Dentro de um Coração Vazio
7 Enquanto Você Dormia
Notas iniciais

Bonnie
"Querida Elena, quero lhe contar um segredo. Um segredo que deveria morrer comigo, mas decidi compartilhar com a minha antiga amiga antes de seguir rumo a minha tão sonhada paz.
Penso que esse segredo irá mudar tudo entre nós. Talvez, você pense que seja fácil para mim lhe contar isso, sem lhe confrontar cara a cara, mas Elena isso já não importa.
Bem, como posso começar? Ah claro, na véspera de natal, antes do Damon ter a sua alma presa na Pedra da Fênix."
Enquanto escrevia no diário para Elena, minha mente era dominada por vários flashbacks daquela noite que mudaria o meu destino...
−Olha, ai está você! – Eu gritei chamando atenção de Damon que estava sentado no topo da torre do relógio que estava toda decorada com luzinhas coloridas de natal, o que ajudava a iluminar o lugar. – Achou que podia realmente fugir de mim? – Eu disse sarcasticamente. Era incomodo ficar olhando lá em cima, conseguindo vislumbrar apenas sua silhueta masculina.
− Que incrível! Com certeza seria impossível fugir de você, Bruxa. – Ele disse com uma arrogância que me irritava.
− Uh, alguém aqui está enfurecido. – Eu rebati provocativa, sentindo flocos de neve cair sobre minha face e nublar um pouco minha visão. — Vamos lá Damon, pare de ser birrento. Odeio quando você se comporta como um menino mimado.
— Bem, se vamos jogar esse jogo... posso dizer as coisas que mais odeio em você, Bon-Bon? Porque são muitas. — Nesse instante, consegui vislumbrar seu rosto, Damon agora se debruçava sobre a beirada da torre exibindo um sorriso debochado.
— Ei, vamos pra casa. Podemos terminar a noite bebendo Bourbon e brigar feito com cão e gato. — Eu tentei persuadi-lo usando do mesmo tom sedutor que ele costumava a usar comigo. — Eu até posso fazer uma lista especial de 10 coisas que eu mais odeio em você. Mas, aqui tá frio. Vamos pra um lugar quente. — Isso não soou exatamente como deveria.
— Uau, você está tentando me seduzir? É tentador. — Seu tom era cheio de segundas intenções.
Damon se levantou segurando a pequena garrafa de Bourbon, enquanto brincava de se equilibrar na beirada da torre. Um desconhecido pensaria que ele é um suicida. Eu adquiri a mesma ação e comecei a andar de um lado para o outro, fazendo barulho com a minha bota sobre o gelo tentando me aquecer do frio.
— Admita Bon-Bon, você me quer na sua cama. — Sua insolência era tão enorme quanto seu ego me deixando boquiaberta.
— O quê?! — Exclamei desconcertada.
— Você disse: "Vamos para um lugar quente." Cama, lembra um lugar quente. A menos que a sua seja fria.
— Você... você é tão pervertido. Eu odeio isso em você. — Ele sempre tem o dom de me irritar, mesmo que, internamente, eu estava rindo da sua ousadia. — A minha cama não é pra qualquer um. Até a solidão é melhor companhia que você. — Eu disse pronta pra seguir meu rumo, mas abruptamente, acabei escorrendo e caindo sobre o gelo.
Como um borrão Damon apareceu ao meu lado exibindo uma expressão presunçosa, se divertindo com a minha situação.
— Olha só pra você, caída aí em plena noite fria e solitária. Sem ninguém pra te salvar.— Seu sorriso torto era enervante. — A solidão não me parece uma boa companhia agora, né. — Ele arregalou os olhos insanamente e se curvou sobre mim como se fosse me ajudar, mas logo se distanciou voltando a sua posição em pé.
— Idiota! — Eu esbravejei tentando me mexer e se levantar sozinha, porém falhando miseravelmente e quase caindo de novo se não fosse por Damon que me puxou para perto de si tentando me ajudar a manter o equilíbrio, já que o chão estava escorregadio e eu não conseguiria me manter em pé sozinha.
— Nossa Bon-Bon, no fundo, você precisa de mim, só não quer admitir. — Suas mãos me seguravam firme pela cintura, enquanto as minhas se firmavam em seus braços sentindo a dureza de seus músculos. — Por que você usa essas botas? Parece que tem dois pés esquerdos. — Ele reclamou, secamente.
— Cala boca! Elas são muito bonitas e estão super na moda. — Eu disse impaciente, com raiva e com frio.
De repente, o clima de provocação foi substituído por uma seriedade e tensão desconfortável.
— Mas, falando sério... porque você está aqui, vagando pela cidade sozinha? — Damon me soltou e ficou parado na minha frente me olhando carrancudo.
Para comemorar a véspera de Natal, Caroline teve a ideia de juntar nosso grupinho para uma pequena ceia na Mansão Salvatore e estava indo tudo bem, até que em algum momento durante a noite, o assunto acabou recaindo sobre Julian e a morte de Lily e Damon e Stefan decidiram extravasar suas frustrações e ressentimentos, usando de palavras ácidas e verdades cruéis. Durante a discussão, Damon havia dito que odiava o natal e que não havia nada para ser comemorado.
— Eu estava preocupada com você e acho que ninguém tem que passar o natal sozinho. — Nos olhamos em silêncio. — Mesmo que Damon Salvatore, seja o cara mais insuportável que eu já conheci. — Ele revirou os olhos me fazendo rir. — Por que você odeia o natal? — Resolvi perguntar meio hesitante me lembrando da discussão entre ele e Stefan. — Tem a ver com Lily? — Continuei pressionando. Damon travou a mandíbula e seus olhos azuis ficaram distantes, como se ele tivesse preso dentro de alguma memória.
— Sim, tudo tem a ver com ela. Lily, que sempre foi uma mulher submissa, incapaz de proteger seus filhos. — Ele parecia transtornado, com seus olhos faiscando em fúria. — Eu odeio o natal, porque tudo que tenho são lembranças horríveis. Foi no natal que Lily nos abandonou.
Em seu desabafo Damon revelou que os natais são um lembrete doloroso de como os Salvatores nunca foram uma família real e feliz, apenas mantinham as aparências. Seus natais eram sinônimos de solidão e melancolia.
— Então, ela volta pra nossas vidas, trazendo consigo uma nova família. E pra ferrar novamente com a minha vida, Lily me tirou Elena, como ela já havia tirado tantas outras coisas de mim, só pra me ver sofrer. Porque ela sempre me odiou. — Meu coração se partiu ao ver sua voz quebrada e aqueles lindos azuis cheios de mágoa.
"Elena se você pudesse ver o quanto danificado ele estava diante de mim, você seria capaz de qualquer coisa, só para não ver aqueles azuis elétricos, obscurecidos de angústia e dor."
— Sinto muito. — Eu disse quebrando aquele silêncio perturbador que havia se instalado entre nós, me aproximando com cautela dele e tocando a sua face, fazendo suas íris cheias de angústia me olharem, fixamente. — Sinto muito por Elena não estar aqui com você. Se eu pudesse... — Minha voz estava trêmula e melancólica.
— Shhhh... Não, não se culpe. — Ele disse agora mais suave e compreensivo. — Eu já disse isso pra você. Não é justo se culpar por algo que você não tem controle. — Eu só percebi que estava chorando quando senti seus dedos tocando a minha face, enxugando minhas lágrimas. — Os únicos culpados disso são Kai e Lily.
E lá estávamos nós, embaixo daquela fina neve que caia sobre a cidade, discutindo nosso passado complicado.
— Damon, obrigada por ter salvado a minha vida...
— Como se você já não tivesse feito isso por mim antes. Você sim entende bem sobre reais sacrifícios.
— Eu sei, eu só... — Fui interrompida por sua voz determinada.
— Eu nunca vou me arrepender de salvar você, Bon-Bon. Eu sei que eu fiz a escolha certa, porque... — Houve uma pausa agoniante entre nós, criando uma enorme ansiedade dentro de mim. — Porque você é como um pedaço da minha alma. E perder você seria como... Como perder a mim mesmo. — E eu me perdi naquelas órbitas azuis.
"E naquele instante, estando tão perto dele, sentindo meu coração pulsar agitado por cada toque, olhar, ou cada palavra, sem pensar em mais nada eu fechei a distância entre nós e o beijei.
Foi só ao ter os lábios dele nos meus, que percebi o quanto eu o desejava com uma fome inexplicável. Uma fome que eu senti ele me corresponder com o mesmo fervor.
Eu senti nesse beijo que eu queria fazer Damon curar suas feridas, ao mesmo tempo, superar a culpa, a mágoa e toda a sua dor que lhe corroía por dentro.
Eu queria libertar Damon, fazê-lo se sentir feliz e amado. Naquele beijo, eu quis salva-lo e manter ele para mim... Só para mim."
Entre as minhas escritas no diário, fui me perdendo entre lembranças e emoções diferentes tão vividas e que eram impossíveis de serem esquecidas. Eu ainda podia sentir as sensações de suas mãos me tocando, ou do seu corpo se prendendo mais ao meu, enquanto nossas bocas e línguas se entrelaçavam desesperadas, até eu ficar quase sem fôlego, precisando me separar de seus lábios.
Quando nossas bocas se separaram foi que a realidade caiu sobre nós. Eu me afastei dele, sentindo minha consciência entrar em conflito com o meu coração que batia, descontroladamente. Sem me atrever a lhe olhar, caminhei o mais rápido que conseguia sobre a neve escorregadia e indo em direção ao seu Camaro, esperando ele me seguir sem reclamar, ou ousar falar comigo. Por sorte o vampiro fez o que eu esperava, apenas entramos no seu carro em silêncio com um Damon dirigindo impaciente e furioso. Assim, seguimos rumo à mansão numa viagem tortuosa e desconfortável.
Lembro-me dos seus olhares indiscretos sobre mim, mas eu não sabia como reagir ao certo. E quando chegamos a mansão, eu saí batendo a porta do carro apressada com o objetivo de me trancar em meu quarto, tomar um banho demorado e me jogar na cama e dormir na esperança de esquecer de tudo que havia acontecido até aquele momento entre nós.
Obviamente, meus planos foram frustrados, pois ao sair do banho me deparei com uma caixinha de veludo vermelha deixada sobre a cama, junto dela havia uma carta simples dizendo: "Ela combina perfeitamente com a sua beleza indomável. Feliz Natal, Bon-Bon!"
"Bon-Bon." Por causa daquele apelido, eu já sabia quem havia me dado o tal presente. Justamente, ele que odiava o Natal. Dentro da caixa aveludada havia uma linda e delicada corrente de prata, com um pingente de esmeralda em forma de gota.
Ao me recordar disso, deixei o diário de lado e parei para pegar a correntinha que estava guardada dentro da gaveta, na cômoda ao lado da cama. A última vez que usei a jóia, foi meses atrás, quando o vampiro decidiu dessecar à espera de Elena.
Instintivamente, segurei o pingente de esmeralda entre minhas mãos trêmulas, totalmente perdida em memórias dele. Me lembrando da parte mais inusitada e louca daquela noite, quando distraída decidi lhe agradecer, pessoalmente, me esquecendo que estava apenas enrolada numa toalha branca e só fui me dar conta disso, quando abri a porta, dando de cara com Damon que também estava usando o meu presente: – Uma camisa xadrez azul.
E, caramba, ele estava tão lindo e sexy com aquela camisa deixando quatro botões abertos acima de seu peito pálido e duro, combinados com seus azuis imponentes que me olhavam num misto de surpresa e desejo cru. Um desejo que também se refletiam nos meus.
Houve um silêncio repentino, até que resolvemos tagarelar cheios de curiosidade e ansiedade...
— Por que a camisa xadrez?
— Por que uma jóia?
— A camisa xadrez é melhor que seu pretinho básico. Acho que você precisa de mais cor na sua vida, Damon. — Eu disse apertando a toalha, tentando me proteger de seus olhares pervertidos. Seus olhares pareciam me despir, me causando calafrios.
— Camisa de flanela é igual a um certo mundo prisão, preso com uma bruxa chata e irritante. — Ele estava me provocando. — Você me odeiam tanto que quer me punir? — Seus azuis se estreitaram.
— A camisa também é um lembrete bom do mundo prisão. Onde eu guardo boas lembranças divertidas, de compras no mercado, ou de você na cozinha fazendo aquela dancinha ridículo, enquanto preparava suas panquecas que eu tanto odeio. — Eu disse provocando sua gargalhada. — É uma lembrança que tenho um carinho especial... —Trocamos olhares em silêncio.
— Mentira! Eu amo a ideia de punir você. — Enfatizei ironica, fazendo ele franzir a testa em desgosto. — Então, sua vez... Por que a jóia?
— Bem, haveria infinitas razões para presenteá-la, justamente, com essa jóia. — Damon disse caminhando, perigosamente, mais próximo de mim e me fazendo recuar para dentro do quarto. — A corrente de prata é pra sugar todas as suas emoções negativas e a esmeralda lhe dará equilíbrio e sabedoria.
O vampiro continuou caminhando em minha direção como um predador voraz, ele passou a língua sobre seu lábio inferior como se estivesse faminto sem perder contato visual, enquanto suas mãos deslizavam suave sobre a corrente em meu pescoço, me arrepiando até parar sobre o pingente alojado entre o vale dos meus seios coberto pela toalha.
— A combinação entre a prata e a esmeralda serve também como um talismã pra proteger de forças malignas. — Seu toque mesmo sobre a toalha foi capaz de fazer toda a minha pele faíscar em nervosismo e excitação.
De repente decidi que tinha que impor espaço entre nós. Usando minha magia, o joguei contra à parede bem longe de mim, enquanto eu fugia para cima da minha cama. Damon rosnou irado me fazendo rir.
— Bom, a única força maligna aqui agora é você. — Damon tentou se aproximar de mim, mas eu decidi não facilitar sua vida, lhe dando alguns aneurisma. — E ela deveria me proteger, principalmente, de você... Seu vampiro pervertido!
— Ah, então é isso? Estamos jogando gato e rato. — Ele cruzou os braços e passou a me olhar dos pés a cabeça como se me despisse apenas com aqueles azuis faiscando de luxúria.— E não tem ninguém pra te salvar, bruxinha.
"Por que ele tinha que me lembrar disso?!" A única pessoa, além de nós dois na casa, era Ric que estava bêbado dormindo na sala.
— Você não imagina o quanto excitante é jogar esse jogo com você, Bon-Bon.
Ah, e aquela voz rouca sussurrada causava um rebuliço dentro de mim, me deixando numa mistura de medo e excitação.
— Essa camisa xadrez foi só um bônus, não é?!
— O quê? — Eu disse confusa segurando inutilmente a toalha o mais apertado que podia sobre meu corpo, sentindo que estava perdendo o controle sobre a situação.
— Admita. Você me deu a camisa, porque me achava sexy nela. — Ele era um tagarela presunçoso. — E isso foi só um bônus, porque você estava me esperando nesse quarto com a correntinha destacando sua beleza, embrulhada apenas numa toalha branca, como se fosse um presente feito sob medida para mim.
E foi nesse momento em que me distrai pelos olhares e voz sedutora daquele vampiro vaidoso, que acabei deixando minha magia falhar desfazendo a parede invisivel que me protegia, facilitando sua aproximação. Damon me derrubou sobre a cama, com seu corpo grande e pesado pairado sobre o meu me encurralando em seus braços. Minhas pernas tremiam sob seu toque lascivo e sua boca que me beijava sem pudor.
— Você sabia que as esmeraldas também podem revelar a verdade ou a mentira das juras de amor. — Ele falou segurando a jóia e me olhando intensamente, mostrando uma sinceridade nua e crua, da qual eu nunca pensei encontrar em Damon.
— Obrigada, você fez uma bela escolha. — Eu disse ofegante, tentando lutar contra o desejo que me queimava por dentro. Suas mãos seguravam meus pulsos acima da cabeça e suas pernas pairava de cada lado do meu corpo, me impedindo de escapar. — Mas, eu não tenho nenhum segredo pra ser revelado, caso voc... — Damon me calou com seus beijos ferozes e sensuais. Quanto mais me debatia embaixo dele, mais nossos corpos se colavam.
— Eu já desvendei os seus mistérios, Bon-Bon. — Ele sussurrava rouco em meu ouvido, deslizando suas mãos entre minhas coxas por debaixo da toalha até tocar em minha intimidade molhada pulsando por ele. — Eu sei que você me quer... tanto quanto eu quero você. — Eu arqueei a sobrancelha o mirando chocada, enquanto seus dedos continuavam entre minhas coxas brincando com aquele ponto sensivel.
— Isso é uma completa loucura. — Eu disse num fio de voz segurando desesperada a gola de sua camisa xadrez, sentindo meu corpo reagir a cada toque seu. — Damon, nós somos amigos! — Ele parou de me tocar parecendo pensativo. — Dar um passo assim pode ser um grande erro... Eu... eu não quero me... — Eu gaguejei lhe olhando cheio de dúvida e medo das consequências que poderia se seguir após essa noite.
— Bon-Bon, eu quero você. Eu preciso de você. — Ele suplicava fazendo meu coração bater descompassado. — Estou cansado de tanta fúria e ressentimento. Eu só quero me sentir livre e... — Nossos olhos se atraiam com uma força indescritível. — Eu só quero novas lembranças como no mundo Prisão, quando você era a minha esperança. — O vampiro de olhos azuis imponentes me olhava tão vulnerável. — Como eu senti quando você me beijou lá fora.
— Eu estou com medo, Damon. — Eu dizia mordendo meus lábios nervosamente, sentindo um nó na garganta.
— Não tenha medo Bonnie. Eu só quero que esse natal seja especial... — Suas mãos se emaranharam em meus cabelos ainda molhados do banho. — Para que eu me lembre que com você existe esperança e tudo é tão fácil e, deliciosamente, divertido. — Suplicou convicto do que queria. — Eu quero me perder em você, Bonnie Bennett... e dane-se o resto!
— Então, faça valer a pena essa noite, Damon. — Eu sussurrei ofegante encostando minha testa na dele.
— E eu o farei, bruxinha. Não vou te decepcionar.— Ele disse sorrindo antes de colar nossos lábios num beijo avassalador...
"Elena, talvez, você esteja me censurando pela minha atitude imprudente e egoista, mas você não tem o direito de me julgar, afinal, você entende bem sobre egoísmo. Agora sejamos francas, sabemos bem o quanto Damon pode ser tão envolvente com toda a sua arrogância e paixão. Ele tem o seu jeito louco de seduzir e quanto dei por mim, eu estava sedendo aos seus encantos e desejos.
Além do mais, você queria que ele seguisse em frente. Você se lembra? Eu só estava tentando ajudá-lo e, ao mesmo tempo, aproveitando minha vida, gozando de cada pequeno momento de plena alegria e amor. Só por um momento, eu me permitir ser egoísta sem pensar no amanhã."
Trocando nossas posições, eu montei sobre seu colo sentindo sua ereção por cima de sua calça tocar minha intimidade sensível que já estava latejando por ele. Minhas mãos ansiosas trataram de abrir botão por botão da sua camisa xadrez até seu peito estar nu exposto para que meus lábios e mãos o tocassem, lascivamente, sentindo o ombro largo, os músculos firmes e a frieza de sua pele pálida, tudo isso sem perder contato visual com seus azuis cheios de um desejo cru.
Eu permiti que meus dedos traçassem uma linha do seu peito até o umbigo chegando no cós da causa jeans, desatei o cinto e, com a ajuda dele, logo se desfizemos das últimas peças que nos impedia de chegar aonde queríamos, inclusive da minha toalha esquecida em algum canto do quarto, deixando meu corpo nu, completamente, entrega a ele.
— Meu presente fica mais perfeito em você sobre sua pele nua e macia. — Damon sussurrou roçando seu lábios sobre a jóia entorno de meu pescoço, eu permanecia sentada em seu colo com minhas pernas em torno de sua cintura, logo, minhas mãos subiram em seus ombros e eu senti seus dedos deslizavam por minha espinha até que suas grandes mãos se firmaram em meus quadris. Ouvi um som profundo escapar por seus lábios, quando sua ereção me penetrou lentamente a primeira vez.
O calor chiou através de todo meu corpo, vibrando de prazer sempre que sentia ele se afundar cada vez mais fundo em mim. A sensação de nossos corpos entrelaçados, foi se intensificando me fazendo jogar a cabeça para trás dando espaço para que Damon traçasse uma linha molhada de beijos por meu pescoço, passando por meu ombro e fixando sua atenção em meus seios entumecidos que o vampiro mordiscava e acariciava com entusiasmo.
— Porra Bonnie, você é tão linda. — Numa fração de segundos ele nos virou, ficando sobre mim e se fixando entre minhas pernas. Seu corpo rijo e firme continuava batendo frenético contra o meu.— Tão poderosa e sexy. — E a cada estocada dentro de mim, eu podia sentir minha magia fluir mais intensamente por cada fibra de meu corpo, dominando o quarto e envolvendo nós dois.
As bocas se devoravam famintas de desejos e nossos lábios se separaram, para que as línguas se acariciassem intimamente. Nesse instante, meus quadris empurravam freneticamente contra seu corpo rigido, sentindo meus músculos internos se apertaram ao redor de seu pênis dolorido. Vi suas pupilas dilatarem de modo que seus olhos pareciam uma sombra, ou dois mais escura do que o seu azul habitual. Eu me agarrei a ele ofegando seu nome, sentindo o orgasmo atingir o seu pico e numa mesma sincronia nossos corpos se tornarem um. Ali, nos perdemos nos braços um do outro, se desfazendo em pura paixão e prazer.
— Agora você pode dizer que teve Damon Salvatore em sua cama. Ou você ainda prefere a solidão? — Damon sorriu para mim, olhando presunçosamente triunfante.
— Não seja tão convencido. — Eu disse bocejando com o corpo mole caída sobre dele. — Agora cala boca que eu quero dormir.
— Bruxinha, você não é romântica. — Mesmo cansada, eu consegui rir de suas tiradas sarcásticas e bobas.
Era impressionante como não houve desconforto entre nós. Pelo contrário, houve uma entrega tão intensa de ambos. Era como se fôssemos amantes há muito tempo e havia uma sensação de familiaridade entre nossos corpos, como se já conhecêssemos cada pequeno detalhe um do outro.
— Feliz natal, Damon. — Murmurei sonolenta sendo abrigada num abraço acolhedor.
— Feliz Natal, Bon-Bon. — Satisfeita e exausta, adormeci aquecida nos braços dele.
"Enquanto você dormia, eu me apaixonei por Damon Salvatore. Naquela noite, eu não havia apenas entregado o meu corpo e coração, mas também, entreguei a minha alma e futuro a Damon sem nem ter noção disso. E eu amo ele, mesmo sabendo que isso é um erro. Eu o amo mesmo sabendo que ele não me quer ao seu lado. Mesmo sabendo que ele foi dessecar esperando você despertar."
Uma parte minha quis voltar no tempo e corrigir tudo, para que naquele dia em que ele me salvou de Kai, ele tivesse escolhido Elena. Eu me lembrava o quanto emocionada e aquecida que senti quando Damon voltou e me salvou daquele sociopata, mesmo sabendo que isso lhe custaria sua felicidade com Ela. Mas, agora vejo o quanto cruel se tornou essa escolha, tanto para ele, quanto para mim.
"Você não imagina o quanto tem sido um fardo carregar a sua ausência em minhas costas, sabendo que todo este tempo, enquanto ele ansiava por você, Damon se ressentia por mim."
Eu apertava a caneta com raiva enquanto desabafava sobre o papel, deixando sair tudo o que tem me agoniado por tantos anos. Havia tanto sentimento reprimido dentro de mim com relação a minha amizade com Elena que precisava vir à tona tudo, antes que eu seguisse com o meu último ato.
"Eu nunca pensei que poderia sentir tanta raiva de alguém, como sinto de você, Elena. Eu te odeio tanto. Te odeio porque de todas as coisas que eu já tive que abrir mão por você, Damon era a única coisa que eu não queria perder em nome da sua felicidade. E eu te odeio por isso. Por tirar uma das poucas coisas que me fazia me sentir normal ou mais forte. Que me fazia feliz de uma forma que chegava a ser inexplicável. Estar com Damon era simples como respirar, mas eu o perdi. O perdi da mesma forma que perdi Sheila, Abby, Jeremy e meu pai."
De alguma forma, Elena conseguiu sutilmente, me fazer perder tudo, porque em nome de nossa amizade, eu fui capaz de abrir mão da minha própria família para protege-la. Eu perdi vovó ao tentar ajudar Elena e os Salvatores, perdi Abby ao tentar salvar Elena de Klaus. Também perdi papai, justamente, depois que eu havia morrido para trazer Jeremy de volta para ela. Todas, às vezes que a vida dela esteve em risco, lá estava eu pronta para me sacrificar. Pronta para abrir mão até da minha própria vida, no intuito de mantê-la segura e feliz.
"Como resultado da nossa amizade, eu perdi muito, abrindo mão da minha família e da minha própria vida pra que você estive bem, feliz e protegida. A cada vez que eu me sacrifique por você, eu paguei um alto preço, perdi as pessoas que amava, ou a minha magia, ou a minha vida. E eu sofri e sangrei em silêncio, enquanto você tinha todos lá para cuidar de você, incluindo Damon que nunca iria te abandonar ou te esquecer.
Enfim, a cada perda algo foi se quebrando dentro de mim, até eu chegar ao ponto que estou agora."
Um dia Abby me disse que ela partiu quando eu era pequena, porque precisava salvar a mãe da Elena das garras de Micael, o patriarca Original. Esse era o preço que se pagava ao estar perto dos Gilberts. Como uma Bennett, ou ela ficava e sacrificava a nossa família (como eu acabei fazendo por Elena), ou ela devia partir sem olhar para trás tentando proteger nossa família. Era o que eu deveria ter feito, ter me afastado de Elena e até ido embora de Mystic Falls para longe de toda essa confusão, quem sabe assim eu ainda teria a minha família inteira e viva. E poderia ser dona da minha vida.
"Abby me deu o melhor conselho da minha vida, mas eu era cega demais por nossa amizade Elena, que eu não a ouvi quando me disse pra se afastar de você. Se eu tivesse ouvido minha mãe, tudo poderia ser diferente. Eu poderia ter uma vida normal e independente, sem tantas dores e perdas cruéis. E, principalmente, Damon não teria dominado tanto a minha vida, ao ponto de ganhar a minha amizade e meu coração. Mas, enfim, eu não posso mudar o meu destino, as escolhas foram feitas e agora está na hora de encarar a realidade de frente, sem mentiras ou medo.
Só queria te dizer que não estou fazendo isso por você, Elena e nem por Damon. Estou fazendo isso por mim, porque estou esgotada emocional e psicologicamente."
A parte pior é durante a noite, com os pesadelos constantes. Eu não posso dormir porque estou assombrada. Porque cada vez que fecho os meus olhos, eu desperto sentindo mãos pesadas e grandes apertarem meu pescoço me sufocando, até que eu pare de respirar e meu coração pare de bater. E então, eu acordo toda noite suando frio e em pânico, atormentada por aqueles azuis vazios.
"Eu não posso continuar vivendo atormentada, num medo constante que Damon acordará de sua dessecação e virá até mim para me matar. Vou facilitar as coisas entre nós, assim ele não terá que sujar suas mãos e nem esperar tanto tempo para estar ao seu lado.
Eu não serei mais um obstáculo entre vocês. Só quero lhe fazer um pedido."
Elena tinha que aprender a ser uma mulher forte e independente e não esperar que as coisas fossem fáceis, porque para ela o tempo pode ter parado, entretanto, para nós o tempo passou e tudo mudou. Cada um carregava novas cicatrizes incuráveis e nem todos estarão dispostos a sacrificar tudo por ela de novo.
"Elena, faça valer a pena sua nova vida, sem tanto egoismo. Seja uma irmã de verdade para Jeremy e uma amiga leal para Matt e Caroline. Principalmente, para Caroline, quando eu partir ela vai precisar de você. E, acima de tudo, aceite Damon do jeito que ele é, um vampiro com seus vícios e virtudes, foi assim que você o conheceu.
Eu sinto muito se decepcionei você, mas não irei me arrepender ou pedir perdão. É tarde demais para isso.
Então, adeus Elena. Até nunca mais."
Quando terminei de escrever, as minhas mãos tremiam e meus olhos nublaram com as lágrimas. Meu coração começou a se apertar e uma agonia a tomar conta de mim, sabendo que meu futuro já estava todo pré-definido. O que me conforta é que eu estarei livre desse fardo.
Era hora do último ato...
Fale com o autor