Dentro de um Coração Vazio

5 O Inferno são os Outros


Notas iniciais
Esse capitulo já estava quase todo pronto pra ser postado há um mês atrás, mas a net tava ruim eu acabei tbm me frustrando, só agora a inspiração voltou e decidi terminar o que faltava do capitulo. Enfim, o capitulo a seguir é inspirado no ep 7x10, mas com uma reviravolta bem diferente. POR FAVOR deixem as suas impressões sobre esse capitulo, elas são muito importantes para mim. Vamos lá!!!

Olá do outro lado

Devo ter ligado umas mil vezes

Para lhe dizer que sinto muito

Por tudo o que fiz

Mas quando eu ligo você parece

Nunca estar em casa

Olá do lado de fora

Pelo menos posso dizer que eu tentei

Para lhe dizer que sinto muito

Por partir seu coração

Mas não importa, isso claramente

Não lhe deixa mais em pedaços

(Hello — Adele)

~*~


Damon

— Olá, herói. — Despertei ao ouvir alguém me chamar. — Até que enfim você acordou. — Demorei pra perceber onde estava, mas o local já não era mais tão desconhecido e nem o cara falando comigo.

Eu me encontrava novamente no Forte dos Soldados Confederados numa das tendas da enfermaria improvisada, onde abrigava vários outros feridos, ou a beira da morte.

— Companheiro, você ficou apagado por um bom tempo. É um milagre estar vivo. Nós sobrevivemos a mais um dia. — Will disse usando uma voz tenebrosa, parecia que estava zombando de mim.

"Sim, eu estava aqui vivo, sobrevivendo a mais um dia nessa droga de inferno!"

Quanto mais eu ficava preso nesse inferno, mas as minhas ações, se tornavam repetitivas. Não havia como mudar o rumo do meu destino, porque toda vez que ia e voltava, sempre alguém iria morrer e eu sempre teria sangue em minhas mãos. Não importa o quanto lutasse, matasse, morresse, ou simplesmente, tentasse não interferir nas sequências das coisas. Não importa, eu não conseguia salva-los, uma vez que nem conseguia salvar a mim mesmo.

E, falando nisso, lá estava eu e Will novamente vagueando pela floresta na direção da zona de guerra, já sabendo o que aconteceria. Decidi antecipar o fim daquilo que já estava predestinado a acontecer.

− Sinto muito Will, mas vou facilitar as coisas para nós. – Eu parei me deparando com os olhos confusos de William.

− Damon o que... – Ele se engasgou com as palavras ao ver a minha próxima ação. Eu mirei minha arma direto em sua cabeça, apertei o gatilho dando um tiro certeiro, explodindo seus miolos, fazendo seu sangue espirrar em mim, mas eu nem me importei.

− De um jeito, ou de outro, você ia morrer. – Eu sussurro sem remorso, ao silêncio mórbido pairado sobre mim. Ao me virar, pronto para seguir o meu caminho, eu me deparo com Lily me olhando assustada.

− Meu menino, o que você fez? – Eu decido confrontar seu olhar usando uma postura fria.

− Eu não me importo. Isso não é real. Você não é real! – Eu disse parando em sua frente. – Eu só quero encontrar a chave que me liberte disso. Estou cansado de evitar aquilo que é inevitável. − Ela franziu a testa pensativa, seus olhos azuis pareciam esconder algo de mim. – Você sabe a chave pra sair daqui, não é? – Minha pergunta saiu mais como uma afirmação.

− Sim, mas você já a encontrou. – Sua voz foi ficando distante enquanto ela foi se distanciando de mim. Eu decidi segui-la desesperado por uma resposta mais concreta, até que sua voz foi me levando a uma casinha abandonada.

Eu sempre tentava fugir dos meus fantasmas do passado, ao invés de confrontá-los. E Lily era a que me dava mais medo. Mas, hoje decidi enfrenta-la ainda mais se ela tinha a chave que continha a minha liberdade.

— Confie em mim. – Foi a última coisa que ouvi de sua voz sussurrada que logo me abandonou solitário ali diante daquela casa.

A casa por dentro ganhara outros ares, ali me lembrou do Grill com suas varias mesas e até havia um balcão onde era servido as bebidas, senti um desejo enorme de beber Bourbon, mas ignoro ao perceber que havia mais um alguém ali que eu demorei para sentir sua presença. Por um instante, Lily havia me levado até seu amante, Julian.

Julian se encontrava numa das mesas se alimentando de um humano. Seus olhos logo se focaram em mim.

− Damon, quer se juntar a mim? Ela é apetitosa. – Julian disse me atiçando se referindo a jovem camponesa morta em seus braços. Logo, meu nariz se contraiu ao sentir o cheiro metálico e doce de sangue, enquanto minhas presas coçaram para serem livres, mas eu me mantive no controle de meus instintos, apenas focado no que era importante.

− Me diz como eu saio desse inferno? Eu quero uma simples resposta. – Eu disse empurrando a mesa com o corpo morto para longe de nós. – Qual é a chave da minha liberdade?

— Aí está o problema. A chave da sua liberdade está dentro de você, Damon. – Aquilo me irritou eu o segurei pelo colarinho de sua camisa apertando com toda a fúria que tinha.

— Chega de enigmas, apenas me responda! Eu quero a minha liberdade! – Meu tom enfurecido, também estava muito mais carregado de súplica. Mas Julian aparecia inabalável, ostentando uma postura desafiadora e ufana.

— Olha a seu redor. Talvez, você encontre o que procura.

— Isso tudo não é real. – Eu dizia convicto.

— Rapaz, esse é o seu problema. Você nunca conseguirá ser livre enquanto não enfrentar seus próprios demônios. Enquanto não aceitar que a dor é real. Mas, você é orgulhoso demais, prefere mentir para si mesmo.

— Cala a boca! – Eu disse pronto para fazê-lo engolir suas palavras, entretanto, subitamente me senti paralisar.

— Ou você é covarde demais para enfrentar sua maior fraqueza? – Ele disse me fazendo seguir seu olhar e, de repente a alguns metros estava o caixão de Elena, completamente, em chamas. Aquilo me causou uma agonia incontrolável e insana. Eu caí num desespero...


— Não, não, não! Elena, não... Elenaaa! − Minha voz ecoava em desespero. Eu gritava me debatendo e tentando chegar até ela, mas Julian não me deixava.

− Veja bem, ao acordar nesse lugar miserável o primeiro rosto que eu vi foi de sua mãe e depois... eu a matei. Todos os dias eu a vi morrer... – Ele me olhou com um olhar perdido me fazendo sufocar numa angustia incontrolável. – Então, de repente tudo mudava e era eu quem estava sangrando vendo meu coração sendo arrancado brutalmente do meu peito. Eu podia sentir a dor, a agonia, o desespero, o ódio tudo junto se misturarem dentro de mim. Até que eu despertasse de novo nesse loop infinito de mais dor e perda. – A cada palavra dele, era como se ele estivesse descrevendo meu próprio inferno.

— Faz parar isto! – Eu gritava desvairado, sentindo cada fibra de meu corpo tremer num tormento doloroso e incessante.

— Não sou eu Damon. É você! Você é que precisa encarar a dor. Encarar a realidade. – Eu ouvia a voz dele me sussurrar tenebroso, enquanto eu continuava murmurando a mim mesmo entorpecido por tantos sentimentos. – Deixe a ir. Só assim você será livre.

As chamas foram dominando tudo, eu podia sentir o calor do fogo consumindo todo aquele caixão. Por um instante, vislumbrei o rosto dela, de minha Elena morrendo diante de mim sem que eu pudesse fazer nada.

— Acabe com isso. Faz parar essa dor. Eu não quero sentir mais nada. – Eu fechei os meus olhos e cai de joelho no chão me deixando dominar, novamente, pela escuridão e o vazio.

Entretanto, o jogo ainda não havia acabado. Eu perdi a noção do tempo e quando reabri os meus olhos, o cenário já havia mudado. Despertei para mais um novo pesadelo, só que dessa vez ele tinha um gosto ainda mais amargo e cruel. Era um ultimato, para ganhar minha tão sonhada liberdade.

Não havia mais Julian ali, nem aquela casinha que por dentro remetia ao Grill, também já não havia mais o caixão com Elena. Novamente, eu me encontrava no meio da zona de guerra, entre canhões, fumaça, fogo e desesperança. Foi ali que encontrei novamente Lily, me suplicando ajuda.

− Damon? Damon consegue tirar isto? – As explosões dos canhões continuavam a estourar em torno de nós. – Por favor... precisa me ajudar. – Ela dizia cheia de agonia.

− Por quê? Isto não é real. – Eu dizia secamente.

− A dor é real... A sensação é real. – Sua voz era irritante com toda a sua súplica.

Ouvi um barulho de um tiro retumbar, seguido por uma dor latejante numa das minhas pernas. A bala explodiu em minha pele, me fazendo rir insanamente. Eu estava à beira da loucura e tudo ao meu redor já não fazia a menor diferença para mim.

— Está amando isto, não é? – Ela murmurava com a voz embargada. Lily estava presa embaixo de uma roda de carroça, toda suja de sangue e com seus olhos azuis iguais aos meus, refletidos de dor e magoa.

"Ela estava magoada comigo?!" Eu questionava a mim mesmo, mesmo sabendo que eu não devia nada aquela mulher que havia destruído os meus sonhos. Eu a olhava zombando dela, mesmo que por dentro o vazio que, há minutos atrás havia me consumido, agora estava se esvaindo ao vê-la vulnerável diante de mim.

− Morrerei sabendo que meu próprio filho me odeia.

− Sim, ele odeia. – Afirmei com escárnio.

− Por quê? – Ela me questionou, desesperada por uma resposta. Eu me aproximei meio cambaleando para perto da carroça que a mantinha presa.

− Porque tentou tirar Elena de mim.

− Por que não me ajuda? Por favor! – E sua voz cheia de suplica era afiada me causando uma dor latejante em meu peito, mas como sou teimoso, continuei lutando contra Lily e as emoções que ela me fazia sentir naquele momento. – Por quê? – Ela continuou me pressionando a uma resposta e aquilo ficava martelando a minha mente.

− Porque você tirou de mim a única coisa que me fez feliz. – Eu dizia agora sentindo que eu tinha que me libertar de toda esse ressentimento que vivia dentro de mim há muito tempo. − Porque não foi forte o bastante para abandonar o seu marido. Porque você adoeceu e nos deixou... Eu te odeio, porque você podia ter voltado várias vezes, mas nunca voltou.

E, naquele momento, eu abri todo o meu coração, deixando sair tudo. Tudo o que estava guardado a tantos anos. Tudo o que me fez ser quem eu era hoje. Esse alguém tão perdido dentro de si. Esse alguém egoísta, imprudente que vive incessantemente a procura de amor. Um amor que já fora arrancado de mim precocemente.

− Eu te perdi primeiro quando o pai a mandou embora com tuberculose. E então te trouxemos de volta do Mundo Prisão e te perdi, novamente, para a sua nova família. E agora estou perdendo você para a morte. Perdi você três vezes. – Eu parei por um instante repensando em tudo o que havia acontecido durante toda a minha vida. Vi um filme passar em minha mente como num flash. Eu sabia que tinha que deixar tudo sair, pois só assim eu seria livre. − Tive três chances para dizer tudo o que eu queria te dizer e as três vezes, eu arruinei isso.

− Meu doce garoto... – Ela me olhou com ternura e aquilo me aqueceu por dentro, eu me deixei me levar, precisava dela, da minha mãe ali para me guiar. Então, me ajoelhei ao seu lado e senti seu toque me reconfortar por um minuto, enquanto minha face era molhada por minhas lágrimas sinceras. – Ainda há tempo. Diga-me. Diga-me o que você necessita dizer. Diga-me. – Seus olhos azuis também estão lacrimejados. Eu também podia sentir pela primeira vez o seu amor tudo refletido nos olhos de Lily.

− Mãe... me desculpe. Eu sinto muito. Me dê uma chance de consertar as coisas. – Agora era eu que estava suplicando por ela. Por seu perdão. – Me dê uma chance para deixar você me amar. – Mas então, eu vi sua face se desvanecer na minha frente me deixando entregue à solidão. – Não, não, não...

Entretanto, como um borrão, eu fui puxado para uma luz e quando dei por mim, despertei deitado sobre a mesa bem no centro da sala da mansão Salvatore. Eu me sentia desnorteado, ouvindo vozes, vozes muito familiares que ao invés de me causarem paz, ou alivio me deixou em completa aflição e tormento.

− Não tínhamos terminado. Preciso trazê-la de volta... – Eu dizia enfurecido, me levantando e confrontando todos que estavam ali me assistindo como se fossem telespectadores da minha loucura.

− Damon, Damon... sou eu seu irmão. Você está a salvou. Está tudo bem. – Dizia Stefan tentando me acalmar.

− Não... mais uma vez, mais uma vez.. – Eu murmurava a mim mesmo. – Me mande de volta! Sei o que é preciso fazer! – Me virei para confrontar a bruxa. Bonnie estava ali me olhando com seus olhos verdes assustados, mas eu nem me importava.

− Damon, isso não é real. – Ouvia Stefan tentando me controlar com sua voz ponderada.

− Sei que não é real, nada disso é. – Disse muito convicto, agora me sentindo dominar por uma fúria descomunal. Sem pensar, apenas seguindo meus instintos, eu os ataquei ferozmente, um por um... Stefan, Carol, Matt e por fim... Bonnie Bennett. – Preciso voltar para ela e você é apenas um obstáculo. – Eu disse perturbado, antes de sufocar a pequena e frágil bruxa, até vê-la cair sem vida aos meus pés...




Bonnie

− Não, não, não! – Eu gritei, insanamente, despertando sozinha em meu quarto, com o corpo suando frio e trêmulo. Logo, senti o barulho da porta se entreabrir e num flash senti mãos frias me puxarem para si me acolhendo num abraço apertado.

− Bonnie, calma. Foi só mais uma droga de pesadelo. – Carol dizia tentando me acalmar. – Você está muito esgotada. E para piorar, agora você sabe sobre os lados mais obscuros de Damon. E isso vai acabar consumindo você, também. – Ela dizia preocupada. Eu me afastei de seus braços, me sentindo contrariada.

− Caroline, de algum jeito inexplicável, eu sou a única que conseguiu ter ao menos um vislumbre de Damon lá dentro daquele inferno. – Eu me levantei e comecei a andar, nervosamente, de um lado para o outro, perdida em minhas próprias reflexões.

− Mas, isso também está acabando com você. Olha pra você agora, Bon. – Carol se aproximou de mim me arrastando até o espelho da penteadeira. Eu me vi refletida com uma expressão cansada, com olheiras profundas, fruto de noites mal dormidas e da energia gasta também em todas as tentativas de salvar Damon de sua prisão. – Quantos quilos você também perdeu, hein? Você tem pesadelos constantes, não dorme e nem se alimenta direito. E fora que você também anda muito ansiosa demais.

− Carol, você não entende. Eu... – Ela me interrompeu irritada.

− Se você ficar doente não vai conseguir salva-lo. – Ela me deu seu olhar reprovador. – Eu estava pensando, nós temos dois hereges que podem muito bem valer por uma bruxa Bennett.

− Obrigada, agora sou incompetente. Sou fraca. Entendo... vocês acharam melhores substitutos. – Eu disse com desdém, cruzando os braços sobre o peito e fazendo Caroline revirar os olhos em provocação.

− Não seja tão orgulhosa e não me faça julgamentos precipitados. Eu sou sua amiga e eu sei que você não é de desistir de uma boa luta. Sei que você é forte, já nos salvou tantas vezes. Mas, sei também que você é humana e está se esgotando demais. − Caroline parou pensativa me dando um olhar tenso e inseguro. – Quando Damon voltar ele provavelmente nem será mais o mesmo.

Isso me fez lembrar das palavras de Stefan, mais cedo.

− Quanto mais Damon estiver preso lá dentro, mais perto de perder sua humanidade ele estará. – E era isso que estava nos deixando nervosos e em conflitos constantes, pois já haviam se passado quatro meses sem Damon aqui. Quatro meses com sua alma aprisionada na pedra. E a cada dia, um passo ele estará de perder sua sanidade e retornar, completamente, desumano.

— Vamos lá, Bon. Eu preciso que sua lógica prevaleça. Já temos um Stefan carregando muita culpa sobre si. E é tão teimoso.

— Claro, ele é o irmão dele. E querendo ou não, Stefan sempre vai se sentir responsável por cada falha que cometer com Damon, ou até mesmo pelos próprios erros do irmão mais velho. — Eu disse encarando, desafiadoramente, o olhar de Caroline me referindo a mínima possibilidade de Damon, realmente, voltar fora de si o que, eventualmente, vai afetar o Salvatore mais jovem.

De repente, Caroline desviou o olhar parecendo conturbada e eu a conhecia bem de mais para saber que a loira escondia algo de mim.

— Carol, qual o problema? — Percebi ela franzir os lábios e fechar os olhos parecendo muito nervosa. — Carol, olha pra mim. Tem alguma coisa acontecendo que vocês não querem me falar? — Questiono tensa, segurando firme os braços de Caroline e chamando sua atenção.

— Bon, talvez, você devesse não estar aqui caso Damon retorne. — Ela disse se desvencilhando do meu aperto e agora era ela quem segurava as minhas mãos, amigavelmente, me deixando confusa. — Olha, nesse exato momento, a humanidade de Damon já pode ter se esvaído. Se isso acontecer, Damon não vai voltar como o vampiro que você conhece e que confia como amigo. Se Damon retornar desprovido de humanidade... ele vai querer matar você pra reviver Elena. — E suas palavras eram como navalhas me rasgando por dentro.

— Não, ele não faria isso... — Eu disse duelando comigo mesma entre a dúvida e o medo disso se concretizar.

− Preciso voltar pra ela e você é apenas um obstáculo. – De repente a voz de Damon apareceu em minha mente como um carrasco, me fazendo relembrar tudo que havia vivido dentro daquele pesadelo. No fundo, eu sabia que Damon sempre iria me ver como um obstáculo entre ele e Elena. E constatar isso, era doloroso e decepcionante demais para enfrentar.

— Bonnie... mas seja o que tiver que acontecer, eu prometo que vou te proteger. — Carol disse segurando meus ombros e depois me abraçando, protetoramente.

— Eu sei. — Eu disse retribuindo seu carinho. — Agora eu preciso de um tempinho pra mim. Vou tomar um banho e comer algo. — Falei tentando quebrar toda aquela tensão que havia pairado sobre nós.

— Tudo bem, Bonnie. Ah, eu tenho uma ideia pra curar seus pesadelos. — Carol disse sorrindo toda segura de si. — Talvez, só precisamos de um herege pra sugar todas essas coisinhas terríveis da sua mente. E pronto, você voltará a dormir como um bebê.


*** ***


Valerie conseguiu absorver tudo o que eu tinha visto e constatou após, mais uma tentativa falha, de que a alma de Damon já não estava mais presa na pedra. No entanto, o que nos assustou foi à possibilidade de Damon estar numa espécie de limbo. Ele nem estava mais preso dentro da Pedra da Fênix, mas ao mesmo tempo, ele não estava em nossa realidade. Era como se Damon estivesse preso entre dois mundos. Entre realidade e irrealidade, Damon estava preso em sua mente como se estivesse em coma sem tempo definido pra acordar.

− Você não conseguiu dormir? – Stefan disse ao perceber minha presença na sala da mansão. Eu me sentei ao seu lado de frente para a lareira que aquecia o local.

— Eu vi Damon lá de novo em meus pesadelos. E ele nos atacou. – Eu disse e vi os olhos de Stefan se cruzar com os meus num olhar sombrio.

− Como foi? – Ele disse curioso franzindo a testa e com seus olhos esverdeados refletindo as chamas da lareira.

− Eu não sei... Foi horrível, porque eu senti como se fosse real. – Eu disse fechando os olhos tentando acalmar meu coração que se a apertou ao pensar na ausência de Damon. – Por um instante, eu estive tão perto, mas... – Ele me interrompeu.

− Mas, ele te repeliu. É isso que Damon está fazendo... Ele está te bloqueando. Toda vez que você tenta chegar até ele, Damon faz algo para quebrar isso. Ele te deixa ver o que ele quer que você veja e depois ele te empurra para fora da mente dele.

− Então, ele sabe o que está ocorrendo em volta dele, não é? Mesmo, inconscientemente, ele sabia que nós estaríamos lá, tentando puxá-lo de volta para a realidade. – Agora eu dizia andando, nervosamente, até onde estava o corpo de Damon, toquei a sua face e senti como se uma eletricidade percorresse meu corpo. Eu desejava que o vampiro pudesse sentir o meu toque e abrir aqueles lindos olhos azuis maliciosos, mas não houve retorno.

− Mas, você é a única que consegue atravessar essa barreira que ele impõe contra mim e os outros. – Stefan disse se aproximando de mim.

− Sim, mas eu também sou um obstáculo. – Eu disse sem perceber.

− É por isso que você quer tentar entrar na mente dele, mesmo sabendo das consequências que poderão ocorrer com você. Eu não sei se isso é muita coragem, ou burrice, ou talvez, sua atitude de mártir, voltou com força. Você é doida? – Stefan disse brincalhão conseguindo me roubar um sorriso.

− Se você pudesse entrar lá e presenciar o que vi na mente do Damon. Se você pudesse salva-lo daquele inferno que ele criou pra si, você se arriscaria sem nem hesitar. – Eu disse convicta para um Stefan que agora se encontrava com uma expressão seria e preocupada.

− Eu faria sim. Eu seria capaz de me sacrificar por meu irmão. – Nos olhamos por um instante em silencio. – Mas, eu já estou acostumado a dores e traumas terríveis ao longo da minha imortalidade. Eu sei que aguentaria, porque eu também sou um sobrevivente. – Ele me olhou com carinho e me puxou em seus braços tentando me trazer algum conforto.

− Bom, no caso de você ter esquecido, eu já fui a Ancora Do Outro Lado. Além do mais, eu sou tão sobrevivente quanto você. – Stefan abriu um sorriso compreensivo. – Eu sei que se eu pressionar mais, eu posso fazer Damon voltar pra nós. − Eu disse convencida.

− Bonnie, mas eu tenho o dever de lhe dizer... Damon também é teimoso. − Stefan segurou os meus ombros, mantendo um olhar sombrio sobre mim. − Ele está lá com a sua alma devolvida ao seu corpo. Mas, ainda não acordou, simplesmente, porque... Ele não quer acordar.

− O que eu devo fazer Stefan? Desistir não é uma opção. – Eu disse determinada. − Você seria capaz de desistir do seu irmão? − Eu questionei olhando duramente a espera de uma resposta. – O que eu devo fazer? Me ajuda! – Stefan desviou o olhar. Eu podia sentir a sua hesitação.

− Eu acho que você com todo esse seu poder e toda a sua coragem e lealdade, é a única que pode realmente chegar até Damon e trazê-lo de volta. Lembre-se: você tem que vencer as armadilhas da mente conturbada dele. E não deixe os terrores dele dominar você.

Eu fiquei ali diante da lareira, remoendo as palavras de Stefan. Ele tinha razão. Para conseguir trazer o seu irmão de volta, eu teria que focar só no vampiro de olhos azuis e esquecer todos os cenários possíveis que Damon estaria criando contra mim.

Notas finais
Por enquanto, é isso pessoal. Como eu disse a reviravolta desse cap é diferente da serie, assim como a dessecação do Damon tbm será abordada de uma forma diferente. Essa fic é talvez, mais complexa que eu já tive q escrever, pq há muitas ideias aleatórias que podem deixar vcs confusos agora, mas no próximo vou encaixar tudo direitinho para q o resultado final fique legal e bem desenvolvido. Se vcs tiverem duvidas, ou sugestões ou criticas sintam-se a vontade. Pfv quero reviews!!!