rara. Eu senti meu interior se agitar ao se cruzar com aqueles olhos que pareciam tão familiares. Senti um desejo forte de saber seu nome, mas Lily interrompeu meus planos.

− Vocês duas podem sair agora, já cumpriram seu trabalho aqui. – Lily disse sorrindo educadamente para as duas criadas que saíram, silenciosamente, do quarto, enquanto meus olhos continuaram a perseguir a jovem desconhecida de olhos verdes tão lindos, até que sua silhueta desaparecesse na porta. – Stefan quando chegar vai ficar tão feliz em lhe ver. – Lily tinha um sorriso que parecia tão angelical me fazendo sorrir junto, mesmo que por dentro eu me sentia estranho, como se eu não pertencesse aquele lugar, ou como se aquilo fosse uma miragem.

— Mamãe, o que aconteceu? — Eu questionei curioso e confuso ainda com um pouco de dificuldade em falar. — Eu só consigo me lembrar de Will, dos soldados inimigos atrás de nós e... — Repentinamente fui invadido por memórias da guerra.

— O que importa é que você sobreviveu a batalha como um soldado corajoso e honrado e voltou para casa. — Saí de meus devaneios ao ouvir a voz de Giuseppe ecoando pela porta, me deixando boquiaberto. Meu pai apareceu sorrateiro, me fazendo sentir um friozinho na barriga de ansiedade e medo ao ouvir suas palavras. — Estou tão orgulhoso de ti meu filho. – Giuseppe mantinha sua postura séria habitual, embora houvesse um brilho diferente em seu olhar. Aquilo agitou meu coração, porque ele me sorriu, um sorriso que nunca vi estampado em seu rosto que sempre foi marcado por expressões carrancudas, ou desdenhosas dirigidas a mim, mas agora expressava admiração.

Minutos depois, a Mansão Salvatore foi invadida por vozes alvoroçadas e animadas. Uma delas reconheci como sendo de Stefan. Meu irmão saiu correndo escada a cima, fazendo o assoalho gemer de tão eufórico que estava. E, lá estava ele chegando a meu quarto, com toda a sua postura um tanto inocente e jovial.

— Irmão até que enfim você está conosco. A casa não é o mesmo sem você. — Eu ainda tinha dificuldades em me locomover, então, foi tão difícil quando ele me abraçou jogando seu corpo pesadamente sobre a cama.

— Stefan devagar, seja gentil. Seu irmão ainda parece debilitado. – Lily dizia repreendendo um Stefan que parecia muito alvoroçado demais para ouvi-la, me fazendo sorrir com a situação.

Obviamente, era bom se sentir seguro nos braços de seu lar com uma mãe amável, com um irmão caçula mimado e um pai orgulhoso por seu filho mais velho. Era tão incrível estar assim com eles, num momento em família, numa calmaria e normalidade.

Mas por que eu sentia que aquilo não se encaixava comigo? Essas sensações me afligiam o peito.

— Agora nossa família está completa. — Dizia Lily.

Quando a noite dominou a casa e o silencio caiu sobre nós, demorei a dormir, com medo dos pesadelos que, consequentemente, iriam invadir meu sono. Mas, quando o cansaço veio forte, se apossando de meu corpo e mente, decidi não mais lutar contra cansaço, deixei minhas pálpebras pesadas se fecharem e me aconcheguei em minha cama numa posição confortável que diminuíssem um pouco as dores.

No dia seguinte, despertei determinado a recomeçar minha vida, sem mais lamentações, sem remoer o passado. E assim, me deixei levar por essa nova realidade.

Era tão estranho ser um jovem dependendo dos cuidados de outros, sobretudo, o zelo excessivo de minha mãe, sensações que há muito não sentia, o que fazia a desconfiança e medo crescer dentro de mim. Fui deixado aos cuidados novamente dos criados. Eles arrumaram meu quarto, trocaram todas as roupas de cama. As janelas foram abertas para que o sol entrasse iluminando mais um dia.

A dona de olhos verdes indomáveis me ajudou a me alimentar e depois me ajudou no banho. Sentir suas mãos pequenas me banhando, vagando cautelosamente sobre meu corpo nu molhado coberto apenas por espumas, me perturbava e me deixava até... tímido diante dela.

Damon Salvatore nunca foi um homem tímido, ou que temesse uma linda mulher, obviamente, eu também nunca me fascinei por nenhuma das criadas, sempre as respeitei, mas aquela pequena criada de beleza distinta fazia meu corpo se agitar de uma forma estranha. A cada toque dela eu sentia minha pele arrepiar e meu corpo reagir, queimando numa mistura de luxúria e, talvez, carência.

“Há quanto tempo estive sem ser tocado assim?!” Eu questionava a mim mesmo, observando a jovem me banhar gentilmente. Decidi relaxar sob água quente e apenas me concentrar em cada toque seu, ou em seu cheiro. Fechei os olhos apreciando o seu cheiro de morangos frescos e sua presença me trazerem paz. Sob suas pequenas mãos que irradiavam calor me aquecendo, também havia uma sensação de familiaridade, como se eu já tivesse experimentado essas sensações das mesmas mãos que me tocavam.

Inesperadamente, despertei de meus devaneios ao me lembrar de um nome.

− Bonnie! − Eu gemi seu nome em meus lábios, enquanto meus olhos procuravam por ela, mas ela já não estava mais ali. Era como se Bonnie fosse uma doce alucinação. Seus olhos verdes enigmáticos e seus toques quentes e gentis, foram substituídos por olhos castanhos dissimulados e mãos frias sem pudores.

− Damon, senti tanto a sua falta. – Katherine murmura sedutoramente e eu me vi com seu corpo nu enlaçado ao meu se tornando um, os olhos de corça me olhavam com malícia, enquanto os lábios me devoravam com fome. Eu lhe correspondia, mecanicamente, porque a minha mente estava muito longe dali.

Meu corpo poderia estar naquele instante, naquela banheira entrega a Katherine, mas minha mente e meu coração estavam presos nas memórias tortuosas de olhos verdes e cheiro de morangos.

− Você é real? – Eu murmurei por entre os beijos.

− Eu estou aqui, Damon. Toque-me e você saberá. – Eu estava ali tentando gozar dessa realidade com Katherine em meus braços, mas por dentro eu estava gritando em desespero e confusão.

E assim, se passaram meus dias em Mystic Falls, se dividindo entre tórridos e perigosos encontros secretos com a senhorita Pierce, momentos normais e rotineiros com minha família e um baile de Boas-vindas feito, especialmente, em minha homenagem.


Portanto, todas as famílias nobres e importantes da cidade apareceu com os seus trajes impecáveis e elegantes, festejando em nossa casa. Giuseppe desfilava ,orgulhosamente, seu filho mais velho diante de todos e eu apenas me deixava ser levado achando divertido e até deslocado com tanta atenção sobre mim. Entre curiosidades, atenções e trocas de conversas descomprometidas e, alguns assuntos idiotas que me irritavam, lá também apareceu Katherine Pierce, me deixando perturbado com sua presença.

Katherine exibia uma postura sedutora e fatal desfilando em seu longo vestido azul rodado de cetim, seus olhos me olhavam com muita intensidade, enquanto seus lábios carmesins ostentavam um sorriso sedutor e malicioso. Engoli em seco quando se aproximou de mim me dando um beijo demorado no canto de meus lábios. Eu também havia percebido a carranca que havia se apoderado da face de Stefan.

— É tão bom tê-lo de volta, Damon. Seja bem-vindo! — Katherine disse animada com sua voz vibrante, fingindo uma pureza que nunca existiu nela.

Nós dançamos no meio de outros casais, e eu não podia negar a excitação que tinha de poder, naquele instante, exibi-la em meus braços livremente diante de todos, inclusive de meu irmão. Havia essa sensação de posse e poder que se enraizava em mim, pois estava cansado de compartilha-la com ele. Aliás, estava cansado de compartilhar tudo com Stefan.

Todavia, quando meus olhos voltaram-se para Stefan, percebi seu olhar faminto em direção da pequena criada de olhos verdes que se chamava Bonnie. Vi eles trocarem sorrisos e olhares cúmplices como se fossem amantes secretos. Decidi interferir, enraivecido pela cena intima entre eles.

Eu me desvencilhei dos braços de Katherine e, num instante, os perdi de vista. Stefan e a jovem haviam fugido sorrateiros para a escuridão da noite. Motivado por uma fúria avassaladora, sai desenfreado atrás deles, tentando encontra-los onde quer que fossem. Meus pés me guiaram na direção na Cripta Salvatore e, a cada passo que dava, mais meu coração pulsava agitado enquanto um frio horripilante percorria meu corpo.

E, lá estavam eles... Stefan meu irmão com minha pequena bruxinha em seus braços. Eles se beijavam com paixão, enquanto as mãos dele lhe tocavam de um jeito tão possessivo e lascivo por cada pedaço de pele, sem o menor pudor. E a cada toque dele a bruxa lhe correspondia com gemidos incessantes e aquilo fez latejar meu peito numa dor terrível. A cena diante de mim ,causou um ódio descomunal, eu sentia cada fibra de meu corpo doer de tanta raiva e ciúme.

− Fique longe dela. Ela é minha! – Esbravejei com toda força de meus pulmões.

Imediatamente, os olhos esverdeados de Stefan se cruzaram com os meus e seu sorriso estampava um triunfo sobre mim. Eu não via mais nada a não ser aquele cara ostentando sua vitória e poder, tentando me roubar aquilo que eu tinha de mais precioso.

Mais uma vez, ele queria tirar algo que deveria pertencer somente a mim. Mais uma vez, Stefan estava ali, para tomar a única coisa que eu nunca iria dividir com ele.

Os irmãos Salvatore sempre estiveram numa relação complicada desde que Katherine havia ficado entre nós, causando muitas intrigas ao ponto de colocar um contra o outro. Mas, ela não foi a única mulher que acabou entre nós. Lily Salvatore, nossa própria mãe, teve uma influencia vital para causar uma nova quebra na relação entre irmãos.

A coisa mais impressionante, acima de tudo, foi como ambos acabaram se apaixonando novamente por um rosto fielmente semelhante à Pierce, dessa vez, havia sido Elena quem ficou no meio do caminho. Só que no fim, Elena também acabou por ser quem nos uniu novamente, fazendo os irmãos esquecer suas diferenças e lutar pelos mesmos objetivos.

Por Elena nós até tínhamos superado tudo. E Stefan e Damon pareciam viver em trégua, sempre do lado um do outro, mesmo que houvesse as picuinhas, ainda sim, formamos uma relação familiar muito consistente, sobrevivendo a qualquer nova ameaça. Porém, agora as coisas foram longe demais, pois durante anos essa relação fraternal sempre esteve em conflito e por mais que existisse o amor e até o companheirismo, sempre houve algo entre nós. Impedindo-os de superar seus ressentimentos.

− Olá irmão, não me olhe assim. Nós dividimos tudo, lembra? Mamãe, Katherine, Elena. Esse é o nosso jogo. – Ele dizia num tom perverso. – Não seja egoísta... − Sem pensar em mais nada, deixei a ira me dominar por completo e lhe ataquei, rolamos sobre a grama e a terra que agora estavam molhados com a chuva severa que caía sobre o bosque.

− Cala a boca! Ela não! Bonnie pertence somente a mim. – Eu dizia lhe esmurrando sua face, rosto e abdômen, usei minha força sobre humana e o joguei, violentamente, contra uma enorme árvore, fazendo o tronco se partir com a minha fúria. O bastardo ainda possuía o cheiro dela sobre si, o que me deixou mais possesso.

− Ah, querido irmão, não seja tolo. Você não pode possuir algo que nunca será seu. – Stefan num piscar de olhos me desarmou chocando seu corpo contra o meu me derrubando sobre o lamaçal de sangue que se formava sob nós.

− Mas, o que é isso? – Eu dizia conturbado por todo aquele sangue. Senti as mãos áspera de Stefan erguer minha cabeça para confrontar seus olhos que agora haviam ficado escuros e sombrios, estampados numa face demoníaca. Em seus olhos, pude me ver refletido numa expressão monstruosa tanto quanto a de Stefan, ambos estávamos sujos de sangue.

Nós continuamos num confronto brutal como predadores vorazes, lutando por seu território, enquanto a tempestade nos envolvia entre trovões e raios riscando o céu naquela noite fria e tenebrosa. Ali, naquele bosque sob a noite chuvosa, Stefan e Damon deixaram vir à tona toda ódio e ressentimento, ocultados por anos dentro de si.

− Damon, você me tirou tantas coisas. Você sempre teve inveja de mim. – Então, eu vi Giuseppe, Katherine e Lily ali nos olhando com expressões em branco. – Eu sempre fui o filho preferido, o que seria digno de orgulho. – Os rostos em branco de Giuseppe e Lily se iluminaram diante de Stefan, de uma forma que nunca se iluminaram por mim, transmitindo amor e muito respeito. – Eu fui o escolhido de Katherine. O único que ela sempre amou. Aliás, ela sempre preferiu o bom moço. – Eu vi Katherine com um olhar intenso faiscando de desejo e amor, um amor entregue somente a Stefan.

Diante de suas palavras, meus olhos nublaram de puro sarcasmo e insanidade.

− Mas, eu no final consegui Elena. A mulher que de verdade, sem usar de artimanhas nojentas... Sem precisar nos manipular, Elena me amou genuinamente e escolheu a mim. Escolheu a mim pra viver pra sempre ao seu lado. – Eu enfatizo decidido a desafiar meu próprio irmão. Eu queria vencê-lo em seu próprio jogo.

− Sim, você a teve pra si. Você a roubou de meus braços sem remorso. Você tirou Elena de mim, mas no fundo... Elena era só um prêmio a ser conquistado! – Ele disse com suas mãos ríspidas tentando me enforcar. − Você projetou todos os seus sonhos e sentimentos que sentira um dia por Katherine para a jovem Elena. – Suas palavras ficaram me corroendo por dentro.

− Mentira! – Eu grunhi de ódio conseguindo me desvencilhar de seu aperto e parando em pé diante dele. − Meu amor por Elena é real. Eu amei Elena com todo o meu coração. Um amor que me consumiu. Eu a amo mais do que humanamente é possível. – Eu dizia convicto.

− Entretanto, foi Bonnie que você decidiu salvar. Entre ficar com Elena pela eternidade e deixar Bonnie morrer, você escolheu a bruxa. Você escolheu deixar Bonnie viver. Por quê? – A voz de Stefan ficava ecoando em minha mente.

E, repentinamente, minha mente se encheu de memórias vividas com Elena, mas essas pequenas lembranças começaram a se esvair quando minha mente foi dominada por íris cor verde-escura que irradiavam poder e calor me aquecendo, me fazendo sentir emoções que ninguém, nem mesmo Elena, conseguia me fazer sentir.

"E aqui estou no meu inferno particular, fazendo as mesmas coisas de sempre, panquecas de vampiro para bruxinhas mal-humoradas e péssimas perdedoras.

"Eu odeio suas panquecas."

"Odeio sua voz irritante."

"Ela sempre volta todas às treze vezes. Eu acho que é assim que vocês mostram seu amor." Eu podia me lembrar da voz irônica de Kai como se ele já soubesse do que estava escondido dentro de nós muito além da superfície. Mas, eu era covarde demais pra admitir a mim mesmo.

"Sei que há um milhão de pessoas com quem você gostaria de estar agora." Pela primeira vez eu me sentia nervoso, ansioso, tímido diante dela e, então, ela me fez sorrir com uma simples palavra.

"Não exatamente." Então, ela havia se sacrificado por mim, me deixando voltar para casa, para os braços de Elena. "Eu não posso, mas você vai." E mesmo sangrando e chorando, ela sorriu para mim. Ela me deu esperança quando eu nem acreditava mais.

"Damon, eu quero Bonnie de volta mais do que qualquer coisa; ela é minha melhor amiga. Mas, para você ela é outra coisa, não é?" A voz de Elena ecoava em minha mente.

Sim. Bonnie significava tantas coisas para mim, ela tinha o dom de confundir minha mente e mexer com meus sentimentos de um jeito avassalador.

"Bonnie!" Eu me lembrei de quando eu estava desolado me sentindo perdido e ela pareceu subitamente em minha cozinha, me esperando com nossas panquecas.

"A primeira e única." Ouvir a sua voz e seu sorriso radiante de quem estava tão feliz de retornar para casa. Naquele dia ela saiu do mundo prisão e retornou direto para os meus braços.

"Você conseguiu, Bon-Bon. – Eu sentia uma felicidade inexplicável quando ela se jogou em meus braços sem hesitar, me fazendo tão feliz e orgulhoso de tê-la segura comigo. Aquecendo meu coração naquele simples abraço. O abraço mais sincero que eu já havia recebido em toda a minha vida.

"Ei, Bon-Bon, você achou mesmo que eu ia te abandonar? Não mesmo. Eu ainda tenho muitos apelidos pra você. – Seu corpo frágil se prendeu a mim como se eu fosse seu refugio, o lugar onde ela se sentia segura e protegida de toda dor e medo.

Por um instante, eu a tive segura em meus braços, sabendo que eu fiz a escolha certa...

− Sabe a ironia disso, Damon? – Minha mente retornou a Stefan e suas palavras afiadas. − Você me tirou muitas coisas das quais eu conquistei sozinho com muito amor e dedicação.

Eu senti o impacto de seu chute sobre meu peito fazendo meu corpo rodopiar no ar e depois cair brusco, deslizando sobre a lama. Mas, eu já estava em pé novamente, pronto para retornar seus golpes vorazmente.

− Enquanto eu tentava seguir em frente, você sempre aparecia como um furacão na minha vida, deixando um rastro de destruição. Você me tirou uma pequena família que eu estava construindo ao lado de Zach e sua esposa. — De repente suas palavras pareciam se tornar golpes mais fortes e impactantes sobre mim do que seus golpes físicos.

Stefan estava reabrindo velhas feridas que pareciam nunca cicatrizar dentro de mim.

− Você assassinou tão, cruelmente, aquela mulher, da mesma forma como Julian matou meu filho. – As palavras de Stefan eram ásperas me fazendo se encolher, tentando me proteger dele. Nunca me senti tão desamparado.

− Não, eu não sou como Julian. – Eu disse vacilante, enquanto eu sentia o remorso pelos meus pecados me consumirem.

− Sim, você é tão monstro quanto ele. Você matou minhas esperanças, minhas alegrias e planos. – Havia tanta amargura em suas palavras me causando uma angustia em mim. – Você tirou Lexi de mim, a minha melhor amiga. Lembra-se? – Meu coração falhou naquele momento, quando eu vi Bonnie ali a mercê de um Stefan que eu já não reconhecia mais.

− Tire suas mãos dela! – Eu disse ganhando forças para confrontá-lo. – Ela é a única coisa boa que restou para mim. – Eu murmurava sentindo meu peito latejar em angustia.

− Damon, você não a merece. Algo tão bom, não pode ser manchado por suas mãos impuras. – Meus olhos se fixaram em Bonnie e em seus olhos verdes indomáveis que transmitiam tanto poder e coragem.

Eu precisava parar Stefan definitivamente e acabar com essa tortura. Eu só precisava fazer o que tinha que ser feito, eu tinha que fazer uma escolha cruel, porém necessária.

− Não, meu irmão. Você não vai tirá-la de mim. – Vestindo uma máscara de obstinação cega, eu arranquei um pedaço do tronco da árvore e, como um borrão encravei a estaca no peito de Stefan, rápido e letal. Ele caiu em meus braços, mortificado.

− Olha só para nós, Damon. Sua inveja e obsessão nos destruíram. Valeu a pena tanto ressentimento? – Stefan disse chorando e agonizando em meus braços.

− Não, Stefan. Não é justo. Por favor, me perdoe. – Eu disse numa voz embargada. Eu havia matado meu próprio irmão, meu próprio sangue.

Então, eu sabia...

Eu estava mais uma vez, sobrevivendo a mais um pesadelo. Todos os dias num ciclo sem fim. Chorando, sangrando, morrendo... ou matando aquilo que mais amo.

Notas finais
Bom o proximo cap ja ta em andamento, mas tudo depende do retorno de vcs. Até a próxima, bjus!!!